FABRICAÇÃO DE GELÉIA DE FRUTAS


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As geléias de frutas podem ser considerada como o segundo produto em importância industrial para a indústria de conservas de frutas. Nos outros países principalmente europeus, como é o caso da Inglaterra, assume papel de destaque tanto no consumo quanto na qualidade.
Podemos definir como geléia de frutas, o produto obtido pela cocção de frutas inteiras ou em pedaços, polpa ou suco de frutas, com açúcar e, concentrado até consistência gelatinosa.

1 - ELEMENTOS BÁSICO PARA A ELABORAÇÃO DE UMA GELÉIA

São considerados elementos básicos para a elaboração de uma geléia, os componentes: frutas, pectina, ácido, açúcar e água. Uma combinação adequada deles, tanto na qualidade como na ordem de colocação durante o processamento, irá definir a qualidade de uma geléia.
O fluxograma a seguir, mostra de maneira resumida a influência de cada componente na formação da geléia:



1.1-Utilização das Frutas

As frutas destinadas à fabricação de gelélias devem encontrar-se em seu estado de maturação ótimo, quando apresentam seu melhor sabor, cor, aroma e, são ricas em açúcar e pectina. As frutas muito verdes, além de apresentarem deficiência nas qualidades anteriores, podem desenvolvier cor castanha no produto final e as demasiadas maduras, além de sofrerem perdas de pectinas por ação dos ênzimos péctinos, são subsceptíveis de maior contaminação de fungos e levedoras.
Na prática, aproveita-se às vezes, o material de descarte da linha de processamento de frutas em calda, pedaços, fatias ou recortes, que embora de boa qualidae não podem ser utilizadas para a elaboração de frutas em caldas, são aproveitados para a elaboração de geléia. As frutas muito maduras poderão ser aproveitadas desde que não constituem a maior porcentagem do processo.
Também podem ser empregadas polpas de frutas ou frutas pré-processadas congeladas ou preservadas quimicamente. Frequentemente, aproveita-se a época de safra das frutas para preservá-las em forma de polpa para posterior utilização na produção de geléias.

1.2 - Açúcares

O açúcar empregado com maior frequência na fabricação de geléias, é a sacarose de cana ou beterraba. Durante a cocção, a sacarose sofre em meio ácido, um processo de inversão que a transforma parcialmente em glicose e frutose (açúcar invertido). Essa inversão parcial da sacarose é necessária para evitar a cristalização que pode ocorrer em determinadas ocasiões durante o armazenamento.
Quando se faz uma concentração final acima de 65% de sólidos solúveis totais, é necessário substituir parte da sacarose para evitar a cristalização usando glicose de milho ou açúcar líquido invertido.
Normalmente, suficiente açúcar invertido é obtido durante o cozimento, porém não se recomenda prolongar o tempo de cozimento desnecessariamente sendo, melhor adicionar o açúcar invertido de glicose. Um tempo prolongado de cozimento pode degradar ou mesmo destruir a capacidade de geleificação da pectina e, nesse caso, seria necessário usar maiores quantidades de pectina para atingir a firmeza. Isso sem falar em perdas de cor sabor e aroma do produto final.
A adição de glicose ou açúcar invertido é sempre recomendável no caso de processamento a vácuo ou quando se deseja melhorar a cor e ter menor poder dolçura no produto final.

1.3 - Ácidos

Para se conseguir uma dequada geleificação, o pH final deve estar compreendido entre 3 e 3,2 normalmente. Geralmente este pH não é alcançado com o pH natural da fruta, por isso é necessário proceder à acidificação da matéira-prima empregada. Os ácidos geralmente utilizados para este fim, são os ácidos orgânicos constituintes naturais das frutas; o ácido cítrico é o mais comulmente empregado pelo seu sabor agradável.

1.4 - Substâncias Pécticas

As substâncias pécticas encontram-se muito difundidas na natureza, formando parte dos tecidos das plantas, justamente com outros componentes como o amido, celulose e lignina. A indústria utiliza a maça e os frutos cítricos como fontes principais de matéria-prima par a obtenção de pectina, geralmente obtida por uma extração ácida diluída do albedo dos citros ou polpa de maça, seguida de vários processos de purificação e isolamento.

A graduação de uma pectina é a medida do seu poder de geleificação. São considerados tres tipos de pectina encontradas comercialmente.

PECTINA DE GELEIFICAÇÃO LENTA: grau de esterificação 60-66%; temperatura de formação do gel de 45-60ºC.

PECTINA DE GELEIFICAÇÃO SEMI-RÁPIDA: grau de esterificação 66-70%; temperatura de formação do gel de 55-75ºC.

PECTINA DE GELEIFICAÇÃO RÁPIDA: grau de esterificação 70-76%; temperatura de formação do gel de 75-85ºC.


2 - PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE GELÉIA

Quando se faz a formação de uma geléia, deve-se levar em conta que o melhor resultado é sempre obtido quando as matérias-primas são combinadas de modo a se obter o menor tempo de cozimento possível. Desse modo, conservam-se melhor a cor e o sabor natural da fruta.

2.1 - Preparação das Frutas

As frutas devem sofrer tratamento adequado, conforme a prática de sua conservação. No caso de frutas frescas, deverão sofrer o processamento geral de uma linha de conservas como: lavagem, seleção, descascamento, descaroçamento (quando for necessário) e trituração também quando necessário. Algumas frutas podem sofrer um cozimento prévio para melhorar a textura.


2.2 - Adição da Pectina

É uma fase bastante importante pois é necessário dissolver toda a pectina, a fim de se obter o efeito desejado e aproveitar toda a sua capacidade de formação de gel. A adição da pectina em solução no processo à pressão atmosférica, deve ser efetuada mais no final da cocção, o que evita riscos de degradação por aquecimento excessivo. Nos processamentos à vácuo pode ser adicionada no início do processo junto com os outros ingredientes.


2.3 - Adição do Açúcar

O açúcar a ser utilizado, deve se boa qualidade e requer um peneiramento antes de sua adição para evitar materiais estranhos como fios da embalagem do saco, metais, etc. É conveniente que a adição seja lenta para evitar caramelização nas bordas do tacho de cozimento ou que o açúcar fique preso no agitador.


2.4 - Adição do Ácido
O ácido deve ser adicionado no final do processo e, se possível imediatamente antes do enchimento das embalagens, principalmente no processamento à pressão atmosférica. A adição do ácido é necessário para abaixar o pH e dar um gel satisfatório mas, se não for feita na hora correta poderá ter efeito exatamente oposto. A pectina quando sujeita ao calor em meio ácido, sofre hidrólise perdendo totalmente o poder geleificante; portanto, depois da colocação do ácido, a mistura não deverá permanecer em cocção. Nos casos de geléias processadas à vácuo, o ácido poderá ser adicionado em qualquer etapa do processo. Nesse caso, a temperatura de trabalho é mais baixa, não ocorrendo o problema de hodrólise da pectina.

O esquema a seguir, mostra uma linha de produção de geléia de frutas


ESQUEMA DE UMA LINHA DE GELÉIA

(1)-Preparação do Xarope de Açúcar, (2)-Aquecimento, (3)-Preparação da Solução de Pectina, (4)-Dosagem da Pectina na Geléia, (5)-Suco de Fruta Concentrado, (6)-Aquecimento do Produto (Pasteurização), (7)-Geléia Pronta para Envase.



3 - MÉTODOS DE FABRICAÇÃO DE GELÉIA>

Podemos dizer, que são dois os métodos básico para a fabricação de geléia:

3.1 - Concentração a Pressão Atmosférica

É o processo altamente difundido e econômico. A concentração é feita em tachos aberto com camisa de vapor e agitador mecânico. Para aumentar a produção deve-se usar uma bateria de tachos, em lugar de aumentar o tamanho dos mesmos, o que prejudica a transmissão de calor e aumento do tempo de cocção.
O controle da concentração é de grande importância. Sua duração deve estar compreendida entre 8 a 12 minutos. O tempo depende de diversos fatores, dentre eles a relação entre o volume do evaporador ou tacho e a sua superfície de aquecimento e a diferenção de brix entre o início e o final do processo. Quando a concentração é a pressão atmosférica, convém usar tachos pequenos.
Durante o processo ocorrem o amolecimento dos tecidos da fruta e a associação intima de todos os componentes e a inversão sa sacarose e a concentração do produto. Períodos muito longo de aquecimento dão lugar à caramelização do açúcar, com consequente escurecimento do produto, excessiva inversão da sacarose, grande perda de aromas e degradação da pectina. Se o processo fôr inverso, isto é, tempo muito curto pode ser causa de pouca ou nenhuma inversão da sacarose e de imcompleta absorção do calor pela fruta dando lugar durante o armazenamento do produto, a processos osmóticos que podem destruir o gel e abaixar a concentração fnal de sólidos solúveis.
O ponto final de processamento de uma geléia pode ser determinado por vários métodos, sendo o principal a medida do índice de refração. O índice de refração que indica a concentração de sólidos solúveis do produto final.

3.2 - Método de Produção a Vácuo

O processo pode ser contínuo ou descontínuo. A mistura dos ingredientes é feita anteriormente em um tacho e depois transportada para o concentrador. A temperatura de concentração do produto fica em torno de 50-60ºC.
Terminado o processo, o concentrador pode ser descarregado e o produto aquecido entre 85-95ºC, para a pasteurização, sendo que a está temperatura o tempo não deve ser muito longo para não escurecer o produto, devendo ser controlado no mínimo para todo o produto recebe está temperatura em pelo menos por um tempo de 2 a 3 minutos.
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