As geléias de frutas
podem ser considerada como o segundo produto em importância industrial para a
indústria de conservas de frutas. Nos outros países principalmente europeus,
como é o caso da Inglaterra, assume papel de destaque tanto no consumo quanto na
qualidade.
Podemos definir como geléia de frutas, o produto obtido pela
cocção de frutas inteiras ou em pedaços, polpa ou suco de frutas, com açúcar e,
concentrado até consistência gelatinosa.
1 - ELEMENTOS BÁSICO PARA A ELABORAÇÃO DE UMA
GELÉIA
São considerados elementos básicos para a
elaboração de uma geléia, os componentes: frutas, pectina, ácido, açúcar e água.
Uma combinação adequada deles, tanto na qualidade como na ordem de colocação
durante o processamento, irá definir a qualidade de uma geléia.
O fluxograma
a seguir, mostra de maneira resumida a influência de cada componente na formação
da geléia:

As frutas destinadas à
fabricação de gelélias devem encontrar-se em seu estado de maturação ótimo,
quando apresentam seu melhor sabor, cor, aroma e, são ricas em açúcar e pectina.
As frutas muito verdes, além de apresentarem deficiência nas qualidades
anteriores, podem desenvolvier cor castanha no produto final e as demasiadas
maduras, além de sofrerem perdas de pectinas por ação dos ênzimos péctinos, são
subsceptíveis de maior contaminação de fungos e levedoras. (1)-Preparação do Xarope de Açúcar, (2)-Aquecimento,
(3)-Preparação da Solução de Pectina, (4)-Dosagem da Pectina na Geléia, (5)-Suco
de Fruta Concentrado, (6)-Aquecimento do Produto (Pasteurização), (7)-Geléia
Pronta para Envase.
Na prática,
aproveita-se às vezes, o material de descarte da linha de processamento de
frutas em calda, pedaços, fatias ou recortes, que embora de boa qualidae não
podem ser utilizadas para a elaboração de frutas em caldas, são aproveitados
para a elaboração de geléia. As frutas muito maduras poderão ser aproveitadas
desde que não constituem a maior porcentagem do processo.
Também podem ser
empregadas polpas de frutas ou frutas pré-processadas congeladas ou preservadas
quimicamente. Frequentemente, aproveita-se a época de safra das frutas para
preservá-las em forma de polpa para posterior utilização na produção de
geléias.
1.2 -
Açúcares
O açúcar empregado com maior frequência na
fabricação de geléias, é a sacarose de cana ou beterraba. Durante a cocção, a
sacarose sofre em meio ácido, um processo de inversão que a transforma
parcialmente em glicose e frutose (açúcar invertido). Essa inversão parcial da
sacarose é necessária para evitar a cristalização que pode ocorrer em
determinadas ocasiões durante o armazenamento.
Quando se faz uma concentração
final acima de 65% de sólidos solúveis totais, é necessário substituir parte da
sacarose para evitar a cristalização usando glicose de milho ou açúcar líquido
invertido.
Normalmente, suficiente açúcar invertido é obtido durante o
cozimento, porém não se recomenda prolongar o tempo de cozimento
desnecessariamente sendo, melhor adicionar o açúcar invertido de glicose. Um
tempo prolongado de cozimento pode degradar ou mesmo destruir a capacidade de
geleificação da pectina e, nesse caso, seria necessário usar maiores quantidades
de pectina para atingir a firmeza. Isso sem falar em perdas de cor sabor e aroma
do produto final.
A adição de glicose ou açúcar invertido é sempre
recomendável no caso de processamento a vácuo ou quando se deseja melhorar a cor
e ter menor poder dolçura no produto final.
1.3 - Ácidos
Para se conseguir uma dequada
geleificação, o pH final deve estar compreendido entre 3 e 3,2 normalmente.
Geralmente este pH não é alcançado com o pH natural da fruta, por isso é
necessário proceder à acidificação da matéira-prima empregada. Os ácidos
geralmente utilizados para este fim, são os ácidos orgânicos constituintes
naturais das frutas; o ácido cítrico é o mais comulmente empregado pelo seu
sabor agradável.
1.4 - Substâncias
Pécticas
As substâncias pécticas encontram-se muito
difundidas na natureza, formando parte dos tecidos das plantas, justamente com
outros componentes como o amido, celulose e lignina. A indústria utiliza a maça
e os frutos cítricos como fontes principais de matéria-prima par a obtenção de
pectina, geralmente obtida por uma extração ácida diluída do albedo dos citros
ou polpa de maça, seguida de vários processos de purificação e
isolamento.
A graduação de uma pectina é a medida do seu poder de
geleificação. São considerados tres tipos de pectina encontradas
comercialmente.
PECTINA DE GELEIFICAÇÃO LENTA: grau de esterificação
60-66%; temperatura de formação do gel de 45-60ºC.
PECTINA DE
GELEIFICAÇÃO SEMI-RÁPIDA: grau de esterificação 66-70%; temperatura de formação
do gel de 55-75ºC.
PECTINA DE GELEIFICAÇÃO RÁPIDA: grau de esterificação
70-76%; temperatura de formação do gel de 75-85ºC.
2 - PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DE
GELÉIA
Quando se faz a formação de uma geléia,
deve-se levar em conta que o melhor resultado é sempre obtido quando as
matérias-primas são combinadas de modo a se obter o menor tempo de cozimento
possível. Desse modo, conservam-se melhor a cor e o sabor natural da
fruta.
2.1 - Preparação das
Frutas
As frutas devem sofrer tratamento adequado,
conforme a prática de sua conservação. No caso de frutas frescas, deverão sofrer
o processamento geral de uma linha de conservas como: lavagem, seleção,
descascamento, descaroçamento (quando for necessário) e trituração também quando
necessário. Algumas frutas podem sofrer um cozimento prévio para melhorar a
textura.
2.2 - Adição da
Pectina
É uma fase bastante importante pois é
necessário dissolver toda a pectina, a fim de se obter o efeito desejado e
aproveitar toda a sua capacidade de formação de gel. A adição da pectina em
solução no processo à pressão atmosférica, deve ser efetuada mais no final da
cocção, o que evita riscos de degradação por aquecimento excessivo. Nos
processamentos à vácuo pode ser adicionada no início do processo junto com os
outros ingredientes.
2.3 - Adição do
Açúcar
O açúcar a ser utilizado, deve se boa
qualidade e requer um peneiramento antes de sua adição para evitar materiais
estranhos como fios da embalagem do saco, metais, etc. É conveniente que a
adição seja lenta para evitar caramelização nas bordas do tacho de cozimento ou
que o açúcar fique preso no agitador.
2.4
- Adição do Ácido
O ácido deve ser adicionado no
final do processo e, se possível imediatamente antes do enchimento das
embalagens, principalmente no processamento à pressão atmosférica. A adição do
ácido é necessário para abaixar o pH e dar um gel satisfatório mas, se não for
feita na hora correta poderá ter efeito exatamente oposto. A pectina quando
sujeita ao calor em meio ácido, sofre hidrólise perdendo totalmente o poder
geleificante; portanto, depois da colocação do ácido, a mistura não deverá
permanecer em cocção. Nos casos de geléias processadas à vácuo, o ácido poderá
ser adicionado em qualquer etapa do processo. Nesse caso, a temperatura de
trabalho é mais baixa, não ocorrendo o problema de hodrólise da
pectina.
O esquema a seguir, mostra uma linha de produção de geléia de
frutas

3
- MÉTODOS DE FABRICAÇÃO DE GELÉIA>
Podemos dizer, que
são dois os métodos básico para a fabricação de geléia:
3.1 - Concentração a Pressão Atmosférica
É
o processo altamente difundido e econômico. A concentração é feita em tachos
aberto com camisa de vapor e agitador mecânico. Para aumentar a produção deve-se
usar uma bateria de tachos, em lugar de aumentar o tamanho dos mesmos, o que
prejudica a transmissão de calor e aumento do tempo de cocção.
O controle da
concentração é de grande importância. Sua duração deve estar compreendida entre
8 a 12 minutos. O tempo depende de diversos fatores, dentre eles a relação entre
o volume do evaporador ou tacho e a sua superfície de aquecimento e a diferenção
de brix entre o início e o final do processo. Quando a concentração é a pressão
atmosférica, convém usar tachos pequenos.
Durante o processo ocorrem o
amolecimento dos tecidos da fruta e a associação intima de todos os componentes
e a inversão sa sacarose e a concentração do produto. Períodos muito longo de
aquecimento dão lugar à caramelização do açúcar, com consequente escurecimento
do produto, excessiva inversão da sacarose, grande perda de aromas e degradação
da pectina. Se o processo fôr inverso, isto é, tempo muito curto pode ser causa
de pouca ou nenhuma inversão da sacarose e de imcompleta absorção do calor pela
fruta dando lugar durante o armazenamento do produto, a processos osmóticos que
podem destruir o gel e abaixar a concentração fnal de sólidos solúveis.
O
ponto final de processamento de uma geléia pode ser determinado por vários
métodos, sendo o principal a medida do índice de refração. O índice de refração
que indica a concentração de sólidos solúveis do produto
final.
3.2 - Método de Produção a
Vácuo
O processo pode ser contínuo ou descontínuo. A
mistura dos ingredientes é feita anteriormente em um tacho e depois transportada
para o concentrador. A temperatura de concentração do produto fica em torno de
50-60ºC.
Terminado o processo, o concentrador pode ser descarregado e o
produto aquecido entre 85-95ºC, para a pasteurização, sendo que a está
temperatura o tempo não deve ser muito longo para não escurecer o produto,
devendo ser controlado no mínimo para todo o produto recebe está temperatura em
pelo menos por um tempo de 2 a 3 minutos.
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