Mimnermo
---por Jacyntho Lins Brandão e Teodoro RR. Assunção
fr. 1 A
Que vida? que prazer sem dourada Afrodite?
esteja morto, quando me não mais isto preocupe:
íntima ternura e doces dons e leito,
tais da juventude flores devêm mui sedutoras
a homens e mulheres. Mas logo dolorosa sobrevenha
velhice, que feio até mesmo um belo homem deixa,
sempre, em volta do coração, o oprimem más preocupações:
nem os raios olhando se alegra do sol,
odiado por rapazes, desprezado por mulheres.
Assim penosa deus dispôs velhice.
fr. 2 A
E nós - quais folhas faz brotar a mui florida estação
da primavera, quando rápido crescem sob os raios do sol -
a elas parecidos, por curto tempo com as flores da juventude
nos alegramos, pelos deuses não conhecendo nem o mal
nem o bem. As Queres, entretanto, junto estão, negras,
uma tendo o cumprimento da velhice penosa,
a outra da morte. E pouco dura, da juventude,
o fruto, quanto sobre a terra se espalha o sol.
Contudo, depois que este fim é ultrapassado, da estação,
logo então morrer é melhor que a vida.
Pois muitos, no ânimo, os males devêm: umas vezes a casa
se arruína e, da penúria, obras dolorosas surgem;
outro de filhos tem falta, os quais mais que tudo
desejando, para baixo da terra vai, até o Hades;
outro doença tem, assassina. Nem um existe
dos homens a quem Zeus males muitos não dê.
fr. 4 A
A Titono deu ter um mal imperecível Zeus:
velhice, até que a morte penosa mais terrível.
fr. 5 A
mas de pouco tempo devém, como sonho,
juventude amada. E a penosa e disforme
velhice sobre a cabeça logo sobreposta,
odiosa como também desonrosa, a qual irreconhecível põe um
homem,
e lesa os olhos, também a inteligência envolvendo.
fr. 6 A
que pois sem doenças e penosas preocupações
com sessenta anos a moira me atinja da morte.