Semônides
---por Celina F. Lage
fr. 42 W
Facilmente os deuses arrebatam a inteligência dos homens.
---por Teodoro R. Assunção
fr. 1 A
Uma coisa a mais bela disse o homem de Quios:
"qual de folhas a geração, tal também a de homens".
Poucos porém, dos mortais, nos ouvidos isto recebendo,
dentro do peito colocaram: pois presente está esperança para
cada
dos homens, a qual dos jovens no peito enraíza.
E dos mortais, enquanto um a flor tenha mui amada da juventude,
ligeiro tendo o ânimo, muitas coisas sem fim pensa:
pois nem previsão tem de envelhecer, nem de morrer,
nem, sadio quando esteja, preocupação tem do esgotamento.
Pueris, para os quais assim está disposto o espírito! Não
sabem
como o tempo é de juventude e de vida pouco
para mortais. Mas tu, isto aprendendo - até o fim da vida
a alma com coisas boas agradando - tem paciência!
fr. 3 A
No morto não pensaríamos,
se fôssemos sensatos, mais que um dia.
fr. 4 A
muito pois para nós é, de estar mortos, o tempo
e vivemos poucos anos, em número, totalmente mal.
fr. 7 A
Uma mulher - nenhuma coisa um homem conquista
melhor do que uma boa nem mais terrível do que uma má.
fr. 8 A
Diferentemente deus criou o espírito da mulher
no começo. A uma, de porca de longas cerdas;
por sua casa tudo dissolvido em lama
desordenado jaz e rola pelo chão;
e ela, não lavada, em vestes sem riqueza,
em estrume sentada engorda.
Outra deus fez de culpável raposa
mulher que tudo sabe: a ela, dos males, não
está escondido nada, nem das coisas melhores:
pois, por um lado, delas diz muitas vezes mal,
por outro, bem; mas um sentimento diferente em outras ocasiões
tem.
Outra, da cachorra; perversa, excitável
ela tudo ouvir, tudo ver quer,
por todos os lados lançando olhares e errando
grita, ainda que a nenhuma pessoa veja.
Não a faria cessar um homem, nem a ameaçando
nem se, irritado, quebrasse com pedra
seus dentes, nem docemente com ela conversando,
nem se em casa de estrangeiros sentada se encontrasse;
mas constantemente o inútil grito mantém.
Outra, plasmando em terra, os Olímpicos
deram ao homem estropiada; pois nem mau
nem bom - nada sabe tal mulher;
Mas ato único: comer, sabe.
E ainda que mau inverno envie deus
tomada de frio, a cadeira não traz para mais perto do fogo.
Outra vem do mar, a qual de dupla forma no coração sente:
Durante um dia ri e se alegra;
a louvará um hóspede em casa vendo-a:
"não existe outra mulher do que esta melhor
entre todos os humanos, nem mais bela":
durante outro, não é suportável nem nos olhos olhar
nem perto dela chegar, mas está enlouquecida então,
inabordável, como em torno dos filhotes, uma cadela;
amarga para todos e desagradável,
para inimigos como também para amigos, torna-se;
como o mar: muitas vezes, imóvel,
está favorável - alegria para os nautas grande -
na estação do calor; muitas vezes porém se enfurece,
por ondas de surdo barulho agitado;
com este é que mais se parece tal mulher
pelo temperamento; mas o mar outra natureza tem.
Outra da cinzenta e sempre surrada mula,
a qual, tanto por necessidade quanto por ameaças, com
dificuldade
apenas suporta tudo e se descarrega
do agradável. E enquanto isto, come pelos cantos
a noite inteira, o dia inteiro também come junto do fogo.
E do mesmo modo também para o ato de Afrodite
qualquer companheiro que venha acolhe.
A outra, da doninha infortunada, lamentável raça
pois a ela nada belo nem desejável
pertence, nem nada agradável nem gracioso.
Mas é louca pelo leito de Afrodite;
e ao homem que junto está dá náuseas.
E roubando faz muitos males aos vizinhos,
as carnes não-consagradas e mesmo as consagradas muitas vezes
devora.
Outra, égua delicada e de longas crinas engendrou,
a qual por causa de trabalhos servis e de aflição treme toda,
e nem mesmo em mó tocaria, nem peneira
levantaria, nem merda fora de casa jogaria,
nem diante do forno - evitando a fuligem -
se sentaria; mas inevitavelmente faz o homem por ela enamorado
Lava-se todo dia da sujeira
duas vezes, às vezes três, e com perfumes unta-se;
sempre a cabeleira estendida leva,
espessa com flores sombreada.
Belo espetáculo assim tal mulher
para outros, mas para o que a tem torna-se feio,
a não ser que algum tirano ou portador-do-cetro seja,
alguém que com tais coisas o ânimo enfeite.
Outra, do macaco: isto sobretudo
o maior mal que Zeus aos homens deu.
Feíssima a face: tal mulher
irá pela cidade, para toda gente objeto de riso;
sobre pescoço curto move-se com dificuldade,
sem-bunda, perna-seca. Ah! Desgraçado o homem
que ruindade tal abrace.
Mas todas manhas e trejeitos conhece,
como macaco; nem o riso a preocupa;
nem a alguém bem faria; mas isto olha
e isto todo dia medita:
como a alguém o maior mal possível faria.
Outra, da abelha: a ela - qualquer é feliz - conquistando:
pois só a ela censura não se liga,
florescem por sua causa e crescem os bens da casa.
Amiga, com o que a ama envelhece, com o esposo,
gerando uma bela e célebre prole.
Notável entre as mulheres torna-se,
entre todas; divina em torno corre-lhe a graça.
E não, entre mulheres, se alegra, assentada, onde conversam eróticas
conversas.
Tais mulheres aos homens presenteia
Zeus, as melhores e as mais sábias.
Mas as outras espécies, aquelas, por um artifício de Zeus,
existem todas e junto dos homens permanecem.
Pois Zeus criou este mal maior:
as mulheres. Ainda que pareçam ser úteis,
para o que a tem torna-se sobretudo um mal;
pois nunca alegre um dia passa
inteiro aquele que com mulher vive,
nem de imediato a fome de casa afastará,
divindade inimiga, coabitante hostil.
Mas um homem, quando mais ao coração agradar parece
em casa, ou por desígnio de um deus ou por graça de um homem,
encontrando ela um reproche, para a briga se arma.
Pois onde uma mulher existe, nem em casa,
um estrangeiro que vem, de boa vontade acolheriam.
E justamente aquela que mais prudente parece,
esta mais acontece ser ultrajante;
pois, estando boquiaberto o marido, os vizinhos
se alegram, vendo também este como se engana.
E a sua cada um elogiará, lembrando-se
da mulher; da do outro escarnecerá;
que temos um mesmo destino não sabemos.
Pois Zeus criou este mal maior
e um vínculo inquebrável fez de um grilhão;
desde que justamente Hades recebeu aqueles
que lutavam por uma mulher.