Para não ficar em branco...
Enfim, conquistamos o Penta, e eu que nem gosto de futebol, que nunca fui de acompanhar jogos, muito menos comemorações, acabei partindo de boné e bandeirinha pelas ruas da cidade. Por que? Porque mesmo sabendo o quanto esta alegria é engasgada em disfarçar insatisfações e decepções de um pais que pouco anima, do comércio, corrupção e interesses que fogem ao sentido do esporte, e que logo de imediato o governo aproveita da euforia para forjar popularidade, montando o circo onde falta pão, saúde, emprego, entendi correto festejar. Uni então minha buzina aos que gritavam e meu sorriso aos desdentados. Se penso assim, sendo o que disse verdade, seria também insensível , rançoso, enjoado se não entendesse e não aproveitasse pelo menos deste momento para encontrar algo de orgulho, outros o fazem, e por menos, então? Esquecendo todas mazelas, com alegria, aceitamos: Parabéns Brasil!!
Nota: Por falar nisso, participe de nossa enquete ao lado. FHC deveria ter decretado feriado segunda?
O Petróleo ainda é nosso... ...já que a Embratel não é mais. Reclamavam de monopólio, justificaram com o atraso em tecnologia. Inserido na política da modernidade transferiram em um impulso a maior empresa de telecomunicações nacional, bem vital para a soberania , outros diziam. Sabemos agora , uma tal de Worldcom tem o controle acionário, pequeno detalhe na gigantesca estrutura desta multinacional americana. Gigantesco como o desfalque, disfarçado em manchetes politicamente incorretas como "maquiagem de balancete" de bilhões de dolares. E fica tudo encadeado nesta economia globalizada, até os crimes e suas consequencias. Balança a bolsa de New York, balança a Embratel aqui embaixo. Hoje até o roubo fica terceirizado, nem brasileiros desonestos tem direito a atrair divisas. Bandido neo-liberal é apatrio. E não adianta reclamar, ou corre-se o risco de ouvir: "Sua ligação não pode ser processada...", nem eles por aqui. Mas a conta, esta será, e em breve teremos que paga-la. Fica uma esperança, que pelo menos desta vez eles possam ficar mudos, por um tempo.
Indicação Algumas tiradas muito interessantes do Prolixo.
Chatolinos Tem gente chata por ai. Mas o problema é que me indentifico com muitas delas. Aqui , por exemplo...
SPAM Pago Comentando o post do Fábio, pior é a quantidade de propagandas e boletins, nunca solicitados, enviados pelo UOL, do qual sou assinante. Já pedi exclusão mas não sou poupado. Nem o filtro do programa de e-mail é 100% efetivo pois eles trocam os remetentes frequentemente.
Piração Já que a coisa esta para o lado psi, achei este link no Biscoito Doce. Fobias, veja se você conhece alguém que se encaixe.
Esquizo Ao me vestir de Camafunga não percebi. Hoje se me perguntasse o porquê, responderia. Sadio ou não, que avaliem meus amigos psiquiatras, uso-o para ir além de mim. Me gratifico. Outro a dizer o que penso e que talvez não dissesse. Solto, bota a boca, diz palavrões, expoe sentimentos. Meus, mas não me exponho. Será? Tudo bem enquanto poucos amigos liam, ou aqueles que agem da mesma forma comentam. Mas outros espiaram, leram, comentaram, alguns gostaram. Ai não sou mais eu quem esta dizendo, entrego a ele, o personagem. Portanto, é ele quem vive esta liberdade, e isso agora me atrapalha. Descobri, estou enciumado do Camafunga. Franquia, elogios, falta de medo, é ele. Pior, me entusiasmo e a cada dia mais espaço toma ele da vida que ainda é minha. Camafunga, triunfos e fama, me usurpa. Preciso me controlar, ou mato o coitado de vez, ou aprendo que podemos ser um só e cresço . Sem ciúmes ou exageros, coragem.
Renúncia Maria Antonieta quase perde a cabeça. Os telefonemas fora de hora não foram suficientes, sempre esperou e acreditou mais em Eduardo do que devia. Só trocara o turno porque ganharia mais. Bom companheiro , um grande pai, que digam as meninas, Rita e Carolina. Bem verdade não sabia onde estava o dinheiro, não havia luxo, nem desperdícios, mas não dava mais. Teve que aceitar as noites de ausência. Ele devia saber. Dizia orgulhosa do carinho que tinha, da dedicação, integral, até a pouco. Depois surgiu esta tia. Não lembrava saber dela, não de tanta obrigação a que lhe devia, mas desde que fora pra a clínica, lá ia Eduardo quase todos os dias. Julieta, ja que o resto da familia abandonara, era assumida com tal responsabilidade que surpreendia. Tardes de visita, noites de trabalho, telefonemas, indícios. Lembrava deles namorando, ouviam Chico. "Se for menino é Francisco". Chegou Rita, levou seu sorriso, depois Carolina e o tempo passou, só ela não via. Abandonada, quem era Julieta? A cama vazia, a tarde sozinha, a louça, a cozinha. Outro telefonema: "Aqui é Maria. Responde vadia!" Sera que assumira, saber ja sabia. Maria Antonieta quase perde a cabeça, mas que volte Eduardo, que o jantar esta pronto, que cuide da tia mas não trabalhe de barriga vazia.
Fuso Climático Falar do frio já esta repetitivo. Faz muito tempo que não se sentia tanto. O termômetro dentro de casa esta marcando oito graus, e esta noite foram cinco cobertores na cama. Ao mesmo tempo, a Cláudia em Florianópolis reclama, o Fábio pediu que eu segurasse a mãe do frio, já que os filhotes estavam chegando em Curitiba, os amigos de Brasília também comentam, só que um deles estava teclando de bermudas, ou seja, não tem idéia do que esta isso aqui. Prometo parar de reclamar, assim que voltar a me acostumar.
Resenha Semana tumultuada, nem consegui atualizar meus posts. Dei uma mexida sutil no desenho da página, mais como passatempo. O avatar do tempo esta sempre atualizado, mas falta colocar um casaco no coitado. Hoje a previsão é de zero graus na madrugada. Graças ao frio acabei acordando para assistir ao jogo noite passada. Aos interessados coloquei alguns dados pessoais em algum lugar por ai. O site foi inscrito no Site Add, mas não notei nenhuma diferença. Os comentários do Yaccs foi conseguido a duras penas numa gincana entre o relógio deles e o meu. Tive uma fratura dentária que custou uma noite de sofrimento, e na seguinte um churrasco de desagravo a colegas que se afastavam. Logo não tive muito tempo para escrever. Volto.
Barbeiragem Não imagina o alívio ao ver o carro do Muzzilo ocupando o lugar dele na garagem, consertado, brilhando. Desde há dois meses, quando trombei no estacionamento, vinha tendo dificuldade em transitar pelo prédio. Não foi fácil naquela tarde de sábado, logo após ao almoço, ter que bater na porta, levanta-lo da sesta e dizer: "Desculpa, mas demoli o teu carro." Sendo ele corretor de seguro, apesar de não ter aceitado sua propota e ter feito o contrato direto com o banco, achei que seria mais fácil, entenderia. Engano. A agilidade da minha seguradora foi só em enviar um e-mail, menos de dez minutos depois do telefonema, informando: "Estamos cientes do sinistro, aguarde nosso contato." Sinistro foi o silêncio que se sucedeu. Nenhum contato em dois, três ou quatro dias. Munido dos documentos necessários falei algumas vezes com computadores, ou atendentes, que não sei se também não eram computadores, tudo impessoal e por telefone."Fique tranquilo, tudo correra bem!" Nada corria, e pelo sexto ou sétimo dia passei a ser aguardado na garagem pela vítima, a esta altura nervoso o suficiente para me tornar uma também. Quase dez dias e enfim vieram fotografar o meu carro. Tive que ser grosseiro quando o perito atreveu-se a perguntar como tinha conseguido tal proeza. Ele que fizesse seu trabalho, minha apólice, em dia, estava paga, e bem paga. O outro em quinze dias de oficina não tinha sequer recebido os flashs. Marcação cerrada, passei a entrar e sair de casa escondido. Guardava o carro na madrugada e antes de amanhecer o tirava da garagem. Não adiantou muito, o sujeito passivo do ilícito, totalmente impaciente, era avisado pelo silenciador furado e por mais de uma vez esperou-me nas escadas. Hoje estou tranqüilo, e bem mais cuidadoso. Vale o aviso grampeado na nova proposta de seguro sobre minha mesa: "Renova comigo, amigo. Continuo teu vizinho, de box, nunca se sabe. Do teu novo corretor, Muzzilo."
Aderindo
 Mais uma campanha de cunho sócio-cultural. Marcos, estou do teu lado. Sei que basta usar o botão power do controle remoto, mas temos que pensar nas milhares de pessoas que recebem a lavagem cerebral permanente das grandes redes. Repetindo : odeio a Xuxa, o Faustão, o Gugu, não por mim, mas pelo mal que fazem ao inocente povo que os assistem.
Tulha Bar Segunda-feira, eramos os únicos, eu, o Vicente, o Manaa, a Flávia Capivara, os donos do bar e algum eventual, raro. Dia impróprio para maioria, não fora escolhido por acaso, talvez algo de melancolia incomodava estes habitues em ficar em casa. Consagrada, anos mantivemos a mesma rotina. Cervejinha no verão, vinho nos dias de frio, muita conversa fiada, trova com aipim frito. As vezes ficavamos até mais tarde, podia rolar uma carpeta se a Capivara estimulasse. Lareira e vidros embaçados davam charme e aconchego no rigor do inverno. Achei que este vício não terminaria. Se algum ausente, seria por doença ou outra falta justificada. Vimos a Marcela ir crescendo e outros envelhecendo, até que, de forma abrupta, e sem razão aparente, deixamos de comparecer. Um a um, ou todos ao mesmo tempo, não importa, nos afastamos do Tulha. Fora o Vicente que permaneceu próximo os demais não mais vi. Nos deixamos. Passado o tempo, contado em anos, são lembranças, boas lembranças.
Este fim de semana , por acaso, encontramos, o Manaa no café, o Vicente no passeio. Abraços efusivos e horas de lembramento, um compromiso, uma promessa. Voltaríamos a nos encontrar. Repassadas as agendas, combinado, terça -feira, não mais segunda, o melhor dia. Por precaução, trocamos telefones. "Avisa se não podes". Bobagem! Só se fosse atropelado, ou doente, afinal falta só justificada. Parecíamos os mesmos. Fosse mais tarde, e não meio-dia, iríamos dali direto para o bar. Mas, para quem ficou separado tanto tempo o que são dois ou três dias? Comentei entusiasmado a certeza de voltar ao velho abrigo. Expectativa.
Quarta-feira, manhã, tive idéia que devia ter lembrado de algo. Seria ontem? Esqueci, sem telefone ou telefonema, nem avisaram, não fomos. O entusiasmo do momento não aproveitado passa. Por que não lembramos? Não somos mais os mesmos.
Um Estouro Correu pela cidade e pela imprensa boato de que Mãe Diná, aquela que ficou famosa prevendo o acidente e morte dos Mamonas, teria anunciado uma grande tragédia relacionada com a Fenadoce. Seria de tal gravidade que faltariam caixões para todos. Loucura ou maldade de algum safado, devidamente desmentido pela vidente, o fato é que foram suspensas visitas e excursões. Já não basta a pobreza da região, que um evento como esse, raro e bem feito, disfarça, tinha que surgir a praga de uma bruxa a colocar sal no nosso açúcar? É, não basta a má fama que nos persegue, acabaremos sempre dando os doce.
Frio Bem, o frio chegou para valer por aqui. A temperatura esta perto dos 10 graus, para menos. Tomando um chocolate quente, descobri este endereço interessante. Pro da palavra.
Hugo Lima Amanhã o Lima faz oitenta anos, com direito a churrasco na Cascata. Sendo personagem importante de algumas de minhas histórias, aproveito para publicar uma das crônicas como forma de homenagem. A gorda.
Caderno Desde há alguns meses acrescentei ao meu Kit fora de casa (radinho, pasta de dente, escova e pente), um caderno brochura. É um bem simples, dos que se usa nos primeiros anos da escola. Não há apelo de marca ou imagens adolescentes, nem papel de boa gramatura, somente um caderno, simples. Por quê? Porque trabalho todo dia, outro ofício, porque não tenho tempo de ficar na frente do micro, tanto quanto gostaria, porque não tenho um Laptop, nem teria, por que posso escondê-lo, se por acaso surpreendido. Um caderno companheiro, amigo, confidente. No princípio senti-me retrógrado. Há um tempo nem eu mesmo entendia minha letra. Depois, além da caligrafia, redescobrir a técnica da escrita. Sem ctrl+ C ou ctrl +V teria que escrever tudo de novo? No entanto, arrastar e soltar passam a ter outro sentido. A grafia no papel traduz melhor o sentimento. Arrasto as letras se me emociono. Emes longos criam pernas, ós redondos nascem exclamados. A idéia é solta na velocidade da escrita. Simples, idéias precedem tecnologia. Se as palavras mal escritas, nele não se corrigem, mais atenção dar a elas. Por isso hoje, mesmo que disponível deixo para depois o micro e vou direto ao meu caderno, simples. Como agora e de outras vezes.
Frases Soltas Qualquer preucupação com a idéia do que é certo ou errado em comportamento revela um desenvolvimento intelectual retardado. Oscar Wilde
Esta frase sobre ética é para o Fábio. Embora não concorde, é claro, ilustra um pensamento oculto por ai.
Alternando A sugestão partiu de um amigo antigo: -Antônio tu precisa experimentar, eu andava meio "banguela" também, aí peguei a Circe e fomos para o motel. Variar um pouco. Tiro e queda, meu desempenho retornou ao que era, tinhas que ver! - Eu? Sai para lá, que é isso Arthur!
Passado o impacto inicial, a idéia foi tomando forma. Depois resistiu em fazer a proposta à esposa Catarina. O que ela pensaria? O problema era real, já tentara comprimidos, chás, mandingas, bruxaria, nada palpável ou mantido, isso que ela nem sabia. Um dia tomou coragem e convidou-a. Mais estranho, quem diria, não só não se incomodara, como mostrou gostar da idéia e sugeriu onde seria. Motel Temático - Alterne sua Fantasia, dizia a propaganda. Assustado, agora ele, curioso, pagou para ver no que daria. E assim se foram. Tantos anos de convívio, mais de trinta de casados e nenhuma aventura audaciosa que tivesse recordado. Só uma vez, Praia de Torres, atrás dos cômoros, ele e ela, croquetinhos.
-Boa noite, senhor! O que será hoje?
Como o que será hoje? Este rapaz é louco, pensou. O de sempre, deveria responder, aquilo que anda fraco, em falta. Se fosse chulo responderia: "vim trepar com minha senhora!", quem sabe irônico: "só um café preto, umas bolachas e o espelho para fazer a barba". Arrependido, quase voltando da portaria, prepara uma das respostas, mas, lhe interrompe Catarina. Decidida e incisiva, por cima do seu colo, da janela reinvidica : -Moço, por favor, o cardápio? -Pois não senhora, são estas nossas fantasias: Caçada Selvagem na África; Moscou em Chamas; Disney Safado; Mil e uma numa noite... -Esta! Interrompe ela. Talvez quisesse tirar o atraso.
Ainda desconfiado, abriu o quarto. Lindo! A cama, uma tenda, recheada de almofadas acetinadas. Cheiro suave e agradável de incenso e uma meia luz esverdeada. A música estimulava a imaginação. Sobre o colchão as vestes. Catarina some e retorna envolta em véus. Antônio ainda perplexo teve que ser ordenado a que se vestisse. Rodolfo Valentino não ficara tão bem. Sheik e odalisca, mesmo com uma dança-do-ventre desengonçada, criou-se o clima de encantamento. Houve o encontro. Quem diria Catarina! Voltaria Czarina, rainha, escrava ou nativa selvagem. E o que se leva desta vida? Fantasia.
-E aí Antônio, funcionaste? -Funcionou o que Arthur? Bem tranqüilo.
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