Viagem - A Fernanda esta bem, mas não foi fácil. - É. - O marido dela me visita seguido, ele é representante comercial... - Já tinhas me contado André. - Por falar nisso, vou assinar o ADSL, o irmão de um amigo meu assinou faz tempo, a Fernanda me disse. - Que legal. - Sabes o que é ADSL? - Não. - LSD ao contrário (risos), depois te explico. Olha ali aqueles dois na laje, namorando, ridículo. Não achaste? Patrícia, estou te atrapalhando? - Nada. - Tinha gente hoje! Bagunça, viste aquela hora? Tive que correr com a menina E o cheiro? Sentiste o cheiro? Gente agitada me tira do sério. Quanto falta aínda? - Uns oito quilometros, André. Se quiseres dormir um pouco, não me importo. - Engraçado, não tenho sono, é oito ou oitenta, ou durmo de babar ou não paro de falar. Essa é boa! Meu anti-depressivo deve estar vencido. - Acredito. - A Júlia disse que eu parecia uma galinha, pulando, enquanto gritava com a menina. E como fedia! Sinceramente, me passei? - Não André, lá não. - Porque corres? Teu marido não se importa em colocares o carro nesta estrada de terra? - Não, eu não me importo. - Eu me importaria. Sabes o que gastei com a suspensão do meu? - Sei André, já me disseste, várias vezes! - "Taqui" a guria, e sentiste o cheiro? Ela merecia, nem viste. - Nem. - Estou me repetindo? Falta muito? - Uns sete quilometros André, sete, agora, aperta teu cinto por favor! - Esta bem, te falei da Fernanda?
O Primeiro Garfield Alguns acham o humor discutível mas para quem tem um bichano desses, ou ja teve, deve concordar que Jim Davis consegue captar muitas vezes a difícil personalidade dos felinos
 Junho 19, 1978- Primeira tira.
Depois de vários dias sem escrever, volto com um poema de Mario Quintana. Para Mariana.
O Auto-retrato
No retato que me faço - traço a traço- às vezes me pinto nuvem, às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas de que nem há mais lembrança... ou coisas que não existem mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco -pouco a pouco- minha eterna semelhança,
no final, que restará? Um desenho de criança... Corrigido por um louco!
Dizem que tem coisas que só acontecem comigo, começo a acreditar, afinal, não preciso me esforçar para ter sempre alguma história infame para contar, o pior é que mesmo verídicas, é difícil acreditar.
Mercadoria Estava contente, finalmente Fúlvia, minha gata angorá, tinha aprendido a usar a caixa de areia. O entusiasmo e despreucupação foram tantos que relaxei na faxina e na frequência que devia. Aquele dia, ao chegar em casa, louco para um descanso e um chimarrão, fui surpreendido pelo forte cheiro que vinha da área de serviço. Cuia na mão, espiei e comprovei, pelo morro que se avolumava, havia vencido a hora de limpar as fezes do agora educado felino. Com calma e certa paciencia coletei, obra a obra, os fétidos resíduos, colocando-os em um saco plástico de supermercado, o primeiro que estava a mão. Ou havia me passado mesmo no tempo, ou a nova ração era um potente fermento biológico pois o volume era gigantesco. LImpeza feita, saco amarado, mesmo com a água do mate já chiando, decidi levar os dejetos para o tunel de lixo, na garagem do condomínio, questão de bem estar e conforto, e o chimarrão que esperasse. Entretanto, notei que não haver erva mate suficiente na dispensa e, aproveitando a viagem, resolvi esticar até o mercado da esquina, que pelo adiantar da hora estaria fechando. Saco cheio em punho, desligada a água, saí. Na pressa esqueci o tal tunel de lixo mas não quis voltar. Colocaria o receptaculo plástico em um coletor de rua, que certamente encontraria, mas nada, procurei um que fosse no trajeto e não havia. Atrasado, vi que as cortinas se fechavam, teria que correr. Mais próximo, quase na frente do mercado, aproveitando o movimento, deixei discretamente cair a encomenda no meio-fio da calçada. Ainda a tempo, entrei aliviado. Entretanto, já nos corredores, sou chamado: "Moço, moço, deixaste cair estas compras no chão, na rua!", gritava o solícito senhor. A esta altura, mercado cheio, quando todos se viraram, não tive alternativa, agradecido, esboçando surpresa, me dirigi ao pestativo para recuperar o saco extraviado. Mais prestativo, no entanto, foi o caixa, dono do comércio e amigo, que já me conhecendo deve ter comentado: "Só podia ser o ele...", interceptou o objeto, e a ele agarado, instrui para que siga com minhas compras descansado pois as colocaria penduradas no gancho, a entrada do comércio. "Me traíndo heim!", teria avaliado pois o nome do rival no plástico estava estampado, talvez tivesse de leve espiado, ou pelo menos tentado, já que como disse o saco estava todo amarrado. O que eu teria em outro lugar comprado que estivesse mais em conta ou que ali não encontrasse. O local estava cheio, e mesmo tentando ser mais rápido peguei a erva e enfrentei não curta fila. Dali enxergava, depositado sobre outros, o alentado saco. O cheiro exalado, aonde eu estava ainda não havia chegado, mas nos arredores era percebido. Ainda pude ver uma senhora fazendo careta, afasta-lo para pegar o pão, no mesmo grampo pendurado. Nem sei se ria ou ficava preucupado, mas não havia nada a ser feito e após a compra ter pago fui retirei calmamente o volume. Na saida, pelo proprietário fui perguntado: "Amigo, desculpa, mas o que tens aí ?", firme, respondi sem receio, "Adubo biológico reciclado". Não sei se entendeu, não houve espanto, mas deve ter pensado, que compre mesmo em outro local este produto, não quero em minhas prateleiras este odor a estragado. Retorno a casa para finalmente, depositar em seu destino este o cocô tão viajado. Infame?
Homenagens Segundo a Forbes, nenhum falecido (se é que ele pertence mesmo à categoria) lucra tanto quanto Elvis Presley. Com o estouro do single "A Little Less Conversation", em versão remixada, o histórico do cantor passa a contar com mais de 100 milhões de discos vendidos apenas nos Estados Unidos. Atrás apenas dos Beatles, que venderam 165 milhões, e de Led Zeppelin e Garth Brooks, com 105 milhões cada. Mas é quase certo que Elvis em breve vá ter apenas os Fab Four à sua frente, já que, para marcar os 25 anos de seu desaparecimento, diversas coletâneas e caixas começam a pipocar aqui e ali. Quanto ao dinheiro, a viúva Priscila e a filhota Lisa Marie não tem nada do que queixar. Em apenas um ano, 37 milhões de dólares entraram em seus cofrinhos (10 milhões a mais do que no de Yoko Ono). Quem gosta deve dar uma passada neste site. Fonte: Play
GVT, até você? Fiquei feliz quando há um ano surgia a possibilidade de uma nova operadora de telefonia fixa fazer concorrência com a então complicada Brasil Telecom. Depois de várias cobranças indevidas, nem sempre recuperadas, achei saudável poder dizer: " Não quero mais seus serviços...", era o fim de um monopólio, aleluia! Depois, levado pela publicidade de um plano de contas sem tarifação para internet, entrei em contato. Encantado com o atendimento e com a promessa do fim dos problemas com horário de conexão fiz a opção pelo sensacional "Plano Família" que permitia ficar ligado por tempo indeterminado desde que para um número fixo local por uma mensalidade de noventa reais, razoavel, já que por aqui não existia ADSL ou outra modalidade de banda larga. Além de contratar o plano, o divulguei boca a orelha, por e-mail, etc. e vários amigos migraram de operadora comigo. Tão logo, entretanto, começaram a estabelecer-se suspenderam novos contratos deste tipo. Agora, com surpresa, recebo o comunicado informando que a partir de 22 de agosto meu plano, em uso há alguns meses, estara extinto e assim, como uma mera ligação, seria transferido a um outro plano de pagamento, com minutagem aferida e cobrada, muito diferente do que havia sido acordado. Nota, no rodapé da referida carta a seguinte observação: "Conforme regulamentação da ANATEL a GVT se reserva o direito de alterar seus planos de preços tarifários a qualquer momento comunicando com antecedência ao cliente..." , no caso menos de 10 dias, mas eu também me reservo o direito de novamente trocar de operadora. E farei, nada de novo!
Chance Ari comentava que Pedro não devia ter sido advogado, mas um artista, dado a sua sensibilidade e afetuosidade. Ari, que esta doente e há muito não atende sua cirrose, talvez tivesse perdido o senso crítico e o bom senso que seu pai, também advogado, tentara lhe passar. Este morreu pobre, um modelo de humanidade, correto e as vezes puro em sua simplicidade, fora dedicado, muito dedicado. Doutor simpatia, rodeado de amigos, tinha no semblante a felicidade. Dr. Fernando, se não me engano, montou sem meter banca numa época em que isto valia. Ari se pergunta, porque bebia. O pai nunca, nem Pedro que pintava mas não quisera ser artista. Dr. Fernando escrevia, e sem pena, deixou exposto indignação e descoberta nos casos de pessoas além de clientes. Revoltado, diferente , Ari debatia, não teve a vida que queria. Talvez por isso, passado o tempo, mantida a mágoa, perdera Ruth e também sua filha. Acidente, alguém diria, fadado, ouviria. Longa noite se arrasta agora nesta sala fria. Deram-lhe a chance de um telefone, mas a quem seria? Sempre Pedro que lhe acudia, tivesse este sido artista nem isso mais teria.
Luto
Todo mês corria a Casa de Revistas do Rubens para ver se havia chegado a revista MAD. Quando a tinha nas mãos já ia consumindo no caminho, até que certa vez quase fui atropelado. Com atraso, fico sabendo que um dos meus ídolos de adolescencia, Dave Berg, responsável pelo " Lado Irônico ...", morreu aos 81 anos de câncer. Com um traço detalhista e humor refinado, retratou o comportamento americano de várias épocas, influenciando muitos cartunistas e artistas pops modernos. Mesmo não sendo mais leitor da revista, que perdeu muito de sua qualidade, fica a saudade de uma época onde cada exemplar era guardado como relíquia, que nem meu irmão podia pegar. Por falar nisso, vou ver se encontro onde deixei minha coleção, devo ter perdido nas tantas mudanças que tive, quem sabe ficou na casa dos meus pais, ou pior quem sabe esta na casa do meu irmão mesmo! Irônico.
Temporal São quase duas da manhã e há muito tempo não via um temporal tão intenso. As cianças estão dormindo mas prefiro ficar de sentinela. As janelas vibram em cada trovoada e a gata corre pela sala inquieta. Sempre penso nestas horas nos que estão mal abrigados, eu mesmo nem terei como ir trabalhar na colônia pois a estrada ontem já estava intransitável. Envolvido nas cobertas não consigo digitar direito. A estufa nos pés levantou bolhas no assoalho, se deixo causo incêndio. E houve época em que gostei do inverno, reclamar é um sinal da idade.
Linha aberta Liguei por achar que devesse, não porque quisesse. Desejei que não atendesse ou não estivesse. Sem muito assunto, pois o tempo esvaeceu identidades, não sei se surgiria uma segunda frase: "Alô, a quanto tempo!". Se a voz não reconhecesse, desligaria. Quem sabe trazer o passado? De todas as férias que programamos juntos, das festas de fim de semana, das sessões de cinema desde quanto mentíamos a idade, da turma, amigos inseparáveis. Já sei, pedir para recontar do dia que encontrou a primeira namorada, de quando chorava por perder a única amada, uma, duas, várias vezes, até enfim, não sentir mais nada. Quando ensaiamos uma banda, ou tocávamos para chamar as gurias. Se vim ao telefone, foi por ter visto o violão, mudo, no canto empoeirado, maltratado como na espera de um momento a ser chamado, e a quanto tempo, que apesar de intocado, ficara próximo o suficiente para sempre ser lembrado. Ninguém atende. Que me deu agora, de onde veio esta responsabilidade? É como tivesse que encontrá-lo para contar as novidades. E quantas! Da última vez até fui grosseiro, de concordante passei a criticá-lo, nem sei o motivo e se não lembro, melhor nem tentar, que tenha sido uma bobagem. Houve o chorar escondido em minha casa, depois, bem depois, esqueci o que havia determinado. Mais que irmão, guardei segredos, por isso agora deste esqueço. Continua chamando, espero. Um dia, de cara pintada, avisava, não seríamos mais colegas. Em nossos caminhos distintos, embolamos companhias, novos amigos, interesses renovados. Fim de festa, nostalgia, o caminho que surgia. Casei, e ele nem foi convidado, o troco, no dele, para padrinho convidado, mensagem, aí teríamos nos reaproximado. Por que não atende. As mulheres nem bem se conheceram, nem os filhos, que só eu tive. Nas passagens, abraços e convites, muitas jantas na promessa, apresentaria minha família. Acabou meu casamento, nem um dia festejamos. Desisto, talvez tenha trocado de número, ou nem more aqui nesta cidade. Atualizar agenda? Agora é tarde. Saudade, esqueci porque fui rude, teria sido uma bobagem. Grande amigo levado pelo tempo. Porque não fiz isso antes? Atende!
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