Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Terça-feira, Dezembro 31

Ano Novo Vida Nova
Nasceu Maria Eduarda, minha sobrinha afilhada. Pena que não posso estar ai em Floripa, não agora, mas soube que és linda, vermelinha de olhos puxados. Me aguarda!
Troca-troca
O Gilberto, um brasileiro que mora em Tóquio que sei eu de que forma me encontrou por aqui, e da mesma que passei a le-lo e visita-lo, publica:

"Deixei este comentário lá no Blog do Camafunga:
"Impressionantes as fotos. Nunca tinha visto o Rio Grande do Sul tão de perto. Tão por dentro. Tão cotidiano. Obrigado e um grande abraço! Estes dias aqui eu olho o calendário e os cabeçalhos dos blogs, vejo as datas mas elas não me dizem nada. O tempo parou. Senti isto também nas fotos que voce tirou daí da tua terra. Eu estou querendo demais uma DigiCam... e acho que vou copiar este comentário lá no meu blog..."
Na Página Inicial do Blogger eu dei de olhos e de cara com a Garota Marota falando do Getúlio, da Revolução de Trinta... coincidências...?
É o que eu gosto deste espaço, deste cruzamento, desta praça, deste mundo que são os Portais ou Vitrais através de onde eu vou me adentrando no que é o meu real (prazer) que é a satisfação da minha necessidade (do acaso). Quantos textos que eu deixei de postar, caindo em tentação, sob o fascínio das formas e das cores, das artes, das falsidades, das sinceras ironias, lenga-lenga, teste... teste..., blás, blés, ..., blogs, ... está gravando?, me entranhando nos emaranhados, nos meandros dos gimnos-pensamentos, amores, desamores, alheios, meus, minhas, incertezas, manias, belezas, desagravos.
No começo do século passado descobriram que o mundo dos sonhos era o mundo real, agora o virtual é o mundo do sonho feito real. Ou, seja. Entre parentes(es).
"

Nem comento só concordo! Abraços...

Segunda-feira, Dezembro 30

Confraria



Normalmente não uso este espaço para colocar fotos, mas faz tempo que não nos reuníamos. Apesar da falta esperada conseguimos matar a saudade. Foi nossa despedida de fim de ano, mas ficou certo que vamos nos reunir muitas outras vezes. O brinde foi pela amizade, a alegria por termos passado por cima dos percalços. A propósito, havia guardanapo na mesa, mas se fosse preciso o papel higiênico era Neve.

Nota: A foto é do Matheus por isso ele não aparece.

Sexta-feira, Dezembro 27

in memorian
Final de ano, retrospectivas, vou listar, sem cronologia, as perdas do ano. Não chega a ser um obituário pois foram-se pessoas, coisas e sentimentos. Ao mesmo tempo coloco em bits o vazio que cada fato deixou no HD de minha vida neste período, ao lado o que foi perdido:

  • Amigos (60mb)- fidelidade, expectativa, confiança, Gé, companhia, ombro;


  • Prefeitura (8,5mb)- calma, dinheiro, sono, tempo, paciência, respeito, competência, honestidade, trabalho, expectativa, férias;


  • S&E (4mb)- jantas, companhia, tranquilidade, liberdade;


  • Amores (15mb)- tempo, sossego, conversa, tranquilidade;


  • Vizinhos (7mb)- Muzzilo, Ademir, batida, síndica;


  • ADSL (2mb)- paciência, dinheiro, senso;


  • Bancos (20mb)- dinheiro, juros, cartões, cobranças, tempo, tecnologia, férias, dinheiro, dinheiro;


  • Micro (2mb)- placa-mâe, escritos, fotos, endereços, telefones, tempo, dinheiro


  • Clínica (10mb)- liberdade, respeito, Mirian, Angela, lazer, férias, ética;


  • Viagens (5mb)- Porto Alegre, Cassino, Florianópolis;


  • Velinhos (1mb)- carinho, onipotência;



  • Aceito colaboração dos amigos, faça sua lista...





    Quinta-feira, Dezembro 26

    Intervalo
    Não dá para chamar de ressaca, ainda nem passaram todas as festas, essa semana curta antecede outra menor. Alguns amigos já se foram, cedo, acho que não aguentaram ficar muito por aqui. Gostei de ouvir da Su que achou tudo mais limpo, estranhei, mas não tinha interpretado direito, limpo é vazio, limpo de ausência, não fosse teriam ficado mais. Passei no centro, sossegado, sem correrias. Tenho que trabalhar, que bom que a semana é curta, e olha que nem deu ressaca, me sinto limpo, pena que como eles não possa também ir embora.

    Quarta-feira, Dezembro 25

    Feliz Natal



    Terça-feira, Dezembro 24

    Diário do Cárcere
    Hoje é vespera de Natal. Os colegas estão calmos, alguns mais calmos do que o normal. Vejo nos rostos que nem tudo correu como devia. Tentei manter diálogo, abordar situações mais amenas, mas os olhos avermelhados me intimidaram. Passei tempo para chegar até aqui, bom comportamento, participativo, amigo de todos, nunca fui alcaguete, mesmo com todas injustiças que enxerguei neste tempo. O radinho escondido na gaveta toca Across the Universe com os Beatles, senti saudades. Amauri, um dos mais velhos, avisa que de hoje em diante, para o meu bem, devo permanecer mais na cela, não é bom conversar tanto com outros internos, em especial os que não tem prisão especial, mais essa, preconceito e justo hoje. Agora toca A Hard Day`s NIght, e isso é música natalina? Esqueceram de avisar João para falar menos, normalmente ele que é calmo, esta agitado, alterado. Que me espera! Hoje é véspera de Natal, bom dia para pensar em mudar tudo e escapar daqui. Não devo mais falar.

    Segunda-feira, Dezembro 23

    Poema de Natal

    Para isso fomos feitos:
    Para lembrar e ser lembrados,
    Para chorar e fazer chorar,
    Para enterrar os nossos mortos -
    Por isso temos braços longos para os adeuses,
    Mãos para colher o que foi dado,
    Dedos para cavar a terra.
    Assim será a nossa vida;
    Uma tarde sempre a esquecer,
    Uma estrêla a se apagar na treva,
    Um caminho entre dois túmulos -
    Por isso precisamos velar,
    Falar baixo, pisar leve, ver
    A noite dormir em silêncio.
    Não há muito que dizer:
    Uma canção sôbre um berço,
    Um verso, talvez, de amor,
    Uma prece por quem se vai -
    Mas que essa hora não esqueça
    E que por ela os nossos corações
    Se deixem, graves e simples.
    Pois para isso fomos feitos:
    Para a esperança no milagre,
    Para a participação da poesia,
    Para ver a face da morte -
    De repente, nunca mais esperaremos...
    Hoje a noite é jovem; da morte apenas
    Nascemos, imensamente.

    Vinicius de Moraes

    Sábado, Dezembro 21


    Sinceramente, não era eu a dizer aquelas coisas. Outras vezes havia tentado, mas as respostas surgiam atrasadas. Confuso pensei que não seria capaz de tais reações, mas ao mesmo tempo as desejava, normais. Lembro do pai, intempestivo, não que não o tenha visto por vezes arrependido, mas protegido. "Com ele vai com calma!" Modelo rejeitado, mas admirado, necessário. No entanto, tanto tempo de convivo e ainda me surpreendo, comigo. Elaborando a teoria, calmo. pacífico, várias vezes me enfrentei diabólico, mais no embaraço posterior do que na atitude imediata. Preparava respostas, as vezes perdidas a espera de oportunidades que não vinham. O que deve ter ocorrido? Colecionei-as e agora surgem a cada situação que se assemelhe, estou mais velho, com menos o que perder, ou simplesmente tenha aprendido os passos e as circunstancias. Fui lento na contradança mas entendi que as relações são asssim, do contrário a bondade perde o valor, se perde , te despreza. Firme, sem pisar nos pés, harmonia.

    Sexta-feira, Dezembro 20

    Ritmo
    Eu disse a ele: "Fica esperto!", mas não adianta, o mesmo menino acreditando em tudo. "Te segura guri, devagar, não te entrega, não te machuca!". Nem amigo, nem filho, nem que fosse mudaria. Enxergo nele Ana Maria, a quem não conhecera, nem sabia. De freio solto, ao encontro, coração aberto, deixo. Dizer mais o que? Que tente, que tenha mais sorte, se atribuir-se mudaria, não digo nada. Filho e amigo, quem sabe encontre o caminho, quem sabe se veja, Ana Maria.

    Quarta-feira, Dezembro 18

    Fotografia

    Esta semana presentei-me com uma Máquina Digital, desejo antigo. É a Olympus D-100 de 1.3 MEgapixel, suficiente para sair por ai registrando imagens e impressões. Portanto, eventualmente, vou disponibilizar algumas imagens por aqui. Para começar há um link ao lado, "Imagens da Casa", clique e veja um pequeno diário ilustrado.



    Sexta-feira, Dezembro 13

    Desencanto

    Eu faço versos como quem chora
    De desalento... de desencanto...
    Fecha o meu livro, se por agora
    Não tens motivo nenhum de pranto.

    Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
    Tristeza esparsa... remorso vão...
    Dói-me nas veias. Amargo e quente,
    Cai, gota a gota, do coração.

    E nestes versos de angústia rouca
    Assim dos lábios a vida corre,
    Deixando um acre sabor na boca.

    - Eu faço versos como quem morre.

    Manoel Bandeira

    Terça-feira, Dezembro 10

    Impressão
    Em todo canto um pedaço que era meu, não interessava a mais ninguém desde que eu mesmo percebesse. Não minto que um misto de nostalgia e perda de controle se entremearam.
    "Qual seu nome mesmo?"
    Quem diria morei aqui dentro, vejo as marcas nas paredes, nas telas, nos formulários. Onde foram parar minhas rotinas, quem fechou as portas, para que tantas divisórias, por que será que se isolam tanto? Estranho, de repente sou um estranho.Não sei porque, nem como, tudo começou, mas era tudo de outra forma, tenho certeza.
    Por sorte, formação, talvez maturidade, poder não me sobe a cabeça. Nunca fui de me apropriar das pequenas autoridades, nem das maiores, se é que são maiores. Mas tive a oportunidade de exerce-la cedo, talvez nem tivesse me dado conta e por acaso ou merecimento quando vi era o chefe deste pedaço. Anos construídos em conquistas e conhecimentos, pedaços sobrepostos em erros e acertos, mas principalmente em um ambiente agradável e propício. Eramos jovens, uma turma, pensava-se amigos, pelo menos, eu, assim sentia. Afeto confundido, amigos de colegas, colegas em amigos. Ambiente propício, andávamos juntos.
    Por necessidade perdi maior convívio, mas ainda me sentia próximo. Mudaram, autoridade superou afagos, receios afastaram afetos, poder superou carater. Mudei, outros interesses, me permaneço sensível, inocente esperei respeito. Abri o caminho e fui atropelado.
    Desrespeito é pouco, ingratidão é para estranhos, decepção é para idiotas. Sou um idiota, aqui esperando. Quanto tempo? Muito, mais que suficiente para observar minhas marcas, grande o bastante para marcar minhas mágoas.

    Segunda-feira, Dezembro 9

    Dieta
    Abordado pelos conhecidos e pelos nem tão íntimos, perguntavam, afinal qual a fórmula? Passando por doente, tísico, aidético foi-se o entusiasmo das horas de academia e regimes forçados. Nada de pão ou farinha, açúcar ou gorduras, longas caminhadas ajudadas pela depressão da separação que só ocorreria em dado momento, única coisa a ser aproveitada, inapetência e um corpinho esbelto, triste mas esbelto. Tive que procurar todas as justificativas, receitas e explicações não bastavam para legitimar os quase vinte quilos perdidos. Ao final, meta ultrapassada, me olhavam atravessado; "Huum o cara esta mal mesmo..." Até meu pai me propunha regime de engorda. Tu estas feio meu filho. Cruzes! E eu que pensava o contrário me aborreci. Explanar, cansei, chega de satisfação. Não adiantou, me decretaram enfermo e passei a ser discriminado. Um dia , irritado, magoado, joguei fora os adoçantes, voltei a padaria e recuperei em quase um instante toda a "saúde" perdida. Hoje estou bem, fora quando me chamam de pançudo, quase obeso, morsa. Prefiro assim antes gordo cheio de amigos que um magro segregado. Este assunto me deu uma fome!

    Sábado, Dezembro 7

    Capital
    Quando percebo estou pensando ou escrevendo sobre Porto Alegre. Este fim de semana, correndo tudo como esperado, devo estar para lá partindo. Não sei de onde vem o encanto, cidade que já me fez mal na infância dando até febre, hoje, quando dá, "deu para ti baixo astral vou para Porto Alegre, tchau..", deve ser o " pôr do sol que traduz em versos".
    A descoberta foi em difícil período por que passava, mais difícil conciliar tempo e dinheiro para dar estas fugidas, mas conseguia e durante dois anos, ou mais, não passei um mês sem viajar. Amigos novos , cada vez mais estranhos que parmaneciam saudavelmente estranhos, como a cidade, que nunca se revelava por inteiro deixando algo mais para a volta. Confusa, quase misteriosa, na busca de sei lá o que, também confuso, fiquei sem alternativa. Cabelo, roupa e modos do bairro ao dia a dia, e se terminasse ali, "Bom Fim", se me encontrasse enfim, "Redenção".
    Voltava recarregado, motivação que se mantinha. Não era o shopping ou algum lugar badalado, mas o ar que envolvia, o cheiro , o espaço. Da ponte me elevava sobre e junto com o Guaiba. As oportunidades diminuiram a magia não. Hoje parto sem objetivo, mentira, o fim é claro, quero ser anestesiado, atiçado, sou ainda surpreendido. Bienal, Muralha, Veríssimo; Gasômetro, Casa de Cultura, livros; luzes, noite, chuvisco; calor, Ipiranga, vícios; passeios sem compromisso; vivo, viva, Porto Alegre te preciso.

    Quarta-feira, Dezembro 4

    Fábula - Segunda Versão
    Era uma vez um pato que gostava de uma galinha. Ele sabia que seria difícil, mas nascera pato mesmo, logo tentaria.
    A galinha criava um bicho, a essa altura nem sei que bicho seria.
    O pato, a galinha e o bicho até viveram em harmonia, mas como podia ser esperado, estranharam-se um dia.
    Então chegou-se a morsa, grandalhona, faladeira, encontrando o prato feito, entendeu ser da turma, fez paródia, fez recreio.
    No entanto, sem ser entendida, mais que revoltado o pato grita:"Volta ao mar louca afetada, deixe em paz a bicharada..." E assim, mais que alertada, fica só abandonada.

    Moral da História: "Em briga de pato e galinha, se sou a morsa fico na minha."

    PS: Por favor se alguém se identificar com a história, que fique quieto, pois é só um história.

    Terça-feira, Dezembro 3

    Barão de Itararé
    Para quem não conhece, Apparício Torrelly, gaucho ou Uruguaio, ninguém sabe certamente, nascido em 1895, o Barão de Itararé, personagem por ele mesmo criado, foi poeta, cientista, matemático, tetrólogo, politico e antes de tudo humorista. Dono das melhores máximas, Rei dos trocadilhos, fundou A MANHA, paródia da grande imprensa que gozava de tudo, da linguagem a corrupção. Por isso foi preso, espancado e torturado várias vezes, sempre sem perder o humor. Na porta da sua sala lia-se "Entre Sem Bater", certa vez respondendo ao irônco guarda que o transportava de um presídio para outro: "E ai doutor faça agora um trocadilho!", "Não posso pois estou a trocar d'ilhas" (ambas prisões isoladas em insulas). Médico pesquisador sem ter concluido o curso, estudou as causas da aftosa apresentando importante palestra em 1928. Em 1971 morre com 76 anos, mas diz que tinha 61 descontados os tempos de cana e bobagens. Sempre foi para mim um referência, por isso reproduzo algumas de suas Máximas e Mínimas:

    * De onde menos se espera, daí é que não sai nada.

    *Quem empresta, adeus...

    *Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos.

    *Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado.

    *Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

    *Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai.

    *O fígado faz muito mal à bebida.

    *O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.


    O homem cumprimentou o outro, no café.
    -- Creio que nós fomos apresentados na casa do Olavo.
    -- Não me recordo.
    -- Pois tenho certeza. Faz um mês, mais ou menos.
    -- Como me reconheceu?
    -- Pelo guarda-chuva.
    -- Mas nessa época eu não tinha guarda-chuva...
    -- Realmente, mas eu tinha...

    Para saber mais :
    "Barão de Itararé" de Ernani Ssó- Editora tchê RBS.
    "Almanhaque"
    Abobrinhas Geniais
    "Máximas e Mínimas do Barão de Itararé", Distribuidora Record - Rio de Janeiro, 1985, coletânea organizada por Afonso Félix de Souza.

    Domingo, Dezembro 1

    Dia Internacional de Combate a AIDS

    Quero apoiar as vacinas para a Aids Como todos os anos, uso este espaço para divulgar ações e informações a favor do combate a AIDS.
    Conheça o que é a ABIA
    Quem sabe fazer este teste? Ou quem sabe colabore respondendo este?
    Uma forma fácil de tirar dúvidas.

     

     

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