Ouvi com calma o que dizia. Quarenta e alguns anos, dez deles em luto por um marido cedo morto, acidente. Ficaram dois filhos, um quase adulto, origem do precoce casamento, outra bonequinha, fabricada, a que cedo desfilava, cursos e concursos para modelo manequim, apresentadora de TV mirim, nove anos em menos de metro e meio, batom e maquiagem, nesta se realizava. O motivo do assunto, o filho desnaturado, estava entrando na justiça contra a mãe, coitada. Psicóloga conceituada, clientela variada, ser dessa forma agredida, sentia-se violentada. Dez anos, acostumada, a chorar por nada. O corpo rechonchudo cada vez mais alargava. O olhar estranho descrevia, estava louca, apaixonada. Era um novo romance, o primeiro depois, novo. Foi num chat de telefone, ele filósofo, quase adulto, ela psicóloga, bonequinha fabricada. De mala e cuia se vem o amante, outra cidade, lua de mel antecipada. Sem foto só palavras, que não fosse duradouro, dez minutos lhe bastava. Vinte anos os distanciavam, não pesavam se os perdidos descontados. O amor correspondido, não fora ignorado e o filho revoltado junto aos pais decepcionados, foram a luta aliados. O olhar estranho perguntava, estava louca ou apaixonada. “Vagabunda”, filho chamava, "perdida" sua mãe ecoava. Clínica cheia, clientela variada, desta forma agredida, desta forma conceituada. Que queria que eu dissesse? Que a vida é sua, a ninguém interessa? Que estava maluca e que se curasse depressa? Os olhos estranhos omitiam a verdade. Um luto mal curado, o tempo desperdiçado. Que faria não me interessava fiquei na história que relatava, mais uma que com calma degustava.
Sexta-feira, Janeiro 31
Narrativa
Ouvi com calma o que dizia. Quarenta e alguns anos, dez deles em luto por um marido cedo morto, acidente. Ficaram dois filhos, um quase adulto, origem do precoce casamento, outra bonequinha, fabricada, a que cedo desfilava, cursos e concursos para modelo manequim, apresentadora de TV mirim, nove anos em menos de metro e meio, batom e maquiagem, nesta se realizava. O motivo do assunto, o filho desnaturado, estava entrando na justiça contra a mãe, coitada. Psicóloga conceituada, clientela variada, ser dessa forma agredida, sentia-se violentada. Dez anos, acostumada, a chorar por nada. O corpo rechonchudo cada vez mais alargava. O olhar estranho descrevia, estava louca, apaixonada. Era um novo romance, o primeiro depois, novo. Foi num chat de telefone, ele filósofo, quase adulto, ela psicóloga, bonequinha fabricada. De mala e cuia se vem o amante, outra cidade, lua de mel antecipada. Sem foto só palavras, que não fosse duradouro, dez minutos lhe bastava. Vinte anos os distanciavam, não pesavam se os perdidos descontados. O amor correspondido, não fora ignorado e o filho revoltado junto aos pais decepcionados, foram a luta aliados. O olhar estranho perguntava, estava louca ou apaixonada. “Vagabunda”, filho chamava, "perdida" sua mãe ecoava. Clínica cheia, clientela variada, desta forma agredida, desta forma conceituada. Que queria que eu dissesse? Que a vida é sua, a ninguém interessa? Que estava maluca e que se curasse depressa? Os olhos estranhos omitiam a verdade. Um luto mal curado, o tempo desperdiçado. Que faria não me interessava fiquei na história que relatava, mais uma que com calma degustava.
Ouvi com calma o que dizia. Quarenta e alguns anos, dez deles em luto por um marido cedo morto, acidente. Ficaram dois filhos, um quase adulto, origem do precoce casamento, outra bonequinha, fabricada, a que cedo desfilava, cursos e concursos para modelo manequim, apresentadora de TV mirim, nove anos em menos de metro e meio, batom e maquiagem, nesta se realizava. O motivo do assunto, o filho desnaturado, estava entrando na justiça contra a mãe, coitada. Psicóloga conceituada, clientela variada, ser dessa forma agredida, sentia-se violentada. Dez anos, acostumada, a chorar por nada. O corpo rechonchudo cada vez mais alargava. O olhar estranho descrevia, estava louca, apaixonada. Era um novo romance, o primeiro depois, novo. Foi num chat de telefone, ele filósofo, quase adulto, ela psicóloga, bonequinha fabricada. De mala e cuia se vem o amante, outra cidade, lua de mel antecipada. Sem foto só palavras, que não fosse duradouro, dez minutos lhe bastava. Vinte anos os distanciavam, não pesavam se os perdidos descontados. O amor correspondido, não fora ignorado e o filho revoltado junto aos pais decepcionados, foram a luta aliados. O olhar estranho perguntava, estava louca ou apaixonada. “Vagabunda”, filho chamava, "perdida" sua mãe ecoava. Clínica cheia, clientela variada, desta forma agredida, desta forma conceituada. Que queria que eu dissesse? Que a vida é sua, a ninguém interessa? Que estava maluca e que se curasse depressa? Os olhos estranhos omitiam a verdade. Um luto mal curado, o tempo desperdiçado. Que faria não me interessava fiquei na história que relatava, mais uma que com calma degustava.
Quarta-feira, Janeiro 29
War
A históia se repete. Os grandes impérios ao perceberem o declínio eminente, buscam nas guerras sustentação e apoio forjados. Pobres de nós, levados pelas impotências falidas ao buraco da desordem política e econômica que se instala. Frageis, ficamos na linha de frente a fazer uma história que não nos interessa e que em nada compensa. A charge abaixo é de um jornal americano e traduz uma impressão que não é só nossa.
A históia se repete. Os grandes impérios ao perceberem o declínio eminente, buscam nas guerras sustentação e apoio forjados. Pobres de nós, levados pelas impotências falidas ao buraco da desordem política e econômica que se instala. Frageis, ficamos na linha de frente a fazer uma história que não nos interessa e que em nada compensa. A charge abaixo é de um jornal americano e traduz uma impressão que não é só nossa.

Terça-feira, Janeiro 28
Praia
Tirei um pouco esta foto da Blog de imagens. Falei em paz e alguns me disseram que o céu escuro não reflete boas memórias. Para mim, sim. Este espaço é o que sobra de um reservatório natural, hoje não mais tão reservado, pois inicia-se construção de um loteamento, polêmico mas em plenas obras. Fica junto a Barra, a ponta da Barra na praia do Laranjal na Lagoa dos Patos, um local importante de reprodução de pássaros que migram do sul para o norte e ali desovam. Neste dia mesmo, aínda se viam mergulhões de papo colorido e algumas gaivotas estranhas. Que fazer. O que se sabe é que a natureza cobra, quem construir ali estara sobre terreno encharcado e corre o risco, como os vizinhos, de ver suas casas afundando com uma resaca maior da laguna. Quem atiça paga.

Tirei um pouco esta foto da Blog de imagens. Falei em paz e alguns me disseram que o céu escuro não reflete boas memórias. Para mim, sim. Este espaço é o que sobra de um reservatório natural, hoje não mais tão reservado, pois inicia-se construção de um loteamento, polêmico mas em plenas obras. Fica junto a Barra, a ponta da Barra na praia do Laranjal na Lagoa dos Patos, um local importante de reprodução de pássaros que migram do sul para o norte e ali desovam. Neste dia mesmo, aínda se viam mergulhões de papo colorido e algumas gaivotas estranhas. Que fazer. O que se sabe é que a natureza cobra, quem construir ali estara sobre terreno encharcado e corre o risco, como os vizinhos, de ver suas casas afundando com uma resaca maior da laguna. Quem atiça paga.
Sábado, Janeiro 25
Restos
Deixou-me o telefone na vã esperança de que lhe ligaria. Estúpida, não entendeu minhas gentilezas, educado não a trataria com desdem ou desrespeito, descuidada, talvez poucos lhe atentassem com havia feito. Primeiro os motivos frívolos, a história repetida do marido que lhe ignorava, das desavenças, dos conflitos até o dia que bateu na outra, a amasia. Baixaria. Leviano, pedi detalhes, intrigante, tracei comentários. "Cachorro! Por que isso com pessoa tão amavel?" Cretino, trouxe alento disfarçado em esperança, por vaidade fui aguçando o improvável, o necessário foi suprido no momento. Tola frágil, agora me sinto culpado, não era esta minha vontade. Em cima da mesa junto as chaves, notas que sobraram da rua misturadas a um guardanapo. Jogados, nome e número amassados, rejeitados como as sobras de um peito mais uma vez abandonado. Rosane 91207634.
Deixou-me o telefone na vã esperança de que lhe ligaria. Estúpida, não entendeu minhas gentilezas, educado não a trataria com desdem ou desrespeito, descuidada, talvez poucos lhe atentassem com havia feito. Primeiro os motivos frívolos, a história repetida do marido que lhe ignorava, das desavenças, dos conflitos até o dia que bateu na outra, a amasia. Baixaria. Leviano, pedi detalhes, intrigante, tracei comentários. "Cachorro! Por que isso com pessoa tão amavel?" Cretino, trouxe alento disfarçado em esperança, por vaidade fui aguçando o improvável, o necessário foi suprido no momento. Tola frágil, agora me sinto culpado, não era esta minha vontade. Em cima da mesa junto as chaves, notas que sobraram da rua misturadas a um guardanapo. Jogados, nome e número amassados, rejeitados como as sobras de um peito mais uma vez abandonado. Rosane 91207634.
Terça-feira, Janeiro 21
Pois É, Pra Quê?
Na minha galeria dos esquecidos relembro Sidney Miller.
Esta é de MAURO DIAS publicado no Estadão em 1 de abril de 2002
"Quando ouviu as músicas do menino Sidney Miller, em 1966, Nara Leão gostou tanto que não conseguiu escolher uma para gravar. Escolheu cinco.
Falava-se, naqueles tempos difíceis, por metáforas. Mas o interlúdio idílico do carnaval não era, para Sidney Miller, uma atenuante (como apareceu e aparece tantas vezes na música popular); nem mesmo representava um possível motor revolucionário (na tese tão cara a Chico Buarque). O que se vilumbra nos versos do samba é a desilusão inapagável. Os últimos versos dizem: "Vai, balança a bandeira colorida/ Pede passagem pra viver a vida."
Não deram. Sidney Miller suicidou-se no dia 16 de julho de 1980, aos 35 anos.
Deixou obra relativamente curta e, de ponta a ponta, extraordinária. Era comum que se comparassem Sidney Miller e Chico Buarque. Pareciam parecidos - não eram. Em comum, tinham o trabalho de poesia precioso sobre estrutura melódica e harmônica de aparência simples, além do olhar crítico.
Mas o que em Chico sempre foi alento, em Sidney era desilusão. Foi um dos compositores mais tristes da história da música brasileira."
Mais: Ouça trecho Estrada e Violeiro.
Som e Tom
Na minha galeria dos esquecidos relembro Sidney Miller.
Esta é de MAURO DIAS publicado no Estadão em 1 de abril de 2002
"Quando ouviu as músicas do menino Sidney Miller, em 1966, Nara Leão gostou tanto que não conseguiu escolher uma para gravar. Escolheu cinco. Falava-se, naqueles tempos difíceis, por metáforas. Mas o interlúdio idílico do carnaval não era, para Sidney Miller, uma atenuante (como apareceu e aparece tantas vezes na música popular); nem mesmo representava um possível motor revolucionário (na tese tão cara a Chico Buarque). O que se vilumbra nos versos do samba é a desilusão inapagável. Os últimos versos dizem: "Vai, balança a bandeira colorida/ Pede passagem pra viver a vida."
Não deram. Sidney Miller suicidou-se no dia 16 de julho de 1980, aos 35 anos.
Deixou obra relativamente curta e, de ponta a ponta, extraordinária. Era comum que se comparassem Sidney Miller e Chico Buarque. Pareciam parecidos - não eram. Em comum, tinham o trabalho de poesia precioso sobre estrutura melódica e harmônica de aparência simples, além do olhar crítico.
Mas o que em Chico sempre foi alento, em Sidney era desilusão. Foi um dos compositores mais tristes da história da música brasileira."
Mais: Ouça trecho Estrada e Violeiro.
Som e Tom
Sexta-feira, Janeiro 17
Logotipo
No alto aberto, azul piscina
Cai em curva, alucina
Base fraca redemoinho
Ponto escuro,
solto
sozinho
Faz a prova, testo fita
Minha imagem materializa
Quem entende, fecha a roda
Quem confunde, nem avisa
Uma idéia circunscrita
Ronda a mente que anuncia
A mensagem transmitida
Perde a rota do sentido
E meu ponto alí perdido
Olha o céu azul por cima
Sobe a curva em redemoinho
Para dizer-te
Estou sozinho
Marcelo Soares / janeiro 2003
No alto aberto, azul piscina
Cai em curva, alucina
Base fraca redemoinho
Ponto escuro,
solto
sozinho
Faz a prova, testo fita
Minha imagem materializa
Quem entende, fecha a roda
Quem confunde, nem avisa
Uma idéia circunscrita
Ronda a mente que anuncia
A mensagem transmitida
Perde a rota do sentido
E meu ponto alí perdido
Olha o céu azul por cima
Sobe a curva em redemoinho
Para dizer-te
Estou sozinho
Marcelo Soares / janeiro 2003
Quinta-feira, Janeiro 16
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manoel Bandeira / Teresópolis, 1912.
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Manoel Bandeira / Teresópolis, 1912.
Fugida
São oito e trinta da manhã de plena quinta-feira. Dia e hora de estar trabalhando, começando uma jornada que deveria durar pelo menos onze horas, mas não, estou aqui na frente desta tela procurando sei lá o que para me me afastar da rotina. Difícil. Escrever ajuda. Antes, estas escapadas custavam culpa e frustração, culpa, por ter estar treinado a trabalhar, trabalhar e trabalhar, frustração por que se "parado" sinto-me um inútil. Neuroses que não me curei totalmente. Faz dois anos que vendo minhas férias, o que adiantar não adianta, mas na ilusão de sair do buraco acabo me afundando em outro, o estress da rotina diária. São nove e doze, entre o último ponto e esta frase me diverti um pouco, encontrei um amigo antigo que me convida para jantar amanhã, esta valendo a pena. Lí alguns e-mails sem graça, deletei um monte de mensagens indesejadas, mas não faltou alguém que de mim lembrasse. Há um silêncio estranho que há muito não experimentava, só a noite, ou nos domingos. Esta hora normalmente estou no pico, agitado. Nem tinha percebido que apesar de morar tão no centro tem pássaros nas árvores da vizinhança, pensei que só viessem aos domingos e feriados. O telefone toca, estão estranhando minha ausência, eu também. Dei uma desculpa, estou doente, mas ao contrário me sinto mais saudável. Como diria um amigo, "hora de rever meus conceitos". São quase dez horas, não fiz nada de produtivo, ou fiz? Vou ficar mais um pouco, quem sabe uma soneca, não isso é heresia, minha religião condenaria, quem sabe?
São oito e trinta da manhã de plena quinta-feira. Dia e hora de estar trabalhando, começando uma jornada que deveria durar pelo menos onze horas, mas não, estou aqui na frente desta tela procurando sei lá o que para me me afastar da rotina. Difícil. Escrever ajuda. Antes, estas escapadas custavam culpa e frustração, culpa, por ter estar treinado a trabalhar, trabalhar e trabalhar, frustração por que se "parado" sinto-me um inútil. Neuroses que não me curei totalmente. Faz dois anos que vendo minhas férias, o que adiantar não adianta, mas na ilusão de sair do buraco acabo me afundando em outro, o estress da rotina diária. São nove e doze, entre o último ponto e esta frase me diverti um pouco, encontrei um amigo antigo que me convida para jantar amanhã, esta valendo a pena. Lí alguns e-mails sem graça, deletei um monte de mensagens indesejadas, mas não faltou alguém que de mim lembrasse. Há um silêncio estranho que há muito não experimentava, só a noite, ou nos domingos. Esta hora normalmente estou no pico, agitado. Nem tinha percebido que apesar de morar tão no centro tem pássaros nas árvores da vizinhança, pensei que só viessem aos domingos e feriados. O telefone toca, estão estranhando minha ausência, eu também. Dei uma desculpa, estou doente, mas ao contrário me sinto mais saudável. Como diria um amigo, "hora de rever meus conceitos". São quase dez horas, não fiz nada de produtivo, ou fiz? Vou ficar mais um pouco, quem sabe uma soneca, não isso é heresia, minha religião condenaria, quem sabe?
Quarta-feira, Janeiro 15
Bilhete
Querida, finalmente boas surpresas para ti!
Cansei de notícias tristes, não serei mais desagradável. Tinhas razão, sempre tens, não é mesmo? Percebi-me amargo e vou mudar, mudei! Tu vês, acordei disposto, te olhei e nem fiz barulho, respeitei teu sono profundo e antes que reclamaste evitei a TV e não abri as janelas. Para que inundar o quarto com sol quente e informações desnecessárias. Tinhas razão, desnecessário saber do que é problema alheio. Cotação do dolar, crise política, desemprego, para que se nem trabalhas? Se vai estourar uma guerra lá fora, se já temos a nossa aqui mesmo. Não vou me preparar para ir a luta então fui a padaria. Antes tomei um banho demorado onde fiz a barba, estou barbeado querida, como tu gostas. Acordei disposto, não ao ato que nem mais procuras, por que te encher de nojo? Mas disposto a vida que deve estar clara lá fora como sol que ficou retido antes da janela. Não moderei, desculpa, no perfume que tua mãe me deu no Natal o mesmo de todos os anos, vai ficar um pouco no ar, mas depois esvaece como tudo. Estou com a roupa que comprei na última viagem e que tanto implicaste, me sinto ótimo. A camisa esta solta para fora da calça, alívio. Como é cedo, cheguei e a padaria estava fechada, nem perecbi. Não te alcancei o café na cama pois estava com fome e enchi a mesa. Não sobrou nem salaminho, desculpa. Amor, não te direi mais palavras rudes, amor meu, fica a vontade. Juntei tudo sem barulho, não há cuecas no banheiro nem toalhas na sala. Cínico, lavei toda a louça, a de hoje e a da janta que não me preparaste. Fica bem meu docinho, adeus regime que te torna escrava, não por mim, não precisa. Olha em volta e vê se não esqueci de nada, se deixei, não fara falta, não faço falta, adeus, não tem mais volta.
Querida, finalmente boas surpresas para ti!
Cansei de notícias tristes, não serei mais desagradável. Tinhas razão, sempre tens, não é mesmo? Percebi-me amargo e vou mudar, mudei! Tu vês, acordei disposto, te olhei e nem fiz barulho, respeitei teu sono profundo e antes que reclamaste evitei a TV e não abri as janelas. Para que inundar o quarto com sol quente e informações desnecessárias. Tinhas razão, desnecessário saber do que é problema alheio. Cotação do dolar, crise política, desemprego, para que se nem trabalhas? Se vai estourar uma guerra lá fora, se já temos a nossa aqui mesmo. Não vou me preparar para ir a luta então fui a padaria. Antes tomei um banho demorado onde fiz a barba, estou barbeado querida, como tu gostas. Acordei disposto, não ao ato que nem mais procuras, por que te encher de nojo? Mas disposto a vida que deve estar clara lá fora como sol que ficou retido antes da janela. Não moderei, desculpa, no perfume que tua mãe me deu no Natal o mesmo de todos os anos, vai ficar um pouco no ar, mas depois esvaece como tudo. Estou com a roupa que comprei na última viagem e que tanto implicaste, me sinto ótimo. A camisa esta solta para fora da calça, alívio. Como é cedo, cheguei e a padaria estava fechada, nem perecbi. Não te alcancei o café na cama pois estava com fome e enchi a mesa. Não sobrou nem salaminho, desculpa. Amor, não te direi mais palavras rudes, amor meu, fica a vontade. Juntei tudo sem barulho, não há cuecas no banheiro nem toalhas na sala. Cínico, lavei toda a louça, a de hoje e a da janta que não me preparaste. Fica bem meu docinho, adeus regime que te torna escrava, não por mim, não precisa. Olha em volta e vê se não esqueci de nada, se deixei, não fara falta, não faço falta, adeus, não tem mais volta.
Sábado, Janeiro 11
Reforma
Com o entusiasmo da camera nova, reclamaram que a seção de fotos (Imagens de Casa - ao lado) estava muito pesada, procurei resolver o problema criando uma parte de arquivo a cada três posts, espero que funcione. Mas o que importa, é poder apresentar a Maria Eduarda aos amigos, ela esta lá hoje é só visitar.
Com o entusiasmo da camera nova, reclamaram que a seção de fotos (Imagens de Casa - ao lado) estava muito pesada, procurei resolver o problema criando uma parte de arquivo a cada três posts, espero que funcione. Mas o que importa, é poder apresentar a Maria Eduarda aos amigos, ela esta lá hoje é só visitar.
Quarta-feira, Janeiro 8
Projeção
Quasímodo, nome erudito que lhe fora atribuido, chamado assim desde o surgimento, o que se dera há muito tempo, sumiu. Minha avó falava nele, minha mãe nos prenunciava: "Come esta sopinha senão chamo o homem do saco!". E ele vinha, acaso ou coincidência tantas vezes nestas horas, o homem, o saco e o lombo arqueados. Pobre coitado, abandonado pela vida, de nada servia. Maltrapilho, sujo, acabrunhado arastava pés que de tão escuros aos restos de chinelos se misturavam. Foi casado, um amigo de meu pai conhecera sua genealogia e descobrira além dos pais, filhos que também o desampararam. No café quando passava, logo alguém dizia: "Vem de gente rica, coitado..." Que soubessem não trabalhava, vivia da graça que recebia e daquele jeito renunciado muito pouco merecia. O homem do saco da minha infância sumiu, faz tempo. Ao contrario dos que me educaram foi-se a referência de quem apontar para meus filhos. Pobre, impunha respeito e nem sabia. No imaginário dos meus medos, Quasímodo afez alguns instintos. Foi importante, não percebia, um pobre coitado que não servia para nada, servia. Não sei se por cômodo ou egoismo, pelos meus filhos, Quasímodo te preciso.
Quasímodo, nome erudito que lhe fora atribuido, chamado assim desde o surgimento, o que se dera há muito tempo, sumiu. Minha avó falava nele, minha mãe nos prenunciava: "Come esta sopinha senão chamo o homem do saco!". E ele vinha, acaso ou coincidência tantas vezes nestas horas, o homem, o saco e o lombo arqueados. Pobre coitado, abandonado pela vida, de nada servia. Maltrapilho, sujo, acabrunhado arastava pés que de tão escuros aos restos de chinelos se misturavam. Foi casado, um amigo de meu pai conhecera sua genealogia e descobrira além dos pais, filhos que também o desampararam. No café quando passava, logo alguém dizia: "Vem de gente rica, coitado..." Que soubessem não trabalhava, vivia da graça que recebia e daquele jeito renunciado muito pouco merecia. O homem do saco da minha infância sumiu, faz tempo. Ao contrario dos que me educaram foi-se a referência de quem apontar para meus filhos. Pobre, impunha respeito e nem sabia. No imaginário dos meus medos, Quasímodo afez alguns instintos. Foi importante, não percebia, um pobre coitado que não servia para nada, servia. Não sei se por cômodo ou egoismo, pelos meus filhos, Quasímodo te preciso.
Segunda-feira, Janeiro 6
História de Amor
A Mara amara Antunez
Antunez não a Mara
A Mara amarra cruzes
Simpatia não desata
A Mara vestiu-se em luzes
Pela fé que conquistara
A Mara, na marra, Antunez
Mas amor não se amarra
A Mara amarga cruzes
Fantasia aqui se apaga
A Mara morre luzes
Morre amor
Amarga
Amara
Marcelo Soares / janeiro 2003
A Mara amara Antunez
Antunez não a Mara
A Mara amarra cruzes
Simpatia não desata
A Mara vestiu-se em luzes
Pela fé que conquistara
A Mara, na marra, Antunez
Mas amor não se amarra
A Mara amarga cruzes
Fantasia aqui se apaga
A Mara morre luzes
Morre amor
Amarga
Amara
Marcelo Soares / janeiro 2003
Domingo, Janeiro 5
Bruxismo
Sonhei que estava tenso e acabei por cerrar os dentes. A tempos que acordo dolorido, serradas, as pontas que desejam ser armas afiadas, picam, ferem me maltratam. Mordida, serei eu meu inimigo? Aftas, feridas cíclicas a lembrar desta peleja. Controvérsia, se não sou eu porque canibalizo? Antropófago, não é assim que me eternizo. Atraiçoado, porque só faço isso dormindo.
Sonhei que estava tenso e acabei por cerrar os dentes. A tempos que acordo dolorido, serradas, as pontas que desejam ser armas afiadas, picam, ferem me maltratam. Mordida, serei eu meu inimigo? Aftas, feridas cíclicas a lembrar desta peleja. Controvérsia, se não sou eu porque canibalizo? Antropófago, não é assim que me eternizo. Atraiçoado, porque só faço isso dormindo.
Sábado, Janeiro 4
Perfumaria
Tem tanta coisa que se escreve que pode não interessar a ninguém, mas que da mesma forma dá vontade de dividir. Pensando nas vezes em que publiquei e apaguei posts, criei uma Blog paralela. Não é preciso ler, não tem a menor importancia, mas pode fazer alguma diferença. O link esta ao lado, mas eu avisei, é dispensável!
Tem tanta coisa que se escreve que pode não interessar a ninguém, mas que da mesma forma dá vontade de dividir. Pensando nas vezes em que publiquei e apaguei posts, criei uma Blog paralela. Não é preciso ler, não tem a menor importancia, mas pode fazer alguma diferença. O link esta ao lado, mas eu avisei, é dispensável!
Quinta-feira, Janeiro 2
Começando Bem
Abandonado, resolvo trabalhar mais do que o normal. Atrapalhado, esqueço das coisas básicas da vida, uma delas: pagar a luz. Já nem falo de lazer ou supostos romances, mas de energia, vital para que entre outras coisas eu pudesse estar aqui escrevendo. Não foi por falência, mas por descuido, que fiquei as escuras. Antes não havia passado em casa, os guris viajando e a falta da Izabel me tiraram o estímulo e apetite, não almocei, e acho que se não tivesse jejuado não teria consegui nem trabalhar direito. Belo porco que ganhei lá fora, macio e tenro, gorduroso e venenoso. Noite atribulada, cama inquietante, banheiro tão distante. Sobras do Ano Novo, beliscar em várias moradas, em uma delas carne estragada. Deteriora meu primeiro dia que o humor já anuncia. Plantão escolhido, premiado, queixas insípidas, tempo arrastado. Que serão os outros dias nesta escuridão que profetiza.
Obs: a posse do Lula emociona, não sou partidário, mas acho que pelo menos neste primeiro momento temos que ser companheiros. E há outra forma?
Abandonado, resolvo trabalhar mais do que o normal. Atrapalhado, esqueço das coisas básicas da vida, uma delas: pagar a luz. Já nem falo de lazer ou supostos romances, mas de energia, vital para que entre outras coisas eu pudesse estar aqui escrevendo. Não foi por falência, mas por descuido, que fiquei as escuras. Antes não havia passado em casa, os guris viajando e a falta da Izabel me tiraram o estímulo e apetite, não almocei, e acho que se não tivesse jejuado não teria consegui nem trabalhar direito. Belo porco que ganhei lá fora, macio e tenro, gorduroso e venenoso. Noite atribulada, cama inquietante, banheiro tão distante. Sobras do Ano Novo, beliscar em várias moradas, em uma delas carne estragada. Deteriora meu primeiro dia que o humor já anuncia. Plantão escolhido, premiado, queixas insípidas, tempo arrastado. Que serão os outros dias nesta escuridão que profetiza.
Obs: a posse do Lula emociona, não sou partidário, mas acho que pelo menos neste primeiro momento temos que ser companheiros. E há outra forma?
