 Pensei em dar uma aliviada no último post e publicar alguma charge de Jean Bosc que retrata homens e crianças narigudas geralmente em longas filas, intermináveis para ilustrar um texto mais leve, já pronto, ou uma imagem erótica de humor e bom gosto de George Wolinski, entretanto, ambos cartunistas franceses, e talvez por isso mesmo, não se disponibiliza na web nada além de textos, sem graça. Mas, dou de cara com outro desenhista que admiro, James Thurber, cartunista e escritor norte americano nascido em 1894 de quem guardo alguns cartoons misógenos, uma aversão ambivalente ás mulheres deste colaborador permanente do Jornal New Yorker. Cabe informar que perdeu a visão do olho direto com seis anos em um acidente e que dependente do olho esquerdo, foi aos poucos também enfraquecendo esta vista o que o deixou praticamente cego antes dos quarenta anos. Em função da deficiência, fazia seus originais em desenhos enormes com carvão com traços simples em folhas de papel gigantescas, presas nas paredes, porém únicos e personalizados. É dele a parábola ilustrada "Last Flower" cujo link coloco aqui. Quanto as charges de minha coleção, seguindo os franceses, não vou scanear.
Luto Ela, abre a porta e calma. O dia não foi o que devia ter sido, menor espectativa tranquiliza o sentido de dever cumprido. Adentra, a luz amarelada de final de tarde engana, é madrugada. Livro aberto, cobertor jogados, era cedo e rápido partira sem maior desculpa, trabalho, rotina é pretexto, capítulo vencido, mal acabado o texto, o livro aberto, esqueço. Descansa e senta, mau hábito esquecer TV ligada e alta. Partira sozinha, ele saiu primeiro, notícia distante ouvira, desespero. Encosta, a fronha escapa ao travesseiro. Corpo frio precisa um banho, o cheiro, umidade zela em preservar odores, aguarda demorada a volta imprecisa e falha. Chora, saber estar só, recorda. A cama, corpo frio inerte, o livro, luz que amarela a nota, a vida que saiu primeiro, a morte imprecisa volta, ao texto, esquecido ao meio.
Espera
Sentado no degrau da porta da casa, rua movimentada, centro de uma cidade ainda calma e tranquila. Muitos passavam, afagos leves na cabeça de um menino de olhos claros. O irmão corria esperando pelo pequeno corredor, a época enorme, que se inciava com uma mesa de metal já velha disfarçada por uma toalha colorida e enfeitada por um jarro que imaginava de prata, nada! Flores artificiais e murchas. Na porta esperava, dentro aguardava, muitos passam mas poucos batem, esperança de um rosto conhecido, o menino que não gostava de jogar bola, o vizinho que deixava bater a máquina mesmo analfabeto. Ir além, ao pátio, isso é muito longe, a imagem me despertaria outro pensamento, paro aqui, meus pais saberão.
Rampa Não sei por onde ando. Estes dias de tão ocupado tenho até me evitado. Quando posso publico alguma foto, leio recado de amigo, procuro saber o que há de novo, mas nem sempre sou dos primeiros a saber do que acontece. Queria um pouco mais de recreio, mas a sirene sempre toca antes que termine de comer a merenda. Por isso, tenho tido aqueles sonhos infantis de estar descendo ou subindo a rampa do ginásio e então apavorado, lembrar que não estudei para a prova de matemática. Isso faz muito tempo. Antes sonhava que ali perdia meus sapatos, ou o pior, percebia, estar calçando um de cada cor. "Pé com lé, pé com qué um sapato em cada pé..." era o coro que me seguia, humilhação e vergonha. Estranha esta cabeça da gente, atemporal nos receios mas sempre atualizada nos ressentimentos. Briguei injustamente com um amigo, e no primeiro cochilo, antes da primeira noite, a culpa já me condenava, lá ia eu descendo a rampa de sapato trocado, e ele que atrás debochava, ameaçava com os outros colegas: "Pé com lé, pé com qué.." . Vai ser sempre assim? Me verei velho, de bengala, enfrentando o mesmo plano inclinado, pelos colegas atropelado? Mas, não era este meu assunto, fuga de idéias, procura de algo que justifique meu atraso. Não disse? O relógio bipa como a sirene alta do ginásio, tenho que ir, fim de recreio, nem tomei a merenda, nem me preparei para a prova. Isso faz tempo, isso é agora, e esta rampa, nunca soube onde ela acaba!
Fotos Cotidianas Quem gosta de instantâneos fotográficos de pessoas comuns pegas de surpresa este Blog de Fotos é muito interessante http://www.fotolog.net/spyshots/, o autor aceita colaborações. O meu tem sido atualizado diariamente, comentários fazer lá mesmo, obrigado.
Contenda Charles se passou e nem bem terminado o dia, se arrependia. Ela estava estranha, entendia, mas não era para tanto. Sempre tratada com carinho não lhe deixava faltar nada, comida, carinho, colo, o melhor lugar no leito. Esta certo que quase não a deixava sair, vivia cuidando as portas, nem à janela debruçada, mas ela parecia não importar-se, se fazia conformada. Um dia saíram de carro, e por ser pouco habituada, mostrou-se infeliz, estranha e agitada. Brigaram, uma das primeiras, uma discussão quase nada. Charles parecia tão amigo, parceiro companheiro, ela bem cordata. Submissa, se diria, mas satisfeita, acomodada. “Olha que ela vem de uma família de temperamento difícil”, lhe avisaram, mas Charles, ao contrario, talvez por esperar tão pouco, encantou-se e absorvia cada carinho como ato supremo. Era assim, se orgulhava, saber que em casa ela estaria sempre esperando até que a porta se abrisse. Mágoa? Ressentimento? Não, os abraços, o roçar das peles e os gemidos, todos rápidos e diretos, receptivos. Ela modesta e pronta, mais uma vez submissa. No início a família não aceitava, Charles já tinha filhos e o visitavam muito freqüente, nem deles se sabia se um dia consentiriam. Mas aceitaram, a amaram, e mais fácil do que parecia se entendiam. Hoje Charles se passou e machucou-se, arrependimento. Acolhera outra menina, jovem e simples, encantadora. Esta altiva e decidida não se importava por que vinha e assim, sem cerimônias, fez-se dona do pedaço. Crise, o sinal para que se eriçasse, defesa requer ataque que as unhas se mostrassem. Humor inconstante, amor e ódio, garras prontas e afiadas, rasgaram-lhe a pele, destempero. Violência, insano Charles a agredira, exagerado sem um dó a apertara. Moça submissa, que direito achas ao ciúmes, nenhum, nada. Bicha louca desgraçada, contra parede jogada, correria, arisca, risca rápido assustada, doída, sofre, grito de acuada. Nem bem passara um dia, entra em casa, não esperam sua chegada, pouco tempo arrependido Charles não sabia como entender sua gata amada.
Semana Toda segunda a mesma coisa. Já escrevi sobre isso, a depressão de iníco de semana se não é universal, é frequente. Vejo no rosto, de quem esta a caminho do trabalho, parece que o motor não esta aquecido, algo ficou sem ser completado. O sono? Já programei diminuir atividades para esta manhã, mas não mudou muito. Ouvi alguém dizer que este sentimento é originado do tempo da escola, possível, ainda tenho sonhos em que subo e desço a rampa do ginásio que já terminei há tanto tempo. Pior, acordo preucupado com a prova de matemática que não havia estudado, se aconteceu um dia, faz uma vida. Agora nem é tanto, mas há algum tempo ouvir a musica do Fantástico no domingo já antecipava esta melancolia, e, apesar de dormir tarde todos os outros dias , neste, havia um reflexo a me mandar para cama assim que o traumático programa terminasse. Hoje é segunda, e meus motores não aqueceram o suficiente. O jornal matutino que fala sobre a guerra parece mais pesado, os crimes mais violentos, as contas impagáveis. Não tem jeito, repassado os compromissos tenho que sair, acho que isso passa, volta, mas passa. Angústia, até segunda.
Barbra Aquele imperecível boné de napa preta, endurecido pelo tempo, nem curtido, como a pele de seu rosto, marca rugas de um tecido falso. Uma pirâmide semítica, enorme, mal escondida nos cabelos encrespados e tingidos, claro, seguravam os óculos de aros largos e lentes azuladas ja desmerecidas.. As vestes fora deste tempo, revival do cinto largo preto a muita altura, segura abdomen, suspende a túnica, única, colorida, sobre a calça fusô amarronada.Engrandece as nadegas, alarga. Um bibelô, quase um abajur ordinário. Fosse em um bric alguém a levaria, anos setenta, pinguim de geladeira. Mas quem me lembrava? Barbra, Streisand demolida. Sucata do bom gosto, pobre, brega, envelhecida. Um momento, se posso ser tão longe, ser assim tão interpretativo, quanto disso esta aqui dentro? Ser ridículo esta comigo de outra forma nem saberia. Percebo, pinguim de geladeira, cafona, anos setenta, há lugar e tempo em meu pensamento.
Nova Blog Estou trocando o espaço de fotos para o FOTOLOG, ja vem pronto, é mais prático para atualizar e permite comentários. Além disso, há possibilidade de trocade imagens com pessoas do mundo todo, muito interessante. Aproveitem ao visitar para dar uma espiada nas manifestações pacifistas pelo mundo.
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