Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Domingo, Junho 29

Folhetim
Frequente era segredar de um amor perdido, quem não sabia? Romantica, acreditava, sem que fosse uma verdade, que um dia voltaria a encontrar-se. Afetada, enchia os olhos d'agua, mais fingida, passional aos fatos e menos aos acontecimentos que por acaso trouxessem lembranças ou saudade. Repete o tema, e nem importa se outro o personagem, era ela no papel de mulher abandonada. Novela das oito. Fazia assim a vida a fazer graça, distante do horário nobre, atua e é autora, mal dirigida à mesma história, sem graça. De outro jeito, o tempo lhe passa, sem glamour, perdeu o Ibope. Sonho que não consegue ser dividido não precisa nem ser interpretado.

Quinta-feira, Junho 19

Este post foi removido para aqui!.

Domingo, Junho 15

Esforço
Falta-me animo para publicar é a Síndrome da Bia ou algo parecido. Sempre há o que ser comentado mas tenho a sensação de monólogo que alguns ja referiram. Isso me faz lembrar outro tempo em que não haviam Blogs.
Rotina, final de tarde, saida do trabalho lá ia a casa de discos de meus primos. Entristecido, encontrei ali um refúgio ideal. Música variada, conversa fiada e um ambiente amigável, descompromissado na descoberta de novos amigos e de um passado familiar que não conhecia. Eram mais velhos, um a idade da minha mãe, o outro, mais moço de idade mental indefinida. Lá conheci Flávia, Suzana, Seu Cordeiro, Cristiano entre outros. Esse resgatava as histórias de minha mãe em seu tempo de criança, aquele fazia companhia na noite que se revelava. Mas ali, onde o ponto era regularmente batido, na atmosfera do escritório desorganizado cheio de discos velhos de vinil e aparelhos obsoletos que prenunciavam uma falência, era onde me sentia reconfortado. Entretanto, o assunto, de inicio interessante, foi saturando pela repetição dos fatos e personagens e foi preciso um convivio maior além daquelas paredes, assim, passei a frequentar também a casa, acompanhar festas familiares, passeios domingueiros, jantas, bares, restaurantes até velórios. Íntimo, depois de adulto, de parentes casuais que antes pouco sabia. A música , o assunto e a companhia, elemento que nos unia, jamais imaginei perder a sequência. A melodia conhecida, como os assuntos decorados, previsíveis, as letras, a ordem os silêncios. Vira o disco! Eventualmente, alguém novo se aproximava, mas, atraidos por iguais interesses só faziam somar versões novas aos fatos já referidos. Fui-me ausentando, aos poucos, para ver se me acostumava, repentinamente quando fecharam a loja. Adeus ponto, foi-se a trilha, dissiparam-se os amigos. Um pouco, mais eventual do que se esperava, fomos nos encontrando menos. A música, o convívio depois, dai o afastamento definitivo. Horário e novos hábitos ocupados, esqueci o que significavam, até um dia, entristecido olhei pela vitrine já trocada, saudade e um arrependimento são expostos. Tarde, senti falta da falsa falta de novidades, das versões revistas e ampliadas em histórias muitas vezes mal contadas para que pudessem ser novamente modificadas. Por isso, mesmo a força, volto ao Blog, não quero perder o hábito, as companhias e corrigir a tempo a idéia de que não vale a pena.

Sábado, Junho 14

Da Observação

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

Espelho Mágico

Mario Quintana

Segunda-feira, Junho 9

Passado
Como aqui frequentemente é uma volta ao passado em lembranças e nostalgia, publiquei na perfumaria algumas imagens da FENADOCE que traz parte da memória de minha cidade.

Sábado, Junho 7

Devaneio
Cansado de seguir o mesmo caminho troco de rua ao dobrar a esquina, o fim da rua , onde passava o ônibus que levava a um lugar novo que hoje domino como parte de uma rotina diária, o muro lá longe, no fundo, era a divisão entre o conhecido e a descoberta. Aquele dia iria a igreja, tempos de coroinha, limpar a lama confessando pecados horriveis, infantilmente ridiculos. Esqueci de avisar que iria demorar o que podia ter evitado a corrida deles e a procura inútil pelas ruas mais improváveis. No aniversário da maninha um pequeno fugira como um cusco a procura de liberdade, foi por ali que me cercaram, engano, a rota era outra, ali seria muito próximo pude escolher o cruzamento. Quem diria hoje estas crianças estão perdidas, até fizeram outras igualmente perturbadas. Viu, mais uma vez me perdi do caminho, encruzilhada. Assim fui me acostumando, experimentar rumos contrários. O ônibus, afinal, não levava a lugar mais especial do que minhas pernas ao dobrar esquinas trocadas, e isso é verdade, por mais demorada que fosse a viagem. Um amigo, que não enxergava, ensinou a perceber além do muro que obstruia a rua, eu lia as histórias mas era ele quem as traduzia. Gênio. Estranho esta mania, escapo, mas acabo voltando ao mesmo ponto, logo, as quebradas são curiosidades, mais uma volta, e outra, e outra, e outra e volta. Cansado de virar as mesmas arestas troco de tema sem mudar de via. Não pretendo ser entendido mas espero que me sintam: esquinas, quebradas e muros, o amigo cego que ajudou no caminho e as descobertas que não levam a nada, paradigmas da quimera.

Quarta-feira, Junho 4

Molecada
Quando o dia introduziu-se com cara de chuva avistei a possibilidade de ficar em casa. Mas, e o trabalho? Preferia serenidade e esquecer dos compromissos difíceis de serem transferidos. Vestindo as pressas corremos, eu e meus filhos rua a fora. Pasta, mochilas, merendas, e a chuva batendo, contínuo.
Disse a eles, quase a caminho da escola, "voltando, para casa! A tarde ainda comeremos sonhos!". O menor entusiasmado nem tenta entender, se atira ao banco da frente e eu, arrependido, chateado, não consigo interromper a brincadeira. Primeiro a mim, depois aos meninos, perguntei se havia algo tão importante, uma prova, uma trabalho inadiável, qualquer coisa que de fato nos prejudicaria? Não. Sem refletir demais, assumi, iriamos todos cabular aula!
"Que belo exemplo!", me censuraria, "Que belo exemplo!", ainda teria orgulho. Antes assim, transgredir comigo a incitar e nutrir desejos sempre proibidos. Adiante entenderiam, foi só uma molecagem, ia-se o sentido do crime, algo que o condenassem a camera de gás ou ao vício, não precisaria ser repetido, maldade caçoada perde a importância.
Foi isso que fez uma vez meu pai a respeito de um paradigma, "se um dia acontecer...pode ser normal, na verdade acomete a todos". Ajudou a tornar-me mais humano, não por normas mas pelos exemplos, depois, se tornei-me muito rígido assim o fiz por mim mesmo. Reaprendo quem sabe. Hoje manhoso falto as aulas e ao trabalho, motivo nobre, comeremos os tais sonhos ouvindo a chuva. Um dia para ser lembrado.

 

 

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