Bem vejamos, dia de faxina, a agenda é mais um album de recortes, menos útil e mais um dispensário de idéias inacabadas, frases soltas, jogadas entre dados e contas, avisos de aniversário e compromissos perdidos, que desperdício. Não sei se é excesso ou falta delas, preferia ser menos profícuo mas mais organizado, não posso condenar Pedro por ser disperso, meus pensamentos se espalham por folhas e receituários até na cozinha no meio de uma receita que também não vai ser materializada em janta ou petisco. "Os dias cinzas da eterna madrugada..." duas colheres de margarina e 100gr de pessegada. Quem sabe juntasse todas, fruto de momentos específicos e procurasse encontrar um sentido único, faria isso se fosse possível, mas de tão instável e as vezes contraditório, perceberia triste, sou eu o autor que esta inacabado. Deixo que minhas frases se soltem, meus pensamentos se percam e minhas idéias se confundam entre projetos e compromissos, fecho a agenda que também é muito recente, e quem sabe um dia volte a me encontrar mais achado, quem sabe? Mais um pensamento inacabado.
Quinta-feira, Agosto 28
Refletir
Bem vejamos, dia de faxina, a agenda é mais um album de recortes, menos útil e mais um dispensário de idéias inacabadas, frases soltas, jogadas entre dados e contas, avisos de aniversário e compromissos perdidos, que desperdício. Não sei se é excesso ou falta delas, preferia ser menos profícuo mas mais organizado, não posso condenar Pedro por ser disperso, meus pensamentos se espalham por folhas e receituários até na cozinha no meio de uma receita que também não vai ser materializada em janta ou petisco. "Os dias cinzas da eterna madrugada..." duas colheres de margarina e 100gr de pessegada. Quem sabe juntasse todas, fruto de momentos específicos e procurasse encontrar um sentido único, faria isso se fosse possível, mas de tão instável e as vezes contraditório, perceberia triste, sou eu o autor que esta inacabado. Deixo que minhas frases se soltem, meus pensamentos se percam e minhas idéias se confundam entre projetos e compromissos, fecho a agenda que também é muito recente, e quem sabe um dia volte a me encontrar mais achado, quem sabe? Mais um pensamento inacabado.
Bem vejamos, dia de faxina, a agenda é mais um album de recortes, menos útil e mais um dispensário de idéias inacabadas, frases soltas, jogadas entre dados e contas, avisos de aniversário e compromissos perdidos, que desperdício. Não sei se é excesso ou falta delas, preferia ser menos profícuo mas mais organizado, não posso condenar Pedro por ser disperso, meus pensamentos se espalham por folhas e receituários até na cozinha no meio de uma receita que também não vai ser materializada em janta ou petisco. "Os dias cinzas da eterna madrugada..." duas colheres de margarina e 100gr de pessegada. Quem sabe juntasse todas, fruto de momentos específicos e procurasse encontrar um sentido único, faria isso se fosse possível, mas de tão instável e as vezes contraditório, perceberia triste, sou eu o autor que esta inacabado. Deixo que minhas frases se soltem, meus pensamentos se percam e minhas idéias se confundam entre projetos e compromissos, fecho a agenda que também é muito recente, e quem sabe um dia volte a me encontrar mais achado, quem sabe? Mais um pensamento inacabado.
Terça-feira, Agosto 26
Cobertor de Orelha
O frio que voltou está de "renguear cusco" , como se diz aqui no sul. São quase sete e meia da manhã, mas o sol não é capaz de levantar a geada que caiu a noite. Da minha janela vejo gelo sobre a grama e o café fumegante ao lado do micro nem está tão quente assim. E pensar que, há exatos uma semana, estavamos na beira da praia curtindo um calor fora de hora, coisa de trinta e poucos graus, camiseta, refrigerante gelado acompanhavamos um povo desocupado que pesacava de dentro da lagoa. Coisas desta terrra de sobreviventes climáticos. Desfilo este fato porque pretendo lançar uma nova teoria, o de quanto isso é capaz de inflluenciar na estabilidade emocional dos individuos, da mesma forma, a amplitude afetiva de alguns parece se manifestar em picos extremos de paixão e frieza franciscana, e, não fosse estar acostumado com tamanhas diferenças, ja teria desistido. Neste tira casaco, coloca camiseta, acabei cedendo à companhia, já que ainda assim predomina o inverno nestes dias, não é prudente deixar o coração também gelado.
O frio que voltou está de "renguear cusco" , como se diz aqui no sul. São quase sete e meia da manhã, mas o sol não é capaz de levantar a geada que caiu a noite. Da minha janela vejo gelo sobre a grama e o café fumegante ao lado do micro nem está tão quente assim. E pensar que, há exatos uma semana, estavamos na beira da praia curtindo um calor fora de hora, coisa de trinta e poucos graus, camiseta, refrigerante gelado acompanhavamos um povo desocupado que pesacava de dentro da lagoa. Coisas desta terrra de sobreviventes climáticos. Desfilo este fato porque pretendo lançar uma nova teoria, o de quanto isso é capaz de inflluenciar na estabilidade emocional dos individuos, da mesma forma, a amplitude afetiva de alguns parece se manifestar em picos extremos de paixão e frieza franciscana, e, não fosse estar acostumado com tamanhas diferenças, ja teria desistido. Neste tira casaco, coloca camiseta, acabei cedendo à companhia, já que ainda assim predomina o inverno nestes dias, não é prudente deixar o coração também gelado.
Sexta-feira, Agosto 22
Dedicado
Marina estava esperando. Desde que havia me animado, meus segredos, cumplicidade. Mas era noite , enfraquecido tomei coragem, me despedi, a mesma noite ainda longa começava a assustar, "toma um Válium", mas não sigo seus conselhos. Arrisco, afoito retorno, ela não atende mais minha chamada. Revelada na troca de confissões pareciamos mais humanos, e eu ria da incerteza do que seria o dia seguinte, acordaria sozinho, e Marina, seria só um desabafo, quem sabe um arrependimento. Demorei a dar retorno, agora, caixa de mensagem vazia, a culpa em ter hesitado, sera que ainda me aguarda?
Acordei só, mas menos repeso, tentei esquecer, apagar os fatos e a divulgação escancarada, falo demais, menos. No telefone, o recado dela, a espera interrompida pelo sono, a redescoberta de que amigos não somem com o dia, que não estou tão, nem solitário. Marina estava esperando, há muito tempo, desvelado fui querido, o medo ficou no passado e o recado dizia "Te amo"
Marina estava esperando. Desde que havia me animado, meus segredos, cumplicidade. Mas era noite , enfraquecido tomei coragem, me despedi, a mesma noite ainda longa começava a assustar, "toma um Válium", mas não sigo seus conselhos. Arrisco, afoito retorno, ela não atende mais minha chamada. Revelada na troca de confissões pareciamos mais humanos, e eu ria da incerteza do que seria o dia seguinte, acordaria sozinho, e Marina, seria só um desabafo, quem sabe um arrependimento. Demorei a dar retorno, agora, caixa de mensagem vazia, a culpa em ter hesitado, sera que ainda me aguarda?
Acordei só, mas menos repeso, tentei esquecer, apagar os fatos e a divulgação escancarada, falo demais, menos. No telefone, o recado dela, a espera interrompida pelo sono, a redescoberta de que amigos não somem com o dia, que não estou tão, nem solitário. Marina estava esperando, há muito tempo, desvelado fui querido, o medo ficou no passado e o recado dizia "Te amo"
Domingo, Agosto 17
Luto
Hoje partiu mais um ente querido, e bota querido neste. Não por mim, mas por muitos, Gai, não Gay, jornalista, cronista, radialista, ex-vereador do Partido dos trabalhadores da ala pura, humana, dele, que assim seria em qualquer sigla. Dele ouvia, própria voz, a crônica radiofônica diária, Vôo Livre, o que enganava uma aproximação que na realidade não existia. Idéias soltas, verbo no ar.Tenho pena, como sempre nestas horas, de ter convivido menos do que poderia, mas sei, assim como em meu pai que optou ser mais prático e menos artista, que muito inspirou e fez acreditar que também podia escrever. Acreditar que há um gen pronto que faz brotar idéias, e que injusto seria não aproveitar suas proteínas.Fiquei contente quando menos tímido lhe contei do que publicara e antes que terminasse completou o que diria, "idéias gêmeas" me explicava, e orgulhoso eu acolhia. Morreu o tio fotografo, muitas vezes premiado, outras desconhecido na sensibilidade em registrar o sentido de casarios velhos, mulheres grávidas nuas, idosas, a esperar a morte em cadeiras de balanço. Chegou sua vez, e nem tão velho, mais um gestante permanente a desenvolver pensamentos, poesias, utopias. Lúdico quase nada ganhara com tudo isso, engano. Eu menino fui seu aluno em curso de fotografia, o meu pai enciumado ambivalente não proibia, mas ressaltava a sua prática forma de ver a vida. Sempre soube que o admirava, ambos, e por traz da prudência escondia uma ponta identificada de orgulho e sintonia. Sobre isso, outro dia, escrevi contrariado quando o vi imprevidente jogado em uma enfermaria, o meu pai mais situado afirmava o que dizia, "o teu tio é um artista não cuidou do que devia". Nem cadeira de balanço como os das fotografias, mas uma coleção de afetos que agora ao meu vejo somados, mais concretos que suas idéias dando a elas substrato, era esta sua vida, fora este o seu legado, e como uma lição a quem não lhe entendia, o carinho de quem sentirá sua falta. Dedico a ti este espaço em que eventualmente sou elogiado, longe de mim ser comparado, mas se há uma pequena possibilidade, antecipando novas tecnologias, quero ativar meus cromossomos, extrair deles maior sensibilidade e a maturidade em perceber do que vale a pena acumular desta vida. Obrigado Tio Gai.
Hoje partiu mais um ente querido, e bota querido neste. Não por mim, mas por muitos, Gai, não Gay, jornalista, cronista, radialista, ex-vereador do Partido dos trabalhadores da ala pura, humana, dele, que assim seria em qualquer sigla. Dele ouvia, própria voz, a crônica radiofônica diária, Vôo Livre, o que enganava uma aproximação que na realidade não existia. Idéias soltas, verbo no ar.Tenho pena, como sempre nestas horas, de ter convivido menos do que poderia, mas sei, assim como em meu pai que optou ser mais prático e menos artista, que muito inspirou e fez acreditar que também podia escrever. Acreditar que há um gen pronto que faz brotar idéias, e que injusto seria não aproveitar suas proteínas.Fiquei contente quando menos tímido lhe contei do que publicara e antes que terminasse completou o que diria, "idéias gêmeas" me explicava, e orgulhoso eu acolhia. Morreu o tio fotografo, muitas vezes premiado, outras desconhecido na sensibilidade em registrar o sentido de casarios velhos, mulheres grávidas nuas, idosas, a esperar a morte em cadeiras de balanço. Chegou sua vez, e nem tão velho, mais um gestante permanente a desenvolver pensamentos, poesias, utopias. Lúdico quase nada ganhara com tudo isso, engano. Eu menino fui seu aluno em curso de fotografia, o meu pai enciumado ambivalente não proibia, mas ressaltava a sua prática forma de ver a vida. Sempre soube que o admirava, ambos, e por traz da prudência escondia uma ponta identificada de orgulho e sintonia. Sobre isso, outro dia, escrevi contrariado quando o vi imprevidente jogado em uma enfermaria, o meu pai mais situado afirmava o que dizia, "o teu tio é um artista não cuidou do que devia". Nem cadeira de balanço como os das fotografias, mas uma coleção de afetos que agora ao meu vejo somados, mais concretos que suas idéias dando a elas substrato, era esta sua vida, fora este o seu legado, e como uma lição a quem não lhe entendia, o carinho de quem sentirá sua falta. Dedico a ti este espaço em que eventualmente sou elogiado, longe de mim ser comparado, mas se há uma pequena possibilidade, antecipando novas tecnologias, quero ativar meus cromossomos, extrair deles maior sensibilidade e a maturidade em perceber do que vale a pena acumular desta vida. Obrigado Tio Gai.
Quinta-feira, Agosto 14
Dono da Verdade
Queria um tema, um assunto, algo para contar que não fosse falso. Lembrei do Denis "cara de coruja" e seus óculos de fundo-de-garrafa. Sabe tudo, palavras bem colocadas, atraia conhecimento. Pudera, sempre antes o preparo e estudar profundo algo que não valia nada, de preferência que ninguem soubesse e que tão pouco interessasse. Detalhado e difuso, bastava que caise ao acaso, o seu assunto para o dia preparado, era então em enciclopédia desfilado. Deu certo, muito tempo, era quase um incapaz a destilar sabedoria. Feioso, nariz exagerado, usava deste artifício para ser um pouco amado. VIrou referência em superficialidade, mas, se por acaso de relance consultado, fugia do momento para destrinchar respostas posteriores em detalhes. Denis, por onde andará este néscio disfarçado? Disseram que morava na Holanda fazendo um infindado mestrado, especialista em engenharia naval, o escambau, tinha até medo de água, falso nas idéias deve assim ter montado seu currículo. Queria algo que não fosse falso, encontrei Denis, traição de minha memória, sei lá se sigo procurando ou faço deste o assunto à toa, como acaso elaborado.
Queria um tema, um assunto, algo para contar que não fosse falso. Lembrei do Denis "cara de coruja" e seus óculos de fundo-de-garrafa. Sabe tudo, palavras bem colocadas, atraia conhecimento. Pudera, sempre antes o preparo e estudar profundo algo que não valia nada, de preferência que ninguem soubesse e que tão pouco interessasse. Detalhado e difuso, bastava que caise ao acaso, o seu assunto para o dia preparado, era então em enciclopédia desfilado. Deu certo, muito tempo, era quase um incapaz a destilar sabedoria. Feioso, nariz exagerado, usava deste artifício para ser um pouco amado. VIrou referência em superficialidade, mas, se por acaso de relance consultado, fugia do momento para destrinchar respostas posteriores em detalhes. Denis, por onde andará este néscio disfarçado? Disseram que morava na Holanda fazendo um infindado mestrado, especialista em engenharia naval, o escambau, tinha até medo de água, falso nas idéias deve assim ter montado seu currículo. Queria algo que não fosse falso, encontrei Denis, traição de minha memória, sei lá se sigo procurando ou faço deste o assunto à toa, como acaso elaborado.
Domingo, Agosto 10
Quebra
Isto era para estar no perfumaria e não aqui tão exposto.
Há alguns dias, estressado pela correria diária, me descobri hiprtenso. Tontura, mal estar vago e vontade de não fazer nada, apesar de uma enorme cobrança em não perder tempo. Bobagem, ao invés de aproveitar a folga temporária em lazer optei por me consumir em culpas. "O ócio é o pai dos perdidos" e mesmo trabalhando o resto do dia assumo como irresponsável este hiato da tarde coriompida na espera de uma nova atividade produtiva. Sei, algo a ser tratado, mas meu espírito pouco elevado deve ter sido de um operário maltratado, ou meu super ego é superdotado, vida regressa ou mesmo nesta não consigo ficar sossegado.
Por coincidência, ou para ser chacoalhado, um amigo bem p?roximo acaba de ficar desempregado. Consternado , transferi meus sentimentos e pensar como seria não um horário mas ter o dia a "ficar parado".Por reflexo acatei o desespere e de que forma ao encontra-lo abordaria o fato. Surpresa, ao encontrar o sacrificado, bem menos preucupado, cercado de prudência e calma parecia que o havia negado. Planos bem encaminhados, tinha metas desenhadas, a primeira, e eu me incluia iríamos a praia, pleno meio de semana, tarde produtiva de quarta. Mais por companhia do que por acreditar sadia, acolhi a cortesia do convite e fomos lá de binóculo e cuia, cadeiras e casacos. Foi bom, não, foi ótimo, outros vagbundos ali passeavam, colegas mais organizados, assuntos e caminhadas. Mais uma lição dai tirada, que da teoria ja sabia mas que na prática não aplicava, a vida é curta e deve haver um sentido maior no que se faz do que a rotina e as verdades gravadas. Nunca é tarde.
Isto era para estar no perfumaria e não aqui tão exposto.
Há alguns dias, estressado pela correria diária, me descobri hiprtenso. Tontura, mal estar vago e vontade de não fazer nada, apesar de uma enorme cobrança em não perder tempo. Bobagem, ao invés de aproveitar a folga temporária em lazer optei por me consumir em culpas. "O ócio é o pai dos perdidos" e mesmo trabalhando o resto do dia assumo como irresponsável este hiato da tarde coriompida na espera de uma nova atividade produtiva. Sei, algo a ser tratado, mas meu espírito pouco elevado deve ter sido de um operário maltratado, ou meu super ego é superdotado, vida regressa ou mesmo nesta não consigo ficar sossegado.
Por coincidência, ou para ser chacoalhado, um amigo bem p?roximo acaba de ficar desempregado. Consternado , transferi meus sentimentos e pensar como seria não um horário mas ter o dia a "ficar parado".Por reflexo acatei o desespere e de que forma ao encontra-lo abordaria o fato. Surpresa, ao encontrar o sacrificado, bem menos preucupado, cercado de prudência e calma parecia que o havia negado. Planos bem encaminhados, tinha metas desenhadas, a primeira, e eu me incluia iríamos a praia, pleno meio de semana, tarde produtiva de quarta. Mais por companhia do que por acreditar sadia, acolhi a cortesia do convite e fomos lá de binóculo e cuia, cadeiras e casacos. Foi bom, não, foi ótimo, outros vagbundos ali passeavam, colegas mais organizados, assuntos e caminhadas. Mais uma lição dai tirada, que da teoria ja sabia mas que na prática não aplicava, a vida é curta e deve haver um sentido maior no que se faz do que a rotina e as verdades gravadas. Nunca é tarde.
Domingo, Agosto 3
Condomínio I
A vizinha não ia com a minha cara, coisa sem sentido, implicância gratuita. Eu por sua vez, da segunda em que evitou o comprimento, registrei seu rosto no lvro negro do meu cerebro e passamos a não existir um para o outro. Até que um dia, briga de namorados, alta madrugada, a mal amada, acho que ao ser espancada, exagerou nos gritos e acordou a todos. Panelas e pratos quebrados só o que senti foi uma satisfação maldosa por ter sido destratada, mas nem pensei ou cogitei fazer queixa, outros fizeram. Mais velhos, meu prédio geriátrico, os da terceira idade desencadearam um protesto anônimo à sindica a respeito de moral, silêncio, educação e sociabilidade. O manifesto, até que bem escrito, sugeria multa para preservar os bons costumes. Pelo que se repetiria, reincidente e cada vez mais escandalosa por menor que fosse a pena seria dificil de ser paga, e assim desprezada. Quanto a mim, no entanto, o desprezo foi tranformado em explicito desagravo e escolhido como denunciante injustamente, passei a ser diretamente incomodado. Um dia uma bola dos meninos rasgada por ter caido no pátio, outros pelo som alto que faz estremecer meu quarto sempre que tento descançar como se uma camera a informasse, ou o despertar diário, histérico, sempre a madrugada na voz de Maria Bethânia com "Sonho Meu" no rádio cd relógio, só o dela pois o meu dispara, enfim guerra.
Ontem o apartamento pegou fogo e por pouco o meu não é afetado, começou pelo quarto o mesmo onde as brigas se instalam, antes do relógio dispertar a madrugada. Fui dos primeiros a perceber o cheiro a fumaça, depois a porta batendo, a moça molhada de camisola, pedindo para entrar com os bombeiros, pois seria daqui o melhor acesso a janela do quarto. Tisnada, humilhada deixei que a mangueira passasse, em silêncio pude ouvir finalmente a Bethania ser afogada. Talvez volte a me comprimentar ou nem isso, quem sabe, mas mais uma vez descobri meus diabinhos serem despertados no prazer malvado da desforra.
A vizinha não ia com a minha cara, coisa sem sentido, implicância gratuita. Eu por sua vez, da segunda em que evitou o comprimento, registrei seu rosto no lvro negro do meu cerebro e passamos a não existir um para o outro. Até que um dia, briga de namorados, alta madrugada, a mal amada, acho que ao ser espancada, exagerou nos gritos e acordou a todos. Panelas e pratos quebrados só o que senti foi uma satisfação maldosa por ter sido destratada, mas nem pensei ou cogitei fazer queixa, outros fizeram. Mais velhos, meu prédio geriátrico, os da terceira idade desencadearam um protesto anônimo à sindica a respeito de moral, silêncio, educação e sociabilidade. O manifesto, até que bem escrito, sugeria multa para preservar os bons costumes. Pelo que se repetiria, reincidente e cada vez mais escandalosa por menor que fosse a pena seria dificil de ser paga, e assim desprezada. Quanto a mim, no entanto, o desprezo foi tranformado em explicito desagravo e escolhido como denunciante injustamente, passei a ser diretamente incomodado. Um dia uma bola dos meninos rasgada por ter caido no pátio, outros pelo som alto que faz estremecer meu quarto sempre que tento descançar como se uma camera a informasse, ou o despertar diário, histérico, sempre a madrugada na voz de Maria Bethânia com "Sonho Meu" no rádio cd relógio, só o dela pois o meu dispara, enfim guerra.
Ontem o apartamento pegou fogo e por pouco o meu não é afetado, começou pelo quarto o mesmo onde as brigas se instalam, antes do relógio dispertar a madrugada. Fui dos primeiros a perceber o cheiro a fumaça, depois a porta batendo, a moça molhada de camisola, pedindo para entrar com os bombeiros, pois seria daqui o melhor acesso a janela do quarto. Tisnada, humilhada deixei que a mangueira passasse, em silêncio pude ouvir finalmente a Bethania ser afogada. Talvez volte a me comprimentar ou nem isso, quem sabe, mas mais uma vez descobri meus diabinhos serem despertados no prazer malvado da desforra.
