Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Terça-feira, Setembro 30

Nuvens
Eu disse, já havia dito, mas não tinha me escutado. Aquele olhar e as expressôes discretas desvendavam, haveria um tempo mais propício, mas não hoje. Achei que iria chover, mas clima não era a tônica da conversa, ela disfarçava bem, logo as nuvens foram mais importantes do que a ausência temporária de seu carinho. A janela entreaberta dava para a praça, e apesar de ser alto a copa de algumas árvores pareciam próximas, lembro daqui ja ter assistido shows de acrobacias e espetáculos públicos importantes, hoje meninos perdidos entre os bancos cobram por seu favores, decadência me faz evitar a vista e mirar para dentro. Ela ja havia me escutado um dia, sim, concordado algumas vezes, evitado outras, e agora surda dos gestos prefere uma hora ideal que não existiria não tivesse se afastado dos afetos. É alto mas, ainda assim, próximo ao que me propunha, sem sombras nem sentimentos perdidos entre os bancos onde sentavamos a trocar confidências, pobres meninos. Fecha a janela, as nuvens estão carregadas mesmo. Eu ja havia dito mas precisava ser escutado, as expressões discretas não querem um tempo mais propício, querem agora, achei que iria chover mas isso realmente não importa.

Quinta-feira, Setembro 25

Estação
A agenda informa, inicia a primavera, mas o vento frio, ar de relento, fecha a porta com violento impacto que assusta. A lembrança da banheira fumegante ou da lareira incinerando não são suficientes, o peito gela, molhado como gato escaldado não consigo sorver os aromas que se anunciam, só a umidade e a imagem de outro suado, fumegante, só imagem. Epoca de desabrochar que não se concretiza, flores solidificadas, essência ausente numa estação crítica. A bebida gelada no corpo aquecido confunde os humores, sentidos perturbados. Que venha o tempo ameno que minha natureza espera, deixa o vento frio no relento do inverno, que se abram em cheiros, pólens e sentidos, que surja a esperança de dias coloridos. A agenda informa, é primavera, o peito gela ao derreter a idéia, imagens, a natureza impera e leva embora o tempo, ameniza, suado, sentido e clima.

Segunda-feira, Setembro 22

Revelação
Os caminhos, nem sempre retos ou diretos, chamam o movimento, o princípio, e mesmo sem fim previsto, é necessário seguir sempre. Assim acordei aquele dia, disposto a dizer o que talvez não quisessem ouvir, de me fazer entender para quem também nem compreendesse, mas, mesmo assim, necessário falar. Liberdade em ser autêntico mesmo que em completo desacordo pois, apesar de diferentes, estes trajetos podem ser encantadores ou dignos. Os olhos cheios d'água vieram antes do alívio pois a verdade é mais leve e acalma. Desculpem ter me tornado explícito ao que já era sabido, obrigado por poder contar convosco. Este sou eu!

 

 

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