Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Sábado, Janeiro 31

Imagem não é tudo
Esta é a sétima ou oitava versão de layout desta Blog, o bom é mudo a imagem, algumas vezes mudo os temas ou a forma mas não troco de endereço, com isso da para observar a evolução do conteúdo, e mesmo não sendo um diário diz muito das coisas que fui vivendo nos últimos dois anos. Agora mais limpo retomo o Camafunga até que outra crise se estabeleça.

Falando nisso, encontrei alguns endereços interessantes, meio camaleônicos também, e estarei mudando as indicações de weblogs ai ao lado.

Este poema do português José Régio, muito conhecido, fez parte de uma época importante de minha vida, encontrei-o por acaso no livro que ganhei da Suzana - Normose a Patologia da Normalidade.

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os bracos, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Ha, nos meus olhos, ironias e cansacos)
E cruzo os bracos,
E nunca vou por ali...

A minha gloria e esta:
Criar desumanidade!
Nao acompanhar ninguem.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mae.

Nao, nao vou por ai! So vou por onde
Me levam meus proprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vos responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pes sangrentos,
A ir por ai...

Se vim ao mundo, foi
So para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus proprios pes na areia inexplorada!
O mais que faco nao vale nada.

Como, pois, sereis vos
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstaculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avos,
E vos amais o que e facil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes patrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filosofos, e sabios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e canticos nos labios...

Deus e o Diabo e que me guiam, mais ninguem.
Todos tiveram pai, todos tiveram mae;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que ha entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguem me de piedosas intencoes!
Ninguem me peca definicoes!
Ninguem me diga: "vem por aqui"!
A minha vida e um vendaval que se soltou.
E uma onda que se alevantou.
E um atomo a mais que se animou...
Nao sei por onde vou,
Nao sei para onde vou,
Sei que nao vou por ai.

Segunda-feira, Janeiro 26

Hematoma no Inconsciente
As idéias vêm surgindo de forma obscura, escura, obnubilada. Não sei que dia da semana é hoje, nem se sua mesada foi quitada, dei de quina na sena, digo, mesa, sina. Vejo-me na quitanda carregando pepinos que seriam melancias atróficas, pago uma uva pelo preço de banana, salada crua, beterraba rubra, ferida aberta, sangue escorre da testa. Festa, parei de beber, coca, a pirose piora, os gazes estalam meu esôfago acorda, dormindo estatelei no vidro, acidente gástrico, dente voa é prótese. Preparei o regime quando fiz a feira, percebi os pneus que grudam em minha volta, celulite, celulose em cana, sobrou de mim um bagaço, cachaça. A ambulância grita, eu berro, desarma. Achei que haviam me confundido, mas fui eu que me troquei comigo. O sangue rola a testa, estava boa a farra, o filho come alpiste ao me ver torto cala. Sem um troco na carteira meu filho nem se abala, a ambulância berra, onde deixei minha arma? Berro! Jurei não ter conceitos estou pré-determinado, jurei a bandeira, suástica, a ponta me aperta o peito. Não vou mais ao circo, ninguém mais me entende, vou reclamar ao bispo que é mais penitente. Sinto saudades do divórcio e não do juntar os trapos, martelasse na colcha, tropecei nos retalhos. Estarei etílico ou é o éter do enfermeiro? Enrolei-me na vida ou tropecei primeiro? Minha cabeça arde, estou chegando... Onde?

Quarta-feira, Janeiro 21

Estilo
Esta é a terceira tentativa de escrever algo, saio de mim a busca de uma crônica mais leve, mas o observador vira personagem a cada linha que se desenha em rascunhos me vejo, odeio rascunhos, sempre me orgulho de me espressar em um só momento sem retoques ou correções, para isso corrigo o dia, as faltas, os medos que sempre foram enfrentados, eram. Esta é a terceira tentativa, não voltei a revisão, apaguei com se tivesse rasgado um texto mal elaborado, mas não há cesto para recuperar o sentido só esta lixeirinha virtual definitiva, "delete". E eu deleto o sentido das coisas, mas não consigo fugir da ideia inicial que me fez sentar aqui e expressar algo mais pessoal. Personagem, triste personagem de uma crônica mal acabada, não quero saber o final, só quero voltar a escrever a um só tempo e depois entender se for preciso. E agora, aperto o del, ou sigo, interrompo por aqui e publico? Espero que me entenda novamente na terceira pessoa, hoje não será possivel. Publico!

Quinta-feira, Janeiro 15

Inesperado
Começou com uma coceira, coisa leve e que teria passado sem que se percebesse, depois um vergão a correr pelo braço, também discreto, mas mais pruriginoso do que antes, parecia um leito a se formar em direção ao ombro. Depois, quase dois dias, dois lagos vermelho forte, uma mácula dolorosa, ai percebi que o arranhão era algo mais, entretanto foi preciso aquela marca escura no centro para que fizesse o diagnóstico - havia sido picado por uma aranha venenosa, e das piores. Internações, soros, médicos e sustos passados, estou de volta com o sentido aguçado, espero.

Sexta-feira, Janeiro 9

Prepotência
O calor aperta e a vontade de fazer qualquer coisa derrete com ele. É verão aqui nesta terra que se orgulha em ser européia, uma pinóia, o sol dos trópicos invade sazonalmente para lembrar que somos todos iguais, tregua é o frio que nos acalma, ilusão de neve e fantasia de primeiro mundo. Que venham os mosquitos e outras pestes que agora me chupam as pernas, afasta o dengue que me imobiliza. Vento, brisa morna, sai caro manter ar condicionado. Meu corpo molha a cadeira pega, água, quero pular o tempo lareira acesa o corpo frio a procurar achego, agora te afasta que esta grudando a pele, frio, volta ligeiro! Chega, perdi o entusiasmo, o calor derrete a inspiração evadi.

 

 

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