Uma brisa boa entrava pela janela enquanto digitava para ela. Não era noite, como de costume, nem a havia passado em claro, apenas uma vontade de falar que despertou comigo. Comecei pedindo retorno, da mensagem, pelo menos, não devia. Corrigi dizendo que tinha saudade. Expressei a falta e a alegria que seria ter noticias, desisti, ego exposto e humilhado. A brisa em vento esfriava a intenção e a crítica, não conseguia sair de uma primeira linha. Arrependido, não tentara aproximar quando devia, agora era tarde. Seria? Procurar melhor argumento, um labirinto para despertar sua boa vontade? Vontade que nada houvesse acontecido e que não tivesse de que ser perdoado, por isso, mais uma vez digito, e espero, e-mail retornado.
Quarta-feira, Março 31
Simples
Uma brisa boa entrava pela janela enquanto digitava para ela. Não era noite, como de costume, nem a havia passado em claro, apenas uma vontade de falar que despertou comigo. Comecei pedindo retorno, da mensagem, pelo menos, não devia. Corrigi dizendo que tinha saudade. Expressei a falta e a alegria que seria ter noticias, desisti, ego exposto e humilhado. A brisa em vento esfriava a intenção e a crítica, não conseguia sair de uma primeira linha. Arrependido, não tentara aproximar quando devia, agora era tarde. Seria? Procurar melhor argumento, um labirinto para despertar sua boa vontade? Vontade que nada houvesse acontecido e que não tivesse de que ser perdoado, por isso, mais uma vez digito, e espero, e-mail retornado.
Uma brisa boa entrava pela janela enquanto digitava para ela. Não era noite, como de costume, nem a havia passado em claro, apenas uma vontade de falar que despertou comigo. Comecei pedindo retorno, da mensagem, pelo menos, não devia. Corrigi dizendo que tinha saudade. Expressei a falta e a alegria que seria ter noticias, desisti, ego exposto e humilhado. A brisa em vento esfriava a intenção e a crítica, não conseguia sair de uma primeira linha. Arrependido, não tentara aproximar quando devia, agora era tarde. Seria? Procurar melhor argumento, um labirinto para despertar sua boa vontade? Vontade que nada houvesse acontecido e que não tivesse de que ser perdoado, por isso, mais uma vez digito, e espero, e-mail retornado.
Quinta-feira, Março 25
Efêmero
Chorava copiosamente, que quer dizer abundande, mas vertia pela falta, mais uma ausência que parecia ser definitiva como as outras situações que copiava, a frase, o choro e a falta. Jurou, que quer dizer promessa, não mais amar que é só uma possibilidade humana. Rasgou fotos, representação gráfica, outras queimou que é um símbolo e faz sujeira, nem as lágrimas abundantes apagaram o fogo das imagens menos ainda do sentimento. A música de fundo, que é para ser agradável, doia, ecoava na escolha de histórias de relacionamentos impossíveis, desastrosos, incompletos como as fotos rasgadas, figuras separadas quando não, reduzido a cinzas. Vinho quer dizer bebida, o mesmo guardado a tanto para festejar encontro consumido no juramento de solidão eterna, é alcool, que como o sentimento evapora, o copo deve ser novamente servido, o choro copioso, copiado, as fotos reveladas para serem destruidas a música selecionada como o vinho para um momento especial como este.
Para Mariana
Chorava copiosamente, que quer dizer abundande, mas vertia pela falta, mais uma ausência que parecia ser definitiva como as outras situações que copiava, a frase, o choro e a falta. Jurou, que quer dizer promessa, não mais amar que é só uma possibilidade humana. Rasgou fotos, representação gráfica, outras queimou que é um símbolo e faz sujeira, nem as lágrimas abundantes apagaram o fogo das imagens menos ainda do sentimento. A música de fundo, que é para ser agradável, doia, ecoava na escolha de histórias de relacionamentos impossíveis, desastrosos, incompletos como as fotos rasgadas, figuras separadas quando não, reduzido a cinzas. Vinho quer dizer bebida, o mesmo guardado a tanto para festejar encontro consumido no juramento de solidão eterna, é alcool, que como o sentimento evapora, o copo deve ser novamente servido, o choro copioso, copiado, as fotos reveladas para serem destruidas a música selecionada como o vinho para um momento especial como este.
Para Mariana
Sexta-feira, Março 19
Sem Graça
Átila era intragável, inimigo número um da meninada. Tinha duas filhas cujos nomes não recordo, eram argentinas e nem um pouco ajeitadas. A mais velha foi a primeira a ter um namorado que chamou a atenção da turma, insuportável, uns dois ou três anos mais velho, uma lambreta, ou moto, que o distanciava ainda mais de "nossotros". Átila mantinha um opala velho e sujo com um enorme adesivo com I de Itália, outro com a fotografia de um castelo Irlandês e uma bandeira da Argentina desbotada, tinha também uma faca, enorme, que usava para cortar as bolas da gurizada, fossem de couro, borracha ou de matéria plástica, bastava que caíssem na sua pequena área, lá onde escondido a filha mais velha beijava o rapaz um pouco mais velho que andava motorizado. Tinha a outra, mais feia ainda, metida, só falava inglês que a mãe, professora de línguas, a ensinava, argentina anglicana metida a bacana, enquanto a que beijava, trocava as línguas com o namorado, que de boçal, não entendia nem espanhol, inglês ou português brasileiro, mas, ele tinha uma moto, e era muito mais avançado que os guris, esses, donos da rua, metido! Jogávamos todo final de tarde no meio da rua, longe da calçada, mas, o minúsculo espaço que não era nada, um avarandado da entrada da porta da casa de Átlia, crescia e se esticava, só para reter frequentemente nosso artefato. E lá vinha o bruto, meio carcamano, de faca na mão, bradava, enquanto a filha em inglês macarrônico elogiava. A mãe, professora de letras, não corrigia, só a nós como o dia em que tentara impor a pronuncia do amor, love me tereia que soar como "lave me", ponta da língua no palato ,biquinho para frente forçado, rídiculo som exalada. Sem vaias, nomomento guardamos o troco e de "lingua suja" foi apelidada. O Opala virou nosso quadro, e os recados surgiam em todos idiomas, a cada pelota rasgada ou uma cara amarrada, no mural de seu Átila uma frase no vidro era improvisada. "Lave-me castelhano relaxado", "Sabes onde se esconde filha?", "Castelhano recalcado, filhote de macaco", "Seremos os donos da rua", ou eramos, assim pensavamos. Nada de fatto adiantava, só a ira mais e mais aumentava. Um dia partiu a família, a casa amanheceu e permaneceu fechada, perdemos nosso inimigo, ficou livre a pelada. Soubemos que foram embora de volta para a terra portenha. Teríamos por fim liberdade , mas, desde então, as coisas ficaram sem graça, deixou de alagar-se a varanda, bolas fugiam da área. Um ou outro de nós passou a andar motorizado, foram-se as argentinas feias, surgiram meninas na quadra, sem o Átila a praguejar ocultado, tentamos trocar de estádio, perdiamos nosso maior inimigo, aquele que nos ensinava esta arte.
Átila era intragável, inimigo número um da meninada. Tinha duas filhas cujos nomes não recordo, eram argentinas e nem um pouco ajeitadas. A mais velha foi a primeira a ter um namorado que chamou a atenção da turma, insuportável, uns dois ou três anos mais velho, uma lambreta, ou moto, que o distanciava ainda mais de "nossotros". Átila mantinha um opala velho e sujo com um enorme adesivo com I de Itália, outro com a fotografia de um castelo Irlandês e uma bandeira da Argentina desbotada, tinha também uma faca, enorme, que usava para cortar as bolas da gurizada, fossem de couro, borracha ou de matéria plástica, bastava que caíssem na sua pequena área, lá onde escondido a filha mais velha beijava o rapaz um pouco mais velho que andava motorizado. Tinha a outra, mais feia ainda, metida, só falava inglês que a mãe, professora de línguas, a ensinava, argentina anglicana metida a bacana, enquanto a que beijava, trocava as línguas com o namorado, que de boçal, não entendia nem espanhol, inglês ou português brasileiro, mas, ele tinha uma moto, e era muito mais avançado que os guris, esses, donos da rua, metido! Jogávamos todo final de tarde no meio da rua, longe da calçada, mas, o minúsculo espaço que não era nada, um avarandado da entrada da porta da casa de Átlia, crescia e se esticava, só para reter frequentemente nosso artefato. E lá vinha o bruto, meio carcamano, de faca na mão, bradava, enquanto a filha em inglês macarrônico elogiava. A mãe, professora de letras, não corrigia, só a nós como o dia em que tentara impor a pronuncia do amor, love me tereia que soar como "lave me", ponta da língua no palato ,biquinho para frente forçado, rídiculo som exalada. Sem vaias, nomomento guardamos o troco e de "lingua suja" foi apelidada. O Opala virou nosso quadro, e os recados surgiam em todos idiomas, a cada pelota rasgada ou uma cara amarrada, no mural de seu Átila uma frase no vidro era improvisada. "Lave-me castelhano relaxado", "Sabes onde se esconde filha?", "Castelhano recalcado, filhote de macaco", "Seremos os donos da rua", ou eramos, assim pensavamos. Nada de fatto adiantava, só a ira mais e mais aumentava. Um dia partiu a família, a casa amanheceu e permaneceu fechada, perdemos nosso inimigo, ficou livre a pelada. Soubemos que foram embora de volta para a terra portenha. Teríamos por fim liberdade , mas, desde então, as coisas ficaram sem graça, deixou de alagar-se a varanda, bolas fugiam da área. Um ou outro de nós passou a andar motorizado, foram-se as argentinas feias, surgiram meninas na quadra, sem o Átila a praguejar ocultado, tentamos trocar de estádio, perdiamos nosso maior inimigo, aquele que nos ensinava esta arte.
Domingo, Março 14
Outros Espaços
Aproveitei um tempo livre e finalmente publiquei meus outros espaços (ver ao lado), uma página pessoal com noticias relacionadas da semana que mais me intererssam, músicas, filmes, trabalho, uma ampliação do Perfumaria, tudo sem pretensão. O Guru Perdido, como o nome diz, é um lider espiritual que não se encontra nem consigo mesmo, mas que encontra tempo e disposição em ajudar os outros na tentativa de resolver seus impasses diários.
Aproveitei um tempo livre e finalmente publiquei meus outros espaços (ver ao lado), uma página pessoal com noticias relacionadas da semana que mais me intererssam, músicas, filmes, trabalho, uma ampliação do Perfumaria, tudo sem pretensão. O Guru Perdido, como o nome diz, é um lider espiritual que não se encontra nem consigo mesmo, mas que encontra tempo e disposição em ajudar os outros na tentativa de resolver seus impasses diários.
Sexta-feira, Março 12
Quinta-feira, Março 11
Esquecido
Sabe que eu nem pensei nisso, podia te dizer que era verdade, que te esperei todo este tempo, que te quis de qualquer maneira, que não precisaria perdoar pois nem havia existido qualquer pecado entre nós, mentira. Sai pelas ruas , cai pelas noites, sobrevivi pelas caronas, experimentei outros venenos, sobrevivi a ausência. Melodrama sem sentido prefiro contar histórias ricas de amores complicados e impossíveis menos prováveis que o nosso mas encantados pelo desafio, te desafio a mostrar que não era profundo e afundo nesta outra realidade. Lamento se agora vens perguntar se era verdade, nem pense nisso, nem em mim, em nossa história ou nessa vida.
Sabe que eu nem pensei nisso, podia te dizer que era verdade, que te esperei todo este tempo, que te quis de qualquer maneira, que não precisaria perdoar pois nem havia existido qualquer pecado entre nós, mentira. Sai pelas ruas , cai pelas noites, sobrevivi pelas caronas, experimentei outros venenos, sobrevivi a ausência. Melodrama sem sentido prefiro contar histórias ricas de amores complicados e impossíveis menos prováveis que o nosso mas encantados pelo desafio, te desafio a mostrar que não era profundo e afundo nesta outra realidade. Lamento se agora vens perguntar se era verdade, nem pense nisso, nem em mim, em nossa história ou nessa vida.
Quinta-feira, Março 4
Memória
Tic...Tac...Tic...Tac... Minha avó sentada, mãos tremulas de Parkinson.
Tic...Tac...Tic...Tac... O gato debruçado, quase caindo da pilha de livros, a cola atrapalha minha leitura árida de anatomia, entre forames e ósteos Greg espana a monotonia, mas contamina com bocejos o meu cansaço sobre a matéria.
Tic...Tac...Tic...Tac... Um copo de leite recém esfriado não permanece por muito vazio e aguardo a trégua de músculos e nomes em latim, o gato mia, a avó ronrona dormindo na cadeira quase a minha frente, só a mão balança.
Tic...Tac...Tic...Tac... O pêndulo do relógio em oito, a sede acalma, o sol discreto estreitado ilumina a lata que recende a ferrugem opaca, biscoitos São Jorge, imagens me esperam, história e nostalgia, a anciã é minha memória e companhia.
Tic...Tac...Tic...Tac... Cansado, reponho o alimento, levanto, o gato de soslaio me observava, boceja, a avó sobressalta, vou a cozinha, volto, a lata aberta no colo dela me chama, imagens se agitam para virar lembranças que não vivi mas acordam minha velha.
Tic...Tac...Tic...Tac... O copo, leite, sento ao lado e escuto as mesmas passagens, personagens que não conhecia, sangue que me pertence, além da anatomia árida, mortos criam vida, velhos se mostram como crianças, minha mãe no berço, meu tio no triciclo, meu avô, que nunca conheci, passeando garboso na mesma rua que ontem havia me inspirado.
Tic...Tac...Tic...Tac... A mão balança, a voz da avó se repete como novidade, e eu também me faço acreditar em saber em nostalgia remota do que não foi sentido. Alimento-me, a trégua, o leite, o afeto, a companhia.
Tic...Tac...Tic...Tac... O pêndulo, o balanço das mãos da minha avó, o Parkinson. Um beijo na testa, a lata fecha, as imagens descansam, o gato me espera, os forames e os ósteos são suportáveis, volto aos livros, a cola abana minhas memórias. Saudade!
Para Ceres
Segunda-feira, Março 1
A carta
Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
Mario Quintana
Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
Mario Quintana

