Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

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Quarta-feira, Maio 26

Pecado
E tanto receio, crítica e atuação, para nada. Deculpa ter ficado assim em cima, as cobranças exageradas e sem propósito, a verdade não compartilhada e frágil, justo eu que omitindo acabo por reconhecer o risco, a culpa. Mesmo que não entendas, talvez nem leias, deixo aqui minha contrição, condição para seguir a cobrar, atuar e alimentar ainda mais meus medos.

Sexta-feira, Maio 21

Volta
A cidade estava estranha, passei um tempo sem passear pelo centro, acho que fico demais na frente do micro ou trabalhando, ouvindo musica escolhida ou programas de tv a cabo, sei lá. As pessoas estão desbotadas, empobrecidas, mais do que minha realidade a deles aparece estampada nas vestes, nos olhares e olheiras, algo de falta, não perca, pois não se perde o que não se conheceu. Dos passantes, não defino idades, nem condição social, menos ainda a cultura que é homogênea e cabe em qualquer carteira mesmo vazia. Tudo é um grande camelódromo e prefiro voltar para não cair na depressão do plástico colorido ou das flores exageradas. Penso se é uma coisa local, do tempo em que tinha prazer em atravessar uma praça, de caminhar a toa nestas mesmas ruas, mais limpas, mais polidas, agradáveis. Voltei ao micro customizado, que me chamem de alienado, mas estou melhor aqui.

Segunda-feira, Maio 17

Estrada II
As coordenadas me indicam que o trajeto esta correto, o tempo mais indefinido pelos os percalços vencidos, tiram o interesse aos atalhos e anseiam ao não vivido. Arrumamos os detalhes, sempre mala bem recheada, não aprendem com o passo, desprezar o desnecessário, mas vão blusas, vá que esfrie, ou bermudas se der praia, um boné, uma camisa, uma calça que não caia. Tanto que se pergunta, informações que me confunda. Falo muito da viagem e no tempo percorrido, e esqueço ser o que não conheço o único e verdadeiro motivo. Já pensei em correria, um motivo alarmado, mas não sinto desespero e prefiro olhar ao lado. Se julgasse nem partia, pois é dura a largada, alguns cedo desistiram , outros nem me esperaram. Dos que me cortaram a frente, também a nada chegaram, outros por mais afobados, pela estrada atropelados. Consegui manter o tino apesar da encruzilhada. E foram muitas, e complexas, mais do que poucas marcadas, mais do que pistas ou mapas, eram curvas as caminhadas. MInha bússula pirada acabou obsoleta, GPS complicado, prefiro miha cabeça. Há um bosque tão bonito, uma cidade alagada, o ponto que ganhei um filho, uma casa abandonada. Calma digo andarilho de uma causa acordada. Não costumo andar em circulos mesmo quando isso parece, olho atento e é um vício acreditar no que não cresce. Uma clareira, um precipício, metropole ou arrabalde, enxergar o que não é visto é mais do que ter de sorte. As coordenadas indicam estou no caminho certo, a mala mais vazia trara o que me merece. O tempo é relativo como a vista do entorno, e me sinto mais seguro mas se for preciso corro.

Domingo, Maio 16

Rapidinha
Só para reclamar: tem um cachorro aqui que há mais de três horas late sem parar, em plena tarde de domingo, meus instintos mais primitivos foram crescendo a cada minuto, sorte dele não conseguir identificar qual é a casa, se pudesse ...

Sexta-feira, Maio 14

Partida
Como de costume ensaiei a despedida, os amigos estavam pouco a pouco se afastando, novas e melhores oportunidades, sempre fora daqui, longe. Desta vez, na lembrança, era ela, já havia me dado as pistas perguntando o que acharia, se eu ira visitá-la, se manteríamos a amizade, se choraria pela falta. Achei que blefara, e nem derramei uma gota. Cobro-me por não ter feito o mesmo, não a partida mas ao anúncio, testar se assim sentiria, mas não, sempre eles a fugirem primeiro. Nem todos se deram bem, mas não recordo de retorno. Ela jurou estar sempre perto, deu endereço, ofereceu leito, comida, passeios, cicerone do local que até então era eu quem mais conhecia, traidora. Depois, duas ou três jantas esporádicas, natal e aniversário, nada por mim retribuído, lá, seja onde for, ficara longe para aceitar esta mudança. Cigano em pensamento, jamais me afastei de minhas raízes, só as folha é que partem ao vento das oportunidades e ali perdi a chance de dizer que ficasse, que talvez se arrependesse, que seria mais maduro lutar com inimigos conhecidos, que sentiria falta, nada. Nem sei porque lembrei desta ou de outras despedidas. Da próxima vez me sentirei firme para me adiantar ao preparo, sem ensaios.

Terça-feira, Maio 11

Almoço
Encontrei Chininha, foi-se o tempo em que comer congelado era o mais estranho, familia reunida ao meio-dia, barulho de criançada, a TV no noticiário que a pedido fora abandonado, a espera da campainha do microondas, " PLIM" , comida no ponto, algum comentário saudoso de tempos de avós a mesa ampla e sagrada, nada prático ter um tempinho para trocar de roupa e ficar confortável. Ainda assim, percebiamos pelos rostos quando algo ia alem das palavras. Ficara proibido falar de trabalho, telefone que tocasse era praguejado, respeito, isso não era hora! "Como foi tua manhã, o que será da tarde?", Precisas algo além do que dizem teus olhos?
Chininha era a cozinheira a quem entregava o rancho todo mês em troca das porções diárias catalogadas e organizadas. Um dia enchi do molho, dispensei Chininha. Prático, mais prático. Perdeu para as balanças e buffets sempre prontos.
Estou aqui, sentado em um deles, mesas pequenas, cada vez mais, menores. Não tem grito das crianças, não das minhas, de trabalho vestido. O jornal é só imagem na Tv que passa riscos, um celular em cada canto a espera da campainha, quero novidades, mas, nem sempre toca, "ring", campainha ou musiquinha, a comida sem ponto só pronta passa. Que alguém me ligue hora apropriada, um filho, afeto, a esposa, namorada que, como eu, sacrifica o intervalo. Não há com quem comentar nostalgia do tempo de nossos pais sem microondas ou até que os tivessem juntos, não há casa. Aqui não é confraria e comprimento quem conheci só ruminando, a gorda prefere os fritos o loiro espinafres, o olhar não diz mais nada, só fome saciada, prático, mais prático. Acabarei comendo pílulas, isso se não o faço nas refeições abandonadas em detrimento do respeito e do sagrado. Chininha, o molho aqui é industrializado.

Domingo, Maio 9

Rescaldo
Esta tão quieto e tão calmas estas ruas, ninguem nelas ao contrário do ritmo acelerado dos outros dias. Parou a chuva, quase dilúvio, que as manchetes confirmam que há muito não acontecia. Distante por morar mais alto seria privilegiado, mas ainda próximo para que não possa deixar de assistir o caos e o sofrimento destes dias que antecederam. Vazias, as ruas que viraram ilhas, pegam em lama e recedem a azedo, carro-barcos atracados em pontos impróprios, pontes improvisadas, perdas a que muitos dos que agora dormem agrupados lamentam por seus pertences.
Esta sereno nestas areas que resistem a água, mas me sinto também invadido úmido, há muito não chovia tanto.

Sexta-feira, Maio 7

Da Observação

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...

Espelho Mágico

Mário Quintana

Quarta-feira, Maio 5

Equilibrio
Minha filha favorita seria Luiza, mas , bobagem não tenho filhas. Meu cão Rex, memórias de infância, e acabei criando gatos. Minha mãe gosta, mas minha "ex" detesta, prefere que os mantenha distante das crianças, exagero. Estes são dois e não formam casal, são meninos.Também tive um carnê longo, há tempos, não tenho mais, imóvel financiado, ruiu cedo, hoje moro alugado, reconstruido e reformado. De bens, horrores, capital não aplicado, alguns evaporados e o tempo aproveita fazendo corrida com seus juros e promessas, estas sim fiz a mim mesmo, várias, profundas. Comprei um sonho, mas, por demais açucarado, acabei trocando por uma bomba, recheada de chocolate, prefereria-a coberta. Luiza, era influência do Tom, sonora e terna música, mas veio o Pedro de um amigo e o Matheus para manter-me bíblico. Frio, um gato de cada lado, um filho a cada instante a lembrar algo, um teto e paredes grossas. A casa mesmo sem posse é forte e estabelece abrigo. Estou bem de bens, conforto, básicos como eu necessários.

 

 

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