Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Sexta-feira, Julho 23

Calcinha
Chega de mansinho e avisa que não tem nada a ver com isso. A roupa íntima, agora pública correu pelo escritório. Fez-se de admirada, aquelas penas era de alguma devassa, uma louca. estouvada por deixar a mostra. Não quis render-se aos comentários, as rendas exageradas e coloridas, alegoria a um desejo retido que era seu, mas não neste momento de promoção de libido. Caiu da bolsa, era uma brincadeira, estava pura ainda sem ser usada, mas infectada pelo pensamento de todos que agora riam identificados. Piadas porcas a um pequeno pano, também caçoa de sua castidade. Anunciaste dona, também dissoluta, libertinada de suas fantasias por um simples trapo, tivesse coragem, estaria a parte, perdida, seria assim lembrada. Deboche e crítica dela também foi tema, perdeu a chance e já era tarde, ao sair de cena, perdeu a graça, de mansinho como se não tivesse nada a ver com isso.

Segunda-feira, Julho 19

Desenho



Esta é a imagem da janela onde trabalho. Há muito não desenhava, mas hoje o ócio, um formulário em branco e uma lapiseira substituiram a minha digital que estava sem bateria, e foi bom poder capturar os detalhes e valorizar meu ambiente pelos olhos e pelas mãos. Acho que vou deixar as pilhas mais tempo descarregadas.

Sexta-feira, Julho 16

A Palo Seco
Não conhecia, ou não havia fixado na memória, mas me encontrei como novidade. James, um amigo que anda lá pelos Estados Unidos, nunca quis estudar nem forçou ser mais responsável do que o gosto por músicas e títulos. Raro era ter pais separados, problemático por preconceito, pária entre "nossotros". Um dia apareceu como balconista em loja de discos enquanto preparavamos um futuro melhor. Entendia do assunto, idealizava Belchior e imitava seu penteado. Pátria nova descoberta foi para Miami vender discos. Apenas um rapaz, muito jovem, latino-americano, á época certa, sem dinheiro no bolso e vindo daqui do interior. Fiz universidade, dei James por louco mas no juizo de suas faculdades fez o que queria e foi feliz pelo que soube. Talvez cantasse "A Palo Seco" mesmo que não me apresentasse ou minha memória tenha preferido esquecer, mas que trouxe o imaginário na figura de um amigo jogado lá no fundo em remota lembrança, de um tempo e de um sonho. Sorte dele.

A Palo Seco- Belchior

Quarta-feira, Julho 14

Planos
Tantas etapas e ja entendia ter passado por tudo, mas, depois decobriu que as coisas da vida não são como subir esta escada e pronto, degraus resbalam, andares mudam de endereço e o fim é impreciso e dúbio. Exigente e cauteloso, imaginou corrimão em todos os estágios, mas ladeou paredes sujas e grafitadas, outras vezes prontas e enfeitadas. Verdade que portas se abriam e vez por outra uma janela iluminava um novo vão, parecido em cada ponto, mas diferente no construido, mas mesmo no claro acertava o pé pelo sentido mais do que pelo visto, e continuava a achar que aquela seria a ser vencida como única. Ja fora mais afoito e rápido, agora meio cansado, interrompia uns passos a observar da altura. Mas, a forma é curva, e o que vislumbra é só o que foi vencido próximo, é preciso parar e pensar, refletir e lembrar, da luz entrando, das portas que se abriram, dos degraus que escorregaram, e assim, ignorar ao menos as paredes pobres e mal acabadas. A dimensão é elástica e a partir do ponto em que se inclina e reflete, a luz ou a escuridade, projetam ânimo ou desesperança. Tantas etapas e nem sabe se esta no fim ou no meio do caminho, subir é o caminho, sempre, inexorável.

Quinta-feira, Julho 8

Blog
Tantos dias que não passo por aqui e este espaço até me parece estranho. Leio agora , vasculhando arquivos como um livro antigo que havia esquecido perdido em um canto da casa. Passeio pelas notas e registros de quase três anos. No início apontamentos práticos e objetivos que só deviam interessar a mim e alguns poucos amigos. Blog tinha que ser explicada, até a mim que queria facilitar um pouco a publicação em HTML de qualquer coisa. Com o tempo foi moldando pelo sentimento e o que era vivido de alguma forma passou a ser transposto em pequenas histórias, mais individuais do que a serem distribuídas a amigos. Com os comentários, visitantes desconhecidos aproveitaram o compartilhar e passei a dividir minhas histórias, pensamentos ou simples momentos. Era como um espelho de dois lados e acabei descobrindo afetos e identidades que mais do que virtuais foram agregados como amigos. Tarcisos, Fábios, Marianas, Bias, enfim seres que pouco conheço além da escrita mas que ajudaram a preencher espaços de alegria, dúvidas e crescimento. Mesmo ambíguo me percebi entendido, e se não, pelo menos admirado. Troca resume estes encontros. Aqui, lendo no passado me redescubro, e me desconheço, me observo e evito a vergonha. Estou exposto, já faz um tempo, mas não me arrependo de linha alguma, que por sinal nunca foram apagadas, nem pretendo parar de publicar nem que seja só para mim para que mais adiante visite como a um livro esquecido.

 

 

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