Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Quarta-feira, Janeiro 26

UTI

Lorelay costuma acordar sem tempo com ritual restituido, agradece sempre a divindades múltiplas, referindo em pensamento, já que ainda lhe falta a fala, as bençãos de respirar sem tubos, de saber que não lhe doem temporariamente os coxos, de perceber e discernir as horas, e, apesar dos fracos olhos para discorrer sem texto os decorados salmos, ainda distinguir a luz e as cores que prenunciam o novo dia. Foi-se o tempo de lamúrias grátis a obscurecer as graças, que são pernas quando não se tem destino? Não, nunca deveriam ter-lhe feito falta, nem os movimentos de cintura a qual a surdez impediam que respondesse aos apitos maquinais transformados em música, suprimido o ritmo é a dança que os declaram inúteis, falsos passos não levariam a nada. Aleluia, Lorelay enaltecida, mesmo que por muito saida da memória, sua e também por outros esquecida, não padece pelo mal que não alvitra, nem duvida ser mercê de tal júbilo de agarrar-se ao que também é escuso, a vida.

Quinta-feira, Janeiro 20

Zelo

Deu tanta saudade agora, anseio te encontrar com um mimo mas não adianta nem correr, não há livraria aberta e o que queria transmitir ainda não encontro escrito, nem musicado, afinal, títulos não materializam lembranças, são só meios, é o que procuro, algum para sentir-te aqui e agora.
Uma vez te presenciei perdida entre livros, jogados ou desisteressada, fingias esbanjando sabedoria fútil, eu, nem me importava, ficava o iteresse em te manter importante e exigir assim que não ficasse calada.
Silêncio, não há unanimidade, nem sobre mim, embora... Sonho me faz acordar esta hora, todo sem erros, eros e não cupido, em seu dever cumprido, flexa, desperto com inspiração edênica e me agito, apronto.
Deu tanta saudade agora que queria te encontrar num toque, mas não adianta nem correr, não sei se encontro outro coração aberto e a esta hora preciso de certeza, lembranças, além das letras, não são modos, só aguçam este desejo, é o que procuro, algo além para te ter aqui e agora.

Sexta-feira, Janeiro 14

Sessão da Tarde

A cena era comum nos filmes vespertinos, foi em uma década já perdida, mas os personagens, embora mal ambientados, repetiam as falas e padrões de sempre. Comédia? Enganei-me como com a casa velha, estava mais decadente do que a que morava na lembrança, mas o tempo espichou-se e foi além do que o realmente percorrido, se fosse Jerry Levis daria risada de si mesmo, mas levo mais a sério a pantomina. Há uma placa de venda na porta , melhor, no marco que identifica a entrada, é o pouco que resta, eu, garantia que eram naqueles escombros onde me escondia, brincava, fugia. "Prosperou ali uma floricultura e era lindo", disse-me ela, mais que isso, insistia, mas não consegui substituir a imagem destelhada, detalhada e forte que encenava minha memória. O casal então discute sem perceber que há audiência, sem motivo, o menino perde o tino e anda em voltas procurando refúgio na relva alta, selva, Tarzan era Johnny Weissmuller, grito, mas há flores que sobrevivem, e que floricultura que nada, estas rosas devem ser nativas. O céu esta azul e não faz mais diferença se interpoem-se ou não uma cobertura, a esperança tem cor, Greta Garbo ajuda Anna Karenina, Abott e Costello sempre discutiam e mesmo assim morreram amigos. Deve ter havido uma TV na sala, o silêncio sugere a sintonia, é tarde e escurece, Gene Kelly aproveita para um show despreucupado, faria o mesmo se chovesse inesperado. De longe são só paredes, restos físicos de um sofrimento. Destrui meu aparelho, Marillin esvoaçante e sem vestido não liga que tudo isso se repita.

Quinta-feira, Janeiro 13

Anarquia

Tropeço no fio do telefone e quase esparramo as compras pela sala. A Tv ficou ligada e, pelo que ouço, na programação errada. O cheiro cobra, tem que limpar o coco do gato. O pastor grita esperando dísimo, há uma mulher desesperada, a conta que ficou na mesa esta mais do que ultrapassada. O filho espera no colégio, vai ter que vir com a mesada, a lua aparece na janela, não pode ser ela a adiantada? A chaleira escurecida, isso foi a vez passada, o relógio toca um bip para atiçar a trapalhada. Vou trocar meus movimentos, tentar ser mais ordenado, primeiro um passo equilibrado, o inicio é o começo, tem um fio no meu caminho mas não é nele o meu tropeço.

Terça-feira, Janeiro 4

Descanso
Descanso A pele coça e algumas áreas já descascam, devia ter pensado mais antes de aceitar o convite, insistente o sol a me entregar desprotegido. Não estávamos sós, mas as companhias poderiam ter reclamado antes e não fizeram, tive saudades do João só por ser mais velho e ajuizado, com mandato não teria bebido o suco diluÿ­do em aguardente pesado, sinto azia ainda e estou nauseado, só esqueço a comida poucas vezes, mas agora, não desejo ser lembrado, a pele descama como um réptil reclama e cobra, foi o tempo de exposição desnecessário, o pão também estava mole e o molho quente escorria entre os dedos salgados pela areia ou para o milho mal cozido ou passado, ai minhas costas, meu amigo branco é quem enjoa agora, disputa que o guarda-sol é curto e baixo, pisei na água e estava trepida, mas o corpo procura o equilÿ­brio e se joga, dói do coco aos paises baixos, esfria, incomoda e arde, ali mãe-viva, ali despacho, procuro um encosto que não encontro, é onda, não é pasto, disfarço o mal estar e o susto, esqueci do creme, fator de proteção dobrado na próxima vez me lembre, antes de aceitar, relaxo.

Segunda-feira, Janeiro 3

Medo
Longe da informação, só agora entrei em contato com as noticias do tsuname. As fotos espalhadas pela internet e a retrospectiva insistente nos telejornais chegaram de uma vez, mais completas, e me chocaram sobremaneira. Os relatos dos sobreviventes, as crianças mortas ou orfãs, a distância encurtada trazem as cenas as nossas janelas, só que as minhas ainda estavam fechadas. Pensei descansar, praia, a frente do mar, foi antes de ver isso tudo, mas chamou atenção um menino, devia ter uns quatro anos, no máximo, chorando, brigando com o pai por não querer entrar na água, gritava pelo medo de um "furacão", e eu não entendia. Tristes cenas e cruel fragilidade, no meu tempo o fantasma maior era a fantasia da barbatana de um tubarão assassino, e minha mãe dizia, é só cinema.

Domingo, Janeiro 2

Inicio
Eu disse que as férias seriam curtas, estou de volta. Mudei de casco mas estou mais para queimado do que para escurinho, foram dias agradáveis de sol, dias para reflexão sem que tenha evitado alguns exageros. Esta semana comprei domínio
www.camafunga.com
por enquanto direciona para cá mesmo, mas fica mais fácil de marcar, os projetos futuros são outro, mas entendo que as coisas tem que ser assim mesmo, um passo de cada vez sem perder o rumo.

 

 

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