Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Sexta-feira, Abril 22

Seleção
As primeiras normas lhe pareceram desfavoráveis, mas, entre tantos selecionados, talvez fosse o único a preencher a principal das prerrogativas, o silêncio.

Não sabe, também, porque resolvera submeter-se a tal prova, insistência em tentar o desafio ou real necessidade? Há muito desistira de clamar aos quatro ventos, então, mesmo que não sonhasse, escrevia, e não havia forma, apenas palavras, a melodia e a solta dança dos sentidos, criativa mordaça a substituir o brado, livre e desconceituada, tão direta que obrigava a sugerir atalhos. Seguro, espiou pelas metáforas imaginárias, a repetição do som substituido na poesia apenas pela insistência do tema, expressão clara a pressagiar a fala. Entretanto, um dia, o que parecia completo exigiu em rompante um breve surto de sanidade, imprimiu-se ao corpo uma pequena imagem, a esgaçada boca a emitir imaginário berro, mas, que só ecoa se enxergada.

João, o examinador, disse que gostaria muito de escrever poesias, mas tinha dificuldade nas rimas, também não conseguia entender os modernos, nem textos de duplo sentido, era a favor da formalidade, a métrica e o ritmo, mesmo que fosse o cha-cha-cha, a rumba ou outro tribalístico. Prancheta na mão, obstinado, dois para lá, dois para cá, e aos poucos estavam sendo eliminados os despenteados, os mais amarrotados, os de unhas mal cuidadas, cuidado, pois entre eles haverá algum tatuado, alguma mancha obscura ou colorida que não pode ser sempre vislumbrada, amenos que o avaliador os pele e pele é obsceno, afinal este é parnasiano, o do "eu" mudo frente ao mundo objetivo, portanto, fora as interferências. Por isso aquele seria o favorito, pela fala ou pela falta dela, mesmo que as calças estivessem um pouco mais caidas e os fundilhos levemente rebaixados, mas nem tanto para que revelasse a discreta figura.


Feito, simples, interpretação e prova, conveniências e insensibilidade, a falta de rumor falou mais alto, estava ele ali apurado, escolhido, levou consigo a falsa cala em pelo e em prosa e a certeza do que o que não é ouvido não é anotado.

Domingo, Abril 17


Tarde de Domingo Posted by Hello

Quarta-feira, Abril 13

Susto
Bata a porta com energia, não quero escorregar na primeira curva, duvida?
Dificil acreditar quando chegaram com a criança esfolada, cabeça, perna e cotovelos. Quatro portas tem maior valor de revenda, o asfalto molhado amorteceu-lhe a queda, mas do bichinho que vinha abraçada, pelúcia e espuma voaram para todos os lados. Mania de andar sem cinto, segura era a avó que demorava horas para atravessar a rua, mas velha, quebrou o femur caindo do vaso. Era um domingo, pista cheia, uma brecha e um declive a cantar as rodas, velocidade e um trinco sem pino, o cabeça de vento, ouviu o ruido mas o radio e a discussão pela senhora que usava a protese que saira muito caro soou como um soco obscurecendo a partida repentina da jogada filha. Afoita, procura, a mãe, abaixo do soalho, Liliput esqueceu a dimensão dos afetos até perceber a faixa escura pendurada que não alcançou os braços da menina. Os gritos pelos custos, o amuleto que não protege, a rotina de fim-de-semana e uma porta valiosa que se abre nas quebradas, são demais,esta na hora, meia-volta, volta e meia onde esta nossa pequena? Num canteiro atirada.
Bata a porta com energia, não duvides mais de nada, não me percas no caminho há um fim para esta estrada.

Segunda-feira, Abril 4

Diplopia
Esta é uma situação aguda, não uma crônica. Não tenho conseguido escrever, pois há um pouco mais do que uma semana, resolveram meus olhos declarar-se independentes e assim atrapalhar minha visão, por hora, apenas a distância. A situação é crítica além de extremamente desagradável, e, mesmo depois de virados e revirados, os desacertados, como que amotinados, não permitiram sequer que os especialistas identificassem qual ou quais seriam os tais músculos degenerados, nem , se há um rebelde entre eles que os liderasse, a verdade é que passei a ser inundado por falsas informações, a maioria fúteis e desnecessárias colaborando mais para a confusão mental que, essa sim, há muito se estabelece. Não deve ser muito grave, pode ser auto limitado, talvez um aviso para que tenha mais cuidado, consigo ver bem, de perto, desta forma fico ainda confortável, mas enquanto não se restabelece pleno, nem entenda o que realmente o determine estarei daqui mais afastado, mas não muito senão também vejo o micro dobrado.

 

 

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