"A telephone that rings - but who´s to answer? Oh, how the ghost of you clings These foolish things Remind me of you..."
Néscio
Não há imagens a reparar, coisas. Faz frio, mas prefiro ficar aguardando, coberta, suas razões sufocam, são como lã e pele Dou linha, decido, tecido e trama a roupa surrada, sola com lama, trilha, esquece repete a mesma frase ausente, nem bebida aquece. Engasgo para preparar respostas em prosa, espero sem piano, incidental é um acidente, chamar sua atenção, bobagem. Tento...
Estão aqui os gatos, velhos trapos enrolados, espreguiçam-se nos sapatos perdem pêlos pelos cantos, mas o que há de tão largados? Tempo! Invejo, a taça, vitória pela tua despedida, um brinde, à paz, um canto soa, até a mesa, feri a testa ao insistir na trégua, a pressa... este relógio também precisa corda, forca, esforça sesta, insone fuga para o calor mais forte, pausa, a música alta e sem ritmo, retrocedendo guerra, meu coração dispara em resposta ao teu olhar que ataca cego, atraca amarra à terra quando o grito a razão abafa, é frio os nós, a linha, os pelos, minhas certezas, a companhia gatos velhos trapos enrolados que soltam pêlos apelo Não há imagens a reparar as coisas Aguardo
Nova Perfumaria Não é a primeira vez que reabro a perfumaria, nem é por outra do que por Bia. Dei uma modernizada rápida. mas mantenho o tema, de que "Precisar, não precisa...", portanto , não há de que, que a visite, mas também não há por que não dar um passadinha. A proposta é ter um canto para as coisas mais mundanas, como falar da novela que estou vendo, da viagem para onde estou partindo, ou se estou voltando, aonde sempre termino .
Noite Maria insiste a deixar o copo ao lado da cama, teima em esquecer a porta semi-aberta para que a pouca luz de fora disfarce a penumbra entristecida do quarto, em deixar a mão carteira e isqueiro mesmo que já não fume há tanto tempo. Teimosa Maria, a evitar o silêncio só suportável pelos rituais do banho aos sapatos paralelos, os lençóis presos, por todos os lados, imagens de santos e velas que não se apagam. O rádio chia sons passados, Maria teima em escuta-los, fantasmas energizam o líquido, o copo, a pouca luz, a esperança...
Breve Encontro
Não os conhecia muito, para dizer a verdade nunca fomos próximos o bastante, apenas colegas, talvez nem por muito tempo, mas Denis insistia em dizer-se intimo, não Beth, que indiferente as lembranças não vividas ou exageradas seguia, com desdem, sorvendo sonoramente aquele copo de Amarillo. Lembrei do dia em se conheceram, ele já tendo me escolhido como dos poucos amigos, confidenciou o primeiro interesse, pudera, outros não teriam a mesma paciencia. Dono da verdade, exibia falsa intelectualidade nos rodapés dos livros e nas matérias profundas da Seleções Reader`s, indigesto, as quais introduzia habilmente em cada fala vomitando cultura e grandes conhecimentos. Já Beth, não era apenas triste, faltava-lhe atributo e vida, dividia com Denis apenas a fuga da beleza, mas não lia tanto, dona da humildade, bebia a descontinuada sabedoria como um drink eventual até a overdose. Não tiveram filhos e aqueles anos que nos separaram realçaram a esquivança visual, envelhecido, Denis parecia um esboço do, pelo menos, sábio anunciado, ela uma hippie sem estilo e fora de época, etilista de aguardentes cítricos, cínica, preferia estar dali distante. Nos despedimos sem que nos reconhecêssemos e ficou a esperança que as diferenças possam ser perpetuas, não consegui a mesma sorte, ainda bem.
Curiosidade: Amarillo
Volta Tem pouca gente aqui hoje, nem lembro a quanto tempo não venho, mas tinha a lembrança de um ambiente mais agitado. Quanta gurizada, nem me reconheço, mudaram o tema, a decoração era mais bonita, tem menos cadeiras, por certo não devem conversar sentados, ficou mais escuro ou estarei eu iluminado. A música é mecânica e os gestos quase ensaiados, sinto falta de Cristina, mas podia ser do Eduardo, logo agora que trago tanto assunto não conseguirei ser interpretado. Celular toca, fujo... aliviado.
Trova
Coração que bate-bate... Antes deixes de bater! Só num relógio é que as horas Vão passando sem sofrer
Mario Quintana
Foto da vez
 Vício Infernal
Cartoons pelo Mundo
Steve Kelley, The New Orleans Times-Picayune
Peça Seria mais um daqueles encontros tão esperados, a roupa nova separada, no aguardo de ser notada, o sapato recém lustrado, um carinho pouco dispensado, novo corte para surpeender civilizado. Fazia pouco da última visita, mas a esperança breve de boas conversas, os assuntos novos a surgir intermináveis, relatos de reminiscencias, sentimentos e propostas, sugestão, sutilmente desvelada. Ela estava mais bonita, ou seriam meus olhos encantados, não sabia o que viria, mas a camisa azul combina, elevado, salto, acima o sapato espelhado, me preparo, novo ato. Falta pouco, quase nada, reparo frases inacabadas, este dia é só complemento, minha imagem esta ensaiada além da fala engasgada, breve, ainda me reconheço, é agora...
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