Auto Retrato
Meus sapatos não se gastam. Minhas camisas não desbotam e me acompanham de um sol a outro, quase não durmo quando estou agitado, vivo elétrico, e meus olhos sempre atentos, lembro o detalhe, uso próteses, lentes simples que não arranham, enxergam sempre as mesmas formas, também me mordo, dentes próprios que trituram e não se acabam nunca, tenho fome exagerada, o paladar apenas acalma, minhas papilas sempre ávidas, associam o mesmo olfato.
Nunca tive pés cascudos, mesmo moleque e evitava os calçados, pele rósea como as palmas, atrofia, lisa como a ausência das rugas que ainda aguardo. Estas calças estão surradas, mas para o brim desbotado é moda, não me enquadro neste conceito mas minhas meias raro furam, os cabelos estão escuros, sem entradas neste corte, esta face pouco muda, nem preciso de espelho. O relógio prescinde pilhas, desperto sempre a mesma hora, não esqueço dos momentos, como deles meus desejos, os mesmos de quando comprei as botas, mas podia estar pelado, meus sentidos estão alheios, não se esgotam nos sapatos.
Meus sapatos não se gastam. Minhas camisas não desbotam e me acompanham de um sol a outro, quase não durmo quando estou agitado, vivo elétrico, e meus olhos sempre atentos, lembro o detalhe, uso próteses, lentes simples que não arranham, enxergam sempre as mesmas formas, também me mordo, dentes próprios que trituram e não se acabam nunca, tenho fome exagerada, o paladar apenas acalma, minhas papilas sempre ávidas, associam o mesmo olfato.
Nunca tive pés cascudos, mesmo moleque e evitava os calçados, pele rósea como as palmas, atrofia, lisa como a ausência das rugas que ainda aguardo. Estas calças estão surradas, mas para o brim desbotado é moda, não me enquadro neste conceito mas minhas meias raro furam, os cabelos estão escuros, sem entradas neste corte, esta face pouco muda, nem preciso de espelho. O relógio prescinde pilhas, desperto sempre a mesma hora, não esqueço dos momentos, como deles meus desejos, os mesmos de quando comprei as botas, mas podia estar pelado, meus sentidos estão alheios, não se esgotam nos sapatos.
As portas do mercado amanheceram fechadas, ou esqueci que pudesse ser feriado, ou ainda que seria muito cedo, o que importa é que os cadeados estão trancados.As ruas estão tão quietas, nem restos ou sinais da noite passada, nem deve ser tão tarde para que já estivessem acordados, recolhido, meu pescoço enruga em gola imaginada, faz mais frio do que devia, aqui estou desprevenido, passeando em estação errada.
