Blog do Camafunga


 

Depois de mais de quatro anos de postagens esta Blog passa a ser compartilhada, duas almas tão distintas com visões tão diferenciadas, irão dividir, além do corpo, o mesmo espaço para expressão de idéias e observações do cotidiano, seja o que Deus quiser!

 
  Crônicas do Camafunga

visitas desde agosto de 2001

 

Sábado, Agosto 27

Fratura

Até ali curvado cheguei a areia. Sentado, subia o frio como um aperto úmido das calças, que eram novas mas não importava, até acima, as costas, que esperavam deste mais caloroso abraço. Surpresa foi o recado, tanto quanto em criança, quando o médico tentou explicar que um dia a perna curaria, "Fratura em galho verde", do osso, as partes, mesmo vergadas permaneciam, sei lá como, ligadas, fica mais fácil o alinhamento, e assim, mesmo incrédulo, voltei a ter o passo reto, "Venha que te espero".
As palavras atravessavam direto para as fracas ondas da praia, afogadas no sentido por quem conhecia o conteúdo por detrás daquelas falas. A sombra torta que estendia-se até a orla, um em pé, outro sentado, a imagem longa e única quer sugerir continuidade. Entre as mãos um pequeno ramo de palha rompido, girava firme em hélice, rebelam-se as porções mas não desprendem, resistencia na fratura, galho verde.
Nem fazia tanto tempo mas não sentia fé na volta, nem nas desculpas, nem nas soldas nem me iludi nos oferecimentos, solta a mensagem já nascia interpretada, a sombra, pelas imagens, a rama que também não se separa. Levantei da areia fria, já estava acompanhado, sobe o calor do abraço, fico reto, alinhado.

Sábado, Agosto 6

Dispor
Abro as janelas. Os cães não param de latir, há hora para tudo, para entregar o texto, para refletir na vida, para encontrar amigos que esperam, para preencher as faltas, e, mesmo sem ordem estabelecida, cumprir os prazos, mas me atrapalho nos ruídos.
As ideias perdem-se, tenho vontade de apedrejar um a um os pensamentos, assustadas as palavras me evitam, fogem deixando rastro esparso de letras soltas e sem sentido, quase uivo a procura de melhor tema, que não seja a vida, mas é ela que espia por todas as faltas, e me cobro mais que meus amigos que, sem pressa, aguardam o que pode ser ainda dito.
Quando me mudei eles já estavam pela vizinhança, foram companhia até aprender a ser solitário, de protetores hoje são incovenientes, tentam impedir que exceda meus limites, há um desespero como gritos, não são porcos em seus grunhidos, caninos latem e não há hora, todo dia, sem motivo, nem é preciso, mas pretendo por um fim a este texto, atenção a quem espera, justificar provável ausência, sair a catar fuga de idéias e não sucumbir ao estabelecido. Mas eles latem a todo tempo, ignoram esta primazia, volta tona a relidade, a dor, a dúvida o dia-a-dia. Tenho prazos, me organizo, já vai longe o meu tino, até fechei todas janelas, mas vem de dentro este latido.

 

 

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