Estado de Espírito
Tem crianças aqui do lado por isso vou falar baixo, um pendurado na guitarra, desde ontem, insiste nas escalas, aperfeiçoa um dom em desenvolvimento, sai Rock pesado na distorção que ja nasceu sabendo, mas que equilibra com algo de bossa antiga, deve ter assimilado das alternativas cantigas de ninar que eu escolhia. Já o outro prefere ficar explorando games e novidades cibernéticas, trabalha fotos como colagem, identifico neles gostos semelhantes de ciência e também de humor refinado, já assistimos filmes de todos os tempos e estilos, e não reclamam, apenas vão filtrando. Assim me sinto separado em dois modelos clonados, partidos e mixados, como algo que já foi meu mas não mais me pertence.
Prefiro que não saibam que os estou observando, por certo já fui mais que analisado, por isso falo baixo e prefiro que nem me notem escrevendo, a mísica é eclética mas serve de fundo pois que também me renovo mesclado neste novo mundo.
Los Sueños
Não consigo ouvir o que queria. Já me contentei com um radinho chiado que aninhava entre os travesseiros até que o sono viesse, aqui no sul as estações de lingua espanhola invadem a madrugada, daí vivi sonhos castelhanos pelo som traduzido em imagens estrangeiras que acompanharam muitas horas destas noites. Pouco visitei de fato estas cidades, no entanto me emocionam, embalam-me as trilhas, tão tristes, tão melancólicas.
Não precisava sair tão cedo, o dia nem nascera, nem amanheceria pela chuva que mantém o céu nublado e obscuro. Por tanto evitei usar uma capa, sinto-me curto por arrastar a barra, pesada capa, mas necessária pelo clima, pela umidade, envolvido, até as paredes passam por mim angustiadas, chora o reboco que não esconde a idade, supõem os velhos que as vezes abrigam, latina paisagem. Da roupa ainda, a gola alta onde enterro o pescoço, pouco evita a brisa arrastada pela frente fria, vem do sul, como os sonhos deprimidos, pesados pelo clima e pela água. Esta tudo tão implicado só não consigo ouvir o que queria, insisto no som que a imaginação resiste. Preferia estar deitado, a cama quente e os travesseiros enrolados, carece o radio mesmo que mal sintonizado.
Tempo #365
Tem vezes que o que parece mais significativo já foi dito ou comentado, mas retomo, como lembrar dos dias de chuva em que a única vontade era ficar só a observar o tempo. Silencioso, fechado em si mas aberto ao desejo, acabava rendido a luta, inglória, tudo pelo desepero imediato das soluções fáceis e das respostas que nunca vinham. Difícil era deixar que a nostalgia chegasse, para que, invadindo o presente, ajudasse a confundir por bem as horas, seria mais simples, mas ainda assim continuava a empurrar o tempo, sempre e sem fim, contra seu inexorável e previsível destino, pelo menos parte dele, justo a que não valeu de nada em ter me insurgido fosse contra a chuva, contra as aguas ou desafiando outras tormentas. Dai acho que ja disse tudo, mas esta chovendo agora e no entanto estou em casa, e foi preciso que todas saudades retornassem na repetição dos comentários para que pudesse talvez aceitar a clareza e a sabedoria desta espera, sem culpas.
Rapsódia Natural
Ando muito preucupado com os fatos desta gaia. Em abril foi o aracnídio, fêmea, bem pequena mas nefasta, escapei desta peçonha, por pouco não me acaba, apesar de injetados antihistamínicos, soros e outros antítodos prestantes, as enzimas proteolíticas e os venenos hemorrágicos, mesmo contidos, sequelaram minha confiança trazendo medo constante, tornei-me então um ressabiado a insetos rastejantes, rápidos, insinuantes, mancos ou aos alados. No outro mês foi Catarina, mera flatulência divina, derrubou postes e barcaças, vergalhões , e muitas casas, não poupou as jovens arvores nem tão pouco as centenárias, passou longe, carregando, mais um pouco de coragem, de estender-se pela brisa ou adimirar a belas vaidades, das copas que balancam despenteadas a queda que as faz em pedaços. No outro inverno foi a chuva, pluviometrica charada, o que não caiu em um ano despencou de enxurrada, vi vizinhos embarcados, logo ali a poucas quadras, descobri viver ilhado em uma cidade encharca, muitas perdas, sugadores, bombas que não são de nada, homens rã estivadores a subir peças dragadas, perdi ali outra ousadia, agua não, fica afastada, haja chuva insinuante mesmo na estiada. Houve um surto associado da tal doença do rato, contrai esta doença, fiquei mais apavorado. Tenho susto de cachorro, não importa acorrentado, a menina foi engolida, pitbull esfomeado. Já não saiu mais as ruas, muitas vezes assaltado, este é o homem, um subtipo, que também foi mal criado. Minha terra revoltosa anuncia outra verdade, é melhor ficar humilde ou serei aniquilado.
Aniversário
Ontem fez quatro anos desde o primeiro post publicado nesta Blog, não pensei que iria seguir com esta brincadeira por tanto tempo, foram muitos layouts, temas e estilos, que de alguma forma, talvez pela liberdade que acabo encontrando, que mesmo não querendo, acabei criando um registro das várias fases por que passei. O que fica de mais importante é os amigos que foram se agregando, as identidades identificadas pelos comentários, os encontros e contatos. Divido, entre outros, com o Tarciso, o Fabio, a Mariana e a BIa.
|
08_01
09_01
10_01
11_01
12_01
01_02
02_02
03_02
04_02
05_02
06_02
07_02
08_02
09_02
10_02
11_02
12_02
01_03
02_03
03_03
04_03
05_03
06_03
07_03
08_03
09_03
10_03
11_03
12_03
01_04
02_04
03_04
04_04
05_04
06_04
07_04
08_04
09_04
10_04
11_04
12_04
01_05
02_05
03_05
04_05
05_05
06_05
07_05
08_05
09_05
10_05
11_05
12_05
01_06
02_06
03_06
04_06
|
Visite a Perfumaria da Morsa
|
Diário da Morsa
Direto da Costa
|
|