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HISTÓRIA DO VIDRO

         As fontes pesquisadas não trazem ao certo o período e o povo que descobriu o vidro. Sabe-se, no entanto, que egípcios, sírios, fenícios, assírios, babilônios, gregos e romanos, já realizavam trabalhos com o vidro. Devido a isto não é possível atribuir a descoberta do vidro a um único povo e a uma única época. No entanto, numa das fontes pesquisadas, o historiador romano Plinio, atribui aos fenícios a descoberta acidental do vidro. Os povos da Mesopotâmia e os egípcios já conheciam as técnicas rudimentares de sua fabricação, em 2700 a.C.; pois em escavações arqueológicas nas proximidades de Bagdá fora encontrado um cilindro de vidro azul, datado daquele período. No Egito, o mais remoto exemplo de vidro é um fragmento também azul escuro, uma espécie de amuleto, onde está escrito o nome de Antef II, faraó da 11ª Dinastia (2133 - 1991 a.C.).

        A arte do vidro floresceu no Egito no século 1500 a.C. Os artistas a serviço dos faraós da 18ª Dinastia conheciam a fórmula de uma pasta de vidro maleável, com a qual faziam contas de vidro e adornos pessoais. Algumas destas peças foram encontradas em perfeito estado de conservação, no sarcófago de Tutancamon. Os egípcios, primeiros a utilizar o vidro na fabricação de embalagens (vasilhas abertas como jarros e tigelas), também produziam recipientes para cosméticos, bálsamo e frascos para perfumes. Entre estes o mais comum era o alabastron, primeiro na forma de tubo, depois em moldes curvos, com duas pequenas alças, no estilo de ânfora grega. No alabastron guardava-se o col, tintura para escurecer as pálpebras e realçar o brilho dos olhos, utilizado por homens e mulheres da antigüidade em todo o Oriente.

        Por volta do ano 1500 a.C., em plena Idade do Bronze, os copos de vidro já se haviam vulgarizado. Antes, bebia-se por púcaros de barro e, em certas ocasiões cerimoniais, por taças de ouro.

        Os primeiros registros da moldagem de frascos datam desta época, na Babilônia.

        Terá sido provavelmente no Egito que primeiro surgiu a idéia de um vaso oco de vidro. Foi feito mergulhando um saco de pano com areia num cadinho com vidro fundente, modelado posteriormente, rolando-o sobre um banco de pedra liso. Quando o vidro arrefecia era só retirar o saco. Essa técnica espalhou-se por todo o Próximo Oriente por volta de 1200 a.C.

        Na Mesopotâmia, onde foram encontrados vidros com 4 mil anos de existência, a produção de melhor qualidade aparece no século VIII a.C., com peças assírias. Um vaso foi encontrado na urna funerária do rei Sargon II, que reinou na Assíria entre 701-705 a.C. Nas tabuinhas de Assurbanípal (668-626 a.C.) descobertas em Nínive, há referências às fórmulas de fabricação de vidro, em código só recentemente decifrado. Na Grécia dos tempos micênicos, foram encontrados vasos de vidro manufaturados com técnicas egípcias. No Egito, na Mesopotâmia, Síria ou Grécia, a produção de vidro na antigüidade exigia grandes esforços dos artistas e operários, na sua maioria escravos. Os elementos básicos de sua composição - cálcio, cal ou barrilha e potássio - eram basicamente os mesmos de hoje, mas produziam vidro opaco e arenoso. Os fornos pequenos, o vasilhame de barro, a dificuldade para conseguir altas temperaturas e atingir o grau de fusão necessário dificultavam as tarefas. Com a técnica de fole aplicada ao forno, introduzida no Egito, conseguiu-se aumentar o calor e assim tornar a massa vítrea mais maleável - mas o vidro, até o séc. VI a.C., era produzido em escala reduzida para uso e adorno exclusivo dos nobres.

        A descoberta da técnica do sopro (fabricação de vidro oco - garrafas, potes, copos, bulbos, etc.) na Síria e em Alexandria, quando Roma já estendia seu domínio sobre o Oriente Médio, marca um grande momento na história do vidro.

        A invenção da chamada Cana de Assopro, ocorrida na Síria por volta do ano 100 a.C. foi o avanço técnico decisivo na produção de frascos. Esse instrumento possibilitou a fabricação da maioria dos objetos de vidro e ainda encontra utilização nos dias de hoje.

        Por volta desse mesmo período, 100 a.C., os romanos contribuíram muito para o desenvolvimento do vidro. Iniciaram a produção de vidro por sopro dentro de moldes prensados, aumentando em muito a possibilidade de fabricação em série das manufaturas (vasilhas simples e objetos requintados de arte). Eles foram os primeiros a inventar e usar o vidro para janelas.

        No século II d.C., os romanos levaram a invenção do sopro (processo pelo qual colhe-se uma bola de vidro na ponta de um tubo de aço - a cana - e, com a boca, sopra nesta bola até dar-lhe o formato desejado, a mão livre ou dentro de um molde de madeira ou ferro) a um refinamento comparável ao da ourivesaria e muitos desses vasos se encontram hoje em museus. Os bizantinos usaram-no realmente na ourivesaria, fazendo peças de vidro colorido ou decoradas com folhas douradas. Os merovíngios produziram taças sem pés e vãos funerários. Mais tarde, Veneza começou a produzir vidros e tornou-se o centro de vidraria no Ocidente.

        O desenvolvimento da indústria do vidro foi tal, naquela época, que por volta do ano 200 da era cristã o imperador Severo aplicou uma taxa sobre os produtos de vidro. No século seguinte, porém, Constantino e Constante desobrigaram os vidreiros do pagamento deste imposto.

        Entre os anos 500 e 600, foi descoberto um novo método para fazer vidro transparente que apresenta uma leve distorção de imagens, resultantes de processo de fabricação por sopro de uma esfera e sua sucessiva ampliação por rotação em forno. Até o século XIX, a maior parte do vidro plano foi fabricado através desse processo. Alguns historiadores escrevem que as cruzadas o trouxeram do Oriente para Veneza. A presença de fornos naquela cidade era causa de constantes incêndios, assim um decreto de 1291 concentrou as fábricas na ilhota de Murano (entre o mar Adriático e encostas Alpinas na Itália). Este decreto, além de isolar os fornos, possibilitava uma rígida vigilância para evitar que os segredos da arte do vidro saíssem dessa região. Em função da grande concentração de vidreiros, foi descoberta a composição de um vidro que, por causa de sua extrema limpidez, foi denominado cristal.

        Um importante acontecimento na tecnologia do vidro deu-se em 1200 com a invenção do processo de fabricação do vidro por sopro de cilindros. Assim, por ação simultânea do sopro e da força centrífuga obtida movimentando o cano, formava-se um cilindro côncavo: com diâmetro ate 45 cm e comprimento ate 3 m. O cilindro era cortado e depois colocado em um forno de recozimento e deixado para estender de onde se origina o nome de estenderia, dado ainda hoje aos fornos de recozimento.

        A França já fabricava o vidro desde a época dos romanos. Com a iniciativa de Colbert (ministro da finanças de Luís XIV), incrementaram-se as atividades comerciais e foi criado o privilégio para várias empresas privadas, aumentando impostos sobre produtos importados - em 1665, concedeu à Manufacture Royale des Glaces o privilégio para a fabricação do vidro escoado, dando origem a Saint-Gobain. Esta empresa contou com fortíssimos incentivos protecionistas a seu favor, como os pesados impostos sobre os cristais provenientes de Veneza. A Saint-Gobain introduziu em 1700 na sua fábrica um processo de laminação de vidro plano desenvolvido por Louis Lucas Nehon. Este processo consiste em correr um rolo sobre o vidro despejado sobre uma mesa. Este sistema permitia a produção de grandes placas de vidro. O cristal escoado ou vidro plano foi o produto que por três séculos caracterizou a Saint-Gobain.

        As garrafas de cerveja deste período eram os frascos de vidro pretos comuns que foram usados também para engarrafar o vinho e outros espíritos. Começando por volta de 1700, as formas da garrafas de vinho e a das garrafas de cerveja começaram a evoluir em sentidos diferentes. As garrafas de vinho começaram ser mais delgadas com ombros mais elevados, enquanto as garrafas de cerveja tenderam a ser mais curtas com ombros mais baixos. Esta forma da garrafa de cerveja era como se sabe a forma da porter. Este estilo remanesceu associado às cervejas inglesas e permaneceu em uso até depois 1900.

        A partir de 1900, iniciou-se a produção mecânica dos cilindros de 1 m de diâmetro e 12 m de altura, que davam então origem a placas de 3 x 12 m. Esta produção permitiu ao vidro em diversos processos uma melhor espessura, recozimento e a diminuição dos defeitos ópticos. O sistema de produção mecânica foi adotado até a Segunda Guerra Mundial, principalmente, em algumas fábricas americanas.

        Neste processo histórico encontramos também a primeira máquina automática para produção de garrafas construída nos Estados Unidos, em 1903, por Michael Owens. Esta máquina viabilizou a fabricação de garrafas em larga escala.

        Em 1936, demonstrando avanço no processo de produção de subprodutos do vidro foi desenvolvida a fibra de vidro, ou filamentos finos de vidro utilizados para produzir fios e material têxtil. Esta fibra é utilizada na fabricação de isolantes, plásticos reforçados por fibras e outros materiais compostos.

        Em 1952, o Sr. Pilkington, dono de uma das fábrica de vidro, na Inglaterra, iniciou as pesquisas sobre como fabricar vidro que apresentasse um melhor equilíbrio entre suas faces, quando passou pela pia da cozinha e vislumbrou que a água e o óleo não se misturavam, mantendo cada um suas características próprias. Assim, em 1959, a empresa Pilkington desenvolveu um processo revolucionário para fabricação de vidro plano, o float-glass. Este processo consistiu no vidro fundido flutuar de forma continua num banho de estanho, que assegura perfeita planeidade à face do vidro em contato com o metal. Pelo efeito do seu próprio peso e do calor, a face superior se torna perfeitamente plana, polida (atribuindo-lhe melhor transparência) e com espessura uniforme. Com a tecnologia patenteada pela empresa (única empresa com estrutura familiar entre as quatro lideres mundiais), a mesma não monopolizou seu acesso, mas acabou por licenciar sua utilização a um elevado custo. A Pilkington tornou-se a maior produtora de float-glass do mundo.

O VIDRO NO BRASIL

        A história da indústria do vidro no Brasil iniciou-se com as invasões holandesas (1624/35), em Olinda e Recife (PE), onde a primeira oficina de vidro foi montada por quatro artesãos que acompanharam o príncipe Maurício de Nassau. A oficina fabricava vidros para janelas, copos e frascos.

        Com a saída dos holandeses a fabrica fechou. O Alvará de 1785 de D. Maria I, "A Louca", determinou a extinção de todas as manufaturas "em qualquer parte onde se acharem, nos (seus) domínios do Brasil". Todo o vidro passou a ser importado de Portugal e posteriormente da Europa e das colônias inglesas.

        O Alvará de 1º de abril de 1808, do príncipe regente D. João, inspirado por José da Silva Lisboa (o Conde de Cairú) "Desejando promover e adiantar a riqueza nacional, e sendo um dos mananciais a manufatura e a industria" resolveu abolir e revogar qualquer proibição que houvesse a esse respeito no Estado do Brasil.

        O Brasil começou a ouvir falar em vidro no ano de 1809, quando o padre José Mariano da Conceição enviou um ofício ao Conde de Linhares: ”Tenho quem queira cuidar da fábrica de vidros“.

        Começava aí a produção, no país, de uma indústria que já possuía uma longa história, desde os fenícios, passando pelo Egito e chegando aos séculos XVI e XVII, quando o uso do vidro já estava desenvolvido. Porcelanas, cristais e louças eram utilizados não só no cotidiano das pessoas - como pratos, sopeiras, legumeiras, fruteiras, travessas, garrafas e vasos - como também para demonstrar um toque refinado na decoração dos ambientes das famílias nobres.

        O vidro voltou a entrar no mapa econômico do país a partir de 1810, quando em 12 de janeiro daquele ano, o português Francisco Ignácio da Siqueira Nobre recebeu carta regia autorizando a instalação de uma indústria de vidro no Brasil. A fábrica instalada na Bahia produzia vidros lisos, de cristal branco, frascos, garrafões e garrafas. Ela entrou em operação em 1812. Em 1825 fechou em função das grandes dificuldades financeiras, burocráticas, trabalhistas e, a concorrência de produtos estrangeiros e a ira dos portugueses.

        Em 1839, um italiano de nome Folco, funda no Rio de Janeiro a fábrica Nacional de Vidros São Roque, com 43 operários italianos e brasileiros, com fornos à cadinhos e processo inteiramente manual. Enfrenta as importações de produtos da Europa, sobras de consumo que são vendidas a qualquer preço.

        Já em 1861 a industria vidreira brasileira apresenta os seus produtos na exposição nacional na Escola Central, no largo São Francisco, no Rio de Janeiro.

        Em 1878 Francisco Antônio Esberard funda a fabrica de Vidros e Cristais do Brasil, a Rua General Bruce, em São Cristóvão (RJ). A fábrica trabalhava com quatro grandes fornos e três menores, e com máquinas a vapor e elétrica. Fabricava vidros para lampiões, janelas, copos e artigos de mesa, importava máquinas da Europa para fabricar garrafas, frascos e o seu cristal era comparado ao da tradicional Bacarat. Ocupava 600 pessoas entre operários e artistas do vidro. A fábrica de Vidro Esberard, esteve ativa até 1940.

        Outra fábrica de destacada presença foi a Fratelli Vita, da Bahia, fundada em 1902 que produziu garrafas para sodas e refrigerantes, e cristais de qualidade.

        Em 1875 um alemão da Renania, Conrado Sorgenicht estabeleceu em São Paulo, uma oficina para fabricação de vitrais, os primeiros fabricados no Brasil.

        Em 1922 o imigrante italiano, César Alexandre Formenti abriu um atelier no Rio de Janeiro, criando vitrais para igrejas da cidade.

        Até o século XX a produção de vidro era essencialmente artesanal, utilizando os processos de sopro e de prensagem, sendo as peças produzidas uma a uma.

        Foi a partir do início do século XX que a indústria do vidro se desenvolveu com a introdução de fornos contínuos a recuperação de calor e equipados com máquinas semi ou totalmente automática para produções em massa.

        Um fato marcante para o setor vidreiro brasileiro foi o surgimento, a partir do final do século passado, de importantes empresas, que ainda hoje dominam o mercado. A seguir será abordada a constituição dos principais fabricantes de vidro no país.

        Em 1895, foi fundada em São Paulo a Vidraria Santa Marina, hoje um dos grandes grupos industriais do país. Em 1900, a fábrica já produzia 20 mil garrafas de vidro verde por dia. Em 1903, a Santa Marina transformou-se em sociedade anônima e cinco anos mais tarde produzia um milhão de garrafas mensalmente, 2 m² de vidro para vidraça em 24 horas e empregava 650 operários. Alta produtividade para uma fábrica que só em 1921 instalaria maquinas automáticas com capacidade diária de 460 mil garrafas. A partir de então, a Santa Marina procurou diversificar suas atividades, através da associação e expansão. Em 1941 associou-se à Companhia Vidreira Nacional (Covibra) e constitui a Companhia Paulista de Vidro Plano. Esta nova empresa, com participação da Pittsburg Plate Glass introduziu no Brasil o processo Pittsburg de fabricação do vidro plano. Em 1944, a Santa Marina uniu-se à americana Corning Glass Works, cujo laboratório era considerado um dos mais avançados e começou a produzir, em 1951 os vidros Pyrex, patente da empresa americana. A expansão da Santa Marina prosseguira, na segunda metade do século XX em ritmo acelerado, que a transformou no maior conglomerado vidreiro da América do Sul.

        O acelerado processo de industrialização do país na década de 50 atraiu investimentos do exterior para o setor vidreiro. Em 1960, o grupo Santa Marina se associou a indústria francesa, e o grupo Saint-Gobain passou a ser seu acionista majoritário.

        A origem da Companhia Industrial São Paulo e Rio (Cisper) ocorreu a partir de uma pequena fábrica chamada Carmita, fundada em 1908 no Rio de Janeiro, com tecnologia americana e máquinas automáticas da empresa Owens que produzia garrafas de cervejas em série. Em 1916, a fábrica Carmita pediu falência sendo adquirida, pelos engenheiros, Olavo Egydio de Souza Aranha Jr e Alberto Monteiro de Carvalho e Silva, com a razão social Companhia Industrial São Paulo e Rio - Cisper. Nos anos seguintes, a Cisper seria a única a produzir garrafas no Brasil, com máquinas automáticas.

        A Cisper tornou-se conhecida, em todo o mercado brasileiro, como a indústria mais avançada na produção de embalagens de vidro. Esta marca inovadora acentua-se em 1960, quando assina um contrato de assistência técnica com a Owens Illinois, com opção de compra, pela empresa americana. A Owens Illinois surgira em 1929, com a fusão da Owens Bottle Company com Illinois Glass Company.

        Em 1962, a Owens Illinois adquiriu o controle acionário da Cisper, operação que ofereceu à empresa acesso as mais avançadas tecnologias de produção do vidro e permitiu ao Grupo Monteiro Aranha realizar maior diversificação dos seus investimentos.

        O empreendedor Nadir Figueiredo passou de importador a produtor de vidro em 1935, ao adquirir duas fábricas em São Paulo e mais tarde, com a montagem de uma terceira. Atento aos progressos da tecnologia na área do vidro, após a Segunda Guerra Mundial, foi aos EUA estudar novos processo de produção, que adotou em sua nova fábrica, inteiramente automática. Nesta fábrica consegue produzir 72 mil copos por dia, o que representou um notável avanço para indústria brasileira da época.

        A passagem de importador para produtor tornou-se comum entre os empresários do vidro. É o caso da M.Agostini, criada em 1938, no Rio de Janeiro para importar lampiões da marca Aladdin, e que em 1953 passou a produzir. Em 1964, a M.Agostini começou a fabricar garrafas térmicas no Brasil, com assessoria técnica da Alladin, usando o vidro borossilicato. Desde 1974 as garrafas térmicas da M.Agostini são produzidas em máquinas automáticas Olivoto, mas o sistema de fabricação ainda é o mesmo: duas ampolas de vidro separadas por uma amarra de vácuo que fica em contato com superfícies espelhadas.

        A Corning do Brasil estabeleceu-se em São Paulo em 1964, inicialmente fabricando bulbos para tubos de televisão em preto e branco e mais tarde lentes oftálmicas, que exportou com sucesso. Trata-se do único fabricante de lentes oftálmicas do Brasil, área que exige enorme precisão e sofisticação técnica.

        Da Grã-Bretanha, veio o grupo Pilkington, que em 1978 adquiriu a Providro, fábrica de vidro laminado e a Blindex, que opera no mercado de vidros para veículos e automotores.

        Fundada em 1952, a Wheaton do Brasil se caracteriza, como a matriz nos EUA, pela fabricação em alta velocidade de embalagens para a indústria farmacêutica e de cosméticos.

        A Vidrofarma, do Rio de Janeiro, associada ao grupo alemão Schott, fabrica tubos de vidros neutros para a produção, por outras indústrias, de frascos e aparelhos de laboratórios e fornece vidros alcalinos usados nas lâmpadas florescentes. Em 1979, o grupo Francês Ceraver instalou em São Gonçalo, no Rio de janeiro, a Eletro Vidro, empresa que hoje pertence ao grupo francês Sediver S.A (Société Européenne d'Isolateurs en Ventre et Composite). A Eletro Vidro é a única fabrica de isoladores de corrente de toda a América Latina.

        A indústria do vidro transformou-se, diversificou-se e chegou, a uma fase de maturidade. Hoje, mais de 200 empresas produzem vidro no Brasil, 24 das quais integralmente automatizadas, atendendo aos mercados interno e externo, competindo em condições de igualdade com empresas do exterior. Como em outros setores da indústria, o crescimento das exportações também se faz sentir na áreas do vidro, com o mesmo efeito de sustentação de atividade em período de dificuldade econômicas.

        A adoção das embalagens de vidro pela indústria de alimentos exigiu do produtor um alto teor de qualidade e confiança, só possível através da seleção automática. Ao produzir em larga escala, o controle visual da qualidade das embalagens interferia na rapidez, características básica do processo moderno. Mais uma vez pioneira, a Cisper introduz o sistema de controle de qualidade automático.

        A medida que se desenvolveu, a indústria vidreira concentrou-se na região Sudeste, especialmente no Estado de São Paulo.


FORMATOS DE ANTIGAS GARRAFAS AMERICANAS

        O formato de uma garrafa tem muito a dizer sobre a idade dela. As preferências e as tradições regionais ajudam a ditar que formatos eram populares e para quanto tempo. Alguns formatos são visivelmente raros ou ausentes de algumas áreas do país. As garrafas de porter existem em menos do que a metade de uma dúzia de formatos nos estados ocidentais, mas eram extremamente populares em Pensilvânia oriental, com milhares de exemplares.

        As patentes especiais também ditaram as formas de uma garrafa. Algumas patentes eram mais populares do que outras. A patente 1879 de Hutchinson, de Chicago, foi usada por quase 4.000 firmas diferentes para suas garrafas, enquanto a patente 1875 de Arthur christian, da mesma cidade, foi usada somente por uma dúzia.

        As garrafas dos países diferentes variam também extremamente. As garrafas da patente de Codd dos estados unidos são incomuns, mas são o padrão na Grã Bretanha. A patente de Hutchinson é diretamente o inverso.

        As informações abaixo são baseadas em pesquisa e as datas em fatos verdadeiros ou em estimativas razoáveis.

Formato Cerveja Porter
Circulação: 1760-1918

Tamanho típico: 7 x 3"ou 6 3/4 x 2 3/4"
Também existe no tamanho de um quarto e no formato tubular (forma de flauta, comprida e estreita)
Usou-se para engarrafar várias cervejas pesadas tais como a porter, a ale e a stout.
Formato Precursor - Cerveja Ale
Circulação: 1847-1851

Tamanho típico: 7 1/2 x 2 7/8"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou no formato tubular
Foi usada para engarrafar a ale.


Formato Precursor - Cerveja Lager
Circulação: 1847-1851

Tamanho típico: 8 1/2 x 2 7/8"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou no formato tubular
Foi usada para engarrafar a lager.


Formato Antigo - Cervejas Ale e Lager
Circulação: 1851-1910

Tamanho típico: 7 x 2 7/8"ou 6 3/4 x 2 3/4"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou no formato tubular
Mistura das formas antigas da lager e da ale. Foi usada para engarrafar a lager até aproximadamente 1878 e a ale e a porter até 1910.


Formato Cerveja Achampanhada
Circulação: 1875-1920

Tamanho típico: 9 1/4" x 2 3/4"
Também existe no tamanho de um quarto e no formato tubular
Usada para engarrafar a lager, champanhe e pequenas cervejas tais como a cerveja de raízes.


Formato Cerveja Weiss
Circulação: 1867-1910

Tamanho típico: 7 3/4 x 2 3/4"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou no formato tubular
Foi usada para engarrafar a weiss ou cerveja branca, normalmente em garrafas muito pesadas.


Formato Cerveja Zaun Weiss
Circulação: 1880-1910

Tamanho típico: 7 1/2 x 2 5/8"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou no formato tubular
Foi usada para engarrafar a weiss ou cerveja branca, normalmente em garrafas muito pesadas.

Formato Cerveja St. Louis Weiss
Circulação: 1885-1915

Tamanho típico: 9 1/2 x 2 3/8"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou tubular
Foi usada para engarrafar a weiss ou cerveja branca, normalmente em garrafas muito pesadas.


Formato Precursor - Cerveja Exportação
Circulação: 1860-1880

Tamanho típico: 9 x 2 5/8"
Também existe no tamanho de um quarto, porém não no formato tubular
Usado para engarrafar várias cervejas tipicamente para exportação. O formato foi adotado para uso doméstico em algumas áreas.


Formato Antigo - Cerveja Exportação
Circulação: 1880-1915

Tamanho típico: 9 x 2 5/8"
Também existe no tamanho de um quarto, porém não no formato tubular
Usado para engarrafar várias cervejas tipicamente para exportação. O formato foi adotado para uso doméstico em algumas áreas.


Formato Cerveja Aromatizada
Circulação: 1850-1865

Tamanho típico: 10 x 3 1/2"
Também existe no tamanho de um pint e no formato tubular
Foi usada para engarrafar várias cervejas aromatizadas como as cervejas de raízes, as achampanhadas e as cronk.


Formato Cerveja Maltada (Stout)
Circulação: 1895-1915

Tamanho típico: 6 3/4 x 2 1/4"
Não é conhecida no tamanho de um quarto ou tubular
Foi usada para engarrafar vários extratos de malte. Este formato foi usado igualmente por engarrafadores e fabricantes.

        

BOTIJAS DE GRÉS

         Tradicional e resistente recipiente feito artesanalmente de pó de pedra para acondicionar principalmente a genebra - uma bebida feita de uma planta chamada zimbro.

        As cidades de Amsterdã e Hamburgo, eram as principais cidades européias que produziam a popular bebida, da qual o Brasil era um grande importador. No século dezenove, a Genebra vinha aos milhares de litros nos porões dos navios em botijas, garrafas, frascos e garrafões, pela Bela, Cotrim e C., a qual era no Rio de Janeiro, a única importadora e representande da Wynand Focking - uma famosa fabricante da bebida na Holanda.

        Grés Originalmente produzido na Alemanha por volta do século XV, o produto generalizou-se, passando a ser amplamente fabricado pela Inglaterra, França e Holanda. Por ser de grande resitência e impermeabilidade, tornou-se excelente para o transporte de bebidas e outros líquidos.

        A Inglaterra e Holanda e outros países exportaram durante o século XIX, milhares de recipientes de grés, contendo cerveja, genebra, água mineral, tinta nanquim e entre outros líquidos.

        Costuma vir presos nas redes dos pescadores alguns desses recipientes, que outrora foram jogados bordo à fora, pelas centenas de embarcações.

        A cor dos grés pode variar do areia ao morrom avermelhado, bem como o formato das botijas, assim como os demais outros recipientes, dependendo do conteúdo. Quanto as botijas, muitas delas não apresentam marcas e foram aqui no Brasil, reaproveitadas para acondicionar bebidas nacionais, principalmente a aguardente. Era comum o anúncio em jornais para a compra de botijas de grés vazias, por um preço relativamente alto.

"Se quiser ver algumas fotos de antigas garrafas clique no link abaixo:
ÁLBUM DE FOTOS DE GARRAFAS

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