21 de janeiro de 2000
foto -----------------------
Foto: ©2000 Juan M.Hodar, Campinas, SP
jhodar@degussa-huels.com.br
Mais uma vez o céu nublado não colaborou com a observação
do eclipse total da Lua em
Florianópolis.
É bem verdade que poucas estimativas foram feitas - algo que não
deixa este eclipse
passar em branco. Observadores
situados em outros pontos do território nacional tiveram melhores
condições
para a observação do evento. As observações
da Estação Costeira1 foram enviadas a
Rede
de Observação Astronômica do Brasil - REA
Horário dos eventos: em Tempo Universal
INICÍO PENUMBRAL : 02: 04.3
PERC. PENUMBRA : ~ 02: 37
(a borda da penumbra alcança Tycho)
INICÍO UMBRAL :
03: 01.5
INÍCIO TOTAL
: 04: 04
MEIO DO ECLIPSE : 04: 43.5
FIM TOTALIDADE :
05: 22.4
FIM UMBRAL
: 06: 25.5
PERC. PENUMBRA : ~ 06: 49
FIM PENUMBRAL :
07: 22.8
O evento PERC. PENUMBRA se refere ao momento em que a penumbra
passa a ser
perceptível. Na
prática, foi observado às 00:47'16'' a olho nu e por meio
de uma película plástica,
isto é, colocou-se
esta película no foco de um telescópio newtoniano de 143mm
e visualizou-se a
imagem projetada da Lua.
Para saber os horários em tempo local, basta diminuir 2 (horas)
dos horários acima. Não se
esqueça que estamos
no horário de verão!
O QUE SE PÔDE OBSERVAR ?
1) Determinação dos instantes dos eventos:
O tempo nublado impediu anotar os instantes principais do eclipse, a saber,
início parcial,
início total, etc...
2) Determinação dos instantes em que a sombra toca nas crateras lunares:
Apenas um único registro foi feito: A imersão da sombra em Copernicus.
CRATERA IMERSÃO
TU(h:m.dec) IMERSOE
TU(h:m.dec)
- calculada -
- observada -
Copernicus
3:18.6
3:17'38''
Hélio C. Vital, da REA, analisou a cronometragem
desse evento e calculou os seguintes
parâmetros:
CRATERA : Copernicus Wi: 1.000
We: 0.000
UTC: 3:17:38 IM 1/298.26
RC= 0.7392 RO= 0.7624 RO-RC= 0.02316
F= 3.133% PSI= -13.82
Trata-se de um valor relativamente alto, porém aceitável (F=3.13%)
3) Determinação do Nº de Danjon:
Corresponde a luminosidade e coloração que a Lua assume nos
eclipses. Apesar de
arbitrária, a escala
pode ser classificada da seguinte maneira:
0 - eclipse muito escuro: a Lua é quase invisível.
1 - eclipse escuro, cinza ou castanho: os acidentes lunares são
de difícil
observação.
2 - eclipse vermelho-escuro: observa-se uma mancha muito escura no centro
e os
extremos mais claros.
3 - eclipse vermelho-tijolo, com sombra limitada por uma zona cinza ou
amarela bem
clara.
4 - eclipse vermelho-cobre ou alaranjado, muito claro, com uma zona exterior
muito
luminosa ou azulada.
Valores fracionados podem ser estimados e até divididos em zonas, por exemplo:
Em três momentos foi possível estimar o número de Danjon.
Acompanhe a figura:
4) Estimativa da magnitude global da Lua:
Os níveis de aerossóis na atmosfera terrestre fazem com que
a Lua eclipsada assuma
diferentes estágios
de brilho.
A previsão é para -1.9 no meio do eclipse.
Somente às 05:30 TU foi possível estimar a magnitude integral
da Lua - se bem que já
aparecia cerca de 10% do disco
lunar fora da umbra. Utilizando um binóculo 7x50 invertido, estimei
a
magnitude da Lua diretamente
em -2,0. Como este binóculo diminui 5 magnitudes quando éinvertido,
a magnitude integral passa para
-7,0.
5) Fotografia :
Nenhuma foto foi feita. A foto acima é autoria de Juan Hodar, Campinas, SP.
Felipe Zanuzzo, de Votuporanga, SP produziu boas fotos. Veja AQUI.
©2000 F.S. Zanuzo
6) Fenômenos Lunares Transientes - TLP
São brilhos incomuns de alguns acidentes lunares, especialmente
a cratera Aristarcus e o Vale
de Schröter.
Esses brilhos podem ser notados mesmo na zona da superfície lunar
mergulhada na
sombra.
Nos breves momentos em que as nuvens permitiam a visualização
da Lua, não foi detectado
nenhum TLP. A região
de Aristarcus desta vez se comportou bem - diferente do eclipse de 24 de
março de 1997 quando
TLP's foram registrados na região próxima a cratera.
Queira ver o formulário com o preenchimento das observações.