OBSERVAÇÃO DE PLUTÃO
Alexandre Amorim
Descoberto em 23 de janeiro de 1930, Plutão fora anunciado como o 9º planeta do sistema solar, e seu tamanho foi estimado em 0,46 diâmetros terrestres (~5,9 mil km) após medições de Gerard Kuiper em março 1950. Novamente G. Kuiper voltou a observar Plutão, por ocasião de uma ocultação de uma estrela em 1965, e os valores para o diâmetro do astro ficou entre 0,16 a 0,46 diâmetros terrestres (2 a 5,9 mil km).
Uma nova ocultação de estrela por Plutão em 1988, complementada por observações do Telescópio Espacial Hubble, colocaram o astro com um diâmetro não superior a 2.350 km - com isso, o astro se tornou menor do que alguns satélites planetários, até menor do que a nossa Lua. Evidências como esta colocaram em xeque o status do Plutão: é ele um planeta ou um asteróide? Além disso, a partir de 1992 começaram a ser descobertos inúmeros objetos além da órbita de Netuno - os KBO (Kuiper Belt Objects, Objetos do Cinturão de Kuiper). Alguns astrônomos preferiram dizer que Plutão era um corpo maior dentre os Objetos Trans-Netunianos (TNO - Trans-Neptunian Objets).>
Bem, para o astrônomo amador, não faz muita diferença se Plutão é planeta ou asteróide. Na minha opinião, Plutão continua sendo planeta, pequeno planeta, para ser mais preciso, pois os asteróides também são assim chamados (veja por exemplo o Centro de Pequenos Planetas - MPC - da UAI, que mantém dados de asteróides com centenas de metros de diâmetro).
O importante para o astrônomo amador, e observador, é que Plutão se trata de um MARCO! Sim, independente do status do objeto, não é raro alguém lhe perguntar: "Você já viu Plutão?"
Relato a experiência de detectar Plutão e as dificuldades encontradas:
Em 2 de maio de 2003 resolvi imprimir uma carta para localizar Plutão usando o programa Guide 7 (que por coincidência foi desenvolvido pelo Project Pluto). Normalmente o programa fornece estrelas do catálogo GSC até magnitude 16, mas para a região onde se encontrava o astro (Ophiucus-Serpens) , só eram fornecidas estrelas até magnitude 14,2 . Na madrugada de 3 de maio, com o mapa impresso, foi fácil localizar a região próxima da estrela Nu Serpentis (Figura 1). No entanto a visão oferecida pelo Meade LX50 254mm de abertura (158x) mostrava mais estrelas do que as plotadas pelo Guide 7. Teoricamente foi possível discernir um objeto na posição calculada para Plutão - mas como ter certeza? Quem poderia garantir que o objeto não era uma estrela não catalogada pelo Guide 7? A solução foi esboçar a posição das outras estrelas próximas no mapa e conferir outros catálogos. (Figura 2 - campo de 0o46').
Notamos na Figura 2 que as estrelas "a" e "b" constam no catálogo GSC e foram observadas. Além delas, os objetos não catalogados estão marcados com um "X". As posições "1" e "2" são de Plutão, respectivamente para as 03:00 TU dos dias 3 e 4 de maio de 2003. O objeto nas posições "1" e "2" também foi observado, porém não havia confirmação de que fosse realmente Plutão.
Durante o dia 3 de maio, uma nova carta foi concebida, dessa vez foi usado o programa SkyCharts 2.75 (de Patrick Chevalley). Este programa permite carregar vários catálogos e os que foram selecionados incluem:
- Tycho 2
- GSC (Vizier)
- USNO-A1.0 (mB), disponível em CD-ROM
- USNO-A1.0 (mV)
A Figura 3 mostra a mesma região da Figura 2, porém com os quatro catálogos ativados.
Verificamos que dois objetos próximos da estrela "b" foram mostrados na nova carta. Essas estrelas estão marcadas como "c" e "d". Os pontos mais próximos das posições de Plutão são estrelas do catálogo USNO-A1.0 com magnitude mais fraca que 16.6 - totalmente além do limite visual do LX50. Para comparação, colocamos um trecho da carta da revista Sky & Telescope, onde verificamos que os editores usaram o catálogo GSC para esta carta.
Na madrugada do dia 4 de maio de 2003, a região voltou a ser observada e dessa vez não houve dúvida quanto a localização de Plutão.
As outras estrelas estão identificadas abaixo:
a = V_GSC 0565700295 m:12.50 = V_USNOA 0750-10714351 m:13.10
b = V_GSC 0565700742 m:13.42 = V_USNOA 0750-10700351 m:14.10
c = V_USNOA 0750-10703244 m:14.80
d = V_USNOA 0750-10704816 m:15.20
AC Oph variável mP 12.3 - 13.9
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Figura 1: região de Nu Serpentis
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Figura 2: plotagem dos objetos
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Figura 3: plotagem mais completa |
Figura 4: trecho do mapa da S&T |
Resumo das observações:
Objeto Data estimativa mag. estr. comparação
Plutão 20030503.323 14.0 139, 141 (GSC)
AC Oph 20030503.335 14.3: 139, 143 (GSC)
Plutão 20030504.166 14.0 139, 141 (GSC)
AC Oph 20030504.173 14.4 139, 143 (GSC)
BIBLIOGRAFIA:
- "Magnificent Cosmos" - edição especial da Scientific American, 1o semestre de 1998.
- CECCHINI,C., "Il Cielo", vol.I, 1952.
- SMITH,E.P. and JACOBS,K.C., "Introductory Astronomy and Astrophysics, Ed. Saunders, 1973.
- Guide 7, ©Project Pluto
- SkyCharts 2.75 (Carte du Ciel), ©Patrick Chevalley