1. Anna Paes
2. Zelisa de Camargo
3. Marcial Salaverry
4. Regina Helena
5. Tania Lemke
6. Natália Vale
7. Tereza da Praia
8. Rose Arouck
9. Nilson Matos Pereira
10. Clevane Pessoa de Araújo Lopes
11. Paola Caumo



1.SOLUÇÕES INQUIETAS
Anna Paes

Ah! Metamorfose que sublima e encanta...
Paradigma...
Estanco em sua presença...
Deslumbro e vislumbro...
Estagnada...
Pacata e louca.
Vazia e plena...
Oca, completamente!
Alimento...
Explosão!
Invasão total.
Transcendência...
Êxtase...
Sede!
Ser...
Existência!
Preenchida!

***

2.MENTE HUMANA
Zelisa de Camargo

A mente humana divaga mundos desconhecidos
Percorre o além e o aquém, o infinito e outras dimensões.
Percorre caminhos nunca trilhados pelo corpo físico.
Caminha em dimensões extra-sensoriais.
Divaga em mundo de sonhos e sons perdidos num além infinitamente longe dos
nossos olhos e percepção.
A mente caminha em busca de sua totalidade, de seu encontro finito, certo,
onde seus sonhos se tornem realidade.
Onde o nosso verdadeiro eu será a imagem verdadeira do deus desconhecido.
Onde seremos como o tempo, sem espaço  para ser, sem tempo para sentir o seu
próprio peso.
Divagando o além encontramos as respostas para todos os nossos falsos atos
de vivência, da incoerência, da falsidade, da torpidez e inércia do nosso
viver.
Nunca nos encontraremos dentro desse falso mundo onde a matéria predomina.
Onde a carne é o êxtase total da vivencia.
E o prazer é a busca desenfreada de sermos corpos unidos em corpos numa
união sem razão de sermos
Apenas sentindo o ato em toda sua extensão.
Buscar o prazer e deixar que o mundo interior viva o seu momento, seu clímax
total, sua interação e integração de almas, não apenas o clímax da carne.
Seria gerarmos vidas sem o conteúdo verdadeiro, sem a busca da verdade, do
infinito, do perdido que um dia será encontrado dentro de cada ato.
A mente cansa de buscar o infinito.
Tornamos parias de nós mesmo, do nosso verdadeiro tempo, do nosso âmago, do
eu que cansa de lamentar o desconhecido, dos passos inertes, cansados, das
mentes estúpidas que não sabem caminhar em busca de si para uma elevação
maior  com o
encontro da unicidade.
Somos o que somos no momento exato, no momento de sermos vidas e gerarmos
vidas.
Somos o que pensamos ser em todos os momentos.
Mas muitas vezes não somos, nada deixamos que mostre nossa vivencia, nossa
passagem pelos caminhos da vida.
Perdemos muito tempo em divagações.
O medo de percorrermos o nosso mundo, o além de nós e que nos entorpece
diante à nossa verdadeira imagem, diante o nosso verdadeiro caminho e vida.
Somos aquilo que o momento nos oferece com toda sua essência, mas muitas
vezes não estamos preparados para vivenciá-los em sua total integridade e
nos perdemos em caminhos do nada e da iniqüidade.
Temos que buscar o maior desenvolvimento de nossa mente, pois os caminhos se
divergem e são infinitos, mas muitas vezes inatingível pela nossa capacidade
de não percepção.
É esvaziarmos de nós mesmos, dos nossos condicionamentos e nos colocarmos
vazios para que possamos receber da existência tudo o que necessitamos para
o nosso engrandecimento e termos uma consciência maior da realidade de todos
os mundos que nos rodeiam, até os inatingíveis.
Mas em nossa mente existe o todo e todas as possibilidades de sermos
íntegros, unos a toda natureza e conhecimentos com suas sabedorias
necessárias para um fluir melhor nesse tempo de transição e renovação.
De todos os conceitos que mudam lentamente para um viver melhor e sermos o
que somos na total integridade de nós mesmos.
Basta abrirmos e deixar fluir. Esvaziarmos para receber. Permitir para que
possamos chegar a interação com o Todo cósmico e suas fluências que só nos
faz o bem.
Abra-se e se permita e deixe acontecer.
Acorde para você mesmo e perceba a sua capacidade total em se fazer a cada
amanhecer e que você pode transmutar tudo. E não permita que os velhos
conceitos venham limitar a sua capacidade de ser total e uno
Com toda a verdade.

***

3.CIÚME PARADIGMA DE AMOR?
Marcial Salaverry

Jamais o ciúme será paradigma de amor,
pois tira dele o valor...
O ciúme é sinal de desconfiança,
com ele o amor balança,
pois amor é calor, é confiança...
O real paradigma o amor é o carinho,
aquele afeto que mostra o caminho
para o amor conquistar,
e o saber vivenciar...
O ciúme é possessividade,
impede a total felicidade,
tirando aquela doce vontade
de ao lado permanecer...
Por ciúme imagina-se intriga,
provoca-se uma briga
que a nada levará...
Perde-se tempo brigando,
quando se poderia estar amando...
Numa ciumenta explosão
levada pela imaginação,
provoca-se uma discussão,
que pode magoar um coração...
Assim pode findar um amor,
que poderia ser vivido com ardor...
Ciúme, paradigma de amor?
Jamais poderá sê-lo,
Pois o ciúme é paradigma da dor...

***

4.FUJO DO PADRÃO
Regina Helena

Quem me dera ser estrela
Não de televisão, nem de teatro,
Queria ser aquela que brilha,
Nas noites sem lua.
Se me fosse permitido a escolha,
Era a menor delas que queria,
Para mostra para todo mundo,
Que não importa o tamanho,
O que vale é seu calor e brilho.
Se na terra a solidão existe,
No universo não é paradigma,
Todas são tão juntinhas e lindas,
Parecendo miosótis nas campinas,
Igual ao azul de seu olhar.

15/06/2004
www.reginahelena.com.br

***

5. PARADIGMA
Tania Lemke

Amor real,
Franco,
Leal,
Branco!
Da inimizade
Liberto!
De confiança,
Coberto!
Paradigma
Do relacionamento ideal...
Sem estigma...
Nosso amor...
Etéreo e carnal!


14/06/04

***

6.PARADIGMA DA VIDA
Natália Vale

É sempre um paradigma
Que a vida nos trás
Paradigma inconstante
Que não nos dá a Paz.

Por isso digo e desdigo,
Os versos que escrevo
Mas não consigo
Desdizer a poesia,
A luz que me ilumina
Todo o dia,
Sempre sob este paradigma...

E que também de noite
Me fulmina
E me recria.

Porttugal, 16.06.2004

***

7.TEMPOS MODERNOS
Tereza da Praia

A civilização tecnológica está em crise,
O ser humano está desumanizado.
A promessa dourada de felicidade, um deslize,
Não passou de uma mera falácia autorizada.

Das ciências naturais, a racionalidade
Só trouxe ao homem maior infelicidade
Aumento do consumo e das desigualdades.
Hipocrisia social e falta de verdade.

Fez-se em miragem a fraternidade
O Homem ficou mais separado homem,
Distanciado da natureza, da bondade
Perdido em si mesmo, vê só seu abdômen.

A dúvida é a tônica, é toda a certeza.
O princípio vigente é a divisão do todo.
A separação de tudo em partes sem defesa
Criação de classes, castas , um engodo.

Tempos duros de segregação
Do homem por raça, credo,
Pensamento, cor e nação.
Nada escapa aos rótulos do medo.

 Nem o amor do rótulo escapou.
Tem amor verdadeiro, amor bandido
Amor mentiroso, amor que não gorou
Amor vivido, amor com qualificador.

Assim vai caminhando a humanidade.
Não perco a esperança, não me desespero
Pois vejo vir vindo no vento, algo de verdade
um novo tempo, novos caminhos , algo sincero.

Tempo de mudança. Não ao modelo obsoleto
Que trouxe dor, guerra, miséria e pobreza.
Novos dias, mundo novo, nova paz prevejo
No homem um coração com mais pureza.

Tudo se faz novo. Tudo é renovação.
Outros limites, outras definições.
Nas relações interpessoais revoluções
Mudanças nos conceitos, evolução.

Estagnar é não aceitar a mudança
Sou mutável, sou mutante,
Metamorfose ambulante
Quero é festejar o novo numa dança.

Não perca o bonde da história
Perca-se neste fantástico turbilhão
Faça tudo o que pedir seu coração
Dá-me a mão, solte o grito de alegria.
É hora dos homens se tornarem irmãos.

Tereza da Praia
Série: Vadiação da Alma indecente.

***


8.MINHA LÍNGUA MORFA
Rose Arouck

Há um paradigma em minha língua morfa,
Quando soletro os ínfimos módulos da razão;
Querendo atingir os pícaros dos esfaimados sopros
Que afugentam a sensatez pela emoção.
Decaio em letras erguendo momentos meros,
Que prendo hermético, no milímetro, a decompor
Sendo o que digo pronúncias de cunho etéricos,
soltado imberbes em letras por onde eu for.
Assim formo consciente, em frases,
As derrocadas dos verbos a proferir,
Cujos silentes atos regozijo em crases
Perfilando-os em retas para não ferir.
Como um ferrão de uma abelha mestra,
Que oscula o último golpe que produz,
Eu dissemino com a forma adestra,
A dissonância que transforma a luz.
Perdão não tenho se violo e faço
Da alegoria palavra sem sentido,
Ou num relapso cometo erros crassos
Na poesia cujo tema em vão suicido

SÃO PAULO, 18/06/2004

***

9.PARADOXO
Nilson Matos Pereira

Antes de ti, amor não conhecia
Tampouco a dor bateu no peito meu
No meu viver reinava a alegria
Havia paz, pois eu desconhecia
O sentimento que de ti nasceu

Tu foste a luz fulgente do destino
A guia estrela em céu interior
Deixei de ser proscrito peregrino
Fiz-me poeta que cantava o hino
Desse milagre que se chama amor

Depois de ti,  perdi-me na saudade
E mergulhei no mundo das andanças
Restou somente o fel dessa maldade
Sumiu a fantasia e a verdade
Jogou-me ao desespero das lembranças

Araranguá, 18/06/04

***

10. O PARADIGMA MAIS PERFEITO...
Clevane Pessoa de Araújo Lopes

O paradigma mais perfeito,
desses para o qual o único jeito
de provar ao mundo que existe,
é praticá-lo sempre,
a cada momento,
para mim,
é amar incondicionalmente,
seja qual for o objeto de desejo:
amar "apesar de", não "porque"...
Todos os seres, por piores
que possam ser,
podem provocar,
da mesma forma que os melhores,
expressões de amor...

O Amor enrosca-se em arabescos,
multiforme, a trans/formar-se
de tudo e de nada,
a debuxar, quais as nuvens,
aquilo que o imaginário e o real
precisam para nos dar
todas as sensações vitais...
Amando,
sentimos  a vida
pulsátil,retrátil,
propulsora, motivadora...
Quando o AMOR acontece,
sentimos
paz e inquietação,
medo e coragem,
pranto e sorrisos,
certeza e insegurança...
E assim é que nos sentimos
de fato vivos...

O maior dos paradigmas
é  pois,amar incondicionalmente
para entender o Outro, sempre...

***

11.PARADIGMA
Paola Caumo

Por quê?

Por que é assim o soneto:
duas quadras e dois tercetos?

Por que não o contrário?
Por que nenhum verso solitário?

Por que a sílaba métrica,
o ritmo, a rima?

Paradigma.

18/06/2004

***



 
Arte visual e montagem: Tania Lemke
Som On line: kenny_g_the_wedding_song.mid
 
 
 
 

 

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