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Domingo, Novembro 30, 2003
.:: presentes natalinos-3
A LIBERDADE DO SABER
dai ao homem a força do saber
que rompe dos céus e quebra a dura ignorância.
dai ao homem o poder que destrói os grilhões
da escravidão do seu próprio eu.
dai ao homem a liberdade da compreensão
e o domínio das letras.
para que possa um dia sentir o prazer
de interpretar o amor, o poema e a canção.
dai-lhe o dom de conhecer a si mesmo...
Por Ery Roberto |
11:46 AM
.:: futebol
O RETORN0 À ELITE
Mais do que apenas um título, o PALMEIRAS resgatou ontem a condição de lisura do futebol brasileiro. Após ter sido rebaixado para a segunda divisão, em 2002, cumpriu memorável campanha em 2003 e sagrou-se campeão, disputando um verdadeiro "amistoso" contra o BOTAFOGO-Rio (4x1), já que ambos tinham garantido o acesso por antecipação.
O título do verdão e o vice-campeonato do alvinegro carioca têm um significado especial. Além da demonstração de seus dirigentes quanto ao respeito e cumprimento das regras, já que em outras temporadas assistimos às abomináveis VIRADAS DE MESA da CBF quando um grande clube era rebaixado, ambos deram um belo exemplo de esportividade e respeito ao público torcedor.
Uma prova que os grandes um dia podem cair, mas que o momento seguinte lhes confere a glória de voltar ao seu verdadeiro lugar. É assim em qualquer circunstância da vida, o que exige apenas assimilação dos erros e trabalho sério na superação dos obstáculos. Acima tudo a lição do aprendizado.
Parabéns aos palmeirenses e botafoguenses.
Por Ery Roberto |
11:39 AM
Sábado, Novembro 29, 2003
.:: presentes natalinos-2
OS AGUARDADOS FRUTOS
 Foto: Alexandre Sant´Anna
doce fruto divino
a fome humana desfaz
qual ventre rejeita o menino
que é chama de quem o faz?
a terra que produz
a mulher que procria
o homem que semeia
a criança que vê a luz
na seara da boa vontade
não nascem metades
o filho embalado no amor
sente paz no sorriso louvor
Por Ery Roberto |
5:42 PM
.:: ética editorial
O MAU EXEMPLO DA VEJA
Este mundo blogueiro, povoado por uma multiplicidade infinita de bons pensadores, brinda-nos constantemente com histórias fantásticas. Alguns blogueiros tem a capacidade nata de traduzir seus sentimentos, expressando-os da forma mais autêntica sem abrir mão da simplicidade e da linguagem clara, praticada em gramática sem reparos, o que torna seus textos algo enternecedor e inesquecível. Passam, com todas as "tintas", uma reprodução do seu cenário interior, o que permite uma exposição ampla do que levam na alma e no coração.
Para poder dar aos seus blogleitores a exata noção daquilo que não seja da sua autoria, como um cógido de ética que não foi necessário nenhuma norma ou alguém estabelecer, a maioria faz questão de citar a fonte, registrando o devido crédito daquilo que reproduz.
Espanta-nos comportamentos de certos órgãos da grande imprensa, como o adotado recentemente pela Revista VEJA/São Paulo. Em reportagem intitulada DIÁRIOS NA WEB, fez alusão a uma frase da lavra da Bianca (Bia) - PENSAMENTOS IMPERFEITOS - uma curitibana que publica belíssimos pensamentos retirados da sua história de vida, sem fazer nenhuma alusão a essa autoria.
Um mau exemplo que parece ter sido arquitetado com artifício de inverter resultados, ou seja, ao invés do Blog e sua autora ganharem o merecido destaque, apostaram na possibilidade real da revista ser citada no Diário, o que efetivamente ocorreu, mas produzindo um resultado, para nós blogueiros, como um "tiro que saiu pela culatra".
Bia postou: "O bacana nisso tudo não é o fato de um renomado escritor de telenovelas ter gasto seu tempo lendo meus pensamentos imperfeitos. Não...
O bacana mesmo, é que apesar de não ter citado meu nome e o do blog (ele citou o dos outros), pessoas reconheceram a frase como sendo de minha autoria, e sabiam que ele estava falando de mim. Isso sim foi extremamente gratificante.
Sei que agradecer acabou virando um hábito. Mas gosto de cultivá-lo.
E por isso agradeço uma vez mais, as pequenas porções de cuidado e carinho que me são dispensadas, todos os dias por aqui.".
Por Ery Roberto |
5:23 PM
.:: pensamento
O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
[Fernando Pessoa]
Por Ery Roberto |
4:45 PM
Sexta-feira, Novembro 28, 2003
Dezembro está chegando e a cidade já respira o Natal. As luzes típicas se acendem nas árvores, fachadas, shoppings e nas ruas. O espírito festivo se instala em todas as pessoas. Começa o corre-corre.
Mas qual será mesmo o verdadeiro espírito do Natal? Penso muito a respeito desta fase do ano, pois não gosto da intensa agitação que toma conta das pessoas, principalmente da tendência de prática do "consumismo".
Foi pensando nisto que resolvi escrever uma série que intitulei de PRESENTES NATALINOS. A partir de hoje, até o dia 25 de dezembro, sempre que for presenteado com a inspiração, fundirei imagens e comporei versos e prosas, na tentativa de definir o que penso sejam os verdadeiros presentes da mais alta condizência com as necessidades humanas. Esteja à vontade para usá-los em seus cartões de mensagens aos seus parentes e amigos.
.:: presentes natalinos-I
A SINFONIA DO UNIVERSO
entre sustenidos, semibreves e pausas,
uma rosa, uma luz,
um gesto que dita o ritmo
regendo o espaço
tudo como se fosse
incenso,
ouro,
mirra...
Por Ery Roberto |
8:47 PM
.:: prece
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor.
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
Que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade...
também
Por Ery Roberto |
6:33 PM
Quinta-feira, Novembro 27, 2003
.:: mpb
Através do IBEST fiquei conhecendo um projeto muito interessante, o
Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Contém um bom banco de informações, fruto do levantamento de significativa relação de compositores, intérpretes, instrumentistas, maestros e arranjadores, conjuntos e grupos, produtores e animadores culturais, além de ritmos, movimentos, associações e instrumentos. Aborda biografia, dados artísticos, obra, discografia, shows e críticas. O trabalho é uma das finalidades do Instituto Cultural Cravo Albin, sociedade civil sem fins lucrativos, com sede no Rio de Janeiro, criada em 2001 para promover e incentivar atividades de caráter cultural no campo da pesquisa.
Um trabalho maravilha e que pode ficar ainda melhor, pois nunca será uma obra acabada dado o caráter de criação dinâmica da música. Ótimo recurso de busca para quem aprecia todas as vertentes da nossa música. Aceita sugestões e o internauta pode participar da construção do dicionário com novas informações, críticas e sugestões. O clique vale a pena.
Falando no IBEST, você já votou pra mim? É fácil e rapidinho. Não dói nada e ainda ganha um e-mail novo e, se a sorte flertar com seus lindos olhos, poderá faturar uns brindes. CLIQUE JÁ e ajude a botar mais querosene neste meu teco-teco. Obrigado!
Por Ery Roberto |
7:50 PM
.:: culinária
Ingredientes:
- 1kg de peito de frango sem osso
- 4 dentes de alho socados
- 1 copo de vinho branco seco (300ml)
- 1 colher de sopa de suco de limão
- Sal
- 1 cebola ralada (100g)
- 2 colheres de sopa de margarina (24g)
- 2 colheres de sopa de catchup (20g)
- 1 colher de sopa de molho inglês (15ml)
- 1 copo de leite (300ml)
- 1 colher de chá de mostarda (12g)
- 1 copo de requeijão cremoso (250g)
- 1 colher de sopa de maisena (10g)
- 2 xícaras de batata palha
Modo de Preparo:
Corte o peito de frango em cubos pequenos e tempere com alho socado, sal, limão e vinho branco. Deixe no tempero por 30 minutos. Refogue a cebola na margarina e coloque a carne com os temperos. Cubra com um pouco de água, tampe e deixe cozinhar por aproximadamente 20 minutos, até ficar macio. Retire o frango e coe o caldo. Coloque catchup, molho inglês e mostarda no caldo e deixe ferver. Dissolva a maisena em um copo de leite, acrescente e mexa bem até engrossar. No molho já engrossado, adicione o frango reservado e requeijão, misture bem e coloque num refratário. Cubra com batata palha. Esquente no forno quando servir. Rende 6 porções.
Enquanto preparei eu degustei um aperitivo feito com uma dose de Campari, bastante gelo picado e soda limonada, batido em coqueteleira. Depois rolou um bom vinho rosé. Mas estas "koisinhas" do enquanto você faz e do enquanto você come ficam a critério do gosto de cada um.
Bom apetite!
Por Ery Roberto |
6:08 PM
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
.:: idéias
Todo uno tem seu duplo. Mas nem sempre é seu oposto. Às vezes, a vida é um jogo de espelhos. Que duplica a imagem. Mas não necessariamente a essência. O que vai dentro está além das aparências. Elas enganam. Estão sempre numa gangorra. Simétricas. Se desencontrando num sobe-e-desce. Paralelas, talvez se encontrem no infinito. Ou não.
Revista Caderno de Idéias - Número 04, Outubro 2003 - Travessa dos Editores - Curitiba
Por Ery Roberto |
6:46 PM
Terça-feira, Novembro 25, 2003
.:: momento poético
Há dores que imolam o consciente,
Alistam-nos para luta sem glória:
Curar o mal de tão evidente
Incompreensão da própria história.
Há dores que levam à morte
Depois de provar-nos sem piedade.
Deixamos escrita uma página sem sorte,
Lamentos insanos a negar eternidade.
Mas há dores que dão vidas,
Terna compreensão do dom renovador.
Por mais que permeiem outras lidas
Fazem-nos levitar e viver por amor!
Por Ery Roberto |
6:35 PM
.:: superação
MULHERES DE PEITO
Ontem fiz uma pausa nas coisas rotineiras do meu dia e fui pagar uma dívida. Tinha certeza que viver um pouquinho do astral surpreendente de uma amiga de tantos anos seria maior e mais gratificante do que o próprio pagamento da visita prometida.
O tempo convivido na mesma empresa, com um trabalho importante realizado junto por quase duas décadas, a identificação marcada pelo mesmo signo e o sentimento de coleguismo que plantamos dentro de nós, somado às nossas crenças, respeito mútuo e admiração, permitiram, através da saudade, termos esperança num reencontro emocionado depois de quase oito anos.
Já tinha conhecimento de algumas situações de dificuldades durante o decorrer de parte da sua vida. Coisas normais, típicas das relações, dos desencontros da existência. Problemas comuns que são suportados e resolvidos com praticidade, embora o custo emocional e a obrigatoriedade de mudanças não esperadas exijam coragem e constância.
O que interessa contar, porém, é sobre a propulsão sentida em estar neste reencontro tão feliz. É quase inacreditável a energia positiva que irradia essa pessoa querida, após a experiência da descoberta e tratamento do câncer de mama. Sem qualquer seqüela emotiva, depois das cirurgias, das cargas quimioterápicas a que se sujeitou, ela é um símbolo de vitória.
Pensa e age, mais do que sempre, como uma guerreira. Fez dos momentos mais críticos do tratamento uma oportunidade de ser nova pessoa, outra mulher. Criou com isto raros momentos de beleza e felicidade. Refez-se espiritualmente e seu sorriso é mais vibrante, colorido, energético, porém sem prescindir da velha autenticidade que há tanto tempo tornou-se uma marca pessoal.
Está feliz com seu trabalho, mudou para melhor, gosta do que faz. Esqueceu as passagens mais duras e até demonstra ter sido com elas que conseguiu recarregar as baterias do ânimo. Mais importante ainda, continua tendo prazer pela vida, passou a conviver com a arte. Está passando um momento muito especial com os bons filhos que tem e adora a presença dos amigos, sem mostrar qualquer inibição. Freqüenta círculos diversificados e passa uma leveza e naturalidade só típica dos espíritos mais evoluídos.
É uma pessoa doce, vestida da força leonina dos verdadeiros guerreiros vitoriosos. Fiquei pensando muito nesta capacidade interior, sobre esta mágica virtude de superação, do poder que detém sobre a vida, por querer vivê-la. Não restaram dúvidas, é próprio das pessoas que aqui estão para servirem de modelo, justo por assimilarem de forma concreta, racional, sua missão no espaço terreno.
Saí renovado da sua bela e aconchegante residência. Depois de um delicioso café, apesar da tarde de intenso calor, voltei debaixo de um temporal. Foi engraçado. Andei a pé e me senti menino. Não dancei, embora tivesse sentido vontade, mas juro que me peguei "cantando na chuva".
No último fim de semana eu havia pensado em procurar tomar uns passes para aliviar algumas cargas recentes que insistem em não desatar. Esta querida amiga me passou a sensação de ter ensinado (e eu apreendido!) o jeitinho de soltar os nós. Estou renovado!
Faço deste texto uma sincera homenagem a todas as mulheres que tiveram a mesma garra, transformando-a no poder inabalável para, como minha amiga, lutar pela vida, dar exemplos e vencer o câncer de mama. Mulheres assim carregam dentro de si a certeza que seu ontem é apenas uma história. Que pelo amanhã ser um mistério, preocupam-se em viver a dádiva do hoje. E por ser dádiva, comemoram o seu merecido presente - o dom de se superar e viver intensamente.
Por Ery Roberto |
5:36 PM
Segunda-feira, Novembro 24, 2003
.:: justiça
EXIGIR MUDANÇAS É DEVER
No dia 25/03/2003, uma garota de 15 anos morreu assassinada no metrô do Rio de Janeiro por um criminoso condenado, que aproveitando as brechas da lei estava em liberdade cometendo outro crime na ocasião.
Neste mês de novembro, acompanhamos a morte brutal de um casal de namorados no interior de São Paulo, encabeçada por um menor de idade (16 anos), que já era conhecido pelas suas barbáries na sua região, autor de vários crimes porém inimputáveis (ou seja, aquele que não pode ser condenado por não ter idade suficiente). Ainda que a minoridade penal fosse aprovada hoje, o fato é que ele não poderia ser condenado.
E muitos outros casos acontecem dia-a-dia sem maiores publicidades. A verdade é que não podemos nos deixar levar pela violenta emoção. Porém temos que mudar a lei penal e o processo.
Quem conseguir se sensibilizar por esses fatos, pode repassar a informação que já existe um site www.gabrielasoudapaz.org em que podemos preencher um abaixo assinado (demora uns 15 segundos), exigindo essas mudanças. Com 1.000.000 (um milhão) de assinaturas de 5 estados diferentes, o abaixo assinado torna-se um projeto de lei que deve ir a votação no Congresso Nacional.
Por favor participem.
Por Ery Roberto |
10:45 PM
Domingo, Novembro 23, 2003
.:: música
A PAIXÃO (SEGUNDO NICOLAU DA VIOLA)
Confesso que ainda não havia mergulhado com profundidade nos mares da canção portuguesa, mas neste final de semana, por incentivo de uma amigona, daquelas que não usa a internet apenas na busca de coisas fúteis, descobri o compositor e intérprete lusitano, RUI VELOSO. Além de composições excelentes, sua virtuosidade instrumental produz música da mais alta qualidade.
Rui nasceu em Lisboa em 1957 e aos três meses de idade mudou-se para o Porto. Sua iniciação musical aconteceu aos seis anos aprendendo a tocar harmônica e aos quinze começou a tocar guitarra. Tem nos blues e músicos como Eric Clapton, John Mayall e B. B. King, suas principais influências.
Desde 1980, ano em que gravou seu primeiro trabalho Ar de rock, que gerou o primeiro fenômeno em grande escala de uma nova geração de ouvintes e compradores de discos com um som pop/rock feito e cantado em português, até o single O Concerto Acústico Nunca Me Esqueci de Ti, neste ano, Rui Veloso contabiliza dezenove álbuns de música de excelente qualidade, onde estão inclusos hits maravilhosos que exploram a temática do sentimento, numa fantástica descrição dos caminhos do amor.
Particularmente, uma canção me tocou muito, pois contém uma frase de efeito que sempre procurei. Trata-se de algo que me traduz, de forma incontestável, certa condição (absolutamente si ne qua non) que conta demais para a convivência com alguém em momentos que nos transportam além da alma, através da música.
A mim, dizer contigo aprendi uma grande lição / não se ama alguém que não ouve a mesma canção, é uma exigência que o convívio seja, antes de tudo, falado na mesma língua. Fantástico!
Esta música está no CD O Melhor de Rui Veloso 20 anos depois - 2000.
Em A Paixão, Rui faz voz, harmônica e piano.
Veja a letra:
A Paixão (Segundo Nicolau Da Viola)
Carlos Tê / Rui Veloso
Tu eras aquela que eu mais queria
para me dar algum conforto e companhia
era só contigo que eu sonhava andar
para todo o lado e até quem sabe ? Talvez casar
Aí o que eu passei só por te amar
a saliva que eu gastei para te mudar
mas esse teu mundo era mais forte do que eu
e nem com a força da música ele se moveu
(Refrão)
Mesmo sabendo que não gostavas
empenhei o meu anel de rubi
para te levar ao concerto
que havia no rivoli
Era só a ti que eu mais queria
ao meu lado no concerto nesse dia
juntos no escuro de mão dada a ouvir
aquela música maluca sempre a subir
Mas tu não ficaste nem meia-hora
não fizeste um esforço para gostar e foste embora
contigo aprendi uma grande lição
não se ama alguém que não ouve a mesma canção
(Refrão)
Foi nesse dia que percebi
nada mais por nós havia a fazer
a minha paixão por ti era um lume
que não tinha mais lenha por onde arder
Por Ery Roberto |
5:38 PM
Sexta-feira, Novembro 21, 2003
.:: gênesis
DEUS, NA SEGUNDA-FEIRA, CRIOU CURITIBA...
(Pelo menos assim pensam os curitibanos.)
Com parques, praças, muito topete e gente devagar no trânsito.
E a achou monótona e na terça-feira criou o inverno, com sua brancura, lareira e um bom vinho. Talvez para os curitibanos se acharem europeus. Mas o achou frio e na quarta-feira criou a primavera, florida e colorida para enfeitar os parques e praças dos europeus, digo curitibanos. Mas Deus a achou bucólica demais e na quinta-feira criou o verão, alegre e saudável para fazer os curitibanos sorrirem. Mas o achou seco demais e na sexta-feira criou o outono, farto e ameno para se confortarem. E Deus achou tudo muito distante, e no sábado misturou tudo: fez o inverno, a primavera, o verão e o outono reinarem em Curitiba, para que tudo tivesse seu tempo e sua vida. E no domingo Deus descansou... na verdade caiu de cama, pois não sabia que tinha acabado de criar a gripe e o resfriado.
Enfim, nem tudo é perfeito!
Por Ery Roberto |
5:00 PM
Quinta-feira, Novembro 20, 2003
.:: jogo de malas
DOSE DUPLA
A safra anda fértil. Nesta semana tive que sair do convencional e diante da dificuldade em escolher o pior, resolvi "premiar" dois malas. Aliás, uma dupla de peso.
O primeiro é Parreira. Um dia este cara poderá até dar uma nova Copa do Mundo ao Brasil, mas que atravessa, hoje, uma fase horrível, não tenho a menor dúvida. O empate de ontem (3x3), aqui em Curitiba, contra o Uruguai, que chegou a virar o jogo depois de estar perdendo por 2x0, bem reflete a carência tática da seleção sob seu comando. Parreira é mala por natureza, por ser teimoso, por ser previsível demais em suas substituições (até os técnicos adversários já sabem o que ele vai fazer a cada partida), por ser pedante e nada criativo. A seleção virou uma mesmice, sem qualquer repente de brilho que possa empolgar aos menos exigentes.
Se ao invés de entregar a gloriosa camisa amarela a meia dúzia de incompetentes tivesse convocado, como base a equipe do Cruzeiro, o melhor time do Brasil, virtual campeão de 2003, teria feito melhor papel nas duas últimas partidas. A continuar assim, preparem-se para babar de raiva em 2004, na seqüência destas eliminatórias.
O outro mala é Hebe Camargo. Esta senhora acha que seu programa, no SBT (outra vez!), é a sala de estar da sua casa. E fala tantas bobagens como se o público brasileiro fosse criança que ainda não aprendeu a raciocinar. Pior, que o país é uma terra sem leis. A declaração dada no programa da última segunda-feira (17), veja abaixo, foi uma verdadeira apologia ao crime. Não estou aqui para defender bandidos, tenham eles a idade que tiverem, mas numa sociedade onde as pessoas já não acreditam na eficiência de nenhum poder instituído, pregar o "olho-por-olho" é, no mínimo, falta de comprometimento com a coerência e contribuição eficaz para insuflar, ainda mais, a violência.
Todas as declarações dos pais dos jovens assassinados, foram da mais alta ponderação e até isentos de sentimentalismos exacerbados que os levassem a dizer impropérios. E são pessoas humildes, que confiam na justiça. Hebe não. Do alto do seu pretenso poder em "formar opinião coerente", plantou uma horta de "abobrinhas".
Parabéns ao Poder Público Estadual de São Paulo que despachou imediatamente pela análise do VT do programa para estudar as declarações. Pode nada acontecer, mas é salutar que as pessoas lembrem duas coisas: uma que não é a primeira vez que Hebe vai além das tamancas em suas declarações públicas; a outra, o fato do SBT ter se tornado a maior inconseqüência da televisão no Brasil.
Eis o que ela disse:
"Ele é tão monstro que fez o delegado chorar. (...) Ai, se eu pudesse fazer uma entrevista com o Xampinha...", "Ele iria virar linguiça. (...) Viu Xampinha? Eu vou fazer uma entrevista com você, vou mesmo. Se me deixarem, eu vou, mas eu vou armada. Eu saio de lá e vou para a cadeia. Mas ele não fica vivo."
Por Ery Roberto |
7:18 PM
Quarta-feira, Novembro 19, 2003
reflexão
ALMA PERFUMADA
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro.
Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia.
autor desconhecido
Por Ery Roberto |
10:03 PM
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
.:: relacionamentos
A GERAÇÃO TRIBALISTA
 "Os Amantes" (1928), de Magritte, exposta no Museu Magritte, em Bruxelas
Mais do que uma simples onda, ou até mesmo um certo status de costume que possa sobreviver por um período bem maior, a tendência de ter diversas pessoas ao mesmo tempo, sem qualquer compromisso, virou uma prática comum aos olhos e sentimentos de muita gente, se é que há algum sentimento envolvido.
Esse tipo de relação funciona sem o mínimo de cobrança e responsabilidade. Ter hoje uma pessoa, amanhã outra e depois outra, por vezes fechando um círculo que se renova naturalmente, sem qualquer problema de consentimentos, praticando dentro de cada uma dessas relações comportamentos típicos de outra comum, monogâmica, como o beijo, o sexo, sem que haja qualquer constrangimento das outras partes é algo merecedor de análise.
Primeiro porque quem acha que tem todo(a)s na verdade não tem ninguém. E o fato de parecer de somenos importância não ter hoje a presença da "relação da vez", pois haverá sempre um(a) plantonista pronto(a) para o atendimento emergencial, é coisa que faz os mais ortodoxos sairem do chão.
O que se estabelece como preocupação não é tentar entender se este comportamento seja ou não produto do processo evolutivo, mas sim, como qualquer iniciativa séria na vida, tentar projetar o que fazer com o futuro. Será que no momento que efetivamente precisarmos de alguém, por circunstâncias amplamente conhecidas como a doença, a velhice, as insuficiências, seremos capazes de poder sentir que o tal consentimento e irresponsabilidade seja capaz de se transformar em amor?
O tema é intrigante. E é preciso saber discorrer a respeito.
Recebi um e-mail que trata do assunto, com crédito de autoria consignado a alguém que sabe criticar costumes. Como normalmente faço, tentei checar a veracidade deste crédito, mas infelizmente não obtive a confirmação. De qualquer forma, independente do texto ser mesmo da autoria crítica de Arnaldo Jabour, vale a pena navegar pelas frases que formam um contexto ideológico de suprema autenticidade. Leia na íntegra.
Por Ery Roberto |
12:44 AM
Sábado, Novembro 15, 2003
.:: tradição
CALENDÁRIOS PIRELLI
Quem não lembra de um dia ter parado numa dessas oficinas mecânicas ou borracharias de bairro ou de beira de estrada e ter visto um calendário ousado, que exibe beldades em poses eróticas? Apesar desta publicação se tratar de estratégia de marketing antiguíssima, o crédito do pioneirismo nessa edição pertence a Pirelli.
O primeiro calendário, surgido em 1963, teve tanta aceitação que fez a fábrica pensar em melhorar cada vez mais sua produção, com destaque especial para a escolha dos fotógrafos, modelos, cenário e estilo de fotografia. Esta peça acabou virando coqueluche, verdadeiro objeto de desejos para muitos clientes e colecionadores.
Neste ano, em Londres, no dia 12 de novembro, a Pirelli lançou o seu Calendário 2004, completando 40 anos de existência. Uma experiência que deu certo e marcou época. A nova versão, extremamente inovadora, tem nas fotos a assinatura do mundialmente conhecido fotógrafo inglês Nick Knight. Uma verdadeira obra de arte que criou um diferencial pelo aspecto como foi tratada a sexualidade feminina, num clima de fantasia, design abstrato e mágico. Os tons vibrantes acentuam imagens que foram tratadas como esculturas surgidas de um casamento entre a fotografia tradicional e os recursos da arte digital.
O direito de divulgação das imagens do Calendário Pierelli 2004 foi reservado a MSN® (Microsoft Corporation), o que não me deixa em condição de mostrá-las aqui por questão ética. Consegui apenas uma que me foi remetida por um amigo a partir do site do UOL.
Vale a pena uma espiadinha nessa obra de arte. CLIQUE AQUI para ver o Calendário com todas as fotos.
Por Ery Roberto |
7:47 PM
Quinta-feira, Novembro 13, 2003
.:: arte
CORES II
 www.leilapasinato.com.br
Para quem aprecia a diversificação, com o uso de várias técnicas e texturas para expor idéias, vale a pena conhecer o trabalho da Leila Mara Pasinato. A mostra, que está sendo inaugurada hoje à noite, ficará disponível até o final do mês de novembro. Se você reside ou está passando por Curitiba, arrisque uma ida ao BUTIKIN´S - esquina das ruas Brasílio Itiberê e Nunes Machado, no Rebouças, bem pertinho do Centro. O estacionamento é fácil. Ainda aproveita e toma uma cervejinha super gelada, sempre ao som da boa música brasileira.
Por Ery Roberto |
8:47 PM
.:: sociedade
OS PODRES PILARES DO REINO
"A mentira mais contundente não é aquela da qual pensamos tirar proveito de certo alguém, mas sim a que se volta imediatamente contra nós próprios. Esta obriga a sermos seus servos, daí nos fazendo reféns de uma fantasia que priva da autenticidade para muitos, em nome da falsa coerência com a mesma mentira."
Estou voltando ao assunto do último post por ser preciso. Novas informações sobre a tragédia me encheram de indignação, mas permito-me apenas abordar a questão da mentira.
Pensei, o que leva um jovem a mentir sempre? Alguns, e isto, lógico, não é recurso indigno que afeta só a juventude, fazem da sua mentira a própria realidade da vida, ou seja, tem-na tão arraigada em seu modus vivendi, que passam mesmo a acreditar na própria falsidade. E crença é prática constante.
Antes, fiz alusão do lado da formação educacional do jovem. A verdade é que nossos filhos estão entregues a uma instituição mentirosa hoje em dia. As escolas fingem que ensinam e eles fingem que aprendem. Nós, sem podermos fingir, pagamos! Entra governo, sai governo e as promessas apenas se renovam, isto é, as transformações no sistema educacional, como prioridade, ficam apenas no marketing político, feito com a utilização de um dos cinco dedos da mão. O Estado mente ao povo, engana os professores que, por conseguinte, despejam sua ira num magistério sem qualquer excelência.
Por que e como disciplinar um sistema em completa ruína?
Alguém vai dizer, e nunca sem razão, que o educar não é competência exclusiva da escola e sim uma soma, uma atuação conjugada de pais e mestres. Absolutamente claro e elementar, meu caro Watson! Esta abordagem é a face mais importante do problema. Os pais de hoje estão "engulidos" pela vontade dos filhos. A particularidade do certo "relaxo" com a educação familiar tem outros ingredientes. Um deles, talvez o mais poderoso, é a pregação neo-liberal da Psicologia, relativamente a forma do exercício da autoridade dentro do lar. Um discurso que, justificado pela evolução dos relacionamentos, minou tanto a autoridade paterna a ponto de transformá-la em algo meramente decorativo, pró-forma. Foi como negar em absoluto todo um sistema praticado por tantas gerações anteriores, passando-lhe uma borracha sobre a metodologia, qualidade e resultados práticos.
Enquanto isto persiste, assistimos nós, os pais, ao crescimento da violência, do tráfico, da dependência química e usurpação dos costumes. As escolas, muitas, já se transformaram em quartéis da bandidagem.
Ouvi de uma amiga, com bom conhecimento sobre a atuação da Psicologia neste campo, que já há sinais de certa preocupação da ciência sobre a aplicabilidade da teoria em voga. Há, pelo menos, um início de questionamento que poderá até chegar a um mea culpa. Pode ser um bom começo para as correções que se fazem tão necessárias.
Claro que ninguém vai voltar a "dobrar o cinto" e sair por aí surrando os filhos, mas é urgente rever conceitos que visem recuperar a autoridade da educação. De outro ângulo, os eventuais distúrbios poderiam ser tratados sobre a forma do Direito. Fazer coisas erradas usando a mentira como background me parece coisa a ser pensada como "delito familiar", e, portanto, passível de sansões como se a família tivesse sido atingida, em modo idêntico ao que se vê na sociedade em âmbito maior quando um delito a denigre e expõe.
"Meu recado e minha raiva não são para quem cometeu o crime diretamente, mas para quem o comete indiretamente, que é o nosso poder instituído e inoperante, que deixa livre uma pessoa como ele, que já era criminoso. (...) Porque ele tem 16 anos não pode ter a foto e o nome nos jornais? Eu, você, todo cidadão tem o direito de saber com quem está cruzando na rua.", é afirmativa do pai da garota assassinada.
Já pensaram se as mudanças começassem dentro de casa? Se a cada mentira que descobríssemos dos nossos filhos aplicássemos a punição devida? Assim como um próximo final de semana sem sair de casa... ou a desinstalação do drive de CD, ou do próprio PC... a privação da companhia de certos amigos... Melhor ainda se puséssemos tratar as reincidências com "castigos" cada vez mais cumulativos. Todavia isto merece análise com cuidados de diversas naturezas, como a psico-social, aderência progressiva das pessoas, organização através da integração com uma escola séria e os demais segmentos envolvidos, caso inclusive da Igreja, pois esta já virou "museu" para a maior parte da adolescência e juventude. Para usar a linguagem da internet, a Igreja precisa trocar seu domínio, passando de "ponto com" para "ponto org".
O contexto se amplia para a televisão, que hoje é descaradamente instrumento de fórmula nociva, que só contribui para a deseducação, via apologia do ridículo, da enganação, da libertinagem sexual e da própria mentira. Ou alguém já esqueceu os "Gugus", os "Ratinhos", as "Xuxas" e outros menos cotados?
Sempre acreditei que o "reino da educação" tem pilares que se fundamentalizam de importância crescente nos tempos modernos. A família, a escola, a polícia, os meios de comunicação de massa (como a TV e a internet), a ciência em seu papel formador e desenvolvimentista, estão necessitados de revisão de conceitos.
Tenho coragem para afirmar que todos estes pilares estão podres. Se nada for feito urgente, o reino não demora a desabar.
Afinal, também já há filhos matando os pais. Outros estão doentes de desgosto. E a grande maioria, impotentes...
Desculpem o tamanho do texto, impróprio para Blogs, mas ele é proporcional ao meu inconformismo e indignação.
Por Ery Roberto |
2:59 PM
Quarta-feira, Novembro 12, 2003
.:: tragédia
O ARROUBO DA MOCIDADE
Extremamente lamentável ler sobre o sofrimento de um pai, de 49 anos, que acaba de perder sua filha, uma garota linda, de 16 anos de idade, em circunstâncias tão cruéis, assassinada a facadas por outros jovens, depois do próprio namorado, outro jovem de 19 anos, ter sido abatido a tiros.
Tudo por um arroubo da idade. Esta juventude que faz da mentira sua forma de vida, por completa incompetência de criar argumentos que lhes leve a receber a concordância dos pais para seus atos menos convencionais.
É triste pensar na dor da família, dos amigos, de todas as pessoas que fizeram parte da vida desses moços. O advogado Ari Friedenbach, pai de Liana, ainda encontrou, no meio de tanta angústia, forças suficientes para fazer um apelo aos adolescentes do país. Pediu que sejam mais cuidadosos e ouçam as orientações dos seus pais. " A questão é o adolescente parar para ouvir o pai, para que ele não olhe para a gente como quem não sabe o que fala", disse nesta quarta-feira em entrevista à rádio CBN.
Este capítulo ilustrado pelo uso da mentira, o casal saiu para acampar no dia 31 e mentiu para os parentes, dizendo que viajariam com amigos, é um fenômeno que está por merecer maior atenção de psicólogos e estudiosos das relações pais & filhos. Não há como conceber a falta de transparência dos jovens em geral, condição que os leva, também, às drogas e toda uma seqüência de tragédias e desencontros.
Está faltando alguma coisa muito séria neste Brasil. A começar pela eficácia das nossas políticas educacionais, de segurança e econômica, bem como a completa sintonia entre pais e educadores, com estreitamento de relações e efetiva participação na formação desses meninos. Esses que serão os responsáveis por um país, amanhã, que esperamos seja preferencialmente com a prática da verdade desde mais cedo possível.
Por Ery Roberto |
11:43 PM
.:: F1
ALFINETADAS DO INTERVALO
Engana-se quem pensa que nesta temporada de entresafra da Fórmula 1 o circo baixa a lona. Além do trabalho das equipes, visando a temporada seguinte, algumas já com o novo projeto em fase adiantada, teremos a cerimônia de entrega dos prêmios, evento anual da FIA, quando a Ferrari irá oficialmente ser declarada campeã mundial de construtores e seu primeiro piloto campeão do mundo.
Depois vem aquelas apresentações dos novos bólidos das principais equipes, já com os novos pilotos ou a confirmação dos mesmos da temporada anterior e mais adiante a confirmação do novo calendário. A próposito, rola na imprensa notícia de uma possível eliminação do Grande Prêmio do Brasil de F1, em 2004, prova que fecharia o campeonato, face às declarações da Prefeitura de São Paulo sobre os prejuízos que diz ter com a realização do evento.
Paralelamente a tudo isso aparecem as fofocas e piadas que tem como pano de fundo o desempenho de pilotos e equipes na temporada recém terminada. Até o lendário Alain Prost, que os franceses dizem ser de uma franqueza incomum (Alain Prost est d´une transparence apparente à désespérer tous les paparrazzi de la terre.), andou soltanto umas alfinetadas.
"O Professor" lançou uma crítica à Ferrari pelo uso de ordens de equipe. Para o tetracampeão da Fórmula 1, a única função do brasileiro Rubens Barrichello dentro da escuderia é "lamber as botas" de Michael Schumacher. Disse também que o alemão não teria conquistado o título se estivesse em condições iguais as de Barrichello.
"Não existe uma rivalidade interna natural. Michael é um piloto excepcional, mas as circunstâncias trabalharam muito mais a seu favor. Ele nunca teve que enfrentar uma oposição verdadeira nem na sua própria equipe, nem fora dela. A Ferrari nunca teria vencido se tivesse criado dois pilotos para o sucesso", analisa Prost.
Se "O Professor" falou, tá falado. Seria loucura negar-lhe respeito!
Por Ery Roberto |
9:23 PM
Terça-feira, Novembro 11, 2003
.:: filantropia existencial
SUBTRAÇÕES
 doação - óleo sobre tela, Jaime Fierro
Que tal pegar tudo que temos
E desse modo fazer a grande falta
Um salto que cai, uma queda que salta
Essa soma assim, sem mais nem menos?
Por que não juntar o nosso nada,
O eterno que move, o nunca que repousa
E fazer dessas perdas somadas
O achado de alguma coisa?
[Roberto Prado e Trindade]
Por Ery Roberto |
6:15 PM
Domingo, Novembro 09, 2003
.:: televisão
O ADORÁVEL PETER PAN
Incrível, mas ainda existem reservas de qualidade na TV brasileira. Sobre uma delas já falei outras vezes, o Programa Bem Brasil da TV Cultura, tão bem tocado por Vandi Dorotiotto. A outra, sem dúvida, na minha opinião a melhor, é a pessoa de Serginho Groismann. A fórmula do seu "ALTAS HORAS", apresentado na madrugada dos domingos, pela TV Globo, acaba de completar 3 anos, com um sucesso que de tanto transbordar, parece espuma da cerveja rolando para fora da "tulipa".
Serginho consegue com seu carisma e sua simplicidade cativar não apenas o público a que destina seu show, mas amplia preferências de forma sedutora pelo conteúdo, qualidade incontestável e identificação sem precendentes. O nosso Peter Pan é portador de invejável virtude empática com os jovens e adolescentes. Parece ser sempre o pai ideal. Com isto ganhou, nesses anos, admiração e profundo respeito.
Essencialmente preocupado com a propagação da cultura musical de essência, faz do palco do programa uma sala íntima, transformando suas entrevistas, pra lá de informais, em lindas aulas de respeito ao artista e público, sem necessidade de explorar a baixaria ou recorrer a apelos de natureza inferior.
No programa desta última madrugada, Serginho produziu um espetáculo digno da maior reverência, materializando uma simbiose difícil de ser vista e ouvida. Ao promover um verdadeiro casamento do erudito, representado pela Orquestra Jazz Sinfônica, com o glorioso popular de feras como Carlinhos Brown, Digão, Daniela Mercury, Toni Garrido, Gabriel O Pensador, Zélia Duncan, Frejat, Lulu Santos, Ana Carolina, Luiz Melodia, Lobão, Kid Abelha, Ed Motta e Samuel Rosa, fincou um marco inesquecível na tentativa de aproximar a nova geração da música clássica. A Sala São Paulo foi o grande o palco.
Gostaria de ter o dom de Eduardo Carvalho. Como não tenho, limito-me a repetir o que ele disse: "São três anos de Altas Horas provando que, para além de delicadas questões de grade de horário e de disputa por audiência nos horários mais nobres, há alguém fazendo aquela parte da história da TV que valerá a pena ser lembrada."
A orquestra Jazz Sinfônica, conduzida pelo maestro João Maurício Galindo, foi concebida no final dos anos 80 por Arrigo Barnabé e Eduardo Gudin. Hoje, sua sede é a Sala São Paulo, em que seus 85 músicos ensaiam e se apresentam. O maestro Cyro Pereira, lendário condutor dos festivais de música da década de 60, foi quem arregimentou os músicos da primeira formação da orquestra.
Por Ery Roberto |
3:08 PM
Sábado, Novembro 08, 2003
.:: crítica
COMENTÁRIO DO COMENTÁRIO
Hoje atendi um amigo para falar sobre um trabalho. No final, quando derivamos para coisas mais "amenas", ele confessou ser leitor do meu blog, mas que ainda não teve, segundo ele, coragem para deixar algum comentário.
Em tom de crítica, falou sobre o que viu registrado no post de ontem, sobre os 100 anos do Ary Barroso. Detentor de ótima memória, lembrou e associou corretamente o comentário da mesma leitora quando postei sobre a morte do Noite Ilustrada. Considerou a alta espirituosidade da "Lua Radiante" (o brilho dos sapatos), mas foi enfático quanto a discordar que o "céu virou uma festa verde e amarela" ao receber Ary, dizendo que se lá "também é um pouquinho de Brasil", ele prefere ir para a oposição.
Tudo bem, compreendi! Primeiro expliquei que quem havia dito sobre tal festa à brasileira fui eu. Cada um tem o direito de discordar, até mesmo das nossas metáforas menos ufanistas. Disse-lhe também, que penso haver festas de outras cores por lá, pois o céu cobre todo o universo, logo é infinito. E é exatamente pelo fato deste universo ser assim que nele cabem todas as correntes de idéias.
Ainda não o convenci, mas pelo menos tive a garantia que vai tentar enriquecer os comentários por aqui. Fiz a minha parte. Recomendei-o a vir com bons argumentos, principalmente na hipótese de tencionar rebater os "raios" da Lua Radiante.
Isto é o gostoso de "blogar". O prazer de ler pensamentos diferentes, até mesmo sobre um assunto que a gente publica pensando se tratar de algo quase unânime.
Por Ery Roberto |
7:35 PM
Sexta-feira, Novembro 07, 2003
.:: música brasileira
ARY, A LENDA
No carnaval de 1964 a Escola de Samba Império Serrano entraria na avenida para homenagear Ary Barroso, com o enredo "Aquarela do Brasil". O tema procurava exaltar as belezas do país e prestar, obviamente, uma justa homenagem ao artista brasileiro que teve o mérito de ser o primeiro a trabalhar e se tornar conhecido no exterior.
Pois bem, ao se aproximar o momento decisivo da escola, em meio ao corre-corre, mistura de alas, mais de 2000 componentes começam a se organizar e tomar os seus lugares. Há um certo desespero de diretores e responsáveis por alas nesse momento que antecede a apresentação da escola. Muitos figurantes nem sabem dos seus lugares. A adrenalina sobe e o jeito é cantarolar o enredo, que por sinal havia caído no gosto popular. A composição de Silas de Oliveira, Aquarela Brasileira credenciava a escola como uma das favoritas do desfile.
São vinte e três horas. A Escola está pronta e já começa a dar os primeiros passos, quando repentinamente o sistema de som da avenida dispara o tema do antigo "Reporter Esso", vindo em plantão urgente pelas ondas da Rádio Nacional, a transmissora dos desfiles do carnaval carioca à época.
A voz inimitável de Heron Domingues anuncia: "Aqui fala seu Repórter Esso, Testemunha Ocular da História. É com grande pesar que informamos o falecimento do compositor brasileiro Ary Barroso, às 10 horas da noite de cirrose hepática..."
A notícia chegou como um furacão. A Escola pareceu perdeu o entusiasmo. Mesmo assim, O apito do mestre de bateria começa à silvar triste. Uma cuíca grita em lamento. Um surdo entra com a batida constante. Aos poucos os outros componentes da bateria vão saindo do torpor e assumindo seus lugares dentro do enredo. Começado o desfile, a tristeza estava estampada no rosto de cada sambista. A alegria havia sido perdida. Quando a bateria chegou em frente da comissão julgadora, a escola simplesmente parou. Instrumentos e vozes calados. Ninguém sambava. Um minuto completo de silêncio total. Até que o apito deu a ordem e fez-se novamente carnaval.
Em 1988 foi novamente homenageado como o tema da escola, pela União da Ilha.
Na batucada da vida, de Camisa amarela, É luxo só. Quando eu penso na Bahia, No tabuleiro da baiana, nOs quindins de Iaiá, na Terra seca, nA casta Suzana, derramo Três lágrimas. Vamos deixar de intimidade, isto tudo é Pra machucar meu coração. É possível fazer poema apenas com os títulos das canções de Ary...
Ary Barroso estaria, hoje, completando 100 anos.
Este texto foi adaptado parcialmente de material publicado em http://revisitampb.festim.net/archives/001542.html.
Por Ery Roberto |
8:04 PM
Quinta-feira, Novembro 06, 2003
.:: vida moderna
INFIDELIDADE FEMININA
Esta pesquisa está sendo divulgada pelo www.terra.com.br/mulher/.
Sempre digo, é por coisas assim que esta cidade de Curitiba, cada vez mais, vive cheia de homens.
Por Ery Roberto |
6:59 PM
Quarta-feira, Novembro 05, 2003
.:: opções
CLASSIFICADOS
Depois da infância e adolescência vivida na cidadezinha do interior, como a maioria dos outros jovens, Norma mudou-se para a capital. Objetivos: conquistar um lugar no mercado de trabalho e tentar um curso superior.
Aos 18 anos, já um mulherão, sentia-a alvo de todos os olhares para os seus 1,80 m, cabelos loiros longos e ondulados, pele exuberante, rosto desenhado feito obra de arte, que tinha em olhos azuis o brilho inconfundível da jovialidade. Vinha de uma vida simples, filha única de pais de classe média baixa, acostumada com o convívio calmo e repetitivo do interior.
A primeira providência foi o vestibular, enfrentado com dedicação e alguma dose de sorte. Foi aprovada na segunda tentativa do mesmo ano, apesar de ser oferecido por uma instituição particular. Agora era preciso dinheiro. Que fazer?
Sem nada que pudesse tornar o currículo competitivo, empregou sua habilidade para dançar, desenvolvida por anos nos saraus do interior. Deslumbrou-se com o palco iluminado por holofotes coloridos e efeitos mágicos de canhões de luz que valorizavam ainda mais a textura da sua pele, as curvas indescritíveis do corpo. Expôs-se, então, ao strip-tease que teve que aprender rapidamente. Eram quatro apresentações diárias, suficientes para garantir a mensalidade no pensionato e o fast-food por alguns dias na semana.
Logo veio o carnê da faculdade. Depois de três meses no "batente" já era bem conhecida. Passou a fazer programas e aprendeu a cobrar bem. Afinal, tinha mercadoria de qualidade superior. Era impresionante como desenvolvia o único "trabalho" que encontrara. Meses depois já tinha algumas economias suficientes para quitar parcelas do curso superior e ainda satisfazer algumas das mais guardadas vaidades do seu ego de fêmea.
Viveu assim por dois anos. Mudou do pensionato para um apartamento, alugado sob a tutela do proprietário da boate. Passou a pensar mais alto, não sem lembrar que toda aquela situação era apenas porque precisava se manter e se formar. Aos pais, dizia que trabalhava numa indústria, como secretária.
Passou por tudo que era possível: foi enganada, abandonada em motéis, sofreu acidente de moto, assaltos, violência, doenças, drogas... Acostumada aos altos cachês, nunca quis ter um namorado e, mesmo ante as dificuldades, conseguiu, antes de perder a vaga, concluir o curso superior.
Ofereceram-lhe um estágio. Foi aprovada no concurso interno de uma empresa sólida, com ótimas perspectivas de crescimento profissional. Mas o salário? Decididamente não lhe interessava. Foi a gota d´agua. Norma já não sabia viver sem o deslumbre do dinheiro fácil, mesmo que ganho daquela forma há tantos anos.
Ainda dança e vez por outra convence algum executivo de passagem. Já precisa usar alguns recursos para fazer aquela antiga beleza parecer natural. O diploma? Nem sabe onde guardou. Tudo que aprendeu evaporou-se por falta de uso e prática. Os programas já não são tão fáceis e o que restou foram as esquinas que ainda não teve coragem para encarar.
Procura alguém para casar...
Por Ery Roberto |
6:47 PM
.:: pensamento do dia
Se dinheiro falasse, o meu diria: "Fui....."
Por Ery Roberto |
5:35 PM
Terça-feira, Novembro 04, 2003
.:: literatura
O BRASIL PERDE A RAINHA
No dia em que completava 26 anos como a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, morreu a rainha da literatura, Rachel de Queiroz. Aos 93 anos de idade, após escrever mais de 30 obras, entre romances, infanto-juvenis, peças de teatro, crônicas e antologias, além de inúmeras traduções, deixa na literatura brasileira um vazio difícil de ser preenchido.
Rachel, que teve seus livros queimados em Salvador pelo "Estado Novo" e foi prisioneira do regime, lutou pelo uso do estilo simples, tentando aproximar a linguagem falada da escrita. Foi premiadíssima. Sua obra Quinze foi publicada no Japão e Alemanha.

Por Ery Roberto |
7:05 PM
Domingo, Novembro 02, 2003
.:: santos e finados
TREM INTEIRO
Como nem tudo é santidade e existem algumas coisas que não morrem, é bom iniciar o mês de novembro na companhia do Veríssimo, numa crônica sensacional que bem identifica a imortalidade ideológica de pessoas como FHC
O presidente e a dona Ruth têm uma rara noite de sossego no Palácio da Alvorada. Ele lê os jornais, ela lê um livro ou cerze meias. Ele:
- Ouça isto, Ruth. Incendiaram um trem.
- Quem?
- Os passageiros. Ficaram irritados porque o trem quebrou e tocaram fogo.
- No vagão?
- Não, no trem inteiro. Olha, tem uma foto.
- Que coisa!
- Imagina o grau de irritação das pessoas para chegar a esse ponto. Não depredaram a estação, não incendiaram um ou dois vagões. Incendiaram um trem inteiro.
- Que horror.
- Aliás, pode-se deduzir muito da notícia. Assim, numa projeção sociológica. Para começar, não deve ter sido a primeira vez que o trem quebrou. Não se incendeia um trem inteiro por uma irritação passageira. A revolta só pode ter sido resultado de um acúmulo de irritação com repetidos incidentes do mesmo tipo. Isto mostra o quê? Falta de verbas para o transporte coletivo. No caso da ferrovia ser privatizada, desleixo e falta de fiscalização do governo. Tudo denotando o quê?
- Desprezo pelo público. Pouco caso com os serviços básicos a que o povo tem direito.
- E mais. Não se incendeia um trem inteiro porque o trem quebra, mesmo que quebre muito. Por isso se incendiaria, no máximo, meio trem. O trem inteiro é uma revolta contra muito mais. Contra o salário baixo, contra a falta de perspectiva, contra o desprezo generalizado... E ninguém parece dar muito importância à notícia. Um trem inteiro, Ruth!
- Calma, Fernando. Isso tudo tem muito a ver com cultura. Há uma cultura de desprezo pela classe mais baixa, é uma tradição. Fatos como esse são comuns.
- Eu sei, mas um trem inteiro...
- Ainda bem que você não vive lá, senão ia se impressionar todos os dias.
- Lá onde?
- Na índia, ora.
- Que índia?
- Esse trem incendiado, não foi na índia?
- Não, Ruth. No Brasil.
- Ah.
Silêncio. Depois:
- Ainda bem que você não vive lá também.
Fonte: http://www.sinpro-rs.org.br/extra/abr00/verissimo.asp
Por Ery Roberto |
11:09 PM
Sábado, Novembro 01, 2003
.:: poesia
ATRÁS
Imagem de Celito Medeiros
atrás
de alguma conversa
neste desacerto
atrás
do pôr-do-sol
nesta véspera
atrás
da margem de erro
neste deserto
atrás
de algum sentido
nesta viagem
- Carlos Ávila
Por Ery Roberto |
3:22 PM
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