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Letras de Música




by letras.mus.br










TODOS OS MESES








Domingo, Fevereiro 29, 2004

.:: tênis
GUGA, ENFIM CAMPEÃO NOVAMENTE


Gustavo Kuerten finalmente voltou a ganhar um torneio. A partida final, jogada em duas etapas (foi interrompida ontem, por causa das chuvas), mostrou que o nosso tenista ainda tem a gana, a técnica apurada dos maiores jogadores do mundo e principalmente a decência, só própria de gente educada. O adversário, o argentino Calleri, depois de provocar o brasileiro em uma jogada do último set, afirmou, ao final, perante todo o público do Sauípe, que foi maltratado no país.

Guga, ao proferir seus agradecimentos, elogiou o argentino e dirigiu-lhe palavras de conforto, praticamente desmentindo o que este havia afirmado antes.

A partida foi sensacional. Guga procurou colocar a bola em jogo com mais freqüência, de forma bem angulada e provocou os erros de Calleri. Fez um jogo de paciência e foi minando o emocional do "nervosinho" portenho, até conseguir uma rebatida em bola curta, matando as possibilidades do adversário.

Ficaram duas imagens inesquecíveis: o argentino com cara de menino zangado e mal educado, reclamando da torcida, sem dignidade para reconhecer a superioridade do oponente e Guga vibrando, na companhia da torcida, por um título mais do que merecido e que não poderia perder.

Por Ery Roberto | 6:13 PM
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.:: filosofia
ESPIRITUOSIDADE LITERATA OU LÓGICA MATEMÁTICA?



[Ilustração: Fernando Brum]

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas não faz mais do que existir". - (Oscar Wilde)

Para Wilde, existir não seria o mais significativo, o que de certa forma remete o ato de pensar à uma condição menor no contexto da filosofia de René Descartes e seu "Penso, logo existo."

Se viver é a premissa principal, do que não discordo, em absoluto, é preciso que se tenha em mente a possibilidade do cometimento de certas loucuras, produto da total alienação do pensamento. Seria a dedução lógica. Só que esta lógica só assume um certo status através da lucidez.

Um indivíduo consegue transformar o ato de viver em raridade a partir do seu nível de lucidez, mesmo que esta resida apenas em seu subconsciente, pois o que compõe esta área do psique não está necessariamente aceso todo o tempo no pensamento. É mais uma reserva estabelecida do que um mecanismo em atividade non-stop.

Alguém poderá pensar que estou defendendo a loucura generalizada dos atos. Não é o caso. O que me impressiona são atitudes que estão a todo momento dependendo de normas para serem consumadas. Existem motivações que não estão normatizadas nem nunca foram objeto de qualquer conceito, mesmo que provisório, da experimentação individual ou coletiva. É salutar liberar a vontade com os resguardos dos limites criados pelo próprio Eu, o que significa ligar o botão da responsabilidade.

Qualquer pessoa pode viver a experiência que quiser, que lhe dê prazer, pois a vida é completa como dádiva. Custa, porém, a muitos, o entendimento do que seja escolher seus próprios caminhos e arcar sózinho com as suas conseqüências.

Ousar é uma ação valorizada e muito cobrada em diversas circunstâncias do cotidiano, mas temos que fazer da própria ousadia um prazer de vida. Cada um de nós ousa de acordo com as necessidades e objetivos, embora existam aqueles que "gostem de viver perigosamente" de forma rotineira. Isto se torna crescente a partir das nossas preocupações com o grau de sucesso que aspiramos, sendo condição para maior ou menor medida do sucesso.

Daí que pode ser melhor errar e ter vivido, do que escrever uma passagem mediana e só ter existido. Não será apenas o pensamento que há de creditar os dividendos para comprar direitos de nova luta e sim a experiência de ter conhecido a raridade do viver. Nunca haveremos de materializar a felicidade sem termos coragem de usar a fórmula do aprender fazendo.

Assim, o unicamente pensar e existir, parece uma teoria. Viver intenso, a prática do definitivamente "ser".

........................................................................

- "Deixa a Vida me Levar" - Zeca Pagodinho (O espírito é este. Delícia de ouvir!)

Por Ery Roberto | 1:47 AM
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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004

.:: livros
CANTO DOS MALDITOS


   

Acabo de ler o livro do conterrâneo Austregésilo Carrano Bueno, uma denúncia sobre a situação dos hospitais psiquiátricos no Brasil. A obra, escrita a partir da experiência do próprio autor, internado no Hospital Psiquiátrico Bom Retiro, em Curitiba, aos 17 anos, passando depois por outros hospitais, na capital paranaense e no Rio de Janeiro, é um documento vigoroso contra o sistema manicomial.

Tudo começou com um baseado. O desabafo de Carrano é contundente. Sua descrição sobre os dias vividos nos "chiqueiros psiquiátricos", como chamou esses hospitais, choca profundamente pelo realismo imposto através de sua linguagem simples. A aplicação da eletroconvulsoterapia (choques elétricos), ao todo 21 sessões, abriram-lhe feridas incicatrizáveis. Quando conta a respeito deste particular, ele relata uma situação de tortura só comparável aos campos de concentração da Segunda Guerra. Ter conseguido sair deste submundo foi a ressureição do autor, embora sua vida de lá até hoje não tenha sido fácil.

Carrano escreveu o livro e entrou na justiça, produzindo a primeira ação da história jurídica no Brasil que reivindica indenização por erro médico psiquiátrico. Como que um reflexo da época em que tudo aconteceu (repressão militar), embora mais de vinte anos depois, o autor foi condenado a pagar indenização de 60 mil reais aos donos das clínicas psiquiátricas; em seguida, 1999, prescreveram a ação por pressão de um lobby psiquiátrico; em 2001 teve cassada sua liberdade de expressão - o livro foi retirado das livrarias e sua venda considerada proibida. Uma terceira ação seria julgada em maio do ano passado, proibindo Carrano de citar publicamente os nomes dos hospitais e dos médicos que o "trataram". Embora pesquisasse não consegui notícias sobre este julgamento.

Canto dos Malditos, deu origem ao filme "Bicho de Sete Cabeças", de Laís Bodanzky, estrelado por Rodrigo Santoro, detentor de 44 prêmios, sendo 36 nacionais e 8 internacionais.

O livro merece ser lido com atenção por todos que gostam da literatura, mas principalmente por pais e filhos adolescentes.

Austry, apelido de Carrano, criou o Movimento da Luta Antimanicomial. [+]

Por Ery Roberto | 4:35 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

.:: carnaval 2004
PILARES ACORDOU DO SONHO




A Caprichosos de Pilares, outrora famosa por trazer aos desfiles sambas-enredo marcados por crítica social, principalmente na década de 80, quando seus compositores fizeram da política vigente um cardápio extremamente saboroso de idéias de carnaval, quase foi rebaixada ao segundo grupo ("Não entendi o enredo desse samba Amor ... Meu coração, carnavalesco não foi mais... Passei pro segundo grupo e com razão...").

O enredo "Xuxa e seu reino encantado no carnaval da imaginação", desagradou a maioria dos jurados e certamente a todos que entendem da arte carnavalesca. A escola esqueceu que produzir homenagem à uma personalidade do mundo da arte requer cuidados e meticulosidade. É impossível conceber Xuxa elevada à qualquer potência que lhe identifique como uma estrela do samba, no quilate de Tom Jobim, Braguinha, Chico Buarque, Da. Zica e tantos outros que já ostentaram a glória de subir ao trono do carro alegórico principal de algumas escolas que sabem pensar melhor.

Gosto muito da Caprichosos, mas fiquei indignado a ponto de torcer pelo seu rebaixamento. O que se viu nos bastidores do desfile foi um autêntico endeusamento de um produto de mídia, uma personalidade duvidosa que não se constitui no melhor exemplo nem mesmo para seu público mais específico. Xuxa, que tanto têm convivido com espelhos, ainda não conseguiu perceber que sua cultivada figura de "peter pan de saias" já não agrada tanto. Quanto aos diretores da agremiação, deveriam agora rediscutir seus próximos direcionamentos. É preciso que lembrem daquilo que acreditam e principalmente que desfile de Escola de Samba é uma ópera popular. E que o tema, quanto mais próximo esteja da cultura do povo, da história, dos encantos e lendas, da magia da nossa terra e até do futuro, melhor transmitirá a mensagem. Do contrário, como este ano, vira uma "ópera-bufa". E ninguém merece!

Uma grande oportunidade de se redimir, se não quiser coisa melhor (e existem tantas!), seria reeditar, no próximo ano, o inesquecível samba de 1985 - "E por Falar em Saudade", de Almir de Araújo, Balinha, Marquinho Lessa, Hércules e Carlinhos de Pilares - Hoje está tudo mudado / Tem muita gente no lugar errado ... / Onde andam vocês ôôô / Antigos carnavais / Os sambistas imortais bordados de poesias / Velhos tempos que não voltam mais / E no progresso da folia / Tem bumbum de fora pra chuchu / Qualquer dia eh todo mundo nu.

Por Ery Roberto | 3:14 PM
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Terça-feira, Fevereiro 24, 2004

.:: carnaval 2004
ENREDOS E ENREDOS


De tudo que aconteceu na Sapucaí neste ano, o que mais empolgou foi a novidade das reedições de sambas-enredo. Das quatro escolas que usaram o regulamento, a IMPÉRIO SERRANO foi quem emocionou de verdade. Reapresentar com outras "tintas" um dos mais lindos sambas-enredo escritos até hoje - Aquarela Brasileira, de Silas de Oliveira, foi um desafio vencido com a criatividade do carnavalesco Ilvamar Magalhães.
A Escola foi das poucas que conseguiu levantar a arquibancada, irradiando do asfalto uma energia de brasilidade que tomou conta do Sambódromo. O samba de Silas, apresentado em 1964, foi readaptado em seu ritmo e a escola redesenhou o orgulho nessa viagem pelas maravilhas naturais e pelas virtudes do país e seus filhos.

O sonho do artista foi recomposto na avenida, confirmando que aqui tudo é belo e tem lindo matiz. Um momento único para as gerações que não tiveram a oportunidade de ver este cenário quando cantado pela primeira vez. A Império arrepiou, emocionou componentes, público e jurados ao passar sentimento de patriotismo exaltando as belezas do Brasil. Foi uma apresentação de campeã. Pode até não vencer o desfile, mas o fato de já ter ganho 5 Estandartes de Ouro (melhor escola, bateria, samba-enredo, ala das baianas e puxador), bem como demonstrar que é possível restabelecer a possibilidade tão esquecida do carnaval ser uma festa, independente da competição, já me parece a glória do objetivo atingido. Viva a Serrinha, salve a Império Serrano.



AQUARELA BRASILEIRA
Silas de Oliveira

[O samba foi inspirado na música "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, que morreu no mesmo dia do desfile, em 1964.]

Vejam esta maravilha de cenário
É um episódio relicário
Que o artista num sonho genial
Escolheu para este carnaval
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela

Passeando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó

Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais
Estava no Ceará, terra de Irapuã
De Iracema e Tupã

Fiquei radiante de alegria
Quando cheguei à Bahia
Bahia de Castro Alves, do acarajé
Das noites de magia, do candomblé
Depois de atravessar as matas do Ipu

Assisti em Pernambuco
À festa do frevo e do maracatu

Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza e arquitetura
Feitiço de garoa pela serra
São Paulo engrandece a nossa terra
Do leste por todo o Centro Oeste
Tudo é belo e tem lindo matiz
O Rio do samba e das batucadas
De malandros e mulatas
De requebros febris

Brasil,
Essas nossas verdes matas
Cachoeiras e cascatas
De colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emolduram em aquarela o meu Brasil

Lá rá rá rá rá
Lá lá lá lá lá

Por Ery Roberto | 7:08 PM
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Domingo, Fevereiro 22, 2004

.:: coisas da vida
COMENTÁRIO LÁ, POST AQUI




Fiz um comentário no (RE) APRENDENDO A CAMINHAR, Blog da minha amiga Suzana e senti que aqui ele merecia virar um post. É um testemunho daquilo que acredito a respeito de três coisas que acontecem para todas as pessoas.


"Mudanças, novos desafios, a própria morte, são estações que fazem parte da nossa vida. Felizmente não são estações que representam um 'fim de linha'. Tudo continua. As mudanças trazem a possibilidade de novos horizontes, os desafios testam-nos a capacidade criativa, a força de vencer. A morte, apesar de ser o término de um estágio, representa a libertação para que o espírito receba do excelso Criador um novo desafio, a ser cumprido em outra estação além do horizonte que a nossa limitada capacidade humana permite ver."

Por Ery Roberto | 2:48 AM
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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

.:: carnaval
AS ÁGUAS VÃO ROLAR




Chegou o divisor de águas. O Carnaval separa aquele ano que começou de mentira com o ano que começa de verdade. Ah! deixa pra depois do carnaval! Ainda bem que é em fevereiro. E mesmo num ano em que o mês tem 29 dias, salvam-se apenas 17 úteis! Claro, porque muita gente vai emendar a quinta e sexta. Depois, tudo recomeça na segunda, primeiro de março, que mesmo assim virá com uma cara de quarta-feira de cinzas.
Lembro com saudades de alguns carnavais. Delícia as velhas marchinhas, os bailes de salão, as meninas que vinham passar a folia na cidade da gente, ar de festa, fantasias. À noite na avenida, o bloco na rua, a Escola de Samba das passistas semi-nuas, aquela sensação de completa vagabundagem por quatro dias. Os amassos na beira do cáis, aquela velha república que se transformava em motel, a cachaça e o barreado da Da. Pérola no domingo. À tarde, depois do banho que não tirava as purpurinas nem o cheiro de lança-perfume, começava a azaração. Barraquinhas lotadas, cerveja gelada, era hora do desfile das meninas, o flerte fatal. Lembro que em 77 quase fui pai em novembro. No resultado do exame não sei se fiquei feliz ou me frustrei.

A natureza foi meio madrasta com Antonina. Ao tempo de lhe dar uma praia com areia branca, presenteou-lhe apenas uma baia cheia de pedras na encosta e lama no fundo. Mas o movimento das marés tratou de embalar maravilhosamente este presente, fazendo com que se formasse uma Prainha. Lá, entre os batuques das rodas de samba, nos botecos simples passavam-se as manhãs. Ponta da Pita, sacrossanta ressaca!

A saudade é um quadro pintado na lembrança. Cada detalhe é um mar de amigos. Em cada cor há uma história diferente. Cada "sobretom" é uma fantasia realizada. Só a moldura parece um limite, o fim, a quarta-feira de cinzas...

.............................................................................

Antonina é uma terra sem igual. Lugar pequeno, velho casario, tudo pacato, o tempo não passa. O povo, de índole simples e humor refinado. faz histórias. Uma delas é a mania dos apelidos. Se você ainda não tem um, vá até lá, Voltará batizado.

Rui Graciano, um dos poetas da terra, retratou assim:

MODA DOS APELIDOS

Se você veio passear em Antonina
Deu uma volta na praça
E parou pelas esquinas
Em ruas estreitas admirou as ruínas
E ficou impressionado com a beleza das meninas
Eu te garanto e disso eu não duvido
Que você já é mais um que ganhou um apelido
Tem o Lauro Sapo também o Jouni Saci
Tem o Nenê Rolinha que não mora mais aqui
Tem o Paulinho Sabiá e a família Siri
Tem o Joel Motor-de-poupa o João Bang e os Carambolas
Tem o Forma de Diabo e o Marquinho Pé-de-mola
Tem o Sandro Baronesa, o Pimenta e o Bambu
O Moamba e a Nenega, o Totoca e o tatu
O Araponga e o Chorão que vive só
Tem o Tube, o Lobisomem e o Eduardo Bó
Tem o João Barbeiro e o seu filho Nélio Porco
A família Boca Larga e a família Maravilha
Zé da malária e o Pedro Perereca
O Badejo, o Carangueijo e o Tenente Careca
Tem o Peito de Pombo tem o Cara de Relógio
Tem a Denise Gata, o Guaxica e o Sagui
Pois apelido é coisa que não se disfarça
Veja o tamanho da perna de toda a família Garça
Tem o Alceu Macaco e o Alceu Cachorrinho
O Camelo, o Hélio Corvo, o Canário e o Paulinho
Que é o mesmo Paulo Perneta pois aqui ninguém escapa
Nem o Didi Cara Preta e o Tico Boca de Caçapa.
E aqueles que já partiram mas fizeram sua história
Nós guardamos na memória e vale apena recordar
De Bento Cego, Agnaldo o Profeta, do seu Nenê do Pinico
Que alegrava os carnavais; se por acaso houver no céu
Uma janela, dona Mariquinha Bó tá nos cuidando através dela.
Se por acaso houver festa dentro dela
Com certeza estão cantando
Belarmino e Gabriela.

Por Ery Roberto | 2:19 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

.:: AUTO-CENSURA


Ilustração: http://www.cic.ua.pt/netsurfer/ns5/internet.html


Há uma grande vontade dentro de mim
Tenho um grito sufocado na garganta

Sei que posso, mas às vezes desacredito
Ora é essencial, ora penso "não adianta"

Há outra vontade mais louca a torturar
Reveladora e fatal, se sussurasse seria grito

Mas tanta coisa acontece e transfere
a ensaiada erupção me afoga, faz calar

Este aborto provocado na idéia
Convalesce em mim no palco vazio

Olho o infinito e ouço reações
Será que conheço esta platéia?

Quem me apupa? é a razão
Quem me aplaude? talvez seja a emoção

Mas em certos ensaios me confundo
Expectadores mudam de lugar

Onde penso que olho a cabeça
Certamente o coração se fez sentar...

Por Ery Roberto | 12:03 PM
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.:: futebol
PARREIRA, AQUI NINGUÉM É JÓ!




Onde foi parar o futebol da nossa Seleção?

Falta técnica, falta conjunto, falta criatividade, falta coração. Critério na escalação nem se fala. Por que levar Luiz Fabiano para assistir um jogo no banco quando nossos avantes estão tão mal? O artilheiro do São Paulo deveria pelo menos ter entrado no segundo tempo. Mas o homem é ortodoxo, é irritante, é teimoso.

Há um certo desencanto continuado. E não é de agora. Este senhor é incompetente, nunca ganhou nada. Ou alguém ainda duvida que em 1998 entregaram de bandeja?

Ricardo Teixeira! O senhor também é responsável. Nosso futebol ficou mais horrível que essa camisa ridícula. E olha, aqui no Brasil dá para fazer duas Seleções melhores do que essa que jogou em Dublin. Sem estrelismos, com vontade, gana e coração. E também não faltam técnicos afinados com a modernidade do futebol.

A paciência tem limites. Aqui ninguém atende por Jó!

Por Ery Roberto | 11:56 AM
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.:: série "próxima parada"
VI - IMPÉRIO E FANÁTICOS, REBELDIA E LOUCURAS




Três ou quatro vezes por ano Curitiba vira palco de um espetáculo dantesco - a guerra de torcidas organizadas de futebol.

Se de um lado a violência da facção IMPÉRIO ALVIVERDE, do Coritiba, é digna de medidas extremas, de outro a maior torcida oganizada do Atlético Parananense, a FANÁTICOS, também é capaz das maiores barbáries que se possa cometer em nome da paixão clubística. Pois em dia de Atletiba, o maior clássico daqui, a próxima parada deveria, muitas vezes, ser a Delegacia de Polícia.

Apesar das campanhas da mídia esportiva, com colaboração da Polícia Militar, depois de um jogo desses, com qualquer resultado, até mesmo um insolente empate, quem paga o pato são os tubos e os veículos do transporte da cidade. Ônibus são depredados, estações são atacadas a pedradas e pauladas e o medo toma conta dos demais usuários. Alviverdes e rubro negros já foram personagens de verdadeiras guerras pelas ruas de Curitiba.

Dentro dos coletivos, totalmente lotados, instala-se a baderna, o perigo de assaltos, tumulto e xingamentos generalizados, medo, pois o encontro de grupos das facções inimigas é inevitável.

Mais recentemente foram adotadas medidas de segurança, como a evacuação ordenada das torcidas, com escolta policial, mas mesmo assim os atos de vandalismo acontecem em profusão. Infelizmente não há notícias de punições e quem perde é o patrimônio público e o bem estar da população. O fenômeno social desta violência é um mal que as autoridade continuam relevando, sem que haja uma medida coerente com o nível de vida da cidade. Perdem os clubes que arcam com inúmeros prejuízos nos estádios, as empresas do transporte, o poder público e o povo.

É fácil entender que não se trata de um problema apenas de Curitiba, mas proporcionalmente à grandeza do evento, se comparado a outros centros maiores - Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre -, aqui a baderna é incompatível.

As tentativas de programar o jogo apenas com acesso da torcida do clube mandante, de redução da carga de ingressos para a torcida visitante foram infrutíferas. Estas coisas, também ferem o direito ao lazer e ao ir e vir.

Se o principal alvo acaba sendo o transporte coletivo, por que não colocar a PM dentro dos veículos, tubos e terminais em dias de jogos? Por que não usar de maior rigor, até mesmo proibindo o uso das camisetas de torcidas durante o trajeto? E enfim, por que não punir os responsáveis? Também é sonhar demais com a extinção desses grupos, pois o assunto já foi tema em diversas ocasiões e nada se conseguiu.

Sentimos saudades dos tempos em que atleticanos e coxas iam ao estádio sentados lado a lado no transporte, conversavam, brincavam, desciam no mesmo local, entravam pelos mesmos portões e até assistiam o espetáculo juntos. Bons tempos! Até os jogos eram mais emocionantes.

Por Ery Roberto | 11:34 AM
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Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

.:: série "O MARKETING DAS CALCINHAS"

Por Ery Roberto | 12:49 AM
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.:: novas regras
BLOGGER, BLOGAR, BROXAR...




E agora meus amigos?
Alguém já descobriu qual a melhor solução?
As novas regras do BLOGGER, a partir de 01Mar2004, limitam-nos a 10 míseros megas de espaço.

Além de "broxante", nós , que aprendemos a gostar desta vida de blogueiro, ficamos em um impasse sobre o que fazer. Por exemplo:

- Deletar os "arquivos"?
- Deletar as imagens dos arquivos antigos?
- Manter o ritmo atual, inclusive se utilizando de imagens, mas fazendo
uma limpeza periódica de tudo, conservando apenas um número mínimo de posts?

Acho que qualquer decisão que se tome tira muito da graça de blogar. Já vi gente defendendo a idéia de simplesmente acabar com os arquivos, pois poucos acessam. Mas penso que este histórico é importante.

Outra tristeza é pensar em mudar. Para onde?
Eu já vim do Blig, depois de lá permanecer por três meses e sofrer muito mais do que aqui no Blogger.

Acho que se pensarmos o ato de blogar como pura e simplesmente a facilidade de expor idéias, sem limites de qualquer espécie, ter que desligar o "eco" das coisas ditas (acho que isto seriam nossos arquivos), é algo parecido com cerceamento.

Ainda tenho pouco mais de três megas de combustível (ou será de liberdade?) para continuar escrevendo aqui. E depois?

Compreendo, também, o lado do portal. Há muita coisa sem graça por aí tomando o espaço que eles tanto valorizam, mas há que se lembrar que este espaço foi oferecido a todos, sem a imposição de qualquer regra com caráter de limitação.

Estou preocupado, pois gosto disto aqui. Ontem senti profunda tristeza com um post sobre o assunto lá no PI - blog da Bia, aliás, um dos melhores que existem na rede. Ela está praticamente desistindo de tudo, pelo menos até que surja uma luz no fim desse túnel aí.

Se alguém tiver uma idéia nova, ou se já descobriu alguma maneira que me permita não ser obrigado a "fazer um pouso forçado", por favor avise. Do contrário vou começar a abrir os compartimentos de emergência e distribuir os "para-quedas".

Por Ery Roberto | 12:13 AM
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Domingo, Fevereiro 15, 2004

.:: poesia em luto
A BABEL DE LUZ




Infelizmente a poesia brasileira e principalmente a comunidade cultural do Paraná tiveram um final de semana triste. Morreu a professora Helena Kolody. A lágrima borrou um verso. A luz azul de lindos olhos se apagaram como o desvanecer de um astro...

Helena era filha primogênita de Miguel e Vitória Kolody, ucranianos que se conheceram e casaram no Brasil. Nasceu em Cruz Machado, Paraná, no dia 12 de outubro de 1912. Ultimamente estava internada no Hospital de Caridade de Curitiba, com suspeita de trombose na perna, mas faleceu de arritmia cardíaca, aos 91 anos.

Ocupava, desde 1991, a cadeira 28 da Academia Paranaense de Letras. Ao completar 80 anos, recebeu uma homenagem do cineasta Sílvio Back com o curta-metragem "A Babel de Luz". Apesar da fama, Helena sempre primou pela simplicidade e não gostava das luzes da mídia.

Um dos momentos marcantes da cerimônia fúnebre da poetisa foi proporcionado por artistas da terra ao cantarem "Pavana para o infante defunto", de Ravel - um pedido de Helena em vida. Nesta cidade que dificilmente ama alguém, Helena Kolody era uma invejada exceção.

Kolody era mestra nos haicais. Em VIAGEM NO ESPELHO parece ter feito um resumo de tudo que pudesse não apenas ser o seu pensamento lírico, mas assinado uma carteira de identidade.

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RESSONÂNCIA

Bate breve o gongo.
Na amplidão do templo ecoa
o som lento e longo.

FLECHA DE SOL

A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.

NOITE

Luar nos cabelos.
Constelações na memória.
Orvalho no olhar.

SAUDADES

Um sabiá cantou.
Longe, dançou o arvoredo.
Choveram saudades.

REPUXO ILUMINADO

Em líquidos caules,
irisadas flores d'água
cintilam ao sol.

DEPOIS

Será sempre agora.
Viajarei pelas galáxias
universo afora.

ALQUIMIA

Nas mãos inspiradas
nascem antigas palavras
com novo matiz.
--------------

Mas foi em JORNADA que escreveu um verdadeiro epitáfio:

Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.

Por Ery Roberto | 6:53 PM
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.:: série "próxima parada"
V - UMA TARIFA POR DIA



(Esta série conta histórias do transporte coletivo de Curitiba, um orgulho que o curitibano ostenta como se fosse a oitava maravilha do mundo)

Bem verdade que meu título ficou um tanto no exagero, mas pelo menos durante três dias foi assim.

Ao final do mês de janeiro, atendendo solicitação das concessionárias, o prefeito mandou a URBS (Cia de Urbanização de Curitiba) reajustar a tarifa em 15,1% (de R$ 1,65 para 1,90). Em seguida viajou.

No dia que o novo valor vigorou, o vice-prefeito, que havia assumido interinamente, revogou a medida e 24 horas depois a tarifa havia voltado ao seu antigo valor. O ilustre major acatou pedido da Câmara. Uma recomendação de novos estudos da planilha de custos foi encaminhada.

A briga continua até hoje. O DIEESE defende um reajuste menor, mostrando cálculos que permitem uma elevação, no máximo, ao patamar de R$ 1,73 (haja troco, mas melhor assim!).

- Efabulativo:

Muita gente não sabia dessa bronca e no dia da tarifa aumentada foi para o trabalho com o dinheiro contado (como sempre). O "jeitinho" foi deixar fiado. Alguns trocadores conhecem bastante a "clientela". Mas pior foi no dia da reversão. Outro tanto de usuários também não sabia das coisas e atravessou a catraca depositando R$ 1,90. Há denúncias que alguns trocadores cantaram aquele hit cujo refrão é mais ou menos assim: "to nem aí, to nem aí..."

Por Ery Roberto | 1:39 PM
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.:: música
A TEOLOGIA EXPLICA




Caso sério, mas alguns artistas tem o dom de causar com impacto verbal uma explosão de verdades contidas na total simplicidade das coisas. E por estarem tão escancaradas, vestidas apenas com o traje do dia-a-dia, sem qualquer maquiagem, podem provocar o maior "auê".

Foi isto que a cabeça iluminada do Moacir Franco foi buscar na definição literal da escatologia, a verdade das coisas que deverão se suceder no fim do mundo. Em se tratando de música há mais um detalhe que não se relaciona como de somenos importância, pois é a escolha correta do intérprete que faz o compositor materializar sua inspiração. E isto ele também conseguiu. Tudo vira Bosta, um tratado escatológico escrito com base nas maiores evidências do cotidiano, encontrou em Rita Lee a imagem perfeita de ilustração definitiva do quanto tudo é fugaz, menos eu e você.


TUDO VIRA BOSTA
Moacir Franco

O ovo frito, o caviar e o cozido
A buchada e o cabrito, o cinzento e o colorido
Prometido e não cumprido e o programa
do partido
Tudo vira bosta
O vinho branco, a cachaça, o chope escuro,
O herói e o dedo duro
O grafite lá no muro,
seu cartão e seu seguro
Quem cobrou ou pagou juro,
meu passado e meu futuro
Tudo vira bosta
Um dia depois não me vire as costas
Salvemos nós dois Tudo vira bosta
File minhão, champinhão don perrinhão,
salsichão, arroz, feijão
Mulçumano e cristão,
a mercedez e o fuscão
A patroa do patrão, meu salário e meu tesão
Tudo vira bosta
O pão-de-ló, brevidade da vovó, o
fondue, o mocotó Pavarotti e xororó
Minha eguinha pocotó
ninguém vai escapar do pó
sua boca e seu loló
Tudo vira bosta
Um dia depois não me vire as costas
Salvemos nós dois Tudo vira bosta
A rabada, o tutu, o frango assado,
o jiló e o quiabo
A prostituta e o deputado,
a virtude e o pecado, esse governo e o passado
Vai você que eu to cansado
Tudo vira bosta
Um dia depois não me vire as costas
Salvemos nós dois Tudo vira bosta


[CD Balacobaco - "Com este novo trabalho, o bom humor de Rita Lee presta um serviço e tanto ao cenário pop brasileiro: faz lembrar que inteligência e sensibilidade podem ser itens essenciais num produto perfeitamente acessível e com potencial de sucesso." - Alexandre Nagado]

Por Ery Roberto | 1:57 AM
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Sábado, Fevereiro 14, 2004

.:: errata
HORÁRIO DE VERÃO


Peço desculpas pelo erro cometido no post do dia 12Fev2004, Quinta-feira (.:: horário de verão - ACERTEM OS PONTEIROS). Na realidade o horário atual acaba às 00h00 de domingo, 15.Fev.2004 e não do dia 14.Fev.2004, como postei. No restante da idéia nada muda.


["Entre zero hora do dia 19 de outubro de 2003 e zero hora de 15 de fevereiro de 2004 estará em vigor nas regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso do Sul) mais um horário de verão." - ASTRONOMIA NO ZÊNITE]

Por Ery Roberto | 1:44 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

.:: futebol
SELEÇÃO APRESENTA NOVO UNIFORME



Foto: UOL Esporte

No jogo amistoso do próximo dia 18, contra a Irlanda, no Lansdowne Road Stadium, em Dublin, a seleção brasileira vai estrear um novo uniforme. O fardamento está sendo lançado nesta quinta-feira, no estádio do Maracanã. O conceito do uniforme é "Distração Zero", ou seja, oferecer o máximo conforto para que os jogadores possam se concentrar totalmente no jogo.

Fernando Cals, será que agora vai?

Por Ery Roberto | 12:47 PM
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.:: horário de verão
ACERTEM OS PONTEIROS




Acaba no próximo sábado o horário de verão. Quer dizer, acaba na sexta, porque quando for meia-noite, você volta às 23h00. E o que era prá ser sábado, volta a ser sexta. Que delícia, duas meia-noites! Em outras palavras, finalmente teremos uma noite inteira.

Tomara que seja uma daquelas bem longas, para que usufruamos da correção temporal da hora que nos tiraram quando este horário começou.

Tem gente que vai sair "depois" e chegar "antes". É um milagre! É só no Brasil... E ainda será sexta-feira 13, cuidem-se!

Por Ery Roberto | 12:20 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004

.:: série "próxima parada"
IV - OS BEIJOQUEIROS




É possível encontrar quase todos os tipos no transporte coletivo de Curitiba.

Em diversos veículos há um lugar especial para que um deficiente físico se acomode em sua cadeira de rodas. Este espaço fica no centro do carro, defronte uma das portas e é separado por uma divisória que demarca a exclusividade. Ali ele se sente inteiramente seguro após manobrar seu equipamento. Alguns veículos tem ainda uma barra de segurança que fecha o quadrado. O espaço é todo dele, com justa razão.

Terminal do Cabral, Linha INTER 2, dia de semana, cinco da tarde. O deficiente adentra ao veículo e tenta ajeitar sua cadeira. Com excessivo cuidado, trata de não esbarrar em um casal de adolescentes ali "acomodados", na prática contínua de um escandaloso ósculo. Arrisca a manobra, mas percebe ser impossível. Vira a cadeira para ficar de costas para o casal, mas também não lhe sobra o espaço suficiente. Um cidadão toma a iniciativa de ajuda e bate às costas do garotão (daquele tipo que ainda cheira a fraldas sujas) e pede para que recue. É atendido, mas sem que o beijo fosse interrompido.

O ônibus cerra as portas e ganha a Avenida. Percebi que o passageiro deficiente estava incomodado com aquela companhia. Não era para menos, pois mal podia utilizar o braço direito da cadeira.

Em dado momento, eis que o adolescente, com seus quase 1,70 m de altura, para ficar mais "acomodado" e ao mesmo nível da boca da parceira, uma baixinha mais descarada ainda, aproveita e senta sobre o braço da cadeira do passageiro especial. Percebi que as pessoas começaram a ficar indignadas.

Um outro senhor, pasta de executivo debaixo do braço, sentado lá no fundo, levanta com ímpeto e caminha célere em direção ao casal. Aproxima-se e sem qualquer palavra libera a barra de segurança, puxa o garotão pelo colarinho e lhe arranca dali. Parecia um fiscal do povo.

A trilha sonora ocoou pela redondeza, "cantada" por umas senhoras idosas que murmuravam em uníssono: "pouca vergonha! Onde vamos parar?!" Outros passageiros riam.

Enquanto o adolescente, rubro, limpava as marcas de baton, a garota arrumava sua saia curta. Desceram no tubo seguinte, encostaram na barra lateral e continuaram o interminável beijo...

Por Ery Roberto | 9:40 PM
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.:: música
PUNK ROCK PERDOADO




Fotos do site oficial do SUPLA.

Em algumas rodas onde a conversa é música, sou sempre criticado pela minha radicalização com alguns gêneros e seus representantes. Costumo responder que não é apenas pela via do sentido auditivo que me afasto dos sertanejos, por exemplo, mas também pela pobreza cultural que oferecem em suas letras e melodias.

O discurso de certos artistas que a mídia faz questão de "empurrar", nada acrescenta a cultura nacional. Além disso, é visível a dificuldade de expressão desses artistas em situações de improviso, fato que somado a comercialidade de seus projetos artísticos os levam sempre ao mesmo tema, ou seja, falar das dificuldades da vida antes do sucesso ou outras amenidades que demonstram a falta de conteúdo. Com esta fórmula forjam um caráter emocional a tudo que dizem, obviamente transferido de forma melosa para seu canto.

Também não gosto do punk rock do Supla. Mas confesso-me admirado com a inteligência do rapaz. Bem verdade que sua formação é diferente, foi muito mais longe na construção do seu conhecimento cultural por circunstâncias da condição social e origem. Aprendeu a falar e mais importante, entende de música. Pessoalmente é um cara, mesmo com todo aquele ar punk, capaz de concluir um pensamento dentro de uma linha de coerência, sem precisar apelar para o emocional.

Apesar de não gostar do seu estilo, sempre o admirei. Sábado passado, em uma apresentação na TV, descobri outro lado deste artista. Acompanhado do irmão João (que é a cara do Suplicy pai), em violão e voz, a dupla mandou ver "Mr. Postman". Foi sensacional, um momento único em termos de harmonia e principalmente de pronúncia do inglês.

Como não gostar de algo bem feito?

Apresentando músicas do seu mais recente disco - "Bossa Furiosa" -, outro bom momento foi a apresentação de Monkey Copacabana Beach Banana, uma espécie de casamento do punk com a bossa nova. Aliás, este canção fez parte da trilha sonora do filme "Bossa Nova", de Bruno Barreto. Diferente, audível!

Jamais vou me converter ao punk rock dele, mas que o sujeito é versátil não resta nenhuma dúvida.

Lembrei de Bocagge, quando certa vez passendo com um amigo, topou com um cachorro morto, já em decomposição. Ele ao invés de desviá-lo, aproximou-se e exclamou: "Que belos dentes tinha esse cão!"

Por Ery Roberto | 12:28 AM
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Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

.:: série "próxima parada"
III - O MADRUGUEIRO MOLHADO





(Esta série conta histórias não escritas do transporte coletivo de Curitiba, um orgulho que o curitibano ostenta como se fosse a oitava maravilha do mundo)


Os madrugueiros são alternativas que operam após o término do horário usual de algumas linhas expressas e também das convencionais. Aqueles que reproduzem o trajeto expresso são carros articulados que utilizam como pontos de embarque/desembarque os próprios tubos, mas sem o acoplamento normal dos expressos e ligeirinhos. É algo, digamos, mais relaxado, a última chance para alguns poderem ir dormir em casa.

00h12, Terminal Capão da Imbuia, chuva forte, noite gelada. Este horário tem a particularidade de servir a diversos motoristas e trocadores de outras linhas que estão indo para casa, após cumprirem sua jornada de trabalho. Todos carregam uma sacola com alguns pertences. Naquela noite, possivelmente a manutenção não tenha fechado as janelas do veículo e todos os assentos estavam totalmente encharcados.

Embarca comigo uma senhora morena, supostamente com seus quarenta e poucos anos, levando nos braços, dormindo, um garoto de mais ou menos quatro anos de idade. Vê todos os assentos molhados e se agarra na coluna central do "alaranjado". Imediatamente, num gesto nobre, um dos motoristas abriu sua sacola e retirou uma toalha com a qual enxugou carinhosamente o assento.

- Pronto! A senhora pode sentar.
- Muito obrigada, vou ficar em pé.

Neste momento o menino, que quase havia lhe escapado dos braços em uma curva fechada e já estava acordado, liberou-se do colo e foi sentar no local bondosamente preparado pelo motorista.

- Mamãe, vem sentar no meu colo!

Gargalhada geral de todos que estavam por ali. A morena, enrubescida, aproximou-se do garoto (um "piá" esperto e falante) e viajou em pé até o ponto final.

[Este comportamento não é próprio de todas as senhoras curitibanas.]

Por Ery Roberto | 2:07 AM
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.:: existencialismo
SOREN KIERKEGAARD (1813-1855)


Nem a natureza nem a sociedade pode nos oferecer certeza sobre o bom e o mau, o certo ou o errado. O valor de nossas ações e seu mais profundo significado são sempre incertos. Ser humano é agir face a tal incerteza. Os homens e as mulheres, segundo o existencialismo, agem sem autenticidade quando se comportam meramente como joguetes da sociedade, ou simplesmente aceitam os ditames da igreja ou de qualquer outra instituição. Fazer isso é fugir à responsabilidade.

Por Ery Roberto | 1:54 AM
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Domingo, Fevereiro 08, 2004

.:: série "próxima parada" - II
OS TERMINAIS E A ANTI-LEI DA FÍSICA




No episódio anterior citei os "terminais". Pois bem, estes locais têm uma característica diferente. São dotados de plataformas lineares que se destinam às operações de embarque, desembarque final ou desembarque para conexão com outras linhas similares ou alimentadoras, sem ter que pagar por uma nova tarifa.

Existem igualmente, como na Pça Eufrásio Corrêa, defronte a antiga Estação Ferroviária e no Centro, próximo ao prédio histórico da UFPR, estações tubos maiores que também cumprem o mesmo papel reservado aos terminais. Em ambos, o cidadão consegue claramente comprovar a "anti-lei" da Física, uma mágica inventada pelo curitibano.

Explico.

Antes de chegar nesses locais, o serviço de som avisa sobre a possibilidade de desembarque por todas as portas. Os usuários estão cansados de ouvir uma recomendação que sempre completa a locução, alertando para o "caráter preferencial" da operação desembarque. Mas, quando o veículo acopla na plataforma e suas portas abrem, é um Deus nos acuda. Os usuários dessa droga parecem alucinados: é gente querendo sair e gente querendo entrar ao mesmo tempo, numa batalha insana para tentar provar o contrário do pressuposto físico que se enuncia dizendo que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. O curitibano é tarado. Tarado por "penetrar". Em ônibus...

Sábado, 15h45, verão, sensação térmica próxima aos 35 graus centígrados. Estou no vermelhão lotado da linha "CENTENÁRIO-CAMPO COMPRIDO" e postado defronte a porta 4 para desembarcar no Terminal Capão da Imbuia. Comigo, mais uns 12 ou 15 "guerreiros", inclusive mulheres e crianças, empreedem o mesmo esforço diante de uma turba que ali "combatia" para embarcar. Comandando o exército contrário, um general do tipo "guarda-roupa 5 portas", que nem esperou a porta abrir totalmente e já jogou seu arsenal para dentro, como se não houvesse uma só pessoa que fosse desembarcar. Quase fomos esmagados pela anti-lei e a solução foi nos rendermos, invertendo a operação padrão de preferência ao desembarque. Acabamos descendo pela porta seguinte, depois que alguém havia gritado ao motorista para que retardasse a partida. Meus companheiros e eu disparamos uma metralhadora de palavrões.

Quando caminhava pela plataforma, rumo ao portão de saída para a rua, o vermelhão parou no semáforo próximo. Olhei para dentro do expresso e vi o general "cumprimentando-me" com o dedo médio esquerdo erguido. Ato contínuo, sou educado, larguei as sacolas no chão e respondi com meus dois dedos médios, repetindo o mesmo gesto. Algumas mulheres continuavam atirando-lhe os mais estrelados palavrões.

Ele, endoidecido, começou a andar pelo corredor do vermelhão encenando uma forma (impossível) de sair. Passei pelo semáforo, rindo, e fui embora...

Por Ery Roberto | 3:37 PM
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.:: pensamento do dia



[Frase do filme Rios Vermelhos, de Mathieu Kassovitz, estrelado por Jean Reno e Vicent Cassel, inspirado no livro homônimo, de Jean-Christophe Grangé, um dos melhores thrillers europeus da década de 90. A partir de um corpo encontrado mutilado e nu, em uma inacessível fenda numa escarpa rochosa, dois detetives investigam uma série de crimes bárbaros em uma pequena cidade do interior da França.]

Por Ery Roberto | 3:00 PM
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Sábado, Fevereiro 07, 2004

.:: série "próxima parada" - I
PORTA 3 - EMBARQUE SE FOR CAPAZ




(Esta série conta histórias não escritas do transporte coletivo de Curitiba, um orgulho que o curitibano ostenta como se fosse a oitava maravilha do mundo)




O ônibus expresso, bi-articulado, é um veículo da Volvo, concebido sob encomenda, com cinco portas. Os tubos de embarque/desembarque intermediários tem a extensão de três das cinco portas do veículo, sendo que as de números 2 e 4 se acoplam nas suas extremidades, servindo para que o passageiro saia do inferno. A porta 3 se acopla ao centro da estação e serve especificamente ao embarque dos usuários que aguardam no interior do tubo.

Pois bem, em termos de planejamento estratégico para a movimentação, nada mais perfeito. Durante o trajeto em cada linha, um sistema de som informa e identifica as próximas paradas, orienta os números das portas de desembarque e faz solicitação especial para a não ocupação da área próxima à porta 3, visando facilitar a operação de embarque.

Este particular sempre me chamou a atenção. As pessoas que não vão desembarcar tem o restante da área disponível, inclusive os espaços mais próximos das portas 2 e 4 e até das números 1 e 5, em caso da sua saída estar programada para ocorrer em um terminal de conexão ou ponto final, casos em que é possível desembarcar, também, por essas portas. Mas uma grande maioria dos que viajam em pé, parece ser levada por um grande imã colocado na porta 3. Fica impossível embarcar. Quem se aventura entra numa sessão de empurrões e o último a abandonar o tubo, arriscando o ingresso no "vermelhão", leva uma baita cacetada na bunda quando a porta se fecha.

- Linha SANTA CÂNDIDA-CAPÃO RASO, "Estação Catedral da Fé", Av. 7 de Setembro, 18h30, sentido Santa Cândida, vermelhão com alguns espaços. Eu me dirigia ao Estádio Couto Pereira para assistir a um jogo do Campeonato Brasileiro. Fiquei atrás de uma senhora de idade, penúltima a entrar no expresso. Certamente ela havia saído do culto vespertino da Igreja Universal do Reino de Deus (é incrível como a turma do Edir Macedo conseguiu convencer essas velhinhas!). Quando percebeu que seria impossível entrar comodamente e até conseguir um assento para viajar tranquilamente, bradou em voz alta:

- Em nome de Jesus, não me assalte! Não me assalte! Sai Satanás!

Imediatamente abriu-se uma clareira naquele corredor. A velhinha entrou e se acomodou com facilidade e eu aproveitei e fui direto para a dianteira, defronte a porta 1, ao lado do motorista. Ele estava rindo e com o humor completamente em dia me perguntou:

- Era o senhor que queria assaltar a madame?

Foi aí que percebi que todos me olhavam desconfiados e cheios de reservas. Aquela senhora era "velha conhecida" do condutor, que como quisesse se redimir da piada comigo completou:

- Tem dias que ela é "assaltada" umas três vezes...


[Os maiores de 65 anos não pagam tarifas no transporte coletivo de Curitiba e tem tratamento especial de reserva de assentos, assim como as gestantes e os deficientes físicos]

Por Ery Roberto | 8:34 PM
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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004

.:: poesia castellana
CUMPLEAÑOS DE AMOR



Foto: Eduardo Afonso - Uberlândia - [+]

¿Cómo seré yo
cuando no sea yo?
Cuando el tiempo
haya modificado mi estructura,
y mi cuerpo sea otro,
otra mi sangre,
otros mis ojos y otros mis cabellos.
Pensaré en ti, tal vez.
Seguramente,
mis sucesivos cuerpos
-prolongándome, vivo, hacia la muerte-
se pasarán de mano en mano,
de corazón a corazón,
de carne a carne,
el elemento misterioso
que determina mi tristeza
cuando te vas,
que me impulsa a buscarte ciegamente,
que me lleva a tu lado
sin remedio:
lo que la gente llama amor, en suma.
Y los ojos
-qué importa que no sean estos ojos-
te seguirán a donde vayas, fieles.

[Angel González]

Por Ery Roberto | 12:39 AM
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Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

.:: metrô curitibano
SÉRIE "PRÓXIMA PARADA"



Foto: Bill V. Boas

Desde algum tempo atrás tornei-me usuário do transporte coletivo de Curitiba. Cantado em prosa e verso e a todos os ventos como o melhor em atividade no mundo, o sistema oferece uma multiplicidade de linhas alternativas para que você se desloque por toda a capital. Os horários são rigorosamente cumpridos e o conforto proporcionado pelas estações tubo, terminais de conexão e por uma frota de reconhecida qualidade, o tornam, em teoria, uma das decantadas "maravilhas" da capital paranaense. Este projeto despertou o interesse de diversos países da Europa e de outras capitais brasileiras. Ajudou para que Lerner se mantivesse no poder e depois formasse uma verdadeira dinastia.

Tudo isto seria um prêmio ao usuário não fosse a figura do próprio "usuário". A política empreendedora dos anos lernistas conseguiu transformações fundamentais em Curitiba. A valorização do espaço urbano via manutenção das áreas verdes, aplicações de programas sociais como o da "Reciclagem do Lixo", através da separação do lixo que não é lixo, criação de muitos parques ampliando áreas de lazer e esporte, Sacolões, Faróis do Saber, Linhão do Emprego, recuperação de áreas públicas no centro da cidade (violentamente atingida pela bandidagem) e muitos outros, positivamente mudaram o perfil da cidade.

Mas, quanto ao transporte coletivo, Lerner e seus sucessores cometeram um erro cruel: deixaram implantado um serviço de primeiro mundo, mas esqueceram de executar um programa de reeducação do usuário, para que este também se comportasse de forma a merecer este benefício social.

A insolência de grande parte desses usuários, produz algumas histórias engraçadas e outras nem tanto, mas que merecem ser contadas por alguém. A partir de sábado, dia 7 de fevereiro, publicarei aqui esta série.

Quando você embarcar neste Blog e ver um post intitulado "PRÓXIMA PARADA", prepare-se para se tornar um usuário virtual do Expresso (o vermelhão), ou do Ligeirinho, ou do Inter Bairros. Daí reze! Reze para que ele chegue logo na "próxima parada" e esta seja exatamente onde você terá que desembarcar...

Até lá!

Por Ery Roberto | 12:10 AM
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.:: literatura
UM MINUTO DE SILÊNCIO É POUCO


Associo-me a esta declaração:

"Morre Hilda Hilst. O Brasil amanhece mais burro, mais analfabético, mais ignorante. Outro dia foi Haroldo de Campos. Para um país que pouco lê, isso é um gencídio."


[postado em 04/02/2004, por Manoel Carlos, de Fortaleza, no blogCapitu]

Por Ery Roberto | 12:01 AM
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Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004

.:: paixão
O ÚLTIMO HAPPY HOUR




Intrigas amorosas, chantagens, amores impossíveis, peripécias, são alguns temperos básicos de um prato especial do cardápio literário chamado "romance urbano".

Constantemente repito em minhas leituras alguns fragmentos de Fernando Montalvão, com uma enorme vontade de continuar aquele texto que têm uma característica de crítica social. Hoje, um desses fragmentos me envolveu.

"Bar de sexta-feira. Todas as mesas ocupadas, com garçons flutuando sem peso nos corredores da arquitetura enfumaçada. O homem de terno entra, indo direto até o balcão. Pede ao bartender uma bebida e um segundo copo. Quando foi servido, afastou o que veio vazio alguns centímetros numa linha reta em relação ao cheio. Tirou da pasta uma foto 10 x 15 de uma moça sorridente, bem mais nova que ele. Pos a imagem de pé, amparada no vidro à sua frente. Levantou o copo com a bebida ainda intacta e fez um brinde ao retrato."

Pensei em terminar este fragmento assim:

Ele havia sido seguido por um homem que acabara de matar a mulher e alimentava a certeza que estaria ali, no balcão daquele bar, o motivo da sua desgraça conjugal. Este parou o conversível vermelho na única vaga da rua e, sem desligar os faróis, correu para a porta de vidro que refletia as luzes internas em tons laranja e lilás. Avistou o homem de costas. Antes que brindasse novamente ao retrato, pela última vez, o apaixonado executivo levou um balaço na cabeça.

Enquanto caiam o corpo e o derradeiro estilhaço de vidro da porta, acenderam-se outras luzes. O braço do homem, ao deslocar-se no balcão, derrubou a fotografia que veio parar no primeiro degrau da escada acarpetada de azul que levava ao salão. Foi então que, atônito, o atirador reconheceu ser uma das fotos de Emile, sua filha de 16 anos.


No CD do carro, os Titãs ainda cantavam os últimos versos de Saber Viver...

Por Ery Roberto | 12:19 AM
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Terça-feira, Fevereiro 03, 2004

.:: modo de ser


Gosto de ser um bom motivo pra você, mas preciso antes de tudo ser um bom motivo pra mim, ser aquilo que gosto de ser, viver feliz a partir da sensação de estar bem comigo mesmo. E para que isto seja possível preciso estar dirigindo a minha própria vida, ter os meus espaços, ler o jornal e meu livro preferido em qualquer lugar que me dê na telha. Às vezes eu prefiro dormir no sofá, do mesmo jeito que cheguei, sem travesseiros... outras, não gosto nem de pensar em dormir. Tenho dificuldades em traçar meus roteiros apressadamente e não abro mão de fazer isto em plena solidão.

Nunca vou a lugar algum para ficar, embora até possa estar feliz ali, mas é uma felicidade que só se completa se eu puder voltar pra casa, um lugar, onde sozinho, eu consigo contemplar o meu eu. Por favor, jamais confunda isto com egoísmo ou individualismo exagerado. Todo ser humano só se completa a partir de outro ser humano, mas não pode prescindir de si mesmo. É preciso aprender uma operação que consiga ora somar, ora dividir e produzir resultados infinitamente superiores.

Se me diz que mereço, sincero mostro gratidão, mas prefiro as pequenas coisas, preferencialmente aquelas que sejam possíveis sem nenhum sacrifício. Desacredito da idéia que eles precisam ser vividos para que se consiga efetivamente mostrar possibilidades de amor e convivência. O simples sempre será mais natural. Conseqüentemente mais honesto e marcante.

É um erro tentar deixar de ser você para agradar outro alguém. Se eu tiver que gostar, que ficar, será antes de mais nada porque gosto de você exatamente como você é. Mas, só conseguirei parar nessa estação se você sentir o mesmo em relação a mim, sem tentar nada para que eu me torne exatamente como você deseja.


Não Vim Pra Ficar
(Wilson das Neves/Paulo César Pinheiro)

Não vim pra ficar
Não reserve um espaço no armário pra me acostumar
Não espere no horário arrumada na sala de estar
Não pretendo trazer minha vida pro seu bangalô

Não vim pra ficar
Não separe um cantinho pra eu ler o jornal no sofá
Não pergunte o que eu gosto, que vai me fazer pro jantar
Me desculpe o mau jeito que é o jeito que eu sou

Não vim pra ficar
Não me guarde uma escova de dentes, não vou pernoitar
Não faz cópia da chave, não quero invadir o seu lar
Quero vir como sempre, feito um beija-flor

Não vim pra ficar
Não me põe monograma na fronha da gente deitar
Não pendure no tanque gaiola pro meu sabiá
Não faz do nosso encontro uma obrigação, por favor

Não vim pra ficar
Eu não quero assumir compromisso da gente juntar
Por enquanto é melhor não mexer, deixe assim como está
Vamos ver que destino vai ter nosso amor


Há letras de músicas que parecem ter sido escritas exatamente para cada um de nós. "Não vim pra ficar" é minha própria fotografia de pensamento. Ela se completa com Just The Way You Are, de Billy Joel.

Por Ery Roberto | 12:31 AM
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Domingo, Fevereiro 01, 2004

.:: lua e flor
DESEJO



[Foto de Celito Medeiros, que expõe suas "imagens poéticas" no MAR DE POESIAS]

Há um tom de singeleza
Sintonia de texturas e cheiros
Uma flor amarela, a mulher que se revela
O suspiro que denuncia

O rubor que a face reflete
O desejo que se anuncia
O pensamento viajante
Sem palavras, só fisionomia

Introspecção disfarçada
Contágio de suave toque
Simbiose vital de flor e fêmea
De beleza, de querer ser apaixonada

Por Ery Roberto | 12:27 PM
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