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Quarta-feira, Março 31, 2004
.:: ceticismo
REPOSITA
[Dúvida - Ana Mendes]
Tanto tempo, depois de andares por aí fascinada por personagens de Vitor Hugo, tu vens dizer que não me esqueceste?
Ainda me contas que aprendeste a gostar de certas palavras que principiam a missa de Domingo de Pascoela, mesmo sabendo que um padre me julgou ateu?
Quando daquela cibernética janela pronunciaste tua monossilábica confissão, deixaste a dúvida se querias meu perdão ou compaixão.
Será que lembraste nesse meio indefinido de ensejo o meu desígnio em te perceber? Se teu pretexto for a íntima resolução de ti mesma, porque te mostras somente em metades? Não coleciono fragmentos porque não sei me rasgar para igualmente me entregar aos poucos.
Tu sabes que meu coração cansado jubilou o entusiasmo. Na trilha da paixão só me existe agora alucinógenos momentos de fantasia. Mesmo assim, combato-me para evitar o ser utópico, ainda tenho animu e voluntate.
Genova! Será este nosso destino? Não te confundas. Nem lembrei da Ópera nem da Via Brigate Bisagno, estou falando de ti!
Por Ery Roberto |
1:06 PM
Terça-feira, Março 30, 2004
.:: governo lula
BOLINHA DE SABÃO
 imagem: www.ceuazulll.hpg.ig.com.br/bolinha_de_sabao.htm
Sebastião Nery (Tribuna da Imprensa) mostrou números incríveis da realidade e fez um desabafo digno de reflexão.
Considerando o desastre que é o governo Lula, ele afirma que a semana passada foi a primeira do fim da era petista, que ainda vai demorar bastante, mas muito menos do que imaginava a autista megalomania do Sr. Luiz Inácio.
Apesar da fama do Ibope de ser freguês de todos os governos, em tentar amaciar os tombos da opinião pública, os números não podem calar nem ser calados. A última pesquisa CNI/Ibope apresentou um resultado que até hoje foi o mais devastador para o Planalto:
- "Estrondo com a queda de 12 pontos na aprovação do governo Lula: de 66% em dezembro para 54% agora e o aumento da reprovação, no mesmo período, de 25% para 39% agora".
- "O apoio maior (a Lula e ao governo) está nos municípios de até 20 mil habitantes, onde a aprovação é de 62% contra 31% de desaprovação".
- "Nas cidades entre 20 mil e 100 mil habitantes, o apoio cai para 25%".
- "Nas capitais, (o apoio) é de 6%".
- "Nas regiões metropolitanas (capitais e periferias, o apoio desce) para - 0,3%, três pontos negativos" ("O Globo").
Disto tudo pode-se deduzir que até Palocci pode ver que Lula já perdeu a universidade, os intelectuais, as escolas, as redações, o funcionalismo público, o empresariado produtivo, os sindicatos, os trabalhadores organizados, a classe média e até os botequins.
Restam-lhe a elite vadia, que vive da especulação no sistema financeiro, e o povão desinformado dos infinitos grotões do interior, que pensa pela TV.
Se houvesse um tele-apagão que desligasse a televisão, sobretudo a solícita e engasgada em dívidas TV Globo, o governo Lula acabaria. Lula criou uma nova instituição universal: o telegoverno, o governo na TV.
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Governo "bolinha de sabão". Uma ilusão que durou pouco. Explodiu, não resistiu aos primeiros ventinhos. Imaginem se tivéssemos um "catarina" duas ou três vezes por mês.
Por Ery Roberto |
5:57 PM
Domingo, Março 28, 2004
.:: curitiba
PINHEIROS EM FESTA
nossa Curitiba completa amanhã 311 anos. É bom falar desta terra de tantos contrastes, principalmente já tendo vivido aqui por 25 anos. Neste tempo tive a alegria de ser testemunha das transformações sofridas por uma das cidades brasileiras que, ao contrário de outras tantas, conseguiu evoluir no sentido do ideal humanitario. Apesar dela também já ter se tornado vítima do turbilhão de violência do nosso tempo, orgulha-nos a vocação do povo curitibano em lutar pelo cultivo das suas tradições, pela valorização das grandes diferenças que fazem uma cidade criar uma identidade com seus filhos, principalmente na questão ambiental, na educação e qualidade de vida.
Há muito que dizer. Poderia falar da história, da raiz cultural, da natureza ecologicamente festiva, do planejamento, das lendas, transformações, enfim, até tentar rascunhar versos que glorificassem todas estas facetas, mas prefiro dizer da sua gente.
Fruto de um período de plena consciência política, o povo aprendeu a participar do planejamento coletivo, voltando-se para a prática salutar de participação no seu futuro. Isto nunca teria sido possível, não fossem os investimentos humanistas representados por ações inéditas de uma nova forma de vida - a devoção e respeito à natureza. Daí gerou-se consciência e educação. O aproveitamento das condições ambientais despertou o curitibano para o encontro, incentivando-o a certa mudança do seu tão criticado comportamento frio.
Curitiba deve o que é à sua gente, aos filhos legítimos e adotivos, aos estrangeiros, representantes de tantas raças que aqui encontraram uma acolhedora terra. Todos contribuiram para que ganhasse sentidos admiráveis, pois não há quem deixe de perceber que lhe sobram feições das poesias de Leminski, da arte de Poty Lazarotto, da sensibilidade de Helena Kolody. Quando introspecta é a cara de Dalton Trevisan, e quando melódica tem a virtuosidade de Saul Trumpete. Sua verdadeira cor só se pinta com os pincéis de Jacomitte e seu perfume chama-se "Flores".
O sorriso desta cidade é aberto a cada instante dos domingos do Largo da Ordem e sua feira, nos gritos de gol da Arena da Baixada e do Alto da Glória, nas manifestações artísticas de rua do calçadão das Flores, nas tardes alaranjadas de tantos parques. Seus fuxicos estão nos bares do centro e a libido da sua noite escorre pelas casas noturnas que se multiplicam.
O paladar de Curitiba é muito eclético, mas todos os apetites se encontram no festival gastronômico de Santa Felicidade. Seus olhos tem a cor dos olhos das polacas e agora ninguém mais tem vergonha do sotaque.
Se meu destino for ficar aqui, estarei todos os dias vestido do pensamento que sua gente me ensinou: "no coração desta cidade bate sempre a vontade de ser feliz. E a gente é feliz porque existe como ser humano, porque participa e contribui com a vida da comunidade".
Parabéns Curitiba! Que sua Senhora da Luz dos Pinhais lhe proteja eternamente.
Por Ery Roberto |
4:15 PM
Sábado, Março 27, 2004
.:: imagem
SEM TÍTULO (AINDA)
Esta eu recebi por e-mail. Sem menção alguma do local ou do evento, estou na busca de um bom título. Quer ajudar? Quem sabe a partir de um significativo seja possível preparar um post.
Estou sem idéias. ?O que será?
- MARATONA NA PRAIA DO PINHO
- ALL PACCINO ENTREGOU O ENDEREÇO DA S1MONE
- SPENCER TUNICK NO CARANDIRU
- CALENDÁRIO 2005 DA LUMA
Vai, tenta aí nos comentários!
Por Ery Roberto |
3:19 AM
Sexta-feira, Março 26, 2004
.:: gesto
AS VERDINHAS OU A MEDALHA?
Aconteceu em Brasília. Seu Francisco Bazílio, cearense de Sobral, cinqüentão, assalariado (R$ 370), faxineiro do aeroporto, encontrou um pacote com US$ 10 mil quando limpava um banheiro e entregou à diretoria da Infraero, no dia 8 passado.
Dizendo-se com a consciência tranqüila e também muito feliz por "ter conhecido o presidente", o cidadão foi gloriosamente recebido por Lula e Ciro Gomes, seu conterrâneo. Agora, vai ganhar como recompensa uma viagem a Sobral para rever a família. Antes, será condecorado com o "Mérito Infraero".
Sei de histórias semelhantes. Aqui mesmo, em Curitiba, tempos atrás um conhecido achou na rua um pacote com boa quantia e ficou apavorado. Passado o choque, depositou a grana na poupança do filho. Quando perguntado pelos amigos, diz que "nunca foi procurado pelo dono" e que se não aparecer logo vai fazer uso. Fiz um post a respeito. E o cearense, agiu certo?
Sinceramente não sei dizer o que a Infraero fará com o dinheiro. E se o dono não aparecer? A grana pode ser produto de transações ilícitas e neste caso não há como se provar a propriedade. Fico pensando se esta não foi a chance (talvez única) do seu Francisco alavancar a melhora da qualidade da sua vida e da sua família. De qualquer forma, há que se respeitar os seus nobres princípios...
Por Ery Roberto |
12:49 PM
Quarta-feira, Março 24, 2004
.:: guloseima
MEMÓRIAS DE UM EX-CHOCÓLATRA
"Uma névoa fina cobria o caminho sombrio por onde eu corria, descalço, sem destino, fugindo de uma criatura horrível que tenaz me perseguia. Aquele monstro marrom era rápido demais e nem mesmo sua obesidade mórbida era capaz de fazer diminuir o ritmo alucinante. Eu, sem forças, o baço explodindo, segurando o coração já fora do peito, pulmão em frangalhos, os pés sangrando com as pedras do caminho, caí. Ainda tentei levantar e subir na árvore molhada, à minha frente, mas não conseguia me mover. Estava alí, entregue à propria sorte, à mercê daquela coisa horrenda que se aproximava cada vez mais. Vertido em suor, senti minha respiração acabar. Nesse momento ele parou. Fechei os olhos. Quando armei a esquelha para espiá-lo, não acreditei. Tinha virado uma descomunal barra de chocolate."
Esta é a "sinopse" de um dos muitos pesadelos que eu tinha quando, por recomendação médica, tive que parar de consumir a quantidade exagerada de chocolate pelo qual era viciado. Houve um tempo, lá na Rua Santo Antonio, no Rebouças, onde morei, que eu devorava caixa e meia de bombons para ler um livro de 150 páginas. Um filme de 110 minutos custava duas barras das grandes. Eu comia na rua, no trabalho, no lazer.
Durante meses de abstinência eu sofri. Não havia alternativa para a liberação da minha serotonina, pois ela devia ter sumido com a dieta. Estava infeliz. Nada substituia o chocolate. O danado do médico havia dito que até os diets continham igual teor de calorias. Se quisesse eu tinha que me contentar com o achocolatado diet, bem menos calórico e reduzido em açúcar. Meu coração havia maldosamente sido proibido de ser protegido pelos flavonóides do chocolate.
Levei algum tempo para recomeçar as leituras e ver meus filmes. Olhava fixamente para o copo d´água e via uma metamorfose cruel. Transforma-se em minha mente num apaixonante "sonho de valsa". Era delírio! Reduzi o peso e coloquei-me em dia com o colesterol. No rastro da abstinência abandonei a cerveja e a barriga sumiu. Fui comprar uma calça e assustei a vendedora quando gritei de felicidade por ter conseguido vestir uma 38 (as velhas 44 eu tive que dar). Vez em quando eu devoro uns bombons, mas já não tenho a mesma ilusão. Até consegui passar isento pelo início de "Entre meninos e lobos", cujas primeiras páginas cheiram a chocolate.
Hoje li uma notícia no jornal. Que tal deliciar o corpo com uma merecida esfoliação à base de chocolate? Misture 2 colheres de mel, 2 de açúcar, 2 de aveia em flocos finos, 3 de óleo de amêndoas doces, 1 de gergelim e alecrim, 1/2 quilo de chocolate derretido, 3 gotas de óleo essencial de canela, ylang-ylang e patchouli. Passe no corpo, esfolie e deixe agir por 20 minutos. Retire no banho.
"Tô fora!" Prefiro esperar pela Páscoa...
"Não adianta vir com guaraná pra mim / É chocolate que eu quero beber..."
Por Ery Roberto |
5:21 PM
Terça-feira, Março 23, 2004
.:: diálogo & política
GRANDE DIFERENÇA
Ontem fui parar no DIÁLOGOS SOLTOS, blogado por Amanda Vieira e Nelson Villapouca, aos quais peço permissão para reproduzir um post interessante encontrado lá. O blog tem uma ótima proposta, mas a "deserção" dos autores já está sendo reclamada por quem aprendeu a apreciá-lo. Eis o texto:
- Sempre quis sair com você.
- Sério?
- Sério.
- Você nunca demonstrou nada.
- Ah, eu não tinha coragem.
- Por quê?
- Porque você é professora, linda e inteligente.
- E daí?
- Ah, eu era só cabo da PM.
- ?!?
- Agora é diferente. Fui promovido, agora eu sou sargento.
[Nelson Villapouca]
Hoje pela manhã, o centro da capital paranaense foi tomado por professores do todas as regiões do estado, em passeata de protesto contra veto do governador Roberto Requião, que retirou do projeto original do Plano de Cargos e Salários, sancionado anteriormente, o pagamento retroativo ao mês de fevereiro. O Executivo alega risco de infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Não consigo entender. Se há o risco alegado, por que o governador não manda alguém analisá-lo? Por que não se ateve a tal risco quando aprovou? Por que acusar a Associação dos Professores de promover um protesto com "fins eleitoreiros" quando a entidade só terá troca de direção em 2005? Por que não receber os mestres e "dialogar"?
Requião deveria entender que sua patente é maior que a de sargento! Para quem não conhece o governador, ele tem feito questão de ser considerado o "paladino" da justiça no Paraná.
Enquanto isso, 1,5 milhão de alunos ficam sem aula no estado.
Por Ery Roberto |
4:08 PM
Segunda-feira, Março 22, 2004
.:: golpe
DOM "STELLIONE" JUAN
Dizer exatamente o que elas querem ouvir. Fazer-se, inicialmente, de alguém bem sucedido na vida. Investir pesado nos telefonemas e nos serviços de tele-mensagem, mandar flores, como um perfeito "amante à moda antiga", freqüentar ambientes finos (dependendo nem precisa tanto, ir à igreja fazer "orações" também resolve), passar-se por executivo ou médico, ganhar confiança o mais rapidamente. Em seguida aplicar o "ferrão".
Esta parece ser, em resumo, a infalível receita de um tal Fernando José Souza que anda solto na praça. Ele se aproxima de certas mulheres e joga o charme. Pior, segundo as próprias vítimas, não tem os atributos de um Don Juan, mas sua lábia é irresistível (Sabe lá, talvez até depois do sexo oral fique mais ainda![*]). Consegue desde ir morar com a vítima, até apoderar-se do seu patrimônio. Fernandão já conseguiu arrancar R$ 375 mil de três mulheres, dentre elas uma psicóloga de 40 anos.
O meliante também usa a internet para se aproximar. Este recurso não é novidade, pois através dos chats, muitas mulheres já tiveram experiências semelhantes. Conversar com uma dessas vítimas (como já tive oportunidade) faz a gente ficar com nojo do caráter de certos homens, mas também refletir sobre a inocência de certas mulheres. Por outro lado, a questão, queiramos ou não, deságua inteiramente no aspecto da motivação psicológica, principalmente do lado feminino. Segundo a especialista em sexualidade humana, Ana Cristina Canosa, "o Don Juan é sedutor. Ele percebe o que outro está necessitando, rapidamente. São muito perceptivos. Percebem a fragilidade, se apresentam pra pessoa da mesma forma, descreve o que ela quer. Porque a gente descreve pro outro, o que a gente quer".
Este parece ser um diagnóstico perfeito, embora intrigante, principalmente na declaração final. Como explicar esta necessidade que aí soa como genérica, das mulheres abrirem a guarda tão facilmente ao contar suas carências afetivas? Sim, pois a gente fica buscando uma resposta para a questão da carência humana. Há o ingrediente do sexo, concordemos. Mas deixar-se envolver por um zé mané, que acaba de se apresentar via chat, e, mesmo depois de ter conversado pessoalmente algumas vezes, quem sabe suprido os apuros mais urgentes (??), passar a considerá-lo o melhor homem do mundo, aceitar convivência sob o mesmo teto, daí em diante viver um estado de fascinação provindo de alguns momentos feitos de flores, promessas e alguns jantares e entregar a "rapadura" passivamente é vulnerabilidade explícita, pra não ofender com outro tipo de adjetivo. Ah! O amor cega? Corram ontem pro oftalmologista, internem-se, entrem na fila do transplante de córnea.
O lárapio do 171 tem características visíveis. A lábia é a mais evidente. Porém, as mulheres que me perdoem, milagres não existem (sou cético desde criancinha, devoto de São Tomé). Na hora de fechar um negócio que envolve dinheiro, não existe outro comportamento mais apropriado do que primeiro desconfiar. Checar o que for possível, até inverter o princípio basilar da presunção da inocência serve, pois as armações mais ardilosas se dão onde o terreno é propício e a confiança brotou fácil. No mínimo pensar que "quando a esmola é demais todo Santo desconfia", deveria ser uma preocupação.
Voltando ao que sustenta "a especialista", já que o âmago da questão parece ser a fragilidade, nada mais prático do que rever certas questões históricas. Sendo assim, mulheres do meu Brasil varonil, (sem querer ser moralista!) catai vossos soutiens, porventura já separados para a próxima "queimada" em praça pública, porque os tempos estão pedindo uma outra revolução dos costumes.
[*] - pensamento do autor.
[+] LEIA a notícia como foi apresentada na TV ontem à noite.
Por Ery Roberto |
5:50 PM
Domingo, Março 21, 2004
.:: música
MILTON GUEDES, UM VIRTUOSO
Que dizer de um artista que domina com extrema primazia instrumentos de sopro como sax, gaita, flauta, trumpete, além de assoviar muito bem? E quando não está com qualquer um desses instrumentos usa a própria voz para mostrar uma performance de excelente qualidade, seja cantando músicas de outros compositores ou de sua própria autoria?
Esta virtuosidade chama-se Milton Guedes. Carioca, foi criado em Brasília. Foi lá, num bar, que acabou sendo descoberto por Oswaldo Montenegro, quando tocava sax. Oswaldo, apaixonado pelo som do rapaz o convidou para fazer parte do elenco de "Os Menestréis", em 1986. Milton foi para o Rio com a trupe de Oswaldo, e participou também das montagens de "Aldeia dos Ventos" e "A Dança dos Signos".
Em 1988, quando gravava num estúdio com uma banda de "reggae", Milton conheceu Lulu Santos. Foi a alavanca da sua carreira. Convidado a fazer parte da sua banda (Auxílio Luxuoso), Milton acabou ficando ao lado de Lulu por dez anos. Esteve, inclusive, com ele no Festival de Montreaux, na Suíça. Em 1993 iniciou a carreira solo gravando um disco com produção de Lulu Santos e Mayrton Bahia. Em 1997 saiu da banda para cuidar da própria carreira, gravando o segundo disco, agora com produção de Guto Graça Mello. Tornou-se conhecido com a música "Sonho de Uma Noite de Verão" - que também entrou para a trilha da novela Zazá. Outros dois sucessos são: "Outra Pessoa" - faixa assinada por Milton e Arlindo da Paixão, e que entrou logo em seguida na novela Era Uma Vez - e "Não Morre Tão Cedo".
Conheci o Milton, num show em Brasília, na época que trabalhava com seu irmão Márcio no Banco do Brasil e o vi pela última vez acompanhando a banda do Cláudio Zoli, no programa BEM BRASIL, da TV Cultura (por sinal, reprisado hoje e que me convenceu plenamente a respeito do Zoli, outra "boa surpresa" da nossa música).
Além da boa voz, Guedes encanta pela virtuosidade ao tocar instrumentos de sopro, especialmente o sax. Esta habilidade o fez participar de trabalhos com artistas do respeito de Paulinho Moska, Emílio Santiago, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Fagner, Alcione, Belchior, Fat Family, Alceu Valença, Elba Ramalho, Guilherme Arantes, Beto Guedes, Zeca Baleiro, Roberto Carlos e Milton Nascimento.
Apesar de apenas ter sido indicado a alguns prêmios da MPB, como o Prêmio Sharp (revelação) e Prêmio TVZ (melhor instrumentista), Milton já merece, há muito tempo, um destaque de peso que o faça mais conhecido ainda.
Se você estiver vendo um show na TV e ouvir um maravilhoso sax, preste atenção. Poderá conhecer um instrumentista de primeira linha, como outros tantos que o Brasil tem, mas que a mídia, ao contrário do que faz a tantos outros de qualidade duvidosa, esquece de prestigiar.
[pesquisa: www.geocities.com/Paris/Louvre/8605/miltonguedes.html]
Por Ery Roberto |
6:09 PM
.:: mário prata
AS TRÊS MOÇAS DA DOUTOR BACELAR
Uma das três primeiras crônicas que eu escrevi aqui no Estadão foi sobre a Síndrome do Pânico. Até hoje encontro pessoas que tiveram o mesmo problema que eu, leram a crônica, e trocamos pânicos simpaticamente. Outra foi sobre a sala de espera de um consultório psiquiátrico. A de hoje é uma mistura das duas, vários pânicos, e algumas salas de espera depois.
Na semana passada, comecei a sentir sintomas novamente. Achei que poderia achar que estava entrando em pânico de novo (fica tranquila, mãe, foi só uma ameaça). Ameaça ou não, fui ao velho (jovem) e bom psiquiatra. Infelizmente não havia ninguém na sala de espera para que eu me divertisse imaginando a loucura de cada um.
Sentei-me na poltrona. Nego-me ao divã. Jamais me deitarei num divã, de costas para o homem. E começamos aquele lero-lero de louco para louco. O consultório dele fica num 12º andar, com uma vista bonita lá para os lados do Ibirapuera. Já havíamos tocado naqueles pontos básicos do pânico, como a mãe da gente (qual é a mãe que não deixa a gente em pânico?), dos filhos da gente (filho adolescente dá pânico, sim) e da namorada (é sempre um panicozinho), quando eu observei, pela janela, do outro lado da rua (provavelmente na Doutor Bacelar), uma moça que acabava de acordar e estava, sumariamente vestida, na varanda do seu (suponho) também 12º andar. Dava para ver bem o jeitão (jeitinho) dela. Pouco mais de vinte anos, se tanto. Loira, cabelos compridos onde ela teimava em passar um pente branco e grosso diante do vento quente daquela manhã.
O doutor fazendo explanações sobre os meus problemas e eu, alheio, olhando pela janela, resmungava uns sims e uns nãos, quando não passava de hum-hum. Foi quando ele pediu que eu falasse da minha relação com não sei mais quem, que eu vejo que surge outra moça na sacada. Devem ser irmãs, pensei. A segunda irmã era ainda melhor. Shortinho, joelho carnudo, firme e, para minha excitação, mordia uma suculenta banana. Devem ser estudantes de Medicina da Paulista. Devem morar no interior. Comecei a viajar na história delas. Meu pânico tinha ido para o diabo. Estava, literalmente, nas nuvens, já me imaginando deitado no divã delas, contando tudo-tudo-tudo.
Mas o meu psiquiatra me trazia de novo à realidade pancada dos meus dias terrenos. E, financeiramente, como está? Sempre me dá vontade de dizer que estou na pior, para uma certa compaixão dele na hora de deixar o pagamento. Acho que era Freud o assunto agora. Ou seria esquizofrenia?
Foi quando entrou na sacada, lá do lado de lá, que estava cada vez mais do lado de cá, a terceira. Outra irmã? De calcinha e soutien? Estava. E o mais grave e estimulante: escovando os dentinhos. Não há nada que excite mais um homem do que uma mulher escovando os dentes, numa sacada, a 50 metros da realidade, com o vento batendo nos seus cabelos loiros e aneladinhos. Como escovava bem os dentes, a menina! Ia fundo, girava nas laterais, de baixo para cima, em ovais nas gengivas. Exatamente como os dentistas mandam a gente escovar.
Foi quando ele sacou que eu não estava nem aí. Disse para ele o que eu estava vendo. Ele se levantou (o que me deu liberdade para me levantar também) e fomos ambos para a janela. Ele gostou. Gostou tanto que abriu um pouco mais a persiana para a gente ver melhor. Ele se amarrou mais na que mordiscava a banana e eu fiquei com as outras duas, embora não tirasse o olho da que escovava os dentes.
Lembrei-me de um sabonete de muito antigamente (no psiquiatra, a gente lembra de cada coisa!) chamado As Três Moças do Araxá. Na embalagem, o desenho de três lindas meninas. Aquelas mesmas que estavam ali, na nossa frente, preparando-se para enfrentar o dia-a-dia, o pânico-a-pânico. Não sei se foi o Drumond ou o Bandeira quem fez uma poesia para as meninas do Araxá. Mas alguém fez.
Deixamos o meu pânico para lá e tecemos comentários sobre a anatomia de cada uma. A visão anatômica de um médico sempre deve ser considerada, nessas horas. Elas riam, estavam felizes. Nós dois também. O tempo da "consulta", infelizmente acabou.
- Você está ótimo!, disse ele.
- Você também!, disse eu, vendo a persiana se fechar.
Paguei "com prazer" e perguntei:
- Posso voltar amanhã?
- Claro. Mesma hora?
.............................................
[Mário Prata é um santo remédio contra o tédio e a falta de humor. Esta crônica é uma das publicadas em seu livro 100 crônicas - Cartaz Editorial Ltda - 1997]
Por Ery Roberto |
12:14 AM
Sexta-feira, Março 19, 2004
.:: memória
SOB O TEMA DA VITÓRIA
© M.Karp
Ayrton Senna completaria 44 anos no próximo domingo - 21 de março. O ano de 2004 marca também uma década da sua morte em Ímola.
Relembrar Senna é ser remetido a reflexões profundas sobre a existência. Algumas facetas da sua vida ensejam nobreza. A maneira como se formou profissionalmente é mais do que uma simples receita de sucesso. Foi incansável no trabalho, sua ótica de superação ultrapassou os limites convencionalmente estabelecidos, fez da dedicação uma marca de fé e sua determinação foi tenaz. Nunca contou exclusivamente com a sorte. Doou-se com emoção para alcançar glórias. Juntou a isto um sentimento de amor pátrio que o fez diferente de um brasileiro comum. Por tudo, tornou-se idolatrado.
Outra maravilhosa faceta é a do pensamento. Algumas frases de Senna são jóias de extrema raridade que se tornaram referência em matéria de otimismo, transformaram-se em autêntica filosofia para quem busca o sucesso. Foram lapidadas com positividade, exemplo, auto-superação, crença, sentimento e garra de campeão:
"Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo."
"Meu sonho não tem fim, e eu tenho muita vida pela frente."
"No que diz respeito ao empenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz."
"Quando você não está feliz, é preciso ser forte para mudar, resistir à tentação do retorno. O fraco não vai a lugar algum."
"Quero melhorar em tudo. Sempre."
"Podem ser encontrados aspectos positivos até nas situações negativas e é possível utilizar tudo isso como experiência para o futuro, seja como piloto, seja como homem."
"O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho."
"Senna aumentava nossa auto-estima quando agitava a bandeira verde-e-amarela nas pistas de todo o mundo. Ele representava e continua representando a nobreza de um Brasil predestinado ao sucesso, um Brasil que dá certo." Com esta chamada, chegou ao público no último dia 17 uma edição especial da revista "Manchete". 10 Anos sem Ayrton Senna, traz uma retrospectiva com fotos, entrevistas inéditas e testemunhos de pessoas que conviveram com ele, além de resumos das temporadas na F1. São 100 páginas que formam um documento imperdível.
Domingo, 21, é dia de GP. Torço para que após o último acorde da sinfonia dos motores daqueles bólidos, um dos brasileiros, com braço erguido e punho cerrado, consiga reger o "Tema da Vitória". Depois, no podium, as gotas do champanhe sejam como lágrimas de emoção e saudades.
Por Ery Roberto |
3:24 PM
Quinta-feira, Março 18, 2004
.:: drogas
ODEIO AS DROGAS, MAS AMO AS PESSOAS
 [*] Dedico este post a todos os meus amigos, parentes e conhecidos que ainda estão escravos das drogas.
Quando estreou no cinema, em 1992, Whitney Houston, ao viver o papel de Rachel Marron (The Bodyguard), uma superstar da música e do cinema no auge da fama, nem pensou que anos depois pudesse novamente precisar de um bom guarda-costas.
O destino parece ter-lhe sugerido um outro roteiro, no estilo "De volta para o futuro", agora com "a vida imitando a arte". Rachel tinha o brilho das estrelas e vivia aclamada pelos fãs. Era glamourosa, fascinante em permanente agitação, mas alguém queria matá-la. Outro alguém a protegia. E ela apaixonou-se por este.
Whitney, em 2002, confessou-se usuária de drogas e agora está internada para tratamento de desintoxicação. Nos últimos tempos a agitação, como no filme, passou a rondar seus dias. Casada, desde 1992, com o ex-rapper Bobby Brown, pai da sua filha Bobby Kristina, a cantora foi vítima de maus tratos e agressão física por parte do marido, fato que o condenou a voltar à prisão (estava em liberdade condicional).
Na arte, o risco de Whitney tinha origem na silenciosa perseguição de um assassino. No papel da realidade, o inimigo e a situação são parecidos, mas somente sua determinação e vontade de vencer o vício poderão lhe materializar um guarda-costas melhor do que Kevin Costner.
As drogas destruiram muitos dos nossos ídolos, a história coleciona cruelmente os fatos, porém o ser humano abdica constantemente da inteligência e prefere os riscos da presença inimiga. Esquece que "a alegria brilha nos olhos de quem simplesmente sabe curtir a emoção do viver" e que somente vivendo a vida, fazendo o que se gosta e realizando sonhos é que as portas do mundo se abrirão".
Whitney me comoveu um dia com sua voz talentosa - um inimitável soplano bem ao estilo das coristas negras que cantam nas igrejas protestantes. Foi merecidamente premiada, ganhou diversos Grammys e sua atuação no cinema também lhe rendeu glórias. Não precisava das drogas para se realizar.
Os títulos de certas canções do álbum "The Bodyguard", na maioria interpretadas por ela, bem que traduzem o meu sonho:- "I will always love you" - (Eu te amarei eternamente.)
- "Jesus loves me" - (Sim, Jesus também te ama!)
- "Queen of the night" - (Você sempre será a rainha da noite. Você é linda como um raio de lua cheia!)
- "Someday (I'm coming back)" - (Claro, você há de voltar!)
- "Waiting for you" - (Todos os seus fãs esperam por você!)
- "I'm every woman"- (Certamente você sempre será uma mulher vencedora!)
Que desta feita Whitney possa se apaixonar por uma intensa vontade própria de se recuperar. Esta será o melhor "bodyguard".
Embora as drogas façam parte de circunstâncias, para ser feliz é preciso, muitas vezes, opor-se a certas situações que o tempo insiste em exigir. Eu odeio as drogas, mas amo as pessoas!
Por Ery Roberto |
11:25 AM
Quarta-feira, Março 17, 2004
.:: revistas masculinas
E AS GRINGAS PEITUDAS?
Era só o que faltava. A revista britânica "Maxim" acaba de escolher sua próxima garota da capa. Será Marge, da família Simpson.
A conhecida personagem, cria do americano Matt Groening, foi produzida com um vestidinho sexy para aparecer na capa esfregando o chão. Nas páginas internas terá uma imagem que vai mostrá-la de cabelo solto. Certamente estará na cama esperando Homer, aquele simpático idiota, obeso devorador de rosquinhas...
Convenhamos, a safra daquelas "gringas" gostosas deve estar em baixa por lá. Por outro lado, se a moda pegar, imaginem a "Sexy", "Vip" e outras brasileiras correndo atrás da Radical Chic. Ainda bem que a Rebordosa já morreu. E aquela dupla pretensiosa que ainda habita o Big Brother que se cuide.
Melhor será escolher qualquer uma daquelas mulheres de Carlos Zéfiro, o criador dos nossos inesquecíveis "catecismos", nos anos 50 a 70. Bons tempos!
Por Ery Roberto |
5:11 PM
Terça-feira, Março 16, 2004
.:: besteirol
BROTHER "FORENTINA DE JESUS"
Nada contra essa garota, apesar da sua completa falta de conteúdo. Mas que com essa peruca ela ficou a cara do Tiririca, ficou!
E pensar que aqui em Curitiba tem um Bar com um telão instalado, mostrando 24 horas de BBB! Amigos, a cerveja não desce... nem Brahma! Mano Zéca que me perdoe.
Felizmente o BIG BESTEIROL BRASIL já está quase no fim.
Por Ery Roberto |
9:06 PM
.:: música
AO SOM DE CAZUZA
Frejat e Zélia Duncan gravaram Exagerado, de Cazuza, para uma campanha do portal Terra. O tom grave e suave de Zélia casou perfeitamente com o timbre de Frejat, que neste trabalho lembra demais a voz do mito Cazuza.
Se "Desfrutar do que não vê / do céu da boca ao ponto G", ainda stiver valendo, o negócio é curtir esta gravação.
CLIQUE AQUI.
.............................
Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos foram traçados
Na maternidade
Paixão cruel, desenfreada
Te trago mil rosas roubadas
Pra desculpar minhas mentiras
Minhas Burradas
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar
E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
E por você eu largo tudo Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Pra mim é tudo ou nunca mais
Exagerado
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado
Jogado aos teus pés
Com mil rosas roubadas
Exagerado
Eu adoro um amor inventado
Jogado aos seus pés com mil rosas roubadas exagerado
Adoro um amor inventado
Por Ery Roberto |
6:01 PM
.:: publicidade
IMAGEM ARRANHADA

Por Ery Roberto |
12:19 PM
Segunda-feira, Março 15, 2004
.:: conexão blog
BELO DESAFIO
A minha amiga Cathy, do blog DESPENSEIROS DA PALAVRA, publicou, em 07 de março, um belo texto de autoria do Gaudério, do blog TEORIA DO CONCEITO.
Além de um interessante comentário crítico-literário da maior competência, onde abordou com admirável clareza aspectos peculiares da narrativa, lançou um desafio aos seus leitores. O texto deveria ser reescrito sob o ponto de vista "feminino".
Resolvi, como outros leitores, aceitar a formidável "provocação". Escrevi a versão e qual a minha surpresa ao ter sido brindado com a escolha do texto que, segundo ela, foi o que mais refletiu o sentimento feminino.
Registro meu especial agradecimento por esta escolha, confessando que embora o texto original tenha a riqueza que só mesmo o Gaudério sabe dar a uma narração, não foi um exercício fácil, pois pensar sob a ótica feminina exige muita percepção e sensibilidade. Depois de rascunhar a idéia, refiz o trabalho diversas vezes. O produto final teve a leitura da Leila Larson, que muito me ajudou a lapidar as idéias, a quem também agradeço pela colaboração.
Cumprimento especial ao Gaudério, autor do texto original, pela sua capacidade criativa e admirável virtude de passar a fácil compreensão e incitar reflexão.
O desafio foi fantástico pelo fato de permitir o entendimento do quanto é importante praticarmos a empatia, detalhe que, como bem disse a Cathy, "faz a vida ser mais bela, encontrar no outro o nosso semelhante, respeitar as diferenças, e conseguir sentir o seu sentir."
Leia o trabalho original e as versões "femininas" dos participantes do desafio.
Por Ery Roberto |
1:32 AM
Domingo, Março 14, 2004
.:: terrorismo
A LISTA DOS INOCENTES
Bárbaro, repugnante!
A história do homem está manchada por nova brutalidade. São tantas crueldades que se cometem à sombra eterna da impunidade.
Século XXI. Espanha. 11 de Março de 2004. As atrocidades se sobrepõe à PAZ no contexto da inteligência da humanidade.
Mario Sergio Conti, de No Mínimo, contou de Paris:
"A centésima-nonagésima-nona vítima da matança em Madrid foi um bebê de sete meses. Ela morreu em nome do quê?"
O trem fantasma da história estará voltando? Onde acabará essa viagem?
Imagine - John Lennon
("Imagine all the people
Living life in piece...")
Por Ery Roberto |
1:16 AM
Sábado, Março 13, 2004
.:: teatro
13º FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA
Teatro Ópera de Arame - Curitiba
As manifestações artísticas mais conhecidas de Curitiba tem lugar nos teatros. Isto tornou-se ainda mais evidente há exatos treze anos, quando aqui foi realizada a primeira versão do que é hoje o maior evento do gênero no país.
Neste ano, de 18 a 28 de março, os vários teatros e espaços culturais da capital ecológica estarão abrigando os espetáculos da Mostra Contemporânea, Mostra Infantil e do Fringe, encenados por companhias de todo o Brasil, além de cursos e oficinas e eventos paralelos.
O site oficial do Festival traz, desta vez, um completo mecanismo de busca da programação, com processamento de natureza avançada e por palavra-chave, além de importantes informações sobre serviços, ingressos, entrevistas e cobertura de mídia.
Curitiba fica mais alegre nestes dias em todos os seus espaços. Do Largo da Ordem a Ópera de Arame, a cidade se transforma num caleidoscópio humano formado por todos os sotaques, raças e tribos. Eis uma ótima oportunidade para você conviver aqui e experimentar um pouquinho de todos os climas.
Por Ery Roberto |
5:15 PM
Sexta-feira, Março 12, 2004
.:: curitibanidade
ARES DO SUL
Tempo desinibido!
Mofado, vestido de lã
Fez salto alto da garoa
Saiu feito outono travestido
Por Ery Roberto |
6:48 PM
Quinta-feira, Março 11, 2004
.:: inveja
A inveja, ou no popular, "Olho Grande" ou "Olho Gordo", já foi tema abordado na literatura ao longo dos tempos. Desde Dante Alighieri, que no Canto XIII do Purgatório descreveu sobre o castigo dos invejosos, que teriam os olhos cosidos per l'orrible costura, até a indefectível A inveja é uma merda, expressão que se popularizou por aqui (será que foi a partir do título de artigo homônimo de André Sant'Anna?), tratamentos temáticos de outros ilustres são bem conhecidos.
Osvald de Andrade não deixou por menos: "Só me interessa o que não é meu.". E Maria Zamborano sentenciou: A inveja é um mal sagrado."
Porém, foi Ivane Leite quem me proporcionou as melhores gargalhadas sobre o assunto com seu escrito Tão grande como um qualquer, por abordar a inveja literária. Este texto merece reprodução. Divirtam-se!
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"Ai de quem pensa que o mundo literário é imune às pequenezas que assolam o resto dos mortais. Tanto cá, como lá, homens e mulheres são tomados por mesquinharias que, por mais que nos aborreçam, são impossíveis de serem deixadas para trás.
Falo isso de cátedra. Bem cedo me puseram um livro na mão. A experiênca da leitura me encanta de tal maneira que, desde então, me persegue o sonho de ser um escritor famoso. Notem bem, escritor famoso. A escrita por si só não bastaria, afinal, escrever qualquer um escreve. Eu queria ser grande, reconhecido pela crítica, pelo público e por todos os demais escritores.
Espelhava-me no exemplo dos que me antecederam. Mas o que poderia ter sido incentivo, aprendizado, logo tornou-se tortura.
Já nas primeiras letras, ao ser tragado pelo universo lobatiano, senti a fisgada. Quero fazer igual. Lápis e papel na mão, garranchos mal feitos escorrendo no papel, cosi eu também minha boneca: Emídia, era o seu nome. A dona da boneca, Bochechinha; seu primo Joãozinho; a avó, Dona Benedita e a empregada, tia Donata. Assim nasceu meu primeiro livro: Sítio da andorinha amarela.
Hoje sei que a inveja sempre esteve por trás de tudo. Era ela que conduzia minha mão por linhas já escritas. Na escola, ao conhecer José de Alencar, fui tomada por um nacionalismo incontido e inventei minha selva, onde moravam Dori e Nanci.
Ao ler A Moreninha, escrevi A Queimadinha. Ao ler Vidas Secas, foi a vez de Vidas Amargas, a história de uma família de retirantes cujo cão se chamava Tubarão.
Eis que chego ao grande Machado. Na primeira fase escrevi: Tetê Garcia, O pé e a meia, Caim e Abel. Na segunda, mais portentosa, Memórias Póstumas de Brás Tinas, Memorial de Antares, Quincas Botas e Dom Casmirro, o homem que morreu achando que sua bela Tuiuiú o traiu com seu amigo Assunção.
Depois foi a vez dos poetas: Mário, Oswald, Gullar, João Cabral, Drummond. Tinha uma caçapa no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma caçapa.
Fui modernista como os modernistas, concreto como os concretistas, piedoso com os católicos, ateu com os hereges, revulucionário com os latino-americanos, surreal com os franceses, rebelde com os americanos. Não há o que eu não tenha sido nessa vida.
Hoje, próximo do fim, me pergunto: de que valeu-me tantos anos de escritora se nunca provei o sabor da fama? Nunca ganhei prêmios, nunca fui reconhecido, nem sequer publicado.
Se algum arrependimento me vem por ter seguido tão de perto os passos já traçados na longa estrada da literatura, sei que agora é tarde para ter estilo próprio. A morte se avizinha. Morrerei como um qualquer.
Só de uma coisa não abro mão: que sobre a lápide do meu túmulo leia-se Sicrano de Tal, escritor."
Por Ery Roberto |
6:57 PM
.:: espetáculo
B.B.KING EM CURITIBA
Santa mãe! Quando vi o outdoor eu parei e devo ter ficado uns dez minutos, estático, sonhando com um espetáculo desta proporção. B.B.King em Curitiba, no Teatro Guaíra? É sonho, pensei. Devo estar delirando! Ter o maior guitarrista de blues dando um show na cidade onde a gente está é um acontecimento único. Lembrar que este cara influenciou guitarristas como Eric Clapton, Buddy Guy, Jimi Hendrix e Albert King, entre muitos outros, e pensar que é só comprar o ingresso antecipado e ir dia 18/03 reviver tantas lembranças dos sons deste astro, que marcou minha geração, é um compromisso, coisa imperdível.
Mais: B.B. King vem acompanhado de Calep Emphrey Jr. (bateria), Melvin Jackson (saxofone), Walter King (saxofone), Charles Dennis (guitarra), Leon Warren (guitarra), James Bolden (trompete), Stanley Abernathy (trompete), James Toney (teclados) e Reginald Richards (baixo).
Pensei, "tem que ser agora"! Corri para o site do Teatro e, infelizmente, "acordei do sonho" quando vi os preços dos ingressos.
Mas vou continuar sonhando. Tenho umas "tranqueiras" pra vender. Alguém está interessado em alguma delas? só R$ 170,00?
I Like to Live The Love - Anthology
Please Love Me - Live At The Regal
Por Ery Roberto |
12:47 AM
Quarta-feira, Março 10, 2004
.:: manias
RASCUNHO DE MEMÓRIAS
Muita gente guarda (ou esquece), lá no fundo de alguma gaveta, no canto da prateleira de um armário ou dentro de uma caixa qualquer, um livro bem encapado onde foram anotados seus compromissos e outras informações que lhes motivaram o trabalho e outros aspectos da vida durante o ano inteiro: uma agenda.
Certas pessoas, além desses registros típicos, rascunha alguma curiosidade interessante, um dado importante, como o endereço ou telefone de alguém que seria bom reencontrar. Fazem da agenda um diário de lembranças, um rascunho de memórias. Todo ano é a mesma coisa.
Interessante que esta documentação raramente é acessada em tempo posterior. De nada servem, mas continuam guardadas. É um histórico que não interessa a ninguém, nem mesmo ao próprio dono depois que ganha ou compra a do ano seguinte.
Mesmo que as agendas fossem colecionadas com a intenção de uso futuro, ou seja, como recurso de acesso a alguma informação necessária para alguma outra coisa, não seria capaz de resgatar uma passagem com todo o detalhamento que é possível estar na lembrança, a verdadeira memória.
Acho que é uma mania como outra qualquer, daquelas que diversas pessoas cultivam de "guardar tranqueiras".
Eu jogo fora. A seqüência da vida que se incumba de apagar os rastros e a memória que trate de registrar definitivamente os momentos mais importantes. Enquanto funciona, pois quando pifar não adiantará ter escrito em nenhum lugar...
Por Ery Roberto |
3:33 PM
Segunda-feira, Março 08, 2004
.:: dia internacional da mulher-II
A ALMA DA MÚSICA BRASILEIRA É FEMININA
Desde os tempos de Chiquinha Gonzaga elas, todas elas, foram transformadas em musas. Seus dons superam as fragilidades. Elas brigam pelo que crêem. Choram de felicidade, gritam para se fazer ouvidas com um sorriso. Peitam as injustiças,
negativas não lhes emudecem. Elas tem um tempo certo para transformar o sonho de amor na realidade da vida - o epílogo do parir. Aprenderam que um toque, o beijo, o abraço apertado, a jura secreta, reconquistam um amor. São seres que escolheram o coração para alojar definitivamente a alma. Cantam quando querem apenas chorar. Seus pedaços se multiplicam através do incondicional amor pelos filhos. Mesmo quando não há mais forças, ainda assim são fortes.
Construíram, delicadamente, uma ponte entre os obstáculos e as vitórias, concretando a passarela dos ideais apenas com esperança e paciência. A travessia as fez compreender das possibilidades de voar, andar, correr, dirigir, impor-se.
Mentes iluminadas e apaixonadas, reconhecidamente as transformaram em temas de exaltação. De Tom Jobim a Jota Quest, de Chico Buarque a Gabriel O Pensador, de Vinícius a Mário Lago, de Nelson Gonçalves a Sidney Magal, de Roberto Carlos a Tiririca, de Luiz Gonzaga a Adoniram, de Ney Matogrosso a Erasmo Carlos, de Ivan Lins a Netinho, de Milton Nascimento a Emílio Santiago, de Jorge Benjor a tantos outros, todos cantaram e decantaram sua magia.
Com Alcione, Aline, Amanda, Amapola, Amélia, Ana, Ana Cristina, Ana Júlia, Anália, Angela, Aurora, Bárbara, Beatriz, Beth, Bianca, Brigitte, Candinha, Carla, Carolina, Cássia, Chica da Silva, Clareana, Clarice, Cleide, Clementina de Jesus, Conceição, Creusa, Cristina, Diana, Dinorah, Dona Neuma, Dona Zica, Doralice, Elba, Elis, Emilia, Eva, Forentina de Jesus, Francisca, Gabriela, Gal, Geni, Gilda, Glorinha, Guta, Helena, Inara, Índia, Iracema, Irene, Izabela, Januária, Joana, Juliana, Kátia Flávia, Laura, Leila Diniz, Lia, Ligia, Luciana, Luiza, Madalena, Marcianita, Margarida, Maria, Maria Bethânia, Maria Bonita, Maria Izabel, Mariana, Marina, Marisa, Maura, Mila, Mônica, Narinha, Natasha, Rita, Rosa, Rosita, Sandra Rosa Madalena, Sebastiana, Severina, Sthefanie, Suzie, Telma, Tereza, Terezinha, Tieta, Vanderléa, Vera, Yolanda, Zizi, Zulmira, a música popular brasileira assumiu a feminilidade da sua alma.
Por Ery Roberto |
4:31 AM
.:: dia internacional da mulher-I
MARIA SEM VERGONHA DE SER MULHER
Já são tantas. Milhares... Milhões.
Uma verdadeira rama, florescendo por todo o planeta. São Maria-sem-vergonha de ser mulher. Não são florezinhas.
São mulheres se agrupando, misturando cores, gritando encantos, exibindo suas verdades. São domésticas, bailarinas, médicas, estudantes, bancárias, professoras, escritoras, garis, brancas, negras, índias, meninas, agricultoras...
São sem-vergonha de lutar, acreditar, denunciar, exigir, reivindicar, sonhar... São Maria-sem-vergonha de dizer que ainda falta trabalho, salário digno, respeito... que ainda são vítimas da violência física, da porrada, do assédio, do estupro, do aborto, da prostituição, da falta de assistência...
São Maria-sem-vergonha de se indignar diante do preconceito, da escravidão, da injustiça, da discriminação de seus cabelos pixaim e à sua pele negra... São Maria-sem-vergonha de brigar por creches, educação, saúde, moradia, terra, comida, meio ambiente...
São Maria-sem-vergonha de ficar bonita, pintar a boca e da sua boca soltar um beijo que não vem da boca, mas do seu ser inteiro, indivisível, solidário.
São Maria-sem-vergonha de dizer NÃO, de buscar alegria, prazer...
Sem vergonha de se cuidar, de usar camisinha e de se apaixonar. Atrevidas. Maria sem vergonha de decidir, fazer política, escolher e ser escolhida...
São essas sem vergonha que a cada tempo mudam a história. Conquistam direitos. Dão a vida. Geram outras vidas. Insistentemente, desavergonhadamente vão tecendo de cor e beleza, o desbotado das relações humanas.
Sem medo, sem disfarce, sem vergonha de ser feliz vão parindo com dores e delícias um novo mundo prá mulheres e homens.
[texto de divulgação de atividade do MESD - Movimento por uma Esquerda Socialista e Democrática em Curitiba - PR]
"PAGU"
Rita Lee/Zélia Duncan
Mexo remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito "home"
Sou a rainha do meu tanque
Sou Pagú indignada no palanque
Fama de porralouca, tudo bem
Minha mãe é Maria Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima
Por Ery Roberto |
4:29 AM
Domingo, Março 07, 2004
.:: ginástica
DAIANE "DE OURO" DOS SANTOS
"A deusinha de ébano decola e flutua, muda o movimento carpado e cria uma nova trajetória em plena levitação. Parece um pássaro de plumagem branca, que não canta mas encanta. Quando desce, toca o solo com graça, empina o corpo que descreve delicadas curvas e levanta os braços como asas. O sorriso flui dos olhos, das mãos, da pele negra. Todos imitando aquele maior sorriso que é interpetado pelos lábios, mas cuja autoria é do seu talento em parceria com o coração pequeno de menina."
---------------
[Daiane dos Santos, a maior ginasta brasileira de todos os tempos, acaba de ganhar a Medalha de Ouro na final do solo na etapa da Copa do Mundo de Ginástica, em Cottbus (Alemanha). Mudou o famoso movimento duplo-twist carpado, para duplo twist esticado. Está encantando o mundo.]
Por Ery Roberto |
3:38 PM
.:: f1
TUDO IGUAL
Cochilei depois do segundo pit do Rubinho. A Fórmula 1 recomeçou sem qualquer graça. Eu esperava mais. A prova foi um passeio do Schumacher. Pior de tudo que ele virá, em outubro, comemorar o heptacampeonato aqui no Brasil. Este ano, Interlagos será a última prova da temporada.
A distância da Ferrari para as demais equipes é grande demais. Se os adversários não acordarem logo, tenho a impressão que será a temporada mais chata dos últimos tempos.
Por Ery Roberto |
2:42 AM
Sábado, Março 06, 2004
.:: brasil
TRÁFICO, FRAUDES & INCOMPETÊNCIA
Triste, mas a cada dia que passa o governo petista apresenta provas suficientes para que a população brasileira desacredite mais. Lembro emocionado do texto que publiquei em 01.01.2003 - "TEREMOS AMANHECIDO OUTRO BRASIL?". Nele eu desabafei minha alegria com a vitória oposicionista de Lula & cia e confessava minha fé em melhores dias. Havia acreditado na possibilidade de mudanças:
"Revigora-nos a disposição de combater a violência e a corrupção, cânceres até hoje incuráveis na vida nacional e cuja origem sempre esteve no estado de impunidade arraigado e preso como "carrapato" ao bojo das nossas instituições políticas e judiciárias. É motivador o sentimento de confiança popular, pois sem isto instalar-se-ia a impaciência e o consequente subvertimento da ordem. Acredito que o povo mais sofrido saberá esperar pelas mudanças, pois agora mais do que sempre acredita que possam advir. A obstinação de Lula pelo combate a fome e a pobreza é uma vontade que se confunde com a história da sua própria vida como cidadão. Será certamente sua mais importante luta. Esperemos pelo pacto social que mencionou repetidas vezes. Esperemos que o entendimento e o comprometimento dos organismos institucionais seja a tônica deste governo e que a criatividade nunca esteja ausente, bem como a serenidade na administração de conflitos possa resolver os possíveis impasses a romper."
Ontem os noticiários exploraram uma seqüência de fatos que literalmente desmentiram os anseios colocados nas minhas afirmações (fragmento acima).
- COMBATE A VIOLÊNCIA E AO TRÁFICO
A polícia prendeu nesta sexta-feira, Sandro de Oliveira, cunhado de Fernandinho Beira-mar, responsável pelos negócios da quadrilha em São Paulo. Com a prisão de Claudair de Faria em junho do ano passado no Paraguai, Sandro de Oliveira ganhou espaço e status no bando de Fernandinho Beira-mar. Daqui de São Paulo ele comandava todos os negócios com os traficantes do Rio de Janeiro e da Colômbia.
Para a polícia está claro que mesmo atrás das grades Fernandinho Beira-mar controla as principais rotas do tráfico dentro e fora do país.
- FRAUDE
Descoberta mais uma fraude no programa Fome Zero, que alimentava há mais de um ano quatro funcionários do Fome Zero do Ceará, que desviavam dinheiro do programa.
- CORRUPÇÃO
É praticamente certa a impossibilidade de criação da CPI DOS BINGOS, pois os líderes dos partidos resolveram não indicar os integrantes da comissão. Como este ato está amparado em lei, José Sarney, presidente do Senado, declarou que vai respeitar a decisão. Tudo vai acabar novamente em "pizza".
Em resumo:
Como acabar com o tráfico e a violência se nem polícia não acredita em suas próprias possibilidades, rendendo-se ao "poderio" de um traficante preso? Se ele continua comandando operações, mesmo detido em um presídio de segurança máxima, é mais do que coerente acreditar que haja o envolvimento direto da própria polícia e de advogados corruptos.
Se os próprios funcionários do programa símbolo da maior promessa do nosso presidente estão cometendo fraudes, quem vai depositar confiança em algo do gênero? É outra prova que este projeto jamais resolverá o problema. O que resolveria - geração de empregos -, o governo esqueceu.
Se o parlamento acredita que a solução dos Bingos é mais competência da polícia do que um dever político, que esperar?
Fácil visualizar, neste contexto, que formou-se um loop perverso. Resta rezar. Mas com o olfato protegido!
Por Ery Roberto |
4:42 PM
.:: atitudes
A MENTIRA DA LUMA
Apesar de não ter o hábito de ficar prestando atenção nas conversas alheias, por vezes o tom e a proximidade acabam obrigando a isso. Hoje, no restaurante, sentado bem próximo a duas mulheres, não pude deixar de ouvir seus comentários a respeito da atitude da Luma de Oliveira no recente episódio da falsa gravidez, que serviu de motivo para não desfilar no carnaval.
As opiniões, em princípio divergentes, tinham, ao final, algo em comum. "Se ela estava tentando dissimular a Escola de Samba, por simplesmente não querer desfilar, não haveria motivo para mentir, já que não faltaria outra agremiação para lhe oferecer o cetro de rainha da bateria no próximo carnaval. Se o casamento acabou tão rápido, depois de tudo, é uma senha perfeita que as coisas já não iam bem, sendo errado forjar uma gravidez para com isso justificar qualquer atitude posterior. Se pretendia unicamente uma forma inédita de "aparecer", mais grave ainda pois, como personagem de mídia que é, não haveria a menor necessidade. O seu público, uma legião de admiradores, foi enganado."
Penso que ela enganou foi a si mesma. Mostrou fraqueza de caráter, brincando com algo sério, ou seja, com a vida. Independente de qual tenha sido o verdadeiro motivo, que só ela deve saber, o que andou dizendo à imprensa, depois de tudo, ninguém mais acredita. Apesar que os famosos costumam "pisar na bola" vez ou outra, manchou o seu glamour por não ser hábil para administrar um episódio que dizia respeito tão somente à sua vida particular.
Pior do que a maior enganação de qualquer pessoa comum, a mentira deslavada de uma personalidade faz com que seus créditos diminuam consideravelmente, independente de quaisquer outros atributos - que aliás, no seu caso são fartos!
Por Ery Roberto |
3:11 AM
Quinta-feira, Março 04, 2004
.:: dor
LÁGRIMAS DA ALMA
 "Lágrima", em arte digital Leão Stilianidi [+]
É difícil ver alguém sofrer por um grande problema, principalmente um amigo, ou pessoa querida.
Mesmo que seja de forma inconsciente, sem que nos programemos e estabeleçamos prazos para isto, o tratamento de questões provocadoras de crises em nossa vida passa por etapas bem distintas.
A primeira delas compreende a descoberta e o reconhecimento do problema. Não podemos cair na armadilha cruel da negação, quando todas as evidências colecionadas apresentam-se como peças de um quebra-cabeça a compor a cara do monstro que nos ataca. É o choque.
Antes da fase do planejamento de soluções, quando a situação já deverá estar totalmente absorvida e, preferencialmente fora do território problemático, possamos encontrar a carga adequada de razão e emoção, é preciso passar pela etapa mais sofrida - o choro.
São as lágrimas que nos ajudam a compreender e nos preparam interiormente para um combate. Elas parecem derreter a nossa incredulidade, e, como numa reação química, são capazes de transformar a multiplicidade de elementos em uma solução de natureza mais pura. Nossas lágrimas misturam arrependimento, medo, inconformismo, mas também certa dose das melhores essências que são arrancadas do coração e do pensamento.
Compreendo muito quem prefere viver esta etapa no santuário da sua solidão. É um direito. Apesar de nada nos impedir de mostrar solidariedade através da força moral ou ajuda material, este momento deve ser encarado com indevassabilidade. É chorando que descarregamos todo o trauma, são as lágrimas que podem faxinar a nossa confusão mental. Certamente depois disso estaremos fortalecidos com o próprio Eu, tendo instalada a lucidez que desperta e abre novos caminhos.
Adiante, qualquer tipo de ajuda, penso, só deva ser oferecida a alguém a partir do seu grito de socorro, pois ainda há homens que preferem em sua sinonímia definir dignidade, em primeira instância, como lutar sozinho. E há diversos motivos para esta atitude, que por coerência não cabe a ninguém deixar de respeitar, mesmo que não se comungue pensamento semelhante.
Por Ery Roberto |
5:20 PM
Quarta-feira, Março 03, 2004
.:: memória poética
OCEANOGRAFIA DISPERSA
Sou um apaixonado pelo mar. Há anos coleciono conhecimentos que não me servem de muito porque navego sobre a terra.
[...]
Olho as pequenas ondas de um novo dia no Atlântico.
O navio deixa de cada lado da proa um risco branco, azul e enraivecido de águas, espumas e abismos agitados.
São as portas do oceano que tremem.
Sobre elas voam os diminutos peixes voadores de prata e transparência.
Volto do exílio.
Olho longamente as águas. Sobre elas navego até outras águas: as ondas atormentadas da minha pátria.
A noite chegará e sua sombra esconderá uma vez mais o grande palácio verde do mistério.
[Pablo Neruda, em Confesso que vivi - Memórias]
Por Ery Roberto |
12:24 PM
Terça-feira, Março 02, 2004
.:: simplicidade
VIVER NÃO DÓI
 "Leveza do Ser" - óleo sobre tela - Lilian Mendes [+]
Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive. Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, por exemplo, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por que?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas; por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido juntos e não tivemos; por todos os shows, livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas angústias, se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro esta sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: iludindo-se menos e vivendo mais.
[autor desconhecido]
Por Ery Roberto |
2:30 PM
.:: cinema - oscar2004
MUITOS CHAMADOS, POUCOS ESCOLHIDOS
A gente precisa lembrar que o fato do filme brasileiro CIDADE DE DEUS ter sido indicado a quatro estatuetas já foi um prêmio. Competir com produções como O Senhor dos Anéis e Entre Meninos e Lobos, que monopolizaram a festa, foi uma briga desigual.
Fica a alegria de termos sentido que nosso cinema tem futuro a partir de trabalhos como este, que merecem o incentivo da crítica nacional, do público amante da sétima arte e mais precisamente das parcerias que possam ser formadas, inclusive de parte do Ministério da Cultura. Além de tudo, ter encontrado nas indicações deste ano uma porta de exposição para o mundo é acontecimento que não tem preço.
Por Ery Roberto |
2:23 PM
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