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Terça-feira, Agosto 31, 2004
.:: sistema penal
RODA VIVA DO ÓBVIO
 www.manchetearte.com
Vadiagem, consumo de drogas, deterioração física e mental, recuperação zero e negativação de perspectivas futuras. É com esta paleta de cores que se pinta o quadro de vida no sistema penal brasileiro, além do exigível dispêndio do erário público, que bem parece o solvente para todas as tintas nesta minha metáfora.
Irati, município paranaense, 145 km de Curitiba. Lá, seis presos da delegacia da cidade acabam de receber o único diploma de suas vidas até hoje. Uma parceria da Polícia Civil com o Senai promoveu a formação de pedreiro para aqueles detentos, que foram escolhidos dentre 30 internos, utilizando-se histórico de comportamento carcerário.
Além da virada na auto-estima e a possibilidade de ao sair da pena ver facilitado o reingresso no mercado de trabalho, agora com o diferencial da formação profissional, segundo o superintendente da delegacia "os presos encontram tranqüilidade com a ocupação diária de oito horas, o que os leva a dormir mais cedo e aumentar a segurança na delegacia".
O próximo passo será ampliar o trabalho para além dos limites da instituição. O delegado titular está tentando uma forma legal para que os internos saiam da prisão e se juntem a pessoas da comunidade para executar tarefas em mutirão, ajudando a construir creches e escolas.
Este projeto permitiu a realização de uma obra no prédio da delegacia, aumentando as dependências para instalação de cartórios, necessidade que não seria possível atender de outra maneira por escassez de recursos. Os presos prestam serviço e se sustentam. Ganham a polícia, o estado e o cidadão. Neste caso a polícia civil deixou de gastar aproximadamente R$ 30 mil.
Elogiável! Onde tudo parece perdido, redescobrir o óbvio, reinventar a roda, pode levar ao caminho da tão esperada redenção, pois nada pode ser mais motivador a qualquer ser humano, principalmente nesta condição, do que descobrir perspectivas onde ninguém aposta, motivar-se através da educação e do trabalho. Que a sociedade esteja também habilitada para fazer a sua parte, pois este aspecto é "o outro lado da meia noite".
A oferta de trabalho para presos está aumentando nas penitenciárias do Estado, mas em Delegacias é o primeiro registro.
O trabalho do detento, pelo código penal vigente, reduz a pena - para cada 3 dias trabalhados há uma redução automática de um dia - benefício que se contabiliza para uma futura progressão de regime.
Por Ery Roberto |
10:16 AM
Segunda-feira, Agosto 30, 2004
.:: athenas 2004
O HERÓI BRASILEIRO
Quase anônimo, embora seja considerado o maior maratonista brasileiro da atualidade, o parananense Vanderlei Cordeiro pode ser considerado o maior herói das Olimpíadas de Athenas.
No sacrifício, com dores, mesmo depois de ter sido vítima do inusitado incidente promovido pelo "louco irlandês" que invadiu a pista parando o nosso atleta, ele - que tinha uma dianteira de 40 segundos a 6 km da entrada no estádio - superou o abalo psicológico, retomou o percurso e completou a prova em terceiro lugar, ovacionado pelo público que reconheceu a vitória moral do conterrâneo.
A invasão da pista foi um episódio que manchou a mais nobre das provas da olimpíada, nascida na lenda de Pheidippides (em 490 a.C., os gregos haviam vencido os persas na batalha de Maratona e coube a Pheidippides a tarefa de levar a boa notícia até a cidade de Atenas. Ele correu aproximadamente 35 km da planície da Maratona até Atenas e ao chegar só teve fôlego de anunciar "vencemos" e caiu morto!)
Vanderlei sobreviveu e ganhou as honras. Mesmo com toda repercussão na imprensa internacional, o COI confirmou a medalha de bronze concedendo-lhe, a título de reconhecimento, a Medalha Barão Pierre de Coubertin. Foi, enfim, um bronze mais valioso que o próprio ouro!
As imagens que ilustraram todos os posts sobre athenas 2004 são da agência Reuters, COB e Folha Imagem e foram colhidas dos portais UOL, GLOBO e no site oficial ATHENAS 2004. Até Beijing 2008!
Por Ery Roberto |
12:59 PM
.:: athenas 2004
OURO PARA O MELHOR
GIOVANI Galvio, ANDRÉ Heller, MAURÍCIO Lima, GILBERTO Godoy Filho, ANDRÉ Nascimento, SÉRGIO Dutra Santos, ANDERSON Rodrigues, NALBERT Bittencourt, GUSTAVO Endres, RODRIGO Santana, RICARDO Garcia e DANTE Rodrigues Amaral.
Embora em alguns momentos o destino pregue uma peça e nem sempre o melhor ganhe, a medalha de ouro da Seleção Brasileira de Volei, a meu ver, era a mais esperada e tida como certa.
A conquista, valorizada pelo quilate técnico dos adversários, principalmente o da final olímpica, mostrou ao mundo tudo que o atleta canarinho é capaz. Isto em última instância é a síntese do povo brasileiro. O fato de ser um esporte considerado de elite pelo aspecto de ter um bom patrocínio, estrutura diferenciada, não esconde algumas dificuldades vividas por atletas - como Serginho - até chegar ao nível de hoje. Representa em si a força de luta, a capacidade de superação, a disciplina e a qualidade individual a serviço do coletivo.
Foi um momento de rara emoção para nós todos. O instante máximo da realização de um sonho abre os nossos sentimentos, aflora o sorriso da alegria que instantaneamente se converte em lágrimas, até então contidas pela adrenalina e concentração, não sem antes passar pelo aperto da garganta que quase sufoca. Só mesmo a explosão do momento final, quando para muitos, por alguns instantes subseqüentes ainda faz a realidade se confundir com o sonho numa fração de incredulidade que se derrete ao sabor da comemoração, é capaz de lavar a alma e nos entregar a certeza de sermos melhores.
Parabéns aos magistrais atletas do nosso volei bicampeão olímpico, credores do reconhecimento absoluto dos esportistas do mundo inteiro, por um trabalho irretocável de grupo que, obviamente, leva a marca deste insuperável Bernardinho, hoje uma unanimidade mundial.
Por Ery Roberto |
9:36 AM
Sexta-feira, Agosto 27, 2004
.:: internet
POLÊMICAS AUTORAIS - O CASO DO "VAIDADE"
Lembro que já escrevi sobre isto duas vezes. Depois do último post, continuei recebendo e-mails com bons textos, cuja autoria era creditada a escritores famosos[*], mas que na verdade acabaram me deixando enorme dúvida. Anteriormente, por ter postado alguns (acrescentando minha opinião a respeito) fui corrigido por leitores sobre o detalhe da autoria.
Tomei a decisão de não mais reproduzir ou adaptar textos recebidos por e-mails, caso não tenha pleno conhecimento do seu verdadeiro autor. Aqueles que me tocam profundamente saio fazendo uma busca, do tipo "malha fina", para confirmar.
A internet transformou-se num território de ninguém.
Felizmente minha vaidade autoral não me traz problemas como o episódio que acabou de acontecer com a jornalista e blogueira Rosana Hermann. Esta é a vantagem de ser só um humilde blogueiro.
Rosana leu uma manchete - "Cantor do LS Jack é internado em coma no Rio após lipoaspiração" - e, abalada, fez uma crítica sobre o tema. A matéria, profissionalmente desenvolvida, que apresentava uma bela opinião sobre a malfadada e insana busca da estética ideal, recebeu o título de "No trabalho e .. chocada" (LEIA AQUI).
Em 24 de agosto último teve conhecimento que este texto estava sendo replicado em outros blogs, repassado por e-mail e no Orkut, assinado (pasmem) por Herbert Viana.
Fogueira ardendo, Rosana correu pela blogosfera e descobriu que, além de tudo, o texto tinha sido adulterado. A primeira pessoa, a que tinha a má intenção, suprimiu uma frase, tirou o nome da autora, mudou o título, incluiu uma frase do Herbert e assinou o nome do cantor.
Outro detalhe percebido é que ela não escreve a palavra "Deus" por completo. Questão pessoal a leva, sempre, a grafar "D'us". A má intenção, o crime autoral, ficou evidente. No mínimo o estelionatário achou que fosse um "erro de digitação" (penso!).
Fico questionando, como ela também declarou ontem, o que leva uma pessoa a agir assim. Será por "VAIDADE"? Rosana tem uma opinião sólida a respeito, mas discordo que seja apenas a mesma vaidade do título falso. Acho que não é somente o prazer de ver um bom trabalho replicado por aí e aceito. É malandragem também. É crime, é falta de respeito, de capacidade para raciocinar e criar algo bom da sua própria lavra sobre tema atual. É estelionato autoral.
Concordo quando a autora afirma que tal atitude nos chega como um tiro. Acrescento: "tiro no peito", pois nós que amamos escrever coisas sérias (e bem escritas), fazemos com o coração.
Já tive trabalhos copiados, alterados, alguns dissabores que tento deixar passar, mas que isto é de péssimo gosto não me cabe nenhuma dúvida.
Recentemente pesquisando um tema no Alta Vista, deparei com o apontamento para um blog. Entrei e vi um texto meu copiado - com o devido crédito - e bem aplicado ao contexto do post que o apresentava. Abri o sistema de comentários e li alguém, outro blogueiro, afirmando que iria utilizar o "fragmento" ilustrativo (deve ter gostado). Cliquei no link (felizmente tinha) e voei para o outro blog. Minha suspeita se confirmou. Eu estava lá, dentro de um outro post, escrito "mal e porcamente", alterado ao sabor da "omelete de ovos de ameba" que certamente existe em lugar da massa encefálica na criatura.
O único momento lúcido que teve foi não citar a autoria. Assim funciona a vaidade pra mim. Se é pra reproduzir, que pelo menos se tomem os mínimos cuidados com o teor original e com a fonte. Meu perfeccionismo é tanto (desculpem) que, quando replico texto de alguém, tento até manter, no possível, a formatação original. Tenho notado que algumas pessoas que adoram "formatar" e-mails, tem o costume (nem vou adjetivar) de fazer o texto "dançar" ao seu bel "gosto musical" na tela alheia. Tudo bem que fica "lindinho", como elas dizem, mas freqüentemente a operação cosmética (que pensam ser arte) acaba suprimindo partes, pontuação e gerando outros deslizes capazes de alterar o sentido. É horrível!
Detesto ver um texto, um "filho" meu, freqüentando conteúdos de arquivos "pps" mal desenhados, enfadonhos em sua configuração e "decorados" pelo mau gosto que permeia a internet. Quando quero ver "anjinhos voando" eu abro a Playboy ou vou à uma "boate".
Estou com a Rosana e não abro. Um blog é mais pessoal que uma revista, um jornal, um portal. Respeito é bom e agrega. Sem vergonhismo da espécie arde, afasta e merece repúdio de gente séria.
Quem aprovar este meu novo desabafo pode replicar. Publiquem em seus blogs/sites, editem textos próprios, como preferir, e repassem da melhor maneira.
Como diz a colega Rosana, "um beijo, um browse, um aperto de mouse!"
[*] - Alguns dos autores preferidos nos repasses de e-mails são Luiz Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabour. Pelo menos na minha caixa postal.
.:: UPDATE - De alguns comentários que li sobre o assunto lá no blog da Rosana (não tive tempo para ler muitos), selecionei dois. É incrível, leiam:

Por Ery Roberto |
10:38 AM
Quinta-feira, Agosto 26, 2004
NA GELADEIRA
Um copo de vinho, provocando um copo de leite:
- Ô branquelo! Você tá muito branco cara! Não tem vergonha dessa cor desbotada? Vai pegar um solzinho, faz bem para a saúde!
- Olha só, quem vem falar de saúde! Logo você que prejudica tanto a saúde das pessoas! Ataca o fígado, embriaga! Você só faz mal, cara!
- Tá certo! Tudo que você falou é verdade! Agora só tem um detalhe! A minha mãe, é uma uva... e a sua?
Por Ery Roberto |
1:10 PM
.:: athenas 2004
VIOLINO AFINADO
Depois de ouvir o concerto de Torben Grael e Marcelo Ferreira, Poseidon - o deus grego do mar - pintou seu palácio no fundo do Oceano de verde e amarelo.
A classe star, no iatismo, é considerada "o violino dos mares", tamanha a dificuldade de afinação do barco. Os brasileiros deram um show. Torben Grael, com a vitória antecipada, conquista com Marcelo Ferreira nossa 3ª medalha de ouro e alcança a condição de maior atleta olímpico do país (Prata em Los Angeles84, Bronze em Seul88, Ouro em Atlanta96). Junta-se a Ademar e Scheidt no seleto grupo dos bicampeões olímpicos.
Palmas, flores, ramos de oliveira, ouro e, óbvio, "... Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!"".
Torben Grael mantém uma ONG, em Niterói-RJ, onde dá aulas de natação e vela.
Hoje, a partir das 15h00, as meninas do futebol disputarão nova medalha. Torço para que o destino, irônico como sempre, nos ajude a ganhar a única medalha que falta ao futebol brasileiro, tanto desejada pela nossa seleção masculina. Quem é mesmo o "Deus do Destino"?
Por Ery Roberto |
12:11 PM
Quarta-feira, Agosto 25, 2004
.:: athenas 2004
MAIS OURO
Para coroar uma carreira cheia de títulos, Ricardo e Emanuel ganharam hoje a segunda medalha olímpica para o Brasil. Jogando contra a dupla espanhola Javier Bosma e Pablo Herrera, mostraram uma evidente superioridade, vencendo por dois sets a zero (21-16 e 21-15).
Vale comemorar, pois esta medalha é inédita no masculino (as mulheres já haviam ganho em Atlanta-96, ano em que a modalidade foi instituida nas olimpíadas).
Ricardo e Emanuel eram favoritos, já que formam a dupla mais vencedora nos últimos dois anos.
Para chegar à medalha, a dupla teve que vencer os noruegueses Horrem e Maaseide (21/15, 19/21 e 15/10), os australianos Schacht e Slack (21/17, 21/17) e os americanos Holdren e Metzger (21/17 e 21/10), para se chegar ao primeiro lugar do grupo A da fase de classificação. Nas oitavas, os noruegueses Kjemperud e Hoidalen (21/15, 19/21 e 15/6), nas quartas, os irmãos suíços Laciga (21/13 e 21/16) e nas semifinais despacharam os também suíços Heuscher e Kobel (21/13, 19/21 e 15/12).
"Uma medalha que junto com a de Scheidt oficializa o casamento do nosso mar com a praia, formando uma belíssima paisagem dourada. Que venham muitos filhos..."
... e vem mais por aí! Hoje a Seleção Masculina de Volei de quadra entregou o presente de aniversário de 45 anos ao seu técnico Bernardinho: uma vitória magistral, por 3x0, frente à Polonia, que carimbou sua passagem às semifinais do torneio. Isto tudo, depois das meninas do basquete também vencerem as espanholas e entrarem nas semifinais.
Por Ery Roberto |
6:19 PM
.:: lembranças
No último dia 23 de agosto o poeta completaria 60 anos (1944-1989).
Se ele ainda fosse vivo, atento observador de tudo, Paulo Leminski certamente aproveitaria para também escrever sobre o neto (a filha Áurea Leminski é mãe recente).
O menino que aos 5 anos de idade pedia ao pai para que o colocasse em cima do guarda-roupas, para não ser incomodado pelo irmão mais novo e "pudesse ler", viveu intensamente, embora morresse cedo (44 anos) vitimado por complicações hepáticas.
Essa urgência de viver fez de Leminski um precoce. Cedo interessou-se pela leitura e era considerado "diferente" pelas tias, pessoas para as quais dedicava um carinho especial e com quem tinha grande afinidade. Conta a família que uma das maiores alegrias aconteceu quando foi morar na Rua Duque de Caxias, no Cristo Rei, perto da casa da sua Dinda. Fernandina Mendes, a tia coruja, conta que Leminski foi criativo desde a infância. As pessoas logo percebiam a genialidade que marcou o menino poeta-escritor. Foi um homem liberal, feliz, que viveu a vida como quis.
Pouco acompanhei os últimos anos de Paulo Leminski, mas imagino que tenha sido um boêmio dos maiores desta Curitiba fria e de noites tão enigmáticas na época.
Nego Miranda, fotógrafo e amigo, testemunhou seu temperamento. Ainda lembra a imagem inconfundível do poeta em sua escrivaninha, esbravejando idéias e cercado por uma turma barulhenta. Relata que ele era polêmico, mas brilhante. Receptivo, porém não ouvia muito as pessoas.
O gênio tem pensamento próprio. Seu "croqui de idéias" vai se encorpando a partir da observação constante e o espírito crítico acaba por formular uma teoria, por vezes polêmica em função da base ideológica que a sustenta.
A obra do maior artista paranaense é composta de 18 livros e 8 traduções, mais composições musicais e participações em antologias poéticas. De Catatau, edição do autor, 1975, até Ex-estranho, pela Iluminuras, 1996, Leminski construiu uma temática abrangente que o imortalizou como literata respeitado no Brasil e fora daqui.
Dizia, "... Escrever é só uma das coisas que o ser humano sabe fazer. E eu me sinto mais humano depois de fazer isso...". Foi um craque no interessante jogo das palavras - "... a partir de três ou quatro palavras eu faço um jogo" - e sua obra é repleta de belos exemplos.
Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso
________
Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as
consoantes!
________
tão doce, tão cedo,
tão já
tudo de novo vira começo
________
São Não
não são
são não
rogai por nós
para que não
sejamos não
________
Um dos poemas que mais me emociona é "A LUA NO CINEMA".
A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
Uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste
- Amanheça por favor!
[A Lua no Cinema - Arte Pau-Brasil, 1989]
Leminski batizou uma filha de Estrela Leminski, hoje escritora, compositora e baterista da Banda Casca de Noz.
"Não Fosse Isso e era Menos, Não Fosse Tanto e Era Quase", título de um dos seus livros, resume tudo.
[Algumas informações contidas neste texto tem como fonte o Caderno G, do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, edição do dia 23.Ago.2004]
Por Ery Roberto |
3:30 PM
Terça-feira, Agosto 24, 2004
.:: athenas-2004
O SONHO NÃO ACABA
Hás de lamentar um sonho adiado em frações do principiante tempo da conversão em realidade, no extremo do trajeto da imaginária diagonal do palco tablado do teu carpado, diante dos não menos imaginários olhares dos deuses? Não fosse sonho seria mera ilusão, fenômeno que não é próprio dos Santos.
Ah! Sei que não serás confortada nem ao menos pela máxima do Barão, eis que tuas imaginárias asas, graúna dos pampas, como um castigo de Ícaro, trairam-te no movimento final do primeiro pouso. Talvez estivessem sobrecarregadas pela esperança de tantos da tua raça, desiquilibrando-te no momento maior da ansiedade de realização.
Hás de dizer novamente que teu sonho não continha promessas diferentes daquela una, que somente pra ti, com honra, transformarias no melhor da doação.
Doaste Ane! Não apenas o melhor que podias, mas tudo que tinhas.
Lembres que jamais um choro sambado em capoeira há de ser teu carma sinóptico de frustração, mas trilha-símbolo da tua garra e do sentimento brasileirinho que é sósia da força da tua cor.
Quiseram esses imaginários deuses que aquela branca do leste europeu, com seu corpo pluma quase pueril, levasse teu ouro em vôo incontestável, mas tu, criança com corpo sinuoso de mulher, na apoteose da aspiração, ensinaste ao mundo o valor da pérola da tua raça.
Deste Ane! Tudo que tinhas, mais do que podias!
Nosso povo, este deu-te Ane, todo respeito que mereces.
Agora Dai, Ane, outro sorriso pra embalar novos sonhos, pois se os deuses escolheram outras, tu continuas dos Santos. Nenhum sonho acaba em nós mesmos. Muitas vezes termina apenas a nossa missão, parte de um anelo maior que cabe a outros continuar...
Por Ery Roberto |
10:13 AM
Segunda-feira, Agosto 23, 2004
.:: conexão blog
ELAS POR ELAS
Durante dois anos, inspiradas na série Sex and the city e confortavelmente instaladas no anonimato, duas jornalistas transformaram as suas próprias histórias e as das amigas em diversão, reflexão, humor e, sobretudo, crítica.
Hoje fiquei muito surpreso ao acessar o blog Elas por Elas e ler "O último post". Isa e Mari resolveram encerrar o EPE, pensando em outras trilhas a seguir, novos rumos, diferentes projetos que chegam e vão.
Fiquei triste, pois quando resolvi blogar, fiz do Elas por Elas a minha escola. Além de posts divertidos e da participação aberta de muitos leitores nos comentários, ter o prazer de trocar algumas mensagens com as duas, descobri muita poesia em seus textos, composições que foram um verdadeiro "virar ao avesso" para mostrar a forma feminina de encarar e viver a vida. Aprendi demais.
Capturei lá, uma frase inteligente no último post: "Para que o novo chegue, é preciso em certo momento deixar para trás o que já existe, saber perder para saber ganhar". Conhecendo um pouco destas duas amigas, o pensamento exprime claramente a existência de outros projetos mais ousados, os quais tenho certeza que darão bons frutos, pois este tempo foi suficiente para conhecer e sentir o potencial inquestionável de cada uma delas.
Boa sorte Isadora e Mariana! Vocês deixam saudades.
Por Ery Roberto |
2:34 PM
Domingo, Agosto 22, 2004
.:: athenas 2004
OS DEUSES OUVIRAM O HINO
Demorou, mas ela chegou. O Brasil ganhou a primeira medalha de ouro nas Olimpíadas de Athenas. Roberto Scheidt, agora o maior atleta brasileiro em olimpíadas de todos os tempos, conquistou esta condição ao se tornar o segundo bicampeão olímpico, feito só conseguido anteriormente (52 e 56) por Adhemar Ferreira da Silva.
Scheidt ganhou a primeira medalha de ouro em Atlanta-96, a prata em Sydney-00, além de 7 campeonatos mundiais, 3 medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos e 10 Campeonatos Brasileiros. Em Athenas teve uma performance marcada pela regularidade, tendo ganho apenas uma das 11 regatas, mas liderou todo o torneio.
Este feito, marcado em seu momento mais glorioso, com a imagem da bandeira verde e amarela subindo ao ponto mais alto sob os acordes do hino nacional, certamente já está imortalizado na história. Os deuses haverão de lembrar. Foi pura emoção.
... e numa dura competição, não deu para o nosso Jadel Gregório. Mas ficou a certeza que é possível uma evolução até Pequim-2008.
Por Ery Roberto |
4:13 PM
Sábado, Agosto 21, 2004
.:: athenas 2004
OUTRA ESPERANÇA
O Brasil acaba de vencer a Rússia, no volei masculino, aumentando a esperança da medalha de ouro. Amanhã, às 14h10, é dia de torcer por uma grande promessa do atletismo brasileiro. Depois de Adhemar Ferreira da Silva, Nélson Prudêncio e João do Pulo, o saltador Jadel Gregório busca a sétima medalha olímpica brasileira na modalidade. Ele carrega, em Athenas, a responsalibidade de manter a tradição do salto triplo em olimpíadas.
O paranaense foi medalha de prata no Pan de Santo Domingo, quando saltou 17,72m no Troféu Brasil. Em Sydney-2000, o britânico Jonathan Edwards conquistou o ouro com 17,71m. Esta marca nos dá o direito de sonhar com a medalha. Torçamos!
Por Ery Roberto |
6:05 PM
Quinta-feira, Agosto 19, 2004
.:: personalidades
O SÉTIMO ELEMENTO
"As pessoas, muitas vezes, acreditam que eu seja intransigente, ou excessivamente exigente. Mas como não se arrepender se não temos convicção de que demos 100% de nós?"
Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, é hoje um dos maiores técnicos que o Brasil já teve.
Dotado da experiência adquirida como jogador, juntou sua exuberante vocação de liderança, conhecimento estratégico e rara inteligência, para formar grandes seleções e colecionar títulos nos times e seleções que dirigiu. A consagração é resultante de trabalho duro. Com a Seleção Feminina de Vôlei, de 1997 até os Jogos Olímpicos de Sydney e de lá até hoje como técnico da Seleção Masculina, ele conseguiu "elevar" o nosso volei ao nível dos grandes, principalmente após conquistar o tetracampeonato da Liga Mundial.
Bernardinho revolucionou o fator "extra-quadra", se é que assim possamos chamar o banco ou a área destinada aos reservas e ao técnico. Ali também se "joga". Quando o set inicia, ele levanta, vai ao limite da sua linha e se transforma. Conversa, chama atenção, orienta, cobra, grita, gesticula, lamenta, extravasa, vibra, ri, chora, explode, consola, abraça, incentiva, decide por mudanças táticas ou materiais, impulsiona, sofre, acredita, comemora. Nunca coube-lhe o figurino da apatia. Ele é o sétimo elemento na quadra.
É um profissional que vive intensamente seu trabalho. Perfeccionista por natureza, exige o máximo dos atletas que comanda. Essa busca pela perfeição é constante. Costuma dizer que "há uma equação que descreve bem a trajetória dos grandes campeões: dedicação + talento. A dedicação pode ser definida como a força inesgotável que permite seguir em frente. É a busca constante da capacitação através do treinamento e da grande disciplina que esse processo exige. O segundo requisito, o talento, também é muito importante. Certa dose é necessária, mas nem sempre os grandes campeões são os mais talentosos. São, isso sim, aqueles que conseguem usufruir e desenvolver o dom que têm. Mas há um termo que faz essa equação realmente dar resultado: a paixão que observamos no olhar dos grandes campeões, a intensidade em suas ações. O principal exemplo, para nós, brasileiros, é Ayrton Senna."
O que impressiona em Bernardinho é seu poder de conquistar confiança e agregar seus atletas em torno de um objetivo. Márcia Fu afirmou, certa vez, que se Bernardinho mandasse as jogadoras baterem a cabeça no muro, elas obedeceriam. A devoção, agora estendida também aos homens, é justificada com os resultados e principalmente o clima de grupo que ele instala facilmente, valorizando o diálogo e companheirismo.
Numa atividade onde os resultados são trabalhados com sacrifício, muitas vezes, em situações de dramaticidade e pura adrenalina, onde o fator psicológico influi decisivamente, é preciso também saber dosar a tranqüilidade e paciência. Ele se transforma no terapeuta, usando de sua vasta bagagem e de especial metodologia de participação.
Bernardinho aposta em conversas individuais com cada jogador e destaca os ensinamentos do livro Amor é a Melhor Estratégia, de Tim Sanders, na hora de trocar idéias com os atletas em momentos como o do corte de Henrique, antes do embarque para a Grécia. "O livro mostra que amor é abnegar de algumas coisas em favor do crescimento dos outros, e é isso que tem de ser feito, é esse sentimento que tem de estar reinando", afirma.
No último jogo das atuais Olimpíadas, contra a poderosa Itália, o Brasil protagonizou, segundo os críticos, "o mais exuberante quinto set" da história do volei olímpico. Venceu por 33x31. E Bernardinho "jogou" muito!
A cotação verde e amarela para o ouro na modalidade aumentou bastante. Se ganharmos, estará na hora de conceder-lhe uma comenda especial, pois além das lições que aprendemos com ele, é comovente sentir como Bernardo transmite a energia para a vitória.
Quando não está com seus atletas, profere palestras sobre comando de equipes de trabalho, do esporte ou fora dele. Lê muito, geralmente livros sobre esporte e assiste a todas as transmissões de jogos que pode.
ALGUMAS FRASES
:: "Não aceito nada que não seja 100%"
:: "Para o treinador, gerir um time tem seus altos e baixos e por isso mesmo o diálogo é fundamental."
:: "O que eu quero é que esses jogadores realizem os seus sonhos. E essa é a nossa missão aqui: somos viabilizadores de sonhos."
:: "A importância social e educativa do esporte é enorme. O jovem é atraído pelo esporte. Muito pode ser passado, como caráter. O esporte dá opções que a vida não oferece. É um meio de educação muitas vezes mais atraente que a educação formal."
Por Ery Roberto |
8:47 PM
Quarta-feira, Agosto 18, 2004
.:: mudanças
REFORMULAÇÃO FORÇADA
A "nave" está de cara nova. Forçado pelas circunstâncias da limitação imposta pelo Blogger, replanejei tudo e resolvi ampliar as mudanças.
Além de produzir este novo template, que em princípio ficou mais leve e consequentemente mais rápido para ser baixado em sua tela, removi meus "arquivos" para outro servidor. Será um pouquinho mais trabalhoso, mas pelo menos saí do sufoco que já beirava os 10 megas. As imagens, também as removi para o servidor que agora acolhe minha "caixa-preta".
É aquela velha lição que a própria vida nos ensina: "nos momentos de crise as soluções devem ser buscadas com toda a vontade. Neles, acabamos descobrindo o poder do raciocínio e das soluções criativas". Tudo isto porque não posso ficar sem blogar, não tenho como abandonar amigos tão valiosos que fiz por aqui.
Restam alguns ajustes no acesso aos arquivos e outras adaptações que virão gradativamente. Na seqüência também incluirei os links que venho prometendo a alguns amigos blogueiros. Espero que o visual esteja aceitável. Continuarei cuidando, com muito carinho, do conteúdo, que afinal de contas é o mais importante.
Por Ery Roberto |
10:52 PM
Terça-feira, Agosto 17, 2004
.:: loreta
PEQUENA GRANDE LAURA
A simbologia que envolve o nome das pessoas é de uma riqueza exuberante. Associar e interpretar estes fatores é descobrir uma certa energia guardada dentro da personalidade e do caráter de cada ser humano.
Loretta, um atenuante de Laura, encerra em seus significados uma história de triunfos, glórias e honras. Originário do latim, significa "coroa de folhas de louros", algo evocativo, emblemático de vitória. Os próprios jogos olímpicos, na era antiga, premiavam os vencedores com a coroa de louros.
Em termos genéricos as pessoas que tem nome iniciados pela letra "L" possuem temperamento amável e são portadoras de docilidade. São sinceras, principalmente, e apesar de demonstrarem aparente fragilidade são de uma coragem admirável. O louro é rico em ferro e talvez aí esteja a explicação para o caso de Loretta.
A nobreza de caráter é perfeitamente associável ao nome científico da planta, ou seja laurus nobilis. O louro representa também companheiro da glória e do sucesso. É símbolo da poesia, amigo das letras. A palavra "bacharelato" vem do latim bacca laureus, o "formando coberto de louros". O loureiro era a árvore consagrada a Apolo, deus grego da profecia, poesia e cura. As sacerdotisas transmitiam suas profecias após, entre outros rituais, comer uma folha de louro. Na Idade Média era utilizado como remédio para todos os tipos de doenças e se acreditava que o louro protegia contra o contágio das epidemias.
Tenho uma grande amiga chamada Loretta. Nada pequenina, certamente recebeu este nome para distingüir a delicadeza da sua personalidade e compor a fineza da jóia que é sua extraordinária figura humana. É daquela que combina perfeitamente com seu nome, esta canção que todos nós adoramos ouvir.
No último sábado comemoramos juntos nossos aniversários - o dela é hoje, dia 17 de agosto. Não poderia ter escolhido melhor dia para nascer. Para leoninos não existe berço, dizem os entendidos, existe "palco". Loretta tem o seu particular, onde a grandeza da sua figura (quando nos abraçamos eu tenho que subir num banquinho para me igualar aos seus quase 200 centímetros) representa sempre um ato de garra para vencer os caminhos da vida. Parabéns pra você "garoTTa dos louros"! (não sem motivos, ainda guardo em minha carteira uma folha de louro, presente seu numa passagem de ano)
Por Ery Roberto |
5:31 PM
Segunda-feira, Agosto 16, 2004
AGRADECIMENTO
Agradeço aos amigos que aqui deixaram suas mensagens por ocasião do meu aniversário, no último dia 12.
Mais do que apenas um comentário escrito elas foram provas de amizade e amor, pois me chegaram transbordantes de um carinho que jamais havia recebido em ocasiões semelhantes.
Além dos que preferiram o uso do blog, agradeço também aqueles que dirigiram e-mails e cartões. Depois das comemorações, retorno à normalidade mais energizado e inteiramente feliz por esses preciosos presentes que ganhei.
Tenham absoluta certeza que vocês são motivações de vida pra mim.
Registro agradecimentos especiais à Alice pelo post em seu blog, à Suzana do (Re)aprendendo, autora de uma bela homenagem, feita através de um texto que guardarei como relíquia, à Cathy, do Bailar das Letras, por ter considerado uma singela surpresa descobrir que comemoramos juntos e à Selva Maria, pela alegria com que recebeu nossos amigos comuns em sua casa, no último sábado, quando pudemos organizar uma tripla comemoração de aniversários.
Valeu demais gente! Que Deus recompense a todos por essa nobreza de gestos e demonstrações de profundo respeito e carinho.
Por Ery Roberto |
10:26 AM
Quinta-feira, Agosto 12, 2004
.:: dia de graça
BALANÇO DO ATÉ AQUI
Já dizem os meus amigos que a partir de agora meu problema será com a "DNA" (data de nascimento antiga), que não devo mais comemorar aniversários de nascimento e sim da "Data de Fundação" etc, etc. Tudo uma brincadeira muito salutar e que só me faz feliz em tê-los tão próximos a mim, mesmo que, fisicamente, alguns estejam distantes.
Cheguei aos cinquenta! (nem vou colocar trema nesta palavra porque os dois pontinhos ficam parecendo óculos). Confesso que, quando mais jovem sentia medo desta idade, embora nunca fossem preocupações os meios a utilizar nessa longa caminhada de vida. Estava certo que encontraria muitas decepções, mas optei por contabilizar somente as inumeráveis alegrias.
Óbvio que muitos sonhos ainda continuam por se realizar. Isto, porém, me energiza, me faz viver intensamente todos os momentos. É a prova que "o homem não morre enquanto preservar sua capacidade de sonhar".
Fiz uma legião de amigos. Eles são o meu motivo, meu maior presente. Considero-os as árvores que quis plantar. E deram bons frutos, multiplicaram-se pelas sementes destes mesmos frutos. Devo ter sido passageiro para tantos, mas sei que para aqueles que me guardaram do lado esquerdo do peito, não sou um peso e sim, pelo companheirismo, um recurso para seus momentos difíceis, ou pelo menos me transformo, dentro das possibilidades, num grande ombro nas suas carências.
Amei. Sim, amei muitas mulheres. E isto não me causa pudor. Continuo tendo dificuldades para conjugar este verbo no passado, pois o coração dilata quando as lembranças socorrem minha solidão. Jamais esquecerei os momentos de convivência, aprendizado e principalmente a oportunidade que me deram estas criaturas para entender o ser humano. Com uma delas fiz a filha de "cuca legal", que chegou como um tesouro, uma luz azul, a materialização da maior vontade do coração.
Ouso dizer que mais acertei do que sofri por enganos. Vivi intensamente tudo que devia e no passivo não carrego sérios arrependimentos. Prefiro olhar para outros exercícios e mesmo diante das rotineiras conturbações, tento planejar o alcance futuro de outros lucros.
Mentiria se afirmasse que estou inteiramente feliz. Certos negócios realizados nesta viagem até aqui, não permitiram tranqüilidade, todavia seus percalços não me roubaram a paz de espírito nem alteraram o teor da minha essência. Poderei adiante me arrepender, mas somente daquilo que não conseguir terminar!
Orgulho-me da lucidez e da força para suportar os ventos das tempestades, afinal sou um filho do tempo. Envaidece-me ter estado presente na vida dos maravilhosos anos 60/70. A riqueza desta benção está imobilizada com valores que ninguém conseguirá pagar. Este dom do céu vai me permitir, por tudo que absorvi, cumprir a última etapa da minha missão telúrica: escrever o livro.
Enquanto mais este sonho se constrói no cotidiano, eu continuarei buscando as rimas que consigam adornar, ainda mais, as flores do meu caminho, a gratidão por sentir a magia que é viver, a felicidade que é estar em paz e ter a Alma transbordando de brandura.
No que sobeja, "se chorei ou se sorri, o importante é que emoções (muitas) eu vivi"!
UPDATE - Acabo de descobrir que hoje também é o dia do aniversário da CATHY, do "Bailar das Letras". Parabéns "dançarina"! Desejo que a vida lhe seja sempre um palco, iluminado por luzes contagiadas pelo arco-íris da delicadeza e simpatia de pessoa que você é.
Por Ery Roberto |
10:52 AM
Quarta-feira, Agosto 11, 2004
.:: homenagem
OS SEIOS
Milenar poeta da sapiência indiana, por que não assinaste tua ode "Feito frutos, alimentam os filhos / Mas sobretudo, saciam a fome dos homens maduros" ? "As penas do inferno a quem mostrasse suas tetas infames", prometidas por Dante, teriam sido mais brandas.
Quintiliano da Sicilia, quem diria, tuas cantadas em certo desafino fizeram de Ágata uma santa! Arrancaste os peitos da mulher com os tenazes da tua ira, para quatro dias depois do martírio revê-los crescidos e ainda mais sensuais. Eras bárbaro em teu machismo, prepotente em teus desejos, vulgar em teus assédios, governante maçador!
Quantos "inocêncios-chefes" teve a Igreja? O décimo-primeiro cobriu o colo das mulheres, como se as mamas em ousados espios ao altar, ensurdecessem os santos e anulassem as orações. Santa ingenuidade! Sua Santidade, será que não leste Salomão?
A bíblica passagem erótica que fez o Rei replicar o cântico sensual de Sulamita - "O meu amado é como um ramo de mirra cravado entre meus seios" - para entoar "Teus seios são como duas corçazinhas gêmeas pastando por entre os lírios", "são cachos de tâmara", por acaso transformaram o "Cântico dos Cânticos" num livro apócrifo?
Certo estavas tu Rafael! Que a Renascença nunca esqueça de ti! Que os olhos da arte continuem admirando os seios da mulher amada.
Mil e Uma Noites! As histórias de fundo erótico que, às vezes, se encontram na obra, para o árabe, ou para o japonês, talvez, sejam muito naturais e não estejam carregadas da malícia ocidental. Então, que por um momento calem as cítaras sua repetitiva melodia (melhor que Nero a toque queimando Roma!) para o espetáculo dos "bicos-de-leite". "Não te movas! Deixa que respirem assim os teus seios / Que sobem e descem / Como as ondas do mar!". As Mil e Uma Noites trazem a grande lição do Sonho.
Henrique VIII dispa a coroa, oscule as mamas de Ana Bolera! (esses ingleses precisam abandonar seus eufemismos...)
Sentissem alguns homens o mesmo que experimentam os poetas e amantes insaciáveis, quando beijam florações róseas de uma carne em semente, que o orvalho da saliva fertiliza e transforma em lindos botões de flor na ardorosa primavera que nasce em sensações, teriam, primeiro, descoberto o nome do poeta indiano.
Este texto é dedicado à SILVIA SALVATTI, minha ex-colega dos tempos do Banco do Brasil, ex-paciente de câncer de mama, uma "guerreira" que aniquilou a doença com sua insuperável força interior e renasceu para viver intensamente seus dias pós cirúrgicos e quimioterápicos. SILVIA é um exemplo de mulher e, hoje, 11 de agosto de 2004 é marcante para sua pessoa. Acredito que ela considere esta data o primeiro dia do resto da sua nova vida. FELIZ ANIVERSÁRIO, Silvia!. Que teu exemplo de fé seja para sempre uma luz!
Por Ery Roberto |
12:07 PM
Terça-feira, Agosto 10, 2004
.:: reflexão
É VIRTUAL?
[Rosa Pena]
Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja. Abro o lap- top. Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.
- Tia, dá um trocado?
- Não tenho menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você.
Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.
- Tia, pede para colocar margarina e queijo também.
Percebo que o menino tinha ficado ali.
- Ok.Vou pedir, mas depois me deixa trabalhar, estou ocupadíssima.
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do guri e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir "à luta". Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim.
Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pedido do menino.
- Tia, você tem internet?
- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
- O que é internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar.
Tem de tudo num mundo virtual.
-E o que é virtual?
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
- Legal isso. Adoro!
- Menino, você entendeu que é virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Nossa! Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual.
Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual não é tia?
Por Ery Roberto |
9:24 PM
Domingo, Agosto 08, 2004
.:: dia dos pais
Quem é esse homem? Quem é esse professor?
Que suporta sofrimentos e recria o amor?
Quem é esse que protege e se fere pra preservar,
Que castiga, se preciso, como entrega rosas à mulher amada?
Quem é esse homem que dá um sobrenome, um ninho,
Pra sentir orgulho, mas que perdoa o tropeço no caminho?
Quem é esse patrocinador que faz dinheiro de promessas?
Quem é esse capaz de trocar tantos ais
Pela capacidade de concordar? Calar e não dormir?
Quem é esse homem que divide a fortuna,
Que empurra para o mundo ensinando a trilha do porvir?
Quem é esse que sua, verte e chora
Que corre, luta a qualquer hora
Que ordenha leite das pedras, que até sem forças acode?
Quem é esse homem, herói, esse bandido, ex-bandido, herói?
Aquele que diz certa verdade que dói?
Que condena a mentira que destrói?
Aquele que retira as farpas das arenas juvenis
Que é capaz de perder pra me ver feliz.
Quem é esse que já grisalho me diz pra ter cuidado ao sair?
Que me pede para o inimigo perdoar
Porque a destemperança vitima a liberdade?
Quem é esse armado de exemplos pra não matar idoneidade?
Que depressa se arrepende quando julga apressadamente?
Quem é esse ser diferente?
Esse meu poeta da vida que ninguém há de calar?
Por Ery Roberto |
2:46 AM
.:: leoninos
PRA SELVA
Chegou a hora e a vez dos meus amigos leoninos.
Apesar de suspeito para falar dessas criaturas, vou despir a juba para prestar aqui homenagem a uma grande amiga: SELVA MARIA. Talvez o que assuste muita gente com relação aos leoninos seja a sua franqueza. Esta sutil capacidade de dizer o que sente, com todas as letras, sem qualquer medo ou preconceito, certas vezes pode levar as outras pessoas a ter conclusões precipitadas. Não será verdade dizer que falta aos leoninos a sensibilidade. Muito menos que sua aparente autosuficiência é capaz de lhe furtar os sentimentos.
Os leoninos, isto sim, amam diferente. Com entrega total, fazendo do carinho sua principal arma de sedução. O perfeccionismo, longe de ser um pecado, o transforma em criatura zelosa. Ciúmes? Quem não tem! Se for um defeito, fica invisível pela doçura que envolve atos, palavras e a intensa disponibilidade em ajudar. Fica fácil conviver com eles a partir da sinceridade. E amigos, tem que ser de verdade.
Sinto todas essas coisas muito claramente quando estou na companhia da SELVA, amiga de algum tempo de convívio sadio, de conversas alegres, de brincadeiras inteligentes. Minha admiração por alguém assim, que venceu na vida pela dedicação ilimitada ao trabalho, pela infinita capacidade de dirigir seu lar, educar as filhas e principalmente transmitir alegria e carinho aos amigos, é exponencial.
Obrigado pelos belos exemplos que você passa SELVA, obrigado por permitir que alcançássemos um estágio de admiração e respeito mútuo que nos faz irmãos. Parabéns por existir, Feliz Aniversário! Um brinde à sua bondade! O presente? Você já ganhou de Deus esse sorriso que ninguém tem.
Por Ery Roberto |
1:10 AM
.:: música
MAIS UM
Acabou ontem a versão 2004 do FAMA, TV Globo, com a vitória de Tiago Silva. É mais um "sertanejo" na praça, pelo menos é a tendência musical do rapaz. Nada contra, até porque, embora pelo pouco que vi e ouvi, acho que o garoto tem valor e potencial de voz. O que me intriga é essa consagrada incapacidade do povo em enxergar os melhores quando tem que escolher. É assim também quando o assunto é política. No caso do FAMA, sinceramente, havia coisa melhor. Duas garotas, uma potiguar e outra baiana, me pareceram esbanjar talento. Outro concorrente, o Dan, mostrou, inclusive capacidade criativa como compositor, e levou um cheque-mate. Parece que o povo prefere a mesmice. Mas enfim, felizmente nem esse povo que escolhe novos valores nem a Globo são capazes de mudar meu gosto.
Por Ery Roberto |
12:36 AM
Sábado, Agosto 07, 2004
.:: futebol
NO ÚLTIMO GOLE DO PEQUI
O futebol é mesmo um jogo fascinante. Vez por outra nos transmite lições incríveis. Estou farto de dizer por aqui que este time do Coritiba, além de mal comandado tecnicamente, é formado por um grupo muito heterogêneo. Seus principais valores vivem cumprindo suspensão, curando contusões e os que mais jogaram até hoje, desde o início do campeonato brasileiro, pela sua visível pobreza técnica não adquirem entrosamento. Resultados: amarga uma posição ainda perigosa na classificação, não consegue conquistar muitos pontos fora de casa e no seu estádio nunca ganha de mais de 1 x 0, isto quando ganha.
Hoje foi jogar em Goiânia, contra o perigoso e acertadinho Goiás, até então vice-líder da competição. Vencia o jogo até aos 45 minutos do segundo tempo, quando cometeu um penalty e sofreu o empate. E não é que ainda encontrou fôlego para o último gole do licor de pequi? Nos descontos, aos 49 minutos, foi ao ataque e sofreu um penal. Tuta (dos poucos que se salva) foi lá e faturou. Incrível, dramático, emocionante.
A lição fica por conta que, mesmo em situações onde não temos os melhores instrumentos, as ferramentas mais poderosas, se estivermos interiormente convencidos que podemos, apesar de todas as fraquezas e carências, se tivermos espírito de luta, fé, conseguiremos.
Que esta valente vitória, nessas eletrizantes e dramáticas condições, sirva de ânimo e lição ao meu time.
Por Ery Roberto |
11:10 PM
Sexta-feira, Agosto 06, 2004
.:: conexão blog
NOJENTA ROTINA
Meus leitores mais freqüentes - paradiando o MILTON RIBEIRO - não mais do que uns 5 ou 6 (os dele são 7!), já perceberam o imenso prazer que tenho em citar/comentar bons posts em outros blogs.
A cada vez que vocês abrirem o meu e depararem com a chamada .:: conexão blog, corram para os citados. É coisa boa!
Ontem fui no (RE)APRENDENDO A CAMINHAR, da amiga Suzana, e li um texto excelente sobre rotina. Diferente do comentário que sempre deixo, prometi trazer aqui um "poema narrativo" que tem muito a ver com o que ela postou lá, sobre certo desânimo com a rotina que normalmente ocorre em alguns gaps da nossa existência.
A rotina é escravizante e neurótica. É preciso saber sair dela para gozar do que de melhor existe na vida. E sair, só com atitudes. A Mônica, escrevendo hoje lá no PONTO G.EMINI, fez um exercício fabuloso. Disse que queria um post lindo, uma crônica que todos morressem de rir, uns dizeres profundos, uma poesia; mas nada lhe vinha à mente. Acabou derivando para uma coisa de raiz tão importante chamada "originalidade" e acabou desembarcando no AMOR. Mostrou, de outra maneira, que este gesto de voltar às próprias raizes é uma receita enternecedora para sair da rotina.
Apreciem estes belos posts.
E antes que seja tarde e eu parta pra minha "desrotinização" diária, fiquem com o poema que citei ao início. Ei-lo:
NOJENTO
Na casa de pensão onde estou morando,
tudo logo envelhece, pelo que vejo.
Há longos cabelos brancos na manteiga
e manchas verdes de mofo sobre o queijo.
Quando o cão morreu, serviram-nos salsichas,
e quando morreu o gato, lebre ensopada.
Quando o dono da pensão morreu, mudei-me.
[Anônimo. In José Paulo Paes (seleção e tradução) Ri melhor quem ri primeiro - poemas para crianças (e adultos inteligentes). São Paulo: Cia das Letrinhas, 1998. p.20]
Por Ery Roberto |
3:34 PM
Quinta-feira, Agosto 05, 2004
.:: farra petista
ECUMÊNICO LEGISLATIVO ECONÔMICO
Houve um tempo, final da década de 70 e início dos anos 80, que a maioria dos municípios brasileiros de pequeno porte fazia de três personagens a "santíssima trindade" da sua representação cidadã: o padre, dono da paróquia, o prefeito, filho da terra e guardião absoluto dos maiores interesses do lugar e o gerente do Banco do Brasil, autoridade exclusiva para assuntos financeiros, aconselhador do financiamento da produção, via de regra agrícola, da região.
O jeito "Casas Pernambucanas" de vestir ajudava a conferir-lhes, ainda mais, a igualdade de importância que recebiam da população. Trabalhei no BB naquela época. O sentimento de valor e consideração, fazia-nos, os novos escriturários, sonhar em um dia chegar à gerência da agência. O Banco estava presente na maior parte dos municípios do país. Quando inaugurou-se a 1000ª agência, um marco de expansão da rede, em Barra do Bugres (MS), em novembro de 1976, foi uma festa.
Durante meus vinte anos como empregado do maior banco, quase a metade deles labutado sob o regime militar, foram poucos os presidentes que mancharam a história daquela Casa. Para dizer a verdade, não lembro de algum deles ter aparecido nas páginas dos jornais compondo o noticiário de escândalos e falcatruas profissionais, nem pessoais, lógico, à exceção de Lafayette Coutinho, um comparsa de Fernando Collor, condição que por si só explica qualquer desconfiança de caráter.
Hoje, o mandatário do bancão, de braços dados com seu parceiro do Banco Central, é mais um personagem do noticiário político-escandaloso do staff lulista. A Comissão de Fiscalização e Controle do Senado acaba de aprovar o convite para que os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb, prestem esclarecimentos sobre as denúncias de sonegação fiscal e evasão de divisas, além de má utilização de dinheiro público, no caso do BB.
Sem querer contribuir para levar ainda mais o governo Lula ao Sinédrio da total antipatia e rejeição popular (incluídos aqui até mesmo os que o ajudaram a se eleger), até porque prefeitos, como entes políticos, já perderam a credibilidade há muito tempo antes, é inevitável que mais esta mancha moral, patrocinada por um "escolhido" seu, que envergonha a pátria e principalmente coloca "em cheque" a probidade administrativa do Banco do Brasil, aumente certezas. De que Lula realmente não governa, talvez apenas anime "a farra".
O andar desta carruagem vai acabar mudando a história. Mesmo que seja num conto de ficção, alguém poderá ainda escrever que o padre era o "ditador". De política sei que ele entende e alguns já estão tirando a batina e cuidando de hortas.
Ave Maria, cheia de graça!
Por Ery Roberto |
6:49 PM
Quarta-feira, Agosto 04, 2004
.:: lembranças
"MEU SANGUE TEM MAIS GASOLINA DO QUE HEMOGLOBINA"
Polêmico, arrogante, crítico, turrão. Competente, arrojado, tri-campeão da F-1 (81, 83 e 87). Este era Nelson Piquet Souto Maior, um carioca, leonino, nascido em 17 de agosto de 1952.
Considero desnecessário reescrever aqui qualquer coisa sobre a trajetória de Piquet, bem como tentar estabelecer qualquer comparação entre suas características e desempenho com outro piloto brasileiro qualquer, pois cada piloto é único. Outro agravante, cada um viveu um tempo diferente.
Quero relembrar apenas algumas passagens verbais de Nelson, uma arma que sabia usar como ninguém. O maior desafeto foi o inglês Nigel Mansell, o "Leão", um piloto agressivo, teimoso, um dos maiores ídolos dos britânicos. Quis o destino que os dois corressem pela mesma equipe em 86 e 87, época em que se converteram nos maiores inimigos da F-1.
Piquet era ferino. As brigas com Mansell iam além das pistas. Suas alfinetadas contra o gringo ficaram famosas e nem a mulher do adversário era poupada. Eis algumas:
- "Mansell tem as 2 mulheres mais feias da Fórmula 1" (uma era a esposa dele, e a outra a estátua da mulher dele que o Mansel tinha mandado fazer e colocado no jardim de casa.)
- "Quando descobria alguma coisa boa pro meu carro, eu só falava em cima da hora. Assim, não dava pro Mansell aproveitar."
- "Mansell é o maior idiota que já vi."
- "Mansell é um babaca."
O piloto gostava de relembrar um episódio envolvendo Carlos Reuteman em 1974. Quando o jovem Nelson trabalhava para a Brabham de "graça" ele limpou o capacete do argentino. Depois de Nelson ter acabado o serviço, Reuteman disse: "Rapaz, tu não serves nem para limpar um capacete!" Quando Piquet conquistou o seu título, relegando Carlos para o 2º lugar, vira-se para Reuteman e diz: "Eu não sirvo para limpar o teu capacete mas talvez tu possas limpar o meu que é de Campeão do Mundo!".
Outras:
- "Se tiver eu como!!!", quando perguntado se havia algum bicha na Fórmula 1 entre os pilotos.
- "O Senna vive para o esporte e tira o máximo proveito do fato de ser considerado o grande herói das pistas. Às vezes fico pensando que não sabe fazer mais nada na vida."
- "Senna se arrisca demais; Prost é cheio de frescura; Rosberg muito confuso; e Arnoux, um panacão."
- "Se eu fosse ele, pulava o muro de Interlagos e só aparecia de novo na Argentina"
, falando sobre o que Rubens Barrichelo iria ouvir nos boxes após uma rodada em Interlagos.
Um particular muito interessante de Piquet era sua facilidade para pegar no sono. Foi fotografado dormindo sobre a mesa do projetista, na bancada dos mecânicos, sobre carrinho de pneus e até dentro do cockpit. Apesar da língua ferina, era brincalhão e cansou de produzir cenas hilárias. Sua mania de colocar os dedos em "V", atrás da cabeça das pessoas quando fotografadas, não poupou nem Jean-Marie Ballestre, o todo-poderoso da F-1, em 81.
A situação mais engraçada que conheço aconteceu no GP de Mônaco, em 1981. Sábado pela manhã, na pista, os carros já rodavam no treino não-oficial (aquele antes da tomada de tempos para o grid). De repente, um corre-corre no boxe da Brabham:
- Mas onde está ele? Afinal, onde ele se meteu?
Aos berros, o todo poderoso Bernie Ecclestone (então dono da escuderia) perguntava por Nelson Piquet. E nem sombra do piloto nos boxes...
Alguém se lembrou, enfim, de telefonar para o hotel. O telefone tocou uma, duas, três vezes; somente na quarta uma voz resfolegante o atendeu.
- Alô, Nelson, o que houve? O treino já começou! - alerta, preocupado, Gordon Murray, o engenheiro da equipe.
- Sabe o que é? - começou a explicar Piquet.
- O que é o quê? - interrompeu, enfurecido, o próprio Ecclestone, tomando o aparelho das mãos de Murray.
- A princesa, Bernie. É a princesa... Você não quer que eu a deixe na mão, né?
Ainda que contrariado, Bernie não quis. E no treino da tarde, agradecido, Piquet cravou a pole-position, quase um segundo a frente da Ferrari de Gilles Villeneuve. Para orgulho de Ecclestone e da princesinha, que, sonolenta, no quarto de hotel, entre perfumadíssimos lençois de seda, aguardava o nosso ás para mais uma flying lap...
(esta história foi contada por Renato Maurício Prado)
Piquet foi de um tempo que, além de competitiva, a F-1 era uma verdadeira diversão. Fui seu fã. Que saudade!
Por Ery Roberto |
7:16 PM
Terça-feira, Agosto 03, 2004

O CAIPIRA INFORMATIZADO
- ...
- E a Tininha cumpadre, faz tanto tempo que não vejo aquela minina!
- Ê cumpadre, não sai mais de casa! Vive o dia inteirinho e um bocado da noite na frente daquela internet.
- Que coisa né cumpadre! Ela já tem até idade pra casá. Desse jeito não vai arrumá marido!
- O cumpadre tá meio por fora né? Orkut uma coisa: acho até que é meio chat dizê isso, mas agora já se faz sexo virtuar.
- Por isso que eu digo cumpadre, lá em casa não entra essa mardição!
- Que nada cumpadre, despois que ela vai durmi eu entro pra espiá umas rameira nuinha, nuinha...
- Cumpadre, o que tu diz pra cumadre?
- Eu mando ela sai da internet e durmi, dexá aquilo ligado porque agora é minha veiz!
Por Ery Roberto |
3:18 PM
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