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Opiniões

      Homossexualidade, sempre existiu! Na história clássica era admitido ou já se praticava a homossexualidade.

      Em muitos países é tabu ou não aceite, no nosso, cada dia que passa começa a ser aceite verbalmente, ou seja, alguns aceitam, outros não. Outros ainda, dizem que sim, mas quando viram as costas ou quando as coisas se proporcionam, revoltam-se contra os homossexuais.

      O mundo gay em Portugal é um mundo utópico, de muitas cores, brilhos e adrenalina, ou seja curtir a vida! Mas quando se fala no amor entre duas pessoas do mesmo sexo (mulher/mulher, homem/homem), será esse mesmo amor sentido nos casais heterossexuais?

      Há quem dê valor, de se ser livre, de querer um pouco a vida boémia. Será esta uma razão dos casais homossexuais terem pouca durabilidade?

      Há uma tendência, de uma maior duração quando existe uma grande diferença de idades, ou isso não implica a nada?

      Comente e refira qual a razão das relações homossexuais terem pouca durabilidade?

GLA - Gaylitoralalentejano

Respostas

      As relações entre seres humanos do mesmo sexo são tão velhas quanto a própria humanidade. Ao longo dos tempos estas relações foram vistas de diversas formas dependendo da época e da cultura dos povos.

      Actualmente ainda se verifica diferentes de atitudes ainda relacionadas com a cultura, países e suas leis. Certo é que a relação mulher/mulher é na maioria mais bem aceite pelas diversas sociedades, permitindo por vezes, uma maior estabilidade e durabilidade.

      Já na relação homem/homem o 'cenário' é diferente. Existe uma menor compreensão para estas amizades íntimas, muitas vezes reduzidas a estereótipos e 'clichés' mais visíveis no dia-a-dia da sociedade. As rotulações nas relações homem/homem em nada contribuem para a estabilidade e durabilidade das mesmas, bem como uma maior tendência nas sociedades para a prostituição masculina homossexual. Veja-se a existência de roteiros turísticos 'gay' em vários países do mundo e a prática inexistência de roteiros lésbicos. Talvez pela própria natureza da mulher e do homem (fêmea/macho) as sociedades se tenham desenvolvido neste sentido.

      O sentimento do AMOR, quando verdadeiro, alimenta qualquer tipo de relação e quando estimado e cuidado pode durar muito tempo – uma vida!

      Não são raras a relações de largos anos entre mulheres ou entre homens, apenas por uma questão comportamental torna-se mais visível as relações ou a sua ausência nos homens. Também para esta instabilidade das relações homossexuais contribui sem dúvida o não reconhecimento legal das mesmas, remetendo-as para a 'clandestinidade'. Com o evoluir das sociedades e a abertura de espírito dos seus elementos existe uma tendência para a inversão deste trajecto, como já existe em certos países. Tudo isto faz com que ainda exista um caminho por percorrer lutando pela não diferenciação das relações humanas, que quando alicerçadas por sentimentos verdadeiros e honestos são tão duráveis e respeitáveis quanto as comuns heterossexuais.

 

Miguel,  Lisboa, 24@sapo.pt

Resposta

      Em relação à tua pergunta sobre o homossexualismo em Portugal, bom, acredita que não é assunto que me ocupe a mente. A minha posição sobre o homossexualismo e outras orientações é a de achar simplesmente que isso é só uma parte daquilo que nós somos enquanto seres humanos. Hoje em dia temos esta tendência de dar demasiada importância ao sexo no sentido de ele constituir toda a nossa definição enquanto pessoas. O Amor tem muitas formas de se manifestar, felizmente. Acho que em Portugal como noutros países há muito vergonha do Amor, e nenhuma em relação a sentimentos e comportamentos destructivos. Acho que temos mais vergonha de abraçar alguém do que dizermos mal dela ou a de agredirmos... Bom, no fundo acho que para dizer que idealmente, nem seria necessário falar da homossexualidade, heterossexualidade, etc, mas sim do ser humano.

      Homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade... Meras palavras. A terra é redonda, ou seja não existem fronteiras físicas, tal como qualquer tentativa de colocar fronteiras entre os seres humanos é ilusória e muitas vezes destructiva. Os problemas que existem, residem todos numa percepção mental do indivíduo, e principalmente nas suas resistências à mudança, ao que é diferente, ao apego ao ego e muitas ilusões criadas por ela. Certamente que homossexualidade sempre existiu, tal como existiram outras formas de orientação sexual - somente uma das muitas dimensões do ser humano, e que faz parte da sua natureza, independentemente da nossa percepção. Perante algo que é mais forte que nós - a Natureza, só nos resta aceitar para podermos realmente viver melhor connosco próprios e com todos os seres humanos próximos.
      Nas relações entre duas pessoas, seja qual for a sua orientação, os problemas muitas vezes aparecem quando não existe algo forte de base, quando só se liga a uma das dimensões do ser. O que é que será realmente importante para a nossa vida, será a superficialidade, o não vivermos de acordo com a nossa liberdade? O sistema e a sociedade em que vivemos inventa muitas ilusões. Quer os heteros quer os homossexuais, quer outros, ainda podem viver uma relação a sério se dispuserem a isso, sem ilusões de parte a parte, com espírito de entrega e realismo. Qualquer casal, independentemente da idade, sexo pode viver a sua relação de forma positiva e evolutiva se tiver disposto a isso, livre das ilusões da sociedade e do ego. Quando uma relação nasce da necessidade, de desejo egoísta, de auto-satisfação, certamente que não terá grande duração, ou se durar, porventura será um engano partilhado?...
      Bom, relações entre seres humanos, é um tema difícil...

N, Algarve

peacefulblue@hotmail.com

     Segundo a minha experiência de vida até agora:
Também tenho sido uma pessoa solitária e de espírito independente, e sempre era causa de tristeza o facto de querer ter alguém e não conseguir. Achava também que quem tinha alguém só podia ser feliz... Acho que fases destas passam muitas pessoas, por mais diferentes que sejam, todos temos afinal a nossa história. Claro que não é fácil às vezes passar por isto, mas é fundamental nunca deixar de acreditar.
    Eu primeiro tive de ganhar consciência de que a felicidade, para ser verdadeira não depende de ninguém, nem de nada material, só depende mesmo da nossa percepção de nós e do mundo. Primeiro que tudo é preciso estarmos bem connosco próprios e depois disso as coisas boas acabam por vir, e sem fazermos esforço. Acho que não é bom colocarem-se expectativas em relação às pessoas, devemos deixar a vida seguir sem ansiedades, com muita paciência e a vida acaba sempre por nos recompensar. Se queremos realmente amar como deve ser é preciso gostar primeiro de nós próprios, termos auto-estima e dignidade. Quando encontramos uma pessoa que amamos de forma mais forte isso também não significa a felicidade, como muitas vezes se pensa. Uma relação entre seres humanos é sempre difícil, é preciso muito respeito pelo espaço e liberdade da outra pessoa, e muito cuidado nos nossos actos, que devem sempre ser dirigidos pelo equilíbrio e amor, nunca para colmatar as nossas ansiedades, muitas vezes criadas pelo nosso ego que nos engana muito... Enfim, acho que o melhor mesmo é aprender primeiro a tomar consciência do que isto de felicidade, depois sinceramente acredito que a vida nos oferece aquilo que ela acha que devemos mesmo ter.
     Eu mantenho uma relação à distância, e isso só serve para fortalecer o sentimento e para dar espaço a cada um. Quando se gosta a sério a distância e outros eventuais obstáculos não atingem a evolução. O amor verdadeiro transcende tudo. É preciso confiar nele.

N, Algarve

peacefulblue@hotmail.com

O meu primeiro contacto com alguém que diz ser homossexual, transcrito para uma carta:

   Pensei muito antes de começar, sequer, a escrever-te este e-mail. Pensei em quanto é complexa a natureza humana, em quão diferentes podem duas pessoas ser (apesar de parecidas em muitos aspectos), e quantos e tão diversos mundos podem revelar. Isto sem contar com o que às vezes fica escondido e nunca ou quase nunca chega sequer à superfície.

   Escrevo-te na esperança de que me leias, a última que tenho, já que nem pessoalmente nem por telefone consegui explicar-te o que se passava. Isto, mesmo sabendo que a tua primeira reacção pode bem ser apagar tudo isto e nem te dares ao trabalho de ler o resto, atirar o assunto para trás das costas e não pensar mais nele. Essa é, evidentemente, a postura mais cómoda. Mas será a mais racional?

    Desde o princípio (desde a semana passada) que te tenho dito que, mesmo que se pareça como tal, a minha postura nunca foi a de tentar moralizar as tuas atitudes ou de mudar o que quer que seja em ti. O que sempre tentei (e com dificuldade, para não dizer impossibilidade) foi que tentasses olhar para as coisas de um outro prisma, que adoptasses um ponto de vista alternativo para compreenderes certas coisas. Não o consegui. Culpaste-me por coisas que nunca fiz ou pensei em fazer. E, no fim, acabei por levar com os estilhaços disto tudo.

   Dizes que estás habituado a levar muitos pontapés na vida. Não duvides que também a minha vida já teve contrariedades, embora não possa saber se maiores ou menores que as tuas. Não foste só tu quem sofreu ao longo destes anos! Não és só tu que tens sentimentos e precisa de ser protegido e de se proteger! Há, por esse mundo fora, uma infinidade de pessoas que, como tu e eu, passaram por vidas e experiências difíceis e que, por isso, têm de ser respeitadas. Respeitadas.

   É isso. E sem respeito, por muitas voltas que se dê à coisa, não há amizade, forte ou fraca, que possa resultar. Qualquer relacionamento nunca vai passar de um simples contacto, emotivo ou não, semelhante a milhares que vão acontecer por toda a vida. Banal. E que se esquece rapidamente.

   Foi essa falta de confiança e de respeito mútuo que minaram toda e qualquer possibilidade de construirmos aquilo que tu tanto definiste por “amizade forte” e que eu, inocentemente, julguei fácil de alcançar.

   Sabes, parece-me longínquo aquele domingo em que ganhei força e coragem para me apresentar diante de ti. Foi, já to disse, o ultrapassar de uma barreira que eu julgava intransponível, um desafio que pensei que me ia acompanhar para o resto da vida. Como tudo pode mudar em minutos...! Hesitei muito, foi um fim-de-semana de avanços e recuos, de medo, de cobardia – sim, podes chamar-lhe isso – até que me decidisse. Pesei os prós e os contras – até isso, meu caro, tu foste perspicaz em compreender, bastou um ou dois dias para que te apercebesses que não dou um passo importante sem primeiro esgotar todos os cenários, todas as perspectivas. Quando falhamos consecutivamente em decisões na nossa vida, tornamo-nos assim: calculistas, ponderados, perde-se a “adrenalina” – mas, tomado o caminho, já não há volta a dar, não há retorno, é ir de cabeça e aceitar todas as consequências. Não fiz mais do que isso. Contudo, vê: se calhar devia ter pensado ainda melhor e evitava que acontecesse tudo o que sucedeu depois.

   Quando te pedia que te abrisses comigo nunca pensei nem quis que te pusesses para ali a expor a tua vida, as tuas experiências, nada! Nem tão pouco me movia a vontade de armar em psicólogo ou ser consultor sentimental de alguém. Já vi, ao longo da minha vida, que tenho vocação para tudo menos para isso. Procurei perceber, perguntando-me a mim mesmo, o que me teria levado a tomar aquelas decisões, a de te conhecer e todas as outras que levaram ao que se passou depois. E saber – tenho esse direito! – se tudo o que fizeste foi sentido ou apenas resultado de um reflexo, de um impulso momentâneo.

   Eu compreendo tudo, tudo. Sou muito compreensivo, tanto que me torno ingénuo. E por isso entendi as razões que me davas para que se não avançasse mais com a situação – um mês era pouco para que qualquer coisa acontecesse; se resultasse, iríamos sair magoados... mas depois do que aconteceu na segunda-feira, pensei que as coisas se tivessem alterado. E tu, em algumas alturas, parecias dar mostras de ter mudado o teu pensamento em relação a isso.

   Enganei-me. E, à conta disso, comecei a sentir-me abandonado, traído, usado, mesmo que eu tenha querido tudo aquilo que aconteceu e não me tenha arrependido de nada. E foi isso que me fez sofrer. Não saber ao certo o que ia na tua cabeça, o que pretendias, essa indefinição constante, até que cheguei ao ponto de me sentir a mais na tua vida ou na tua companhia, como se de um cão de estimação me tratasse, a quem o dono só recorre quando quer passar umas festinhas pelo lombo para aliviar o stress.

   Eu sou humano, tenho muitos defeitos, mas – pôrra! – tenho sentimentos. Tal como tu. Não és só tu que te magoas, não és só tu que passas por momentos difíceis, não és só tu que comes o pão que o Diabo amassou. E, por muito que não tenhas culpa de nada daquilo que aconteceu contigo, os que te rodeiam – sobretudo os que gostam e se preocupam contigo – não têm de levar com as tuas descargas de mau-humor ou com as tuas atitudes impensadas. Sei que não devo ser o primeiro a dizer-te isto e quero que não o interpretes com aquela visão de que toda a gente te critica, que o mundo está contra ti. Não é nada disso. Nem quero tão pouco andar aqui com a mania de que “abro” os olhos a toda a gente. Não é disso que se trata.

   Desde o primeiro dia em que nos vimos que senti alguma empatia por ti, confesso. Tu estavas ali, expuseste-te, contaste ao que vinhas, do que gostavas, quem eras, de onde vinhas... Coloquei-me, por inteiro, nas tuas mãos, confiei em ti e encontrei alguém com pontos de vista semelhantes aos meus, vi em ti alguém que eu gostaria de ter sido em certas ocasiões da minha vida; vi em ti alguém que soube superar tudo, que não tem problemas em assumir aquilo que é, em defender aquilo em que acredita, que não se importa com o que diz a, b ou c. Que quer viver a sua vida. Tudo aquilo que me falta a mim fazer. Mas também vi uma pessoa desgostosa, um bocado insegura, que reage a quente as situações e que quase nunca se arrepende do que faz, mesmo que isso signifique magoar os mais próximos. Não sou só eu que o digo, tu próprio o reconheces.

   Ainda assim, chames-lhe fascinação, empatia o que quiseres, apesar de tudo o que passei nos últimos dias, os sentimentos de rejeição, a vontade de nunca mais te voltar a dirigir palavra, não desapareceu em mim o sentimento que tinha inicialmente por ti. E se calhar preciso de me desiludir bem mais contigo para que ele desapareça.

   Mas vês, por muito que me tenhas magoado com as tuas atitudes, por muita lágrima que tenha vertido por ti e por causa da confusão toda em que esta situação se tornou, continuo a tentar perceber-te, porque sei – disso tenho a certeza – que por detrás dessa capa dura, com algumas atitudes irreflectidas, existe um ser humano maravilhoso, que parece ter medo de apenas uma coisa – Ser Feliz. E que esta à espera que o descubras. Sei que a tua vontade é encontrá-lo.

   Esta pode bem ser a última vez que contactamos. Pela minha parte, já o sabes, estarei sempre disponível para reatar o início de uma possível amizade. Não quero forçar nada, não quero situações artificiais. Quero em ti o que sempre quis: um amigo, um confidente, alguém que não me interesse apenas pela parte sexual mas, sobretudo, pelo carácter. É o carácter, a personalidade, a atitude, que nos faz gente.

   O meu desejo é, hoje como sempre, de um entendimento.

   Estou preparado para tudo, até para te ver ignorares-me para sempre. Mas a verdade é que tinha de te dizer tudo aquilo que disse. Não ficaria bem com a minha consciência se não o fizesse e gosto de mais de ti para deixar de dizer o que penso em relação a isto tudo.

   Quero, uma vez mais, que percebas que foste importante na minha vida, que isto não são palavras de circunstância nem de engate, que não te quero esquecer e que quero lembrar apenas as coisas boas que vivi a teu lado. Foram apenas horas, mas que valeram, em termos pessoais, anos para mim. Horas em que pude sentir quem és, no fundo. Se não sentisse que és uma pessoa com um grande coração, nunca me tinha aproximado e nunca me daria ao trabalho de te estar a escrever agora.

   Quero sair como entrei – com amigos. Quero sair de Portalegre com as melhores lembranças e ensinamentos possíveis. Espero que entendas isso, porque essa é a grande verdade.

Sempre teu

Portalegre, 16 de Junho de 2003

D. , Algarve

davrodrigues22@aeiou.pt

   Vou escrever algo sobre o que eu opino em relação à diferença entre o ser homossexual e o ser gay. Antes de mais quero dizer que o que a seguir vou escrever não passa mais do que uma opinião pessoal .

   Segundo o meu ponto de vista as diferenças existem e não são tão poucas quanto isso apesar da sociedade em geral colocar tudo no mesmo patamar.

   Para mim o ser homossexual não é mais nem menos de que um indivíduo se sentir atraído sexualmente por indivíduos do mesmo sexo e ponto final. Esse facto não deve implicar qualquer outro tipo de comportamento. Afinal de contas a definição de homossexual resume-se a isso, assim como a de heterossexual tem a definição que todos nos sabemos.

   Por este facto tudo o que sejam comportamentos e posturas que transcendam esta definição não podem ser englobadas da mesma maneira.

   Um gay, na minha opinião, é um indivíduo que além de ser homossexual, tem mais umas certas e determinadas características que o identificam como tal. Estas características podem passar pela maneira de vestir, os penteados, os locais que frequenta, as profissões que exercem, a postura e até um certo enfemeninamento ainda que seja longe do que designamos por “bichas” onde aqui sim o enfemeninamento é notório.

   Todas estas pessoas tem um ponto em comum – o facto de serem homossexuais- mas só mesmo isso.  Aliás teremos que pensar que se serão todos os heterossexuais iguais no sentido de gostos, maneira de vestir, hobbies, locais que frequentam....A resposta penso que não constitui duvida para ninguém ... então porque hão-de ser todos os homossexuais iguais?

L., Santo André

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