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PORTUGAL: TELEVISÃO - "Gays" têm poder de compra mas não são trunfo comercial 12/Ago./2005
Os homossexuais têm poder de compra, são exigentes e sofisticados, mas, em Portugal, ainda não estão na mira dos anunciantes televisivos. Mas também não os afastam. O novo programa da SIC, em que cinco gays vão mudar a vida de um heterossexual, não representa, por isso, um novo filão para os anunciantes - ao contrário de outros países onde foi exibido.
Fernando Cruz, director comercial da estação, considera que o sucesso da versão nacional de Queer Eye for the Straight Guy "vai depender muito das audiências", mas à partida, por ser um programa de prime time, "tem afinidade com públicos- alvo que nesse horário estão em televisão, como as donas de casa", explicou ao DN. "A parte gay do programa tem a ver com a sensibilidade para determinadas áreas", sublinha. Por isso, "mesmo que houvesse um mercado, não seria este programa que iria atrair" anunciantes para este target, considera.
Para João Carlos Oliveira, presidente da agência Bates - Red Cell, "não haverá ninguém que se posicione com oferta para homossexuais, para isso tem de se cruzar a abertura da sociedade e haver mercado". Além disso, os homossexuais "não são todos iguais, não são unos do ponto de vista da personalidade, a sua orientação sexual não os torna unos", considera. Por isso, "não há massa crítica que justifique a segmentação a esse nível".
Há, no entanto, outra situação a considerar e João Carlos Oliveira recorda-se de um exemplo holandês. Um construtor automóvel dirigiu a campanha de um modelo específico ao público homossexual. O objectivo não foi vender carros a este segmento, foi "mostrar que é uma marca moderna, tolerante, progressista, jovem, open mind". Pode utilizar-se este nicho de mercado "como instrumento para afirmar a marca", considera. Em Portugal "isto é novo, tal como as campanhas direccionadas para seniores, por exemplo".
Hélder Costa, director executivo da Open Mind, uma empresa que faz assessoria de comunicação, gestão de imagem e soft sponsoring (colocação de produtos em programas de televisão), "está a trabalhar" a vertente publicitária da versão lusa de Queer Eye for the Straight Guy. Confessa que "é complicado", até porque o programa ainda não começou, mas é um desafio "tentar vender o conceito numa perspectiva diferente".
O "gancho" para a "diferença" é que os cinco homossexuais que fazem o programa são especialistas nas suas áreas "têm uma forma de vestir sóbria, vão buscar o que é irreverente, diferente" mas "vão comunicar para toda a população". O facto de serem gays numa sociedade tradicional "não será prejudicial para o produto" que "será integrado numa situação o mais natural possível, utilizado - e bem utilizado - por um heterossexual".
Manuel Barata Simões, da Associação Portuguesa de Anunciantes, considera que este é um público-alvo "com potencial de expansão interessante, marcado pelo forte poder de compra".
Para já, o programa da SIC tem assegurados três patrocinadores e a venda dos espaços publicitários adjacentes não está a ser prejudicada. "Até ao momento, não tive ninguém a dizer que não queria" anunciar no intervalo do programa, diz o director comercial da SIC. Fernando Cruz considera que, "embora Portugal seja um país conservador, não é politicamente correcto assumir essa posição".
Nos Estados Unidos, Queer Eye for the Straight Guy conseguiu grandes contratos de publicidade com empresas a direccionar produtos específicos para homossexuais, como a marca de cosméticos L'Oréal ou a agência de viagens online Orbitz. O conselheiro de imagem da versão americana do programa, Kyan Douglas, tornou-se o especialista da marca francesa, aparecendo em todas as campanhas, dirigindo-se não só a homens como também a mulheres. "O mercado gay é muito importante para a L'Oréal e o sucesso junto de homossexuais é uma prioridade para nós", disse Rob Robillard, responsável pelo marketing da empresa.
Fonte: Diário de Notícias (Portugal)

PORTUGAL: Aos 60 anos agredido homofóbicamente em Portalegre 12/Ago./2005
Aconteceu em Julho na cidade alentejana, Portalegre, no final da tarde, um individuo na casa dos 60 anos, foi violentamente agredido à pedrada por um homem, cerca de trinta anos mais novo, na praça principal da cidade, conhecida por Rossio.
Este terrivel caso homofóbico de Portalegre, lembra-nos Viseu, onde também houve violência contra homossexuais, no espaço publico da cidade. O agressor conhecido como "Guarda Vacas" usou uma pedra para ferir na cabeça o sexagenario, que foi parar ao hospital, onde foi suturado, tendo apresentado depois, queixa à policia local.
O agredido afirma que "olhar para uma pessoa não é seduzir", pois, se assim fosse todos eram seduzidos. Parece que esse poderia ser o pretexto da agressão, sendo que o "Agarra Vacas", ligado aos meios taurinas, é conhecido na cidade pela sua truculência e com antecedentes violentos. Algumas "testemunhas" afirmam que viram o acontecimento mas todos elas contam a acorrencia de maneiras diferentes, com pressupostos homofóbicos, tentando justificar a violenta agressão na praça central da cidade, contra um homem, só por ser homossexual.
Muitos membros da comunidade lgbt e de da populaçao de Portalegre sabem que o agredido é homossexual, conhecido, porém, por ter um comportamento discreto de uma pessoa comum, da sociedade portalegrense.
A associação Opus Gay tomou conhecimento, através de um aviso de Bruxelas que pediu para ajudar o agredido dentro do possível, tendo imediatamente falado para a Radio local de Portalegre sobre o assunto. O grupo de defesa dos direitos sexuais e homofóbicos "Panteras Rosas, por sua vez, vai tentar apoiar o cidadao agredido, e ferido na sua dignidade, com acompanhamento juridico, para o processo prosseguir, dados os entraves da policia local, que pretende convencer agredido a retirar a queixa.
Todos homossexuais que sejam atacados por razoes homofobicas devem contactar pelo menos, as seguintes associaões:
OpusGay - 213 15 13 96 , anser@netcabo.pt
Panteras Rosas - panteras.rosas@sapo.pt
Fonte: GLA - GayLitoralAlentejano (Portugal)

PORTUGAL: Homossexuais questionam cabeças de lista no Porto 22/Ago./2005
O GRIP (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto da Associação ILGA Portugal) dirigiu a todos os candidatos à Câmara do Porto uma carta aberta para "procurar conhecer a posição e propostas sobre as mais prementes questões que envolvem os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT)".
Ao entender que "o nível de desenvolvimento de uma cidade também se avalia pelo grau de reconhecimento da sua diversidade", o grupo considera "urgente a criação de condições, junto da população, para uma vivência mais saudável dessa pluralidade e da orientação sexual e identidade de género de cada indivíduo".
"Assumindo o estatuto de segunda cidade do país, consideramos que o Porto deve procura representar o mesmo espírito de abertura e acolhimento de outras cidades europeias, tal como se esforçou por manifestar durante o evento da capital europeia da cultura, em 2001", pode ler-se na carta aberta.
A carta aberta está diponível em www.portugalgay.pt/politica/grip01.asp.
Fonte: Jornal de Notícias (Portugal)

PORTUGAL: Associações defendem representação da homossexualidade na TV 24/Ago./2005
As principais associações portuguesas de defesa dos direitos dos homossexuais concordam com a importância da crescente representação da homossexualidade, dos seus direitos e da sua diversidade, na televisão portuguesa. No entanto, programas de travestismo e paródias acerca da homossexualidade não são encarados da mesma forma.
Os canais de televisão portugueses têm recentemente dado ênfase à representação da homossexualidade, o que é considerado positivo quer pela Opus Gay Portugal quer pela ILGA Portugal. "O que estes programas fazem é retratar a realidade social. Existem homossexuais em todas as religiões, etnias e profissões. Faz parte da diversidade humana, o país tem de se habituar a esta diversidade", afirma António Serzedelo, presidente da Opus Gay.
"Esperamos que o surgimento de programas ligados à homossexualidade não seja apenas uma moda", afirma Paulo Corte Real, coordenador do grupo de intervenção política da ILGA Portugal. "Estes programas não fazem mais do que representar a vida de uma forma mais realista", acrescentou. "Estima-se que cinco a dez por cento da população portuguesa seja homossexual, e sabemos que essa percentagem é muito inferior na representação feita pelos media. Esperamos que este seja um pequeno passo para uma representação mais realista."
O responsável da ILGA considera ainda que "dentro da comunidade homossexual existe uma grande diversidade de "imagens", como tal é necessário que todas elas sejam representadas".
Ninguém Como Tu é, segundo Paulo Corte Real, "uma contribuição muito positiva, pois é importante que sejam representados vários modelos". "Neste caso, assistimos à descoberta da homossexualidade." O responsável da Opus Gay vê também com bons olhos as personagens homossexuais colocadas nas novelas portuguesas - como João (Frederico Barata) e Alexandre (Joaquim Horta) em Ninguém Como Tu, e Liliana (Maria Sampaio) em Morangos com Açúcar (ambas da TVI).
Quanto aos novos reality shows, onde homossexuais assumidos conduzem o programa - como Esquadrão G: Não és homem não és nada, uma adaptação do original norte-americano Queer Eye for the Straight Guy que a SIC vai estrear em Setembro - Serzedelo considera que, caso "os programas sejam correctamente adaptados, só poderão ser úteis".
Numa altura em que, por exemplo, a SIC última os preparativos para Sr. Dona Lady, programa que irá transformar homens em mulheres, e após experiências similares da TVI no seu programa da manhã, António Serzedelo considera que "alguns tipos de representação homossexual" não possuem os mesmos aspectos positivos. É o caso de "programas de travestismo e certas paródias que se fazem nos programas da tarde em Portugal". Estes, considera, "não são um bom exemplo do que se deve fazer". "No Brasil, este género de programas são geralmente designados como "abaixo a baixaria"", refere Serzedelo.
Para Rui Vilhena, argumentista da telenovela Ninguém Como Tu, a representação da homossexualidade nas suas personagens surge como algo natural, pois "uma novela urbana contemporânea tem de funcionar como um espelho da sociedade, por isso é evidente que temos que colocar a homossexualidade nela". Em Ninguém Como Tu existem representações diferentes da homossexualidade. "Alexandre [Joaquim Horta] mostra que os homossexuais são pessoas normais, que sofrem, trabalham, vão as compras..." Já na personagem de João (Frederico Barata) o essencial foi mostrar que "as pessoas não escolhem ser homossexuais e é essencial que se veja como um jovem descobre e lida com a homossexualidade".
Fonte: Público OnLine (Portugal)

PORTUGAL: Agressão e homofobia no centro de Portalegre 22/Ago./2005
Um sexagenário foi aconselhado pela PSP de Portalegre a desistir de apresentar uma queixa-crime contra um indivíduo conhecido na localidade que o terá agredido e assaltado ao fim da tarde do dia 11 de Junho em pleno Rossio. Na base do conselho das autoridades: a pretensa homossexualidade da vítima.
O sexagenário encontrava-se na praça central cerca das 19h quando foi abordado por um homem de cerca de 25-30 anos que lhe exigiu dinheiro. Perante a recusa, o assaltante agrediu a vítima até derrubá-la, apoderou-se da sua carteira e retirou cerca de 50 euros, após o que lhe desferiu, com uma pedra, um golpe que exigiria uma sutura de seis pontos. O agredido perdeu os sentidos. Quando despertou, faltava-lhe igualmente o telemóvel. O relatório do atendimento hospitalar refere ainda variados hematomas.
Tendo apresentado queixa junto da PSP, este cidadão foi confrontado com três pretensos testemunhos oculares recolhidos pela polícia, apesar de garantir que não se encontrava mais ninguém na praça àquela hora, e que só se acercou gente quando este recuperava a consciência. Estes testemunhos, muito contraditórios entre si na descrição dos factos, tentam justificar a agressão ocorrida com o argumento de a vítima ser “paneleiro” e ter “assediado” o agressor. Este, forcado de profissão e bem constituído, referenciado, segundo apurámos, por actos de extorsão a idosos e por ter anteriormente injuriado outras pessoas que suponha serem homossexuais, declarou ter sido ele a ser atacado pelo sexagenário, versão corroborada pelas três testemunhas, para as quais a suposta homossexualidade da vítima parece ser o mote para a prestação de solidariedade ao agressor.
Foi com base neste enredo que a PSP, não contente em humilhar o sexagenário com perguntas do género “o que estava ali a fazer àquela hora?” ou “porque é que não estava em sua casa?”, acabou por lhe comunicar que após “averiguações” a PSP saberia que o queixoso era homossexual, insinuando que estar na praça central de Portalegre às 19h de um sábado seria compremetedor, e tentando assim justificar a agressão com o assédio alegado.
Os agentes aconselharam então à não apresentação de uma queixa, usurpando competências do Ministério Público ao garantir à vítima que o caso “não teria pernas para andar” por falta de testemunhas favoráveis e que, perante a versão do agressor, se arriscava a sofrer acusações públicas relativas à sua orientação sexual. O sexagenário foi posteriormente ameaçado de morte pelo agressor e por pessoas que lhe são próximas, caso não retire a queixa. Perante a denúncia destas ameaças, a PSP não tomou qualquer medida, recusando deslocar-se ao local da provocação. O assalto está em fase de inquérito pelo Ministério Público.
Tendo tomado conhecimento directo desta situação, a associação Opus Gay e o movimento Panteras Rosa – Frente de Combate à Homofobia, vêm prestar a sua solidariedade com a população homossexual do concelho de Portalegre, sujeita ao ambiente homofóbico descrito, e em particular com este cidadão, alvo de um comportamento por parte das autoridades que lembra a complacência das polícias de Viseu, nas situações de perseguição e agressão a homossexuais que foram sobejamente noticiadas este ano pelos meios de comunicação social.
As Panteras Rosa e a Opus Gay condenam a atitude dos agentes policiais, que contraria claramente o artigo 13º da Constituição da República Portuguesa e do qual darão conhecimento ao Provedor de Justiça. Os dois colectivos exortam as instituições locais, nomeadamente a autarquia, a tomarem consciência do ambiente preconceituoso que a situação revela, em mais um caso que irão acompanhar de perto e que evidencia a necessidade de medidas de educação para a cidadania e do envolvimento dos decisores locais no combate activo às discriminações.
Em Viseu, como em Portalegre (ambas autarquias do PSD), como em qualquer ponto do Continente ou das Regiões Autónomas, faltam modelos de desenvolvimento que vão para além do betão com que o programa POLIS tem dotado Portalegre, e compreendam o alargar e o promover de direitos democráticos, sociais e de cidadania plenos para todos os cidadãos e grupos sociais, nomeadamente para a população homossexual.
No plano nacional, mais uma vez fica também evidenciada a necessidades de alterações legislativas como a que deveria permitir aos movimentos associativos constituírem-se como queixosos em casos de âmbito jurídico, contornando a discriminação que determina a não-concretização das queixas na maioria dos casos de agressão homofóbica.
Fonte: Panteras rosa(Portugal)

PORTUGAL: Cinco lições em GAY SOLO 23/Ago./2005
Gay Solo é a primeira parte de um projecto intitulado Sex Shop Trilogy a apresentar entre 2005 e 2007.
Visto de uma forma simplista, Gay Solo é aquilo a que se poderia chamar um one man show. Mas não só...
É também um revolucionário guia para compreender o gay português em cinco fáceis lições.
E, sobretudo, é uma crítica corrosiva (e, às vezes, bem-humorada) sobre algumas ideias feitas acerca do que é ser gay num pequeno país que gostamos de chamar Portugal! Como o próprio nome indica, trata-se de um espectáculo a solo que se pretende uma reflexão irónica sobre alguns mitos e ideias feitas acerca da homossexualidade, ao mesmo tempo que assume a função política e social que o termo gay ganhou na sequência dos tumultos em Stonewall, há mais de trinta anos atrás.
Mas, sobretudo, Gay Solo pretende quebrar a barreira que tem tornado os espectáculos de temática gay uma espécie de produto de consumo interno, para uma minoria específica e sempre com um certo carácter underground. Este primeiro capítulo da Sex Shop Trilogy quer acima de tudo falar com a população portuguesa, independentemente da sua orientação sexual e, mais do que preocupado em construir um discurso dirigido aos gays portugueses, quer estabelecer pontes de comunicação com o que se convencionou chamar uma sociedade maioritariamente heterossexual.
Alicerçado na actualidade política e social portuguesa, e dependente da cumplicidade estabelecida com o público em cada diferente espectáculo, Gay Solo propõe-se não só como um objecto artístico mas sobretudo como uma afirmação pessoal e política.
As 5 Lições Básicas
1ª CONCEITOS BÁSICOS & IDEIAS FEITAS
Tem a certeza que sabe que o que é um heterossexual?
2ª ROTEIRO PARA A COMPREENSÃO DO GAY MODERNO
Sabe quantos tipos de gay os heterossexuais conhecem?
3ª O ENGATE
E se um homossexual de repente lhe oferecer flores...
Sabe o que isso é?
4º O MUNDO HETERO
Sabe quantos gays são precisos para mudar um heterossexual?
5º PORTUGAL "QUASE" GAY
Sabe o que fazer para descobrir se é gay?
GAY SOLO
Um espectáculo de Luís Assis
Datas de apresentação: 9 de Setembro a 9 de Outubro de 2005 de quarta a domingo às 22h
Local de apresentação: Comuna - sala 1
Duração do espectáculo: 60m
Preço: Normal: 12 euros
Descontos Diversos: 10 euros
Desconto Pin Cultura: 9 euros
Para informações e reservas : 21 722 17 70 / 213420136
cassefazproduz@teatropolis.net
www.teatropolis.net
Fonte: Cassefaz(Portugal)

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