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PORTUGAL: Adopção gay em discussão
02/Out./2005
É um assunto quase tabu, que mexe com ideologias, mentalidades e preconceitos. O Governo não tem ainda opinião oficial sobre a adopção de crianças por homossexuais, mas está disponível para apadrinhar a discussão. Para tal propõe-se criar, até final do ano, um fórum específico que irá reflectir sobre esta e outras matérias sensíveis.
Vai chamar-se Conselho de Opinião e dele já faz parte Maria Amélia Paiva, diplomata de carreira que presidiu até agora à Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres.
A ideia, segundo o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, é pôr a sociedade civil a reflectir.
Jorge Lacão tutela a pasta da Igualdade e tem uma visão sobre a matéria: “Não pode haver preconceitos na lei”. Está dado o mote.
Mas a discussão promete não ser pacífica. As vozes contra levantam-se perante esta possibilidade, tal como ficou bem expresso na manifestação que, a 17 de Setembro último, juntou cerca de 200 pessoas. Os participantes numa marcha organizada pelo Partido Nacional Renovador, principalmente jovens do sexo masculino, reforçaram a posição contra, entre outras questões, a adopção de crianças por homossexuais.
A possibilidade de adopção por casais homossexuais existe em vários países europeus. O mais recente a permiti-la foi Espanha. Com a aprovação da lei que permite o casamento entre homossexuais, ficou ainda consagrada a possibilidade de adoptar crianças. Mais a norte, também a Holanda, a Suécia e a Dinamarca o permitem, assim como o Reino Unido e alguns estados dos EUA.
Por cá a discussão está longe deste patamar. A Lei da Adopção tem regras rígidas. Não discrimina a orientação sexual do potencial adoptante, mas sim o perfil social e psicológico.
Segundo Luís Villas Boas, presidente da Comissão de Acompanhamento da Execução da Lei da Adopção, qualquer cidadão com mais de 29 anos pode candidatar--se a adoptar uma criança. O processo inicia-se com uma avaliação da “personalidade e da capacidade que a pessoa tem para o exercício da paternidade”, a cargo dos técnicos dos serviços de segurança social.
Depois de, em Junho, o Congresso espanhol ter aprovado a lei que permite o casamento entre homossexuais, chegou a vez dos opositores manifestarem o seu desagrado com a possibilidade de união entre pessoas do mesmo sexo. Foi o que fez o Partido Popular, que interpôs um recurso de inconstitucionalidade no Tribunal Constitucional, por considerar que a lei desvirtua “a instituição básica do casamento”. Antes disso, já uma secretária judicial tinha apresentado ao Tribunal Superior de Justiça de Madrid uma objecção de consciência contra o casamento gay.
"UM LADO POSITIVO" (António Serzedelo, Opus Gay) - “Trata-se de um dado positivo, mas para este assunto não basta ter uma maioria política. É preciso também uma maioria social. Temos que conseguir levar a discussão à sociedade porque precisamos do apoio de todos para levar isto avante.”
"NÃO ESTAMOS PREPARADOS" (Maria de Belém, Deputada) - “Este tema está a ser debatido por todo o lado e em Portugal também é preciso falar dele. Mas o interesse da adopção recai sempre nas crianças e quando as sociedades não estão preparadas, são elas que acabam por sofrer. E nós ainda não estamos preparados.”
"PAÍS VAI DAR GARGALHADA" (D. Januário Ferreira, Bispo) - “Fico muito admirado e escandalizado, sobretudo numa altura em que há problemas gravíssimos, problemas reais para discutir, como a fome, o desemprego, a violência. Na liberdade tudo deve ser discutido, mas penso que o País vai dar uma gargalhada.”
Fonte: Correio da Manhã (Portugal)

ESPANHA: Vereador socialista casa-se com noivo em Espanha 3/Out./2005
O vereador socialista Pedro Zerolo de Madrid, casou-se nesse sábado, 1/10, com Jesús Santos. A lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo está em vigor na Espanha desde julho.
Zerolo é membro do Partido Socialista Operário Espanhol, o mesmo do primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, que apoiou a aprovação da lei.
O vereador declarou para a imprensa internacional que sente-se orgulho de ser espanhol e viver em um país sem discriminação. O casamento aconteceu um dia após o Partido Popular, de oposição ao governo, ter entrado com um recurso no Tribunal Constitucional pedindo que a lei seja considerada inconstitucional.
Fonte: MixBrasil (Brasil)

BRASIL: Justiça concede visto definitivo para casal gay binacional 3/Out./2005
A Justiça Federal concedeu visto de permanência inédito para o inglês David Harrad, companheiro do brasileiro Toni Reis há 14 anos. David, que durante todo esse tempo tinha de encontrar formas de renovar seu visto temporário a cada dois anos, poderá ficar no Brasil de maneira definitiva.
A decisão da Justiça, publicada no Diário Oficial da União do dia 22 de setembro, teve como base em a resolução 05/03 do Conselho Nacional de Imigração, que reconhece a união estável para pessoas do mesmo sexo no caso dos pedidos de visto de permanência de casais binacionais.
Segundo a advogada Silene Hirata, que acompanhou David e Toni, a concessão "mostra uma evolução". "O Estado está aceitando a união de pessoas do mesmo sexo, pelo menos no Judiciário. É um grande avanço", disse ao Mix Brasil.
Fonte: MixBrasil (Brasil)

PORTUGAL: Revista on-line Luminarium entrevista António Serzedelo 3/Out./2005
Luminarium - Foi co-responsável e co-editor do movimento de Acção Revolucionária Homossexual em 1974. Fale-nos um pouco do seu envolvimento político antes e durante a Revolução dos Cravos.
António Serzedelo - Nessa altura a homossexualidade era considerada um crime pelo Código Civil, e inclusivamente havia penas de prisão, ou banimento para aqueles que fossem envolvidos nessa situação. Era o albergue da Mitra para onde eram enviados os considerados asociais. Normalmente isso acontecia sobretudo às pessoas da classe trabalhadora, porque no tocante à burguesia, tinham alguns cuidados mais, e limitavam-se em geral a fichar os nomes das pessoas que depois ficavam sujeitas obviamente a chantagens sobretudo pecurniárias. Havia inclusivé uma polícia política, que se infiltrava para descobri r quem era homo, era a Polícia de Costumes que só foi banida depois do 25 de Abril. Salazar tinha um ministro homossexual, e para evitar que ele caisse em alguma armadilha mandava-o seguir pela polícia, para evitar que caisse em alguma cilada. A mesma sorte não teve um ex-secretário geral do Partido Comunista, Fogaça, que foi apanhado pela PIDE, em Peniche, à saida de uma pensão, onde tivera um encontro amoroso com um homem.
No período anterior ao 25 de Abril eu era estudante universitário, e por causa das influências do Maio de 68 francês, também vivia uma vida, que sendo razoavelmente dupla, era suficientemente livre, e libertária, quiçá, libertina, para os costumes da época. Por isso, fui expulso de um colegio religioso universitário onde estava hospedado, e depois, convidado a sair de uma casa muito engraçada e divertida que tinha na R. da Beneficiência, no bairro de Santos, para onde tinha mudado. A vizinha de baixo queixava-se que eu fazia bruxarias!!! e regularmente tinha lá a policia à porta, para ver o que se passava. Era altamente suspeito, tanto mais que era estudante universitario, um grupo social em colisão com o governo da época.
No dia 25 de Abril propriamente dito, era oficial miliciano no Estado Maior do Exercito, numa repartição, a que hoje chamaríamos de "serviços de inteligência". Por isso, o 25 de Abril nao me apanhou desprevenido. Esperava-o, mas receava também um golpe dos ultra-direitistas que se andavam a reunir. Na noite em que eclodiu o golpe, estava a ensair uma peça do Altino Tojal que nunca chegou a ser apresentada ao público.
Depois do golpe, amigos meus de Lisboa e Porto, e eu próprio, achamos que era necessário tomar logo uma posição relativamente às sexualidades, e então escrevemos um texto reivindicativo, em nome do FHAR, Frente Homomosssexual De Acçao Revolucionária, na minha casa da R. Conde Almoster, Lisboa, a que chamámos "Manifesto Pelas Minorias Sexuais", e que foi apresentado pela imprensa no dia 13 de Maio de 1974.
Dias depois, já o General Galvão de Melo, um dos membros da Junta de Salvação Nacional ia à RTP dizer que o 25 de Abril não se fizera para os homossexuais e as prostitutas reivindicarem fosse o que fosse.
L. - É um acérrimo activista da luta pelos direitos humanos e pela diversidade sexual. Em termos da diversidade e expressão da sexualidade quais são as mudanças que considera mais relevantes 30 anos depois?
A.S. - O aparecimento do movimento associativo LGBT em Portugal, a modificação da lei militar e dos serviços militarizados permitindo que os homossexuais possam fazer parte dessas forças, a aprovação da Lei das Uniões de Facto para heteros e homos, contra todo o establisment eclesiástico, e conservador, hoje muito pouco útil já , a introdução de cláusulas antidiscriminação por razões de orientação sexual no novo Código de Trabalho, a introduçao destes princípios na nova Carta da CGTP/Intersindical, e, a mais importante de todas, a introdução, no artigo 13º da Constituição, da cláusula antidiscriminaçao por razões de orientação sexual, questão que a associação Ilga Portugal levantou logo nos seus primórdios.
No plano cultural, a realizaçao de uma primeira Universidade de Verão Gay, na sede da Opus Gay, e logo o aparecimento do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, no seu início com forte apoio camarário, ligado desde o principio à Ilga Portugal, depois o surgimento do único programa de radio gay independente, o "Vidas Alternativas" que está no ar há seis anos, sem quaisquer apoios, apesar da grande indiferença das outras associaçoes LGBT, que o boicotaram sempre, expresamente, e que se encontra online quer, no portal hetero e independente www.sociofonia.net, quer no portal da Opus Gay.
Por outro lado, a realização em Lisboa há 3 anos, do encontro anual da Ilga Europa, reunindo centenas de activistas gays, sob os auspícios da Opus Gay, de uma primeira antologia de poesia homoerotica, levada a cabo pela revista Korpus/Opus Gay/Câmara Municipal de Lisboa.
A realização anual das Marchas do Orgulho Gay na Avenida da Liberdade, em Lisboa, e depois do Arraial, agora levado para Monsanto.
Enfim, a realização pela 1ª vez, em Portugal, e a decorrer agora, de um congresso de associações de turismo gay, sob o patrocinio da IGLTA, International Gay Travel Association, Associação de Turismo de Lisboa, Agência de viagens Saga Travel, TAP, e Hotel Fenix, sendo que aqui, também a Opus Gay foi pioneira ao assinar com a ATL o 1º protocolo de turismo há cerca de 6 anos, perante a indiferença de todos.
A nível dos media, uma interessante campanha de publicidade na TV elaborada pela Ilga Portugal, sob o lema do "Direito à Indiferença". Enfim, o aparecimento de telenovelas onde a problemática da homossexualidade começa a ser abordada de forma despreconceituosa, e de novos conteúdos programáticos sob estes temas, ainda que por vezes algo discutiveis, tudo isto levando a uma paulatina mudança de mentalidades, pelo menos, nos centros urbanos.
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L. - Recentemente houve uma manifestação de extrema-direita em que José Pinto Coelho, candidato à autaquia de Lisboa, proferiu que uma Câmara do PNR não daria «um tostão aos maricas» e em que vários manifestantes afirmaram que «80 por cento dos pedófilos são homossexuais», nenhum dos quais sabendo donde provinha a estatística. Obviamente estamos perante uma falácia. Até que ponto é que se pode proceder judicialmente contra as pessoas que proferem este tipo de calúnias?
A.S. - De facto, estamos perante uma mentira descabelada, pois toda a gente sabe porque os dados científicos o provam, que as orientaçoes sexuais não têm nada a ver com a pedofilia, e ainda assim, que a maioria dos casos de pedofilia e abuso sexual, na ordem dos 90 e tal por cento, são heterossexuais, e no seio da família. Logo, só uma pequena percentagem são abusos homossexuais, tão condenáveis como aqueles, é claro.
Creio que seria possível colocar uma acção contra os responsáveis por estas mentiras, por exemplo, se todas as organizaçoes GLBT se coordenassem. Contudo, não tem sido esse o entendimento dos seus dirigentes. Preferem agir cada uma isoladamente, certamente por razões de protagonismo. De resto, elas até ignoraram uma Plataforma "Contra o Abuso Sexual de Crianças " formada por três organizaçoes, ACED, Mulheres Contra a Violência e Opus Gay, só por não ter sido sua a iniciativa. Um erro notável e grosseiro,prqoue era necessário mostrar à opiniao pública hetero ,nao só, que estavamos contra a pedofilia ,mas também que militamos contra ela.
Porém, enquanto perdurar esta cultura entre essas associaçoes interligadas entre sí , de controlar e tentar "condominizar" a comunidade GLBT, para fins politico-partidários exclusivos,l e excludentes , isso vai continuar, para nossa infelicidade.
Por isso, a Opus Gay avançou com uma acção, que ainda está a decorrer, contra o Professor César das Neves, cronista do Diário de Notícias, membro da Opus Dei, reconhecido homófobo, também por afirmar mentiras relativas a este grupo, na sua coluna semanal, mas fomos criticados por isso.
Em todo o caso, mais do que judicial, o combate que tem de se travar, é político.
Mostrar à opinião publica, como vimos mostrando, que estes indíviduos não têm qualquer base de sustentação científica ou cultural para as suas afirmações, salvo a ideologia fascista e de ódio que professam, e a tentativa de criar em Portugal um partido lepenista, como o de Le Pen, em França, a Frente Nacional.
L. - À luz da legislação portuguesa são proíbidas organizações fascistas. Uma vez que esta manifestação foi autorizada pelo Governo Civil de Lisboa, não estaremos perante um caso de grande irresponsabilidade e talvez até de uma violação da lei?
A.S. - De facto, há aqui algumas contradiçoes a nível de Governo e de Estado.
Por um lado são proibídas constitucionalmente, as organizações fascistas, e que defendam o ódio, mas por outro, foi permitida a organização legal do Partido Nacional Renovador, cujos objectivos sao claramente fasciszantes.
Depois, foi permitida a realizaçao de uma manifestação cujos propósitos, como se viu pela TV e foram anunciados previamente , eram de estigmatização de um grupo social, os homossexuais, e de incitação ao ódio a esse grupo, o que seria contra o artigo 13º da Constituiçao que proibe a discriminação por razões de orientação sexual.
Em Portugal precisamos de um a Lei contra os comportamentos de ódio, de educação para a diversidade e para a cidadania, e de Gabinetes contra as discriminações, onde as pessoas que são vítimas delas se possam queixar, para repôr a sua dignidade ofendida.
L. - Estreou a semana passada na SIC um programa, baseado num formato da estação televisiva estado-unidense NBC, chamado «Esquadrão G: Não És Homem Não És Nada». O original, 'A queer eye for a straight guy' teve grande sucesso e foi inclusivé galardoado com um EMMY. Qual é a sua opinião sobre o programa?
A.S. - O objectivo do programa não é propriamente esclarecer a opinião pública sobre as questões das sexualidades, designadamente, as minoritarias. O seu objectivo são os "shares" e as audiências. E só. Ora os temas gays vendem...
De certo modo, o programa pode levar à inculcação perante a opinião pública de que todos os gays se comportam como aqueles protagonistas, algo estereotipados, e de que todos os homens gays partilham daqueles amaneiramentos, e de que só aquelas profissões nos estariam reservadas, o que naõ é, de modo nenhum verdadeiro.
O facto de o PNR ter levantado um problema acerca da sua transmissão só veio trazer mais picante ao reality show, e torna-se muito favorável para a estação emissora que haja essa controvérsia, justamente para aumentar as audiências. É claro que a petição está condenada à partida, ao insucesso. É um fait divers. Um divertimento...
Por outro lado, também é preciso ressalvar a coragem daqueles jovens por se apresentarem decisivamente, a dar a cara, o que não é facil neste país, e reconhecer que muitos gays também se revêm naquele figurino. E, de facto, reconhecer que são justamente os mais floreados, amaneirados, efiminados, os que são objecto de maior troça, e exclusão social e não os que parecem "normalizados". Enfim, se defendemos a Diversidade também temos de aceitar estes estilos programáticos de vida, nos quais pessoalmente, nao me revejo, mas aceito.
Também é preciso perceber que nem tudo o que aparece na TV, só porque tem algum conteúdo gay, tem de ser aceite por nós, e, logo aplaudido. Há muita coisa que é lixo televisivo.
Por fim, perceber também que a questão central, agora, é que não há sexualidades centrais, a hetero, e outras periféricas, a homo. Ainda que a heterossexualidade seja maioritária, não é, nem mais, nem menos importante que as outras sexualidades. É só uma forma de sexualidade, e não pode continuar a ser ditatorial, como vem sendo. Na verdade, estes programas servem para manter essa centralidade da heterossexualidade, e a "pereferia" da homossexualidade.
Este é o problema político, social e ético, que tem de ser resolvido e aceite. Em Espanha parece que já está a ser...
L. - Alguns indivíduos de extrema-direita fizeram uma petição para o programa não ir para o ar falando em «lobby gay». Não tiveram sucesso...
A.S. - Nem podiam ter sucesso, porque a petiçao é sob o ponto de vista da invocação das razões, um disparate.
Mas o objectivo à partida, não era impedir que o programa fosse para o ar . O objectivo era dar nas vistas, fazer com que se falasse neles,dar-lhes alguns momentos de notariedade, coisa que vão continuar a fazer,porque precisam disso para sobreviver. De resto, o lider nazi fascista já anunciou que, agora "querem que todos os portugueses os conheçam". Ora este é um dos modos: levantar bandeiras,mesmo que não façam sentido,mas que dêm nas vistas .E como os media portugueses, todos nas mãos da direita, lhes dão trela, que é o que eles querem, vão continuar a inventar "arrastões", "lobis gays" clandestinos, programas de "promoção da homossexualidade", etc, e tal....
Essa foi a razão porque a Opus Gay não valorizou as suas "exigências", e constatou-se que tinhamos razão, quando vimos uma manif. de 150 a 200 pessoas, dita das famílias portuguesas e convocada a nível nacional, previamente, tão badalada por todos os orgãos de informação.
O que não quer dizer, que não seja preocupante.
Quanto ao chamado "lobi gay" há muito que alguns vêm falando disso, com sentido depreciativo, e é nesse sentido que eles se referem a nós.
É preciso diferenciar, e reconhecer dois tipos de lobis: os que têm grande capacidade de exercer pressão oculta, com tráfico de influências e com objectivos nem sempre conhecidos, nem claros, nem a favor do bem comum, os que, por exemplo, o socialista Joao Cravinho denunciou em 1999 quando deixou o executivo Guterres, daqueles que actuam à luz do dia, estão registados, sabe-se perfeitamente quem são, e procuram defender o bem comum. São os chamados "lobis morais", ou os "lobis comunicacionais", na terminologias do sociologo Manuel Vilaverde Cabral, ou de João Cravinho. São os "lobis bons", que actuam às claras, chamam a atenção dos media para as suas actividades, e para os princípios que defendem. Nesse sentido as associaçoes LGBT em Portugal , e por esse mundo fora, fazem um lobi importante, e prestigioso, reconhecido pela Comunidade Europeia (ILGA Europa, em Bruxelas), nas Nações Unidas (a ILGA World, N. York), daí a Ilga Portugal, quando foi fundada, ter tido ideia de repescar este nome prestigioso que usa entre nós, e reconhecido pelos Governos, pelo que temos as nossas associaçoes registadas, em Portugal.
Portanto, não temos que nos envergonhar, nem recear esses epítetos.
Este é um lobi pelos Direitos Humanos, pelo reconhecimento da igualdade de direitos, não pela especificidade de direitos. Somos um bom lobi, e devemos continuar a lutar por ele, em todas as frentes, politicas, sociais, culturais, legais, científicas, sindicais, etc. É o que todos tentamos fazer, e a Opus Gay e eu também, com enormes dificuldades e incompreensões, mas também, com muito orgulho!
Fonte: Luminarium (Portugal)

EUA: Primeiro musical lésbico americano estréia em dezembro 14/Out./2005
Baseado na obra de Patricia Cotter, aclamada pela crítica, o musical lésbico “The Break Up Notebook” irá estrear sua primeira temporada no próximo dia 10 de dezembro, no Hudson Backstage Theatre, em Hollywood, Califórnia. Na história, Helen Hill é uma lésbica de 33 anos que recentemente terminou com sua namorada. Ela está com o coração partido, atordoada e decide que vai sair e começar tudo de novo. Com a ajuda de seu melhor amigo gay, Bob, e suas amigas também lésbicas Monica e Joanie, ela volta para a cena a fim de procurar um novo amor.
Fonte: MixBrasil (Brasil)

ESPANHA: Padre diz que é gay e não-celibatário e é suspenso 17/Out./2005
A agência de notícias Reuters divulgou nesse domingo, 16/10, que o sacerdote José Mantero, de Madri, Espanha, foi suspenso de suas funções ministeriais depois de declarar que era homossexual e não-celibatário.
Segundo a Reuters, Mantero disse na última sexta-feira que "ser gay não é pecado".
O sacerdote é o primeiro padre espanhol que admite ser homossexual. Em entrevista para a revista GLS Zeros, ele afirmou que dava "graças a Deus" por ser gay.
Fonte: MixBrasil (Brasil)

PORTUGAL: Sucesso no tribunal no caso homofobico em Portalegre 13/Out./2005
Neste verão um sujeito foi agredido homofobicamente no centro de Portalegre. O individuo foi para ao hospital e fez queicha à autoridade, e ainda levou o caso para tribunal. (Como foi noticiado em Agosto pelo GayLitoralAlentejano)
O Sr.,vitima de grave agressão homofobica ganhou no tribunal em Portalegre. O Julgamento realizou-se agora, e o Sr.de 62 anos, vizinho de Portalegre, ganhou no tribunal.
O agressor, conhecido como "Agarra Vacas", e que o agrediu a ponto de ter de ser hospitalizado, depois arranjou testemunhas falsas para inverter a situaçao a seu favor, foi condenado a um ano de pena suspensa.
Ao agredido, aos lgbt de Portalegre, ao grupo as Panteras,e a Opus Gay, que denunciou o caso nos midia locais, e que se deslocaram a Portalegre muitas vezes, propositadamente, durante o Verão/Agosto, para dar apoio, força e coragem ao agredido,um homem só, mas corajoso, estão de parabens!
E assim, continuamos a luta contra a homofobia que tenta grassar impune, e pelo cumprimento do artigo 13º da Constituição.
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Fonte: Opusgay (Portugal)
PORTUGAL: Lutar contra a maré 15/Out./2005
A homossexualidade pode ser dolorosa de admitir
Rumar contra a maré
No dia em que um adolescente percebe que gostaria de ter ao seu lado um homem em vez de uma mulher, há um projecto de vida que se desmorona.
A palavra “homossexualidade” começa a fazer sentido e tudo o resto não. As dúvidas multiplicam-se, o medo instala-se, e a vontade de partilhar uma nova realidade, recém-admitida, nem sempre é possível.
O “Litoral Alentejano” foi conhecer a história de vida do autor do portal regional “Gay Litoral Alentejano” e perceber como é que um jovem ganha forças para rumar contra a maré de preconceitos de uma sociedade pouco habituada a conjugar a palavra amor entre duas pessoas do mesmo sexo.
Quando Miguel nasceu as chaves “mestras” da sua vida foram-se desenhando mentalmente, quase como um instinto, na cabeça dos seus pais: iria crescer saudável, tirar um curso superior, casar e ter filhos. Miguel também comungou desta “fórmula-mágica-de-vida-dentro-dos-parâmetros-ditos-normais”, praticamente até ao final da sua adolescência. “Pensava num casamento grande” diz gesticulando, “um dos maiores casamentos de Sines”, acrescenta em tom de brincadeira.
Mas a vida dá voltas. Miguel começa a pôr em causa o seu rumo, os pensamentos e desejos confundem-se num turbilhão de emoções e as evidências começam a ficar cada vez mais transparentes.
As primeiras experiências sexuais acabam por ser decisivas – a primeira com uma rapariga e as seguintes com rapazes - e dar razão a uma realidade que já há muito o “atormentava”. Miguel gostava mais de se relacionar no campo afectivo com homens do que com mulheres. Havia mudanças inevitáveis a fazer no seu projecto de vida “inicial”.
“Assumi-me há cerca de cinco anos, quando fui estudar para fora. Não digo em relação à sociedade, mas em relação a mim. Chama-se a ‘saída do armário’”, recorda Miguel sem pudor. Nessa altura tinha 18 anos, mudou-se para uma cidade onde parece que as discriminações se diluem mais facilmente na multidão, começou a frequentar locais de convivência entre homossexuais e, longe dos pais, conseguiu admitir naturalmente a sua orientação sexual.
Em Sines, junto da família, é que tudo volta a complicar. “Quando os pais descobrem é sempre um choque. Aconteceu comigo”. A mãe descobriu casualmente: “há uma altura em que não se fala do assunto e quando vem à conversa é só para ofender”. Durante uns tempos Miguel teve que saber ouvir e esquecer, a mãe insinuava que era doente, que tinha um distúrbio, o sonho de ser avó desmoronava-se. “É duro estar sempre a ouvir estas coisas”.
Quanto aos amigos de sempre, os que cresceram com Miguel em Sines, o silêncio mantém-se, salvo uma ou outra excepção. As vezes em que se sente tentado a fazer a dita “confissão” são tantas quantas aquelas em que recua. O dilema alimenta-se com o medo da discriminação, da indiferença e da solidão, mas mesmo assim Miguel dá pequenos passos, aqueles que a coragem ainda vai permitindo. “Às vezes mando algumas ‘bocas’ para ver se eles percebem e tomam a iniciativa de me perguntarem já que eu não consigo”.
Quebrar a solidão na Internet
“Sair do armário”, expressão também utilizada para designar a fase em que um homossexual se consegue assumir para si próprio, é uma das primeiras etapas de uma “maratona” de aprendizagens e mudanças que há que interiorizar. Nessa fase, Miguel, tal como tantos outros homossexuais, do sexo masculino e feminino, é bom lembrar, procurou ajuda, um apoio, um conforto, algo ou alguém com quem pudesse tirar um “mar” de dúvidas e ansiedades. Foi também por essa altura que se lembrou dos outros, aqueles que nasceram e residem algures no litoral do Alentejo e que, tal como ele, se sentem sozinhos.
O sítio www.gaylitoralalentejano.web.pt surge assim, a 17 de Maio de 2001. “É uma página informativa homossexual que pretende divulgar a região e dar formação para GLBT, ou seja, gays, lésbicas, bissexuais e transgenders” explica Miguel, descodificando o último grupo onde se inserem “dragqueens e pessoas com fetiches”.
As primeiras críticas não tardaram e, para surpresa de Miguel, a faixa etária dos 20 anos foi mais “dura”, ao contrário dos cibernautas a partir dos 35 anos que lhe dirigiram comentários mais positivos e construtivos.
“Posso estar enganado mas o que penso é que muitos deles fazem críticas negativas por causa dos amigos, que não aceitam a homossexualidade”, avalia, informando, contudo, que descobriu que existem mais homossexuais na região do que aquilo que a sua intuição lhe dizia embora “muitos não se queiram assumir perante os outros, nem conviver”.
Para os que já encaram a sua sexualidade com mais naturalidade, o “Gay Litoral Alentejano” (GLA) sugere um roteiro turístico com locais “gay friendly”, definidos por Miguel como sítios “onde aceitam a homossexualidade até certo ponto e não se fazem diferenças entre casais hetero e homo”.
Porto Covo e Vila Nova de Milfontes surgem como os locais de eleição “porque são terras que vivem à custa do turismo” e, talvez por isso, se preocupem mais com outro tipo de questões, nomeadamente os comerciantes porque “têm outra cultura, outra educação para favorecer o negócio” defende Miguel.
No geral, o jovem gestor do sítio dá como sugestões as praias do concelho de Odemira e Sines, quase todas frequentadas por nudistas e de difícil acesso, por não serem tão propícias aos “mirones” dos curiosos e porque permitem ter alguma privacidade. “Talvez seja a melhor forma de alguns homossexuais se assumirem. Em sociedade não precisamos de andar com uma tabuleta, ali nas praias, estamos no mesmo ‘gueto’” explica com naturalidade. “Há pessoas que durante o dia estão com as famílias, com os amigos, e depois, no fim do dia ou à noite, vão para ali para ser e fazerem algo que são verdadeiramente mas que não assumem perante todos”.
Saltos altos, plumas e lantejoulas
“Lembre-se que não irá, ou dificilmente irá, encontrar alguém de saltos e plumas do sexo masculino”. “Os locais considerados Gay friendly neste roteiro são locais sossegados, simpatizantes, mas por vezes, as pessoas que frequentam estes locais não gostam de gay's que sejam bixas”.
A advertência que Miguel faz na secção do “Roteiro Gay” faz todo o sentido para si, mas nem tanto assim para aqueles que colocam no mesmo “saco” todas as “variantes” da homossexualidade. Para o gestor é importante fazer a ressalva como forma de desmistificar o estereotipo instalado de que todos aqueles homens que gostam de parceiros do mesmo sexo são efeminados, ousados na maneira de vestir e se apresentam à sociedade de forma excêntrica.
Uns são gays ou homossexuais, outros são “bichas”, clarifica: “Em Lisboa vê-se todo o tipo de homossexuais mas dentro da homossexualidade há pessoas com um perfil de machão ou de hetero, outras que usam saltos altos, plumas e lantejoulas”.
Miguel vai mais longe na sua definição: “Uma ‘bicha’ é uma pessoa completamente efeminada, que gosta de fazer escândalos, de ser o centro das atenções e não se preocupa com aquilo que os outros possam estar a pensar”. Por outro lado, acrescenta, “um gay ou um homossexual é uma pessoa que se integra mais na sociedade e se sabe comportar consoante o sítio”.
No litoral do Alentejo, segundo a sua experiência pessoal, seria difícil a população “tolerar” pacificamente a convivência diária com homens vestidos de mulher mas a mesma atitude já não é de esperar em relação aos homossexuais mais “recatados”.
“Costuma-se dizer que primeiro estranha-se, depois entranha-se”, afirma Miguel, pragmático, e prossegue: “aqui no litoral há casais homossexuais femininos e masculinos e, mesmo que as pessoas não gostem da ideia, como se comportam consoante a sociedade, acabam por ganhar a simpatia dos outros”.
O exemplo destes casais e da sua integração gradual na comunidade alentejana acabam por dar uma certa esperança a Miguel, que se recusa a traçar um cenário dramático embora admita que estão ainda longe os tempos em que poderá andar na rua de mão dada com um namorado, manifestando naturalmente, e sem olhares reprovadores, os seus sentimentos.
“Acredito que haja quem se atreva, mas é um pouco cedo ainda”, avalia. Atento às reacções da sociedade, Miguel percebeu que tem que levar as “coisas” com paciência: “tem que ser tudo forma pedagógica, calminha, aos poucos”.
Um pai, dois pais
Já não é tão raro assim fixar os olhos na televisão e assistir a uma reportagem sobre a temática da homossexualidade. Miguel encara com bons olhos esta abordagem mediática mas nem sempre aprova a selecção de imagens que é feita e que tende a focar “a variante das bichas, mascaradas a rigor, com perucas, a fazer escândalos”. É contra os estereotipos impostos à homossexualidade mas reconhece que também na TV é possível ver programas que promovem uma reflexão menos formatada da questão.
O “Nelo”, por exemplo, a personagem caricata dos “sketches” de Herman José, “um homem frustrado, casado e efeminado” é um retrato que o jovem está convicto de que se multiplica em muitas casas portuguesas. “Há muitas pessoas que se casaram com medo da sua sexualidade, outras descobriram depois de estar casadas e mantém o matrimónio de fachada, por receio”.
Ainda na televisão Miguel aconselha algumas séries pedagógicas que passam no canal dois da RTP ou na TVI, “embora a horas tardias”, e na SIC ficou satisfeito com o “Esquadrão G”, um programa conduzido por cinco homens homossexuais, especializados em diferentes áreas. “É bom para as pessoas verem que cinco homossexuais podem fazer as suas ‘bichices’ mas têm uma forma de estar diferente, cada um aposta naquilo que sabe e isso mostra que os homossexuais são tão homens como uma sociedade heterossexual”.
Apesar dos avanços que, amiúde, se manifestam na programação portuguesa, Miguel é da opinião de que é nas acções descentralizadas, no local, que se podem começar a mudar mentalidades. Porque não as juntas de freguesia ou câmaras municipais organizarem ou apoiarem iniciativas de esclarecimento, debates e seminários sobre a homossexualidade? “É assim que as coisas começam a ser interiorizadas, além de que isso ajudaria não só os homossexuais a se entenderem como a sociedade a saber movimentar-se consoante a situação”, sustenta.
Para a sua terra o jovem idealiza um “espaço de diversidade”, onde se possam colocar e discutir questões com pessoas informadas, quem sabe, integrado na “Casa da Juventude”, recentemente inaugurada em Sines.
Mas enquanto isso não acontece Miguel vai “tocando” a vida, com os meios e as oportunidades possíveis, em Lisboa mais, em Sines menos. A sociedade não muda em dois dias e talvez o segredo seja não viver obcecado com isso e continuar a alimentar sonhos, até aqueles que, à partida, parecem impossíveis, como o de ser pai.
“Ainda hoje é o meu maior sonho e quero concretizar”, confessa com olhar brilhante explicando que não põe de parte a hipótese de se vir a relacionar com o sexo oposto para o conseguir ou recorrer à adopção. A segunda alternativa é, contudo, bastante mais improvável pois a lei portuguesa não admite que duas pessoas do mesmo sexo se apresentem como pais adoptivos.
Miguel reconhece que “é importante para uma criança ter a imagem de um homem e de uma mulher” mas também acredita que um casal homossexual “é tão capaz, ou melhor ainda, de dar uma boa educação a uma criança do que um que seja hetero”.
A sociedade, admite, ainda não está preparada, contudo, volta a insistir na questão da necessidade de fazer pedagogia: “não é cedo para pensar nisso, é preciso é ir falando para que todos fiquem com uma ideia certa e a possam transmitir”.
No final de uma conversa sem tabus, a inevitável combinação sobre os dados identificativos a declarar, ou a omitir. A hesitação surgiu, mais uma vez, o jovem homossexual balançava entre a vontade de “abrir o jogo” e se assumir perante todos e o peso do preconceito, o receio das consequências sobre a família e amigos...
A opção de criar um perfil fictício acabou por “ganhar”: Miguel, 25 anos, finalista do ensino superior, sineense.
No outro lado da mesa Miguel ainda questionou se teria tomado a decisão certa, porque não dizer logo de uma vez a todos que é homossexual? Segundos depois o “duelo” interior terminava com Miguel a dizer em voz alta, como que a descansar o próprio espírito: “Eu sei o que quero para a minha vida”.
Fonte: Jornal Litoral Alentejano (Portugal)

PORTUGAL: Adopção de crianças por homossexuais – uma barbárie que o governo português pretende levar à discussão 15/Out./2005
O governo propõe-se criar, até final do ano, um fórum denominado “Conselho de Opinião”, que irá reflectir sobre a adopção de crianças por homossexuais. Será a análise deste tema legítimo, quando se equaciona o estilo de vida dos homossexuais, que obviamente constitui um sector diferente na sociedade, com uma subcultura própria?
Em Portugal, a comunidade homossexual reivindica a possibilidade de adopção de crianças, à semelhança do que já ocorre em vários países europeus (Suécia, Dinamarca, Reino Unido, Holanda e Espanha).
Neste particular, subsiste a construção do direito à orientação sexual, enquanto direito fundamental, essencial ao prolongamento da personalidade. Argumenta-se ainda que a adopção de crianças pobres por homossexuais se contrapõe a uma luta cruel das mesmas pela sobrevivência. Invoca-se assim o princípio económico, em que a criança recolhe benefícios materiais.
Os bens materiais não são factores únicos, ou quiçá determinantes, que propiciam o progresso cognitivo das crianças. Nas sociedades humanas, em prol das civilizações, a questão ética prevalece sempre sobre o factor económico. Compete ao Estado Português garantir um suporte moral e físico para acomodar crianças carentes, validando a moralidade, e evitando a destruição dos fundamentos sociais. Em consonância, do ponto de vista moral e médico, a adopção de crianças por homossexuais traduz um risco inaceitável.
A homossexualidade está ligada a actos deletérios da saúde pública. Algumas estatísticas indicam que: um em cada sete homens que mantiveram relações sexuais com outros homens está infectado pelo HIV; os homossexuais, comparativamente aos heterossexuais, também possuem taxas de Sífilis cerca de 100 vezes mais elevadas. O comportamento sexual desviante dos homossexuais conduz ainda à proliferação de outros estados patológicos, nomeadamente, câncer anal, chlamydia, trachomatis, cryptosporidium, giardia lamblia, herpes, vírus papiloma humano – HGV ou ferida genital – isospora belli, microsporidia, gonorreia, hepatite viral tipos B e C.
Quando as crianças convivem num ambiente em que o homossexualismo é parte de seu quotidiano, com a sua peculiar inocência, será que não tenderão a copiar os exemplos que visualizam, inclusive os que concernem à moralidade sexual! E a intrusão de aspectos de pedofilia não será um risco acrescido! Assim, permitir a adopção de crianças por homossexuais não equivalerá a uma condenação a prazo da criança a graves problemas de saúde pública? Neste particular convirá recordar, às mentes mais cépticas, que embora apenas que 6% dos machos e 3% das fêmeas na população geral reivindicam ser bissexuais, 75% das crianças adultas macho e 67% das crianças adultas fêmea, criadas por pais homossexuais, reivindicam uma orientação bissexual ou homossexual.
O respeito pela dignidade da pessoa humana não pode questionar-se, porém o mesmo não se aplica à respectiva actuação social. Será que a homossexualidade não traduz apenas uma batalha de um mundo cada vez mais artificial, em revolta contra a natureza? Neste contexto, como pode então o governo de Portugal justificar a criação de um “Concelho de Opinião”, para abordar este tema? Será que não existem assuntos mais prementes para resolver na sociedade portuguesa? Especificamente a quem interessa este particular?
Fonte: Jornal Litoral Alentejano (Portugal) Crónica

PORTUGAL: Governo já regulou uniões de facto na ADSE 22/Out./2005
Lacão garante que o Governo vai regulamentar as uniões de facto. Avança mesmo que o Executivo já reconheceu aos companheiros e companheiras de titulares da ADSE os benefícios desta. E considera que deve haver abertura no debate sobre o casamento civil entre homossexuais.
Para quando o reconhecimento dos direitos dos homossexuais e lésbicas?
As pessoas não devem ser objecto de discriminações de qualquer espécie por efeito da sua orientação sexual.
Como se passa da Constituição para a sociedade?
Talvez tenhamos este atavismo cultural de fazer com que os objectivos da inovação e do progresso cheguem um pouco mais tarde entre nós. Temos de o combater energicamente.
Está apostado nesse reconhecimento?
Desejo constituir um conselho de opinião para o qual penso convidar um conjunto de personalidades que particularmente se tenham dedicado ao estudo aprofundado da problemática dos novos direitos para que haja uma reflexão aberta, descomprometida e descomplexada sobre todas estas matérias. É a partir da opinião prudente mas sustentada de um conselho de opinião com estas características que faz sentido propor um conjunto de medidas.
Vai convidar para esse conselho os representantes das organizações activistas pelos direitos de homossexuais e lésbicas?
A minha intenção não é convidar pessoas em função de representações orgânicas, mas em função do seu perfil pessoal e do contributo que efectivamente tenham dado para a boa reflexão da problemática dos direitos individuais.
O Programa do Governo diz que pretende regulamentar as uniões de facto entre homossexuais. Qual é o prazo para o fazer?
Acabamos de tomar uma decisão - o diploma está agora na fase de negociações sindicais - na qual se estende aos companheiros de titulares da ADSE o direito a beneficiarem desse apoio. Esta regulamentação específica é provavelmente daquelas que têm maior alcance no domínio da protecção social no nosso país.
Esse apoio diz respeito à assistência social e médica e também às reformas e pensões?
Para já, tem apenas a ver com toda a cobertura promovida pela ADSE. É uma extensão do regime de ADSE, no quadro da ADSE. Também nos subsistemas de saúde houve o cuidado de igualmente salvaguardar este mesmo direito aos unidos de facto.
E na segurança social?
Esta é a solução que, para já, pudemos concretizar e ela concretiza um direito importantíssimo para muita gente.
Para quando a uniformização das declarações das uniões de facto nas juntas de freguesia?
É um problema que merece atenção. Ainda não houve oportunidade para encontrar uma solução, mas reconheço que a questão está em aberto e tem que ser resolvida.
O Executivo vai ter a iniciativa de levantar a questão do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, como fez o Governo espanhol?
A matéria não está expressa no Programa do Governo, mas reconhece-se a existência de novas problemáticas sociais relativas às famílias, o que quer dizer que as novas dimensões de família não podem ser ignoradas por quem quer ter um entendimento actualizado sobre a maneira como a sociedade se exprime e como as pessoas se relacionam no seio da sociedade. Não tenho nenhum condicionalismo ao entendimento dos movimentos sociais que legitimamente se exprimam. Se esse movimento social legitimamente se exprimir, creio que em sede própria deve merecer toda a apreciação. Não se trata de uma resposta do Governo, essa matéria é da competência da Assembleia da República, que certamente a encarará.
A posição do PS será receptiva ao reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo?
É daquelas matérias em que não há uniformidade de posições nos partidos. Sem prejuízo da inexistência dessa uniformidade, deve haver uma atitude de abertura à consideração da questão quando ela vier a ser colocada.
E quanto à adopção por casais de homossexuais e lésbicas?
A adopção é susceptível de ser concretizada por cidadãos adultos maiores de 25, no caso de serem casados, ou de 30, no caso de serem solteiros. No Código Civil, não há nenhuma referência à orientação sexual das pessoas que pretendem adoptar. Muitas vezes o problema resulta de condicionalismos culturais na aplicação de direitos reconhecidos plenamente. A problemática de saber se casais homossexuais podem vir, enquanto tal, a adoptar está sempre dependente do reconhecimento jurídico do casamento entre homossexuais. O encarar de uma questão levará necessariamente a que se problematize a outra.
Em relação à procriação medicamente assistida, também tem a mesma leitura?
A partir do momento em que se admita o recurso à reprodução medicamente assistida feita por uma mulher só e não dependente da autorização de terceiros, a questão perde sentido. A orientação sexual não é matéria relevante para efeitos da opção que eventualmente a lei venha a reconhecer.
Fonte: Público(Portugal)

PORTUGAL: Beja, a capital do amor 24/Out./2005
Diria que este "Festival do Amor", realizado em Beja, com a duraçao de três dias, foi um "choque tecnológico moral" para todo o país.
Uma capital da província do interior, numa comunidade conservadora, com o patrocineo da Regiao de Turismo Planicie Dourada, e algumas forças vivas da cidade,levou-se a efeito um evento inédito, cultural, social e mediático,(estavam lá varios orgãos de informação), sem preconceitos, e muita originalidade, que foi, sem dúvida, um sucesso, (apesar da chuva), que deverá repetir-se para o ano, e que devia ser transportado, com igual imaginação, para outras cidades do interior.
Desde beber licores da paixão, feitos de produtos locais, trocar bejos e caricias, passando pela gastronomia excitante e afrodisiaca de Marrocos, e até por ouvir gays e lésbicas, à mistura com lindas mulheres que se passeavam com um olhar de "assédio", com tendas e teatro, tudo foi concebido para fazer daquela cidade, durante estes dias, um ambiente diferente, aberto, sem os bloqueamentos, a que normalmente, todos se sujeitam, e estamos sujeitos no nosso quotidiano.
Enquanto ao assunto sobre minorias sexuais, estava marcado para sexta-feira à noite o debate sobre "Amores diferentes", que tinha como intervenientes representantes das minorias sexuais de homossexuais e lésbicas, o auditório encontrava-se vazio. António Serzedelo, presidente da Associação Opus Gay, disse ao jornal Público, de estar habituado àquele tipo de reacção quando se tentam discutir assuntos tabu. Aos poucos foram aparecendo. Achou por bem fazer, mesmo assim, o debate, juntando-o à apresentação do livro de Carla Almeida 300 clientes habituais. "Venho falar de amores impossíveis, do amor que não se ousa dizer o nome", disse, para realçar a exclusão social a que continuam sujeitos os homossexuais, e descrevendo depois uma série de episódios actuais que dão conta da segregação "a que continuamos sujeitos".
Fonte: OpusGay(Portugal)

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