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CARIDADE E VIOLÊNCIA

Queixo-me, Senhor, da violência que me cerca, e nem percebo que, muitas vezes, sou eu quem a provoca através de atitudes afoitas e palavras impensadas...
Sempre que esqueço do dever da caridade para comigo e com os outros, torno-me também violento, a perturbar o ambiente em torno e levando adiante vibrações negativas que açoitarão os outros quais pequeninos mas desagradáveis choques magnéticos, induzindo-os, por sua vez, igualmente, à irritação e ao nervosismo...
Sempre que levanto a voz, enfadado,
- alguém esquece igualmente os bons modos.
Sempre que desconsidero uma opinião ou conselho,
- alguém deixa de respeitar ou ajudar-me.
Sempre que desprezo um irmão em dificuldade,
- alguém passa a diminuir-me também.
Sempre que desrespeito normas e regulamentos,
- alguém sente-se à vontade para desrespeitá-las comigo.
Sempre que olvido que vivemos em interdependência,
- alguém fará isso igualmente.
É impossível, meu Deus, desejar a paz se a caridade não for leme e bússula para a jornada...
Para todos os atos menos fraternos, posso antepô-la como elixir seguro, e que me garantirá a saúde do espírito, esteja eu aonde estiver...
Posso pouco, mas se começar hoje a diminuir o mal, não aquele que impera no mundo, mas o mal que ainda viceja em mim, começarei a melhorá-lo de forma segura e irresistível, ganhando adeptos e simpatizantes a cada novo dia, e contribuindo para que a paz se dilate na Terra.
Se eu não me irritar tanto, se não gritar, se doar mais que exigir, se sorrir com espontaneidade, se criticar menos e auxiliar mais, se não zombar, não desmerecer, não julgar e não odiar, então já estarei contribuindo para que, ao menos hoje, a vida seja melhor...
Se eu deixar de queixar-me, valorizando o meu imenso potencial para obras úteis, terei feito muito em favor da harmonia e do equilíbrio social.
Se eu gostar de mim com menos ego e mais maturidade, me transformarei na pessoa ideal para estender auxílio e consolação ao mundo, em nome do Bem Maior que auxilia e consola, ininterruptamente...
Se eu me amar sem paixão, mas com consciência, terei tempo para perceber que meu próximo também merece e aguarda semelhante amor, para viver com mais alegria e confiança...
Se eu pacificar ao invés de induzir, se ignorar ao invés de propalar, se eu calar qualquer notícia menos digna, se eu barrar maledicências e ignorar a inquietação, terei feito muito para que a violência se mantenha ao largo e para que a paz seja a tônica a reger meu tempo, de forma harmônica e integral.
Senhor, ensinastes um dia o amor em sua mais bela forma, legando-nos valioso roteiro para um futuro pleno e feliz...
Que este amor seja a descoberta que me cabe, ao menos hoje, e que, convertida em mais pura caridade, para com o meu próximo e para comigo mesmo, seja força luminosa a desarmar o mal, em qualquer manifestação.
Que eu não contribua para a propagação de lágrimas e aflições, em circunstância alguma, recordando-me sempre que, para o meu e o alheio bem, a caridade tudo deve "sofrer, crer, esperar e suportar!..."

Assim seja!

André Luiz, Instituto André Luiz, 27.06.2003*

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BREVE MEDITAÇÃO SOBRE O TEMA

"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.
E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.
E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para o sustento dos pobres e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.
A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não trata com leviandade, não se ensoberbece;
Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca, jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência.
...Agora pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes, porém a maior delas é a caridade"

(PAULO DE TARSO, I Coríntios, Capítulo 13, versículos, 1-7 e 18)

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MENSAGEM DE ANDRÉ LUIZ

CARIDADE
(Acordemos)

É sempre fácil
examinar as consciências alheias,
identificar os erros do próximo,
opinar em questões que não nos dizem respeito,
indicar as fraquezas dos semelhantes,
educar os filhos dos vizinhos,
reprovar as deficiências dos companheiros,
corrigir os defeitos dos outros,
aconselhar o caminho reto a quem passa,
receitar paciência a quem sofre
e retificar as más qualidades de quem segue conosco.
*
Mas enquanto nos distraímos,
em tais excursões a distância de nós mesmos,
não passamos de aprendizes que fogem, levianos,
à verdade e à lição.
*
Enquanto nos ausentamos
do estudo de nossas próprias necessidades,
olvidando a aplicação dos princípios superiores
que abraçamos na fé viva,
somos simplesmente
cegos do mundo interior
relegados à treva...
*
Despertemos, à nós mesmos,
acordemos nossas energias mais profundas
para que o ensinamento do Cristo
não seja para nós uma benção que passa,
sem proveito à nossa vida,
porque o infortúnio maior de todos,
para a nossa alma eterna,
é aquele que nos infelicita
quando a graça do Alto passa por nós em vão!...

ANDRÉ LUIZ
(Do livro "Caridade", cap. 33, F.C.X., IDE)

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de Divulgação Espírita André Luiz.
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