RUMO
À FELICIDADE
A grande viagem, que
encetei um dia sob à Tua vontade, Senhor,
aproxima-se cada vez mais da felicidade que
prometestes os teus filhos!
Ainda não é plena, porque mesclada com a
bagagem que trouze dos reinos inferiores, mas já
se manifesta em meu coração que fita o alto,
confiante, mesmo nos momentos de aflição e
tormenta, de lágrima e provação; ainda não é
pura, porque me restam laços a burilar, mas
está clara, cada vez mais, quando sinto que
posso abrir mão de hábitos e necessidades sem
que isso se me afigure perda ou sofrimento; ainda
não é livre porque não sei renunciar e
abençoar plenamente, mas se manifesta nas minhas
lágrimas cada vez menos doridas frente à
ausência e a separação; ainda não é dádiva
porque exijo retribuição, recompensa, mas
aprendo, a pouco e pouco, a suportar a
ingratidão sem melindrar-me ou sofrer; ainda
não é riqueza porque sou pobre de grandes
virtudes, mas minhas mãos se abrem cada vez
mais, para doar, para estender sustento, para
auxiliar; ainda não é abundância porque não
sei amar e exemplificar adequadamente, porém
amores egoísticos e paixões subalternas já
não me encantam o coração, que anseia agora
por vôos mais sublimados; ainda não é paraíso
porque vive em mim de forma ainda rija o inferno
do orgulho e do egoísmo, da arrogância e da
vaidade...
Mas sei, meu Deus, que posso cada vez mais
afastar-me do que fui ontem para ser o que Tu
desejas que eu seja, sem que eu me lamente a
sorte ou que duvide de teu amor e Tua
proteção!...
Tenho todos os defeitos possíveis, ainda sou
revestido do mal que impera no mundo, mas sei que não sou escravo dele. Sou livre. Senhor, para realizar
infinitamente para o Bem e para a Luz.
Por isso sou feliz, desde agora!...
Não obstante todas as minhas deficiências,
assinalo ao meu lado a Tua presença amorosa e a
Tua proteção inalterável, ajudando-me a
buscar alegremente novas frentes de ação, e
que me conduzirão cada vez mais à felicidade
que é a glória dos espíritos que souberam um
dia, assim como devo eu hoje, elevar-se do pó da
Terra para os cumes da perfeição!
Assim seja!
André Luiz, IDEAL André,
12.12.2002*
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BREVE ESTUDO SOBRE O TEMA
DAS PENAS ETERNAS
Deus, pergunta-se, não
demonstraria maior amor por suas criaturas se as
criasse infalíveis e portanto isentas das
vicissitudes decorrentes da imperfeição? Seria
necessário, para isso, que ele criasse seres
perfeitos, nada tendo a conquistar, nem em
conhecimentos e nem em moralidade. Não há
dúvida de que o podia fazer, mas se não o fez
é porque, na sua sabedoria quis que o progresso
fosse uma lei geral. Os homens são imperfeitos
e, como tal, sujeitos às vicissitudes mais ou
menos penosas. Esse é um fato que temos de
aceitar, desde que existe. Mas inferir disso que
Deus não é bom nem justo seria uma rebeldia.
Haveria injustiça se ele tivesse criado seres
privilegiados, mais favorecidos que os outros,
gozando sem esforço da felicidade que os outros
só atingem penosamente ou jamais poderiam
atingir. A justiça de Deus brilha precisamente
na igualdade absoluta que rege a criação de
todos os Espíritos. Todos tem o mesmo ponto de
partida; não há nenhum que seja, na sua
formação, mais bem dotado que os outros; nenhum
cuja marcha ascensional seja facilitada por
exceção; os que chegam ao alvo passaram, como
os outros, pela fieira das provas e da
inferioridade.
Admitindo-se isso, o que haveria de mais justo do
que essa liberdade de ação dada a cada um? A
via da felicidade está aberta a todos, o
objetivo de todos é o mesmo, as condições para
atingi-lo são as mesmas para todos e a lei
gravada em todas as consciências foi ensinada à
todos. Deus fez da felicidade o prêmio do
trabalho e não do favoritismo para que cada um
tenha o seu mérito. Todos são livres de
trabalhar ou de nada fazer para o seu
adiantamento. Aquele que trabalha bastante e com
rapidez é recompensado mais cedo, mas aquele que
se desvia do caminho ou perde o seu tempo,
retarda a sua chegada e só pode lamentar de si
mesmo. O bem e o mal são facultativos e dependem
da vontade de cada um. O homem, por ser livre,
não é fatalmente levado nem para um, nem para o
outro.
33. Apesar da diversidade de gêneros e graus de
sofrimento dos Espíritos imperfeitos, o código
penal da vida futura pode se resumir nestes três
princípios:
1) O sofrimento é inerente à imperfeição.
2) Toda imperfeição, e toda a falta que dela
decorre, trazem o seu próprio castigo nas suas
conseqüências naturais e inevitáveis, como a
doença decorre dos excessos, o tédio da
ociosidade, sem que haja necessidade de uma
condenação especial para cada falta e cada
indivíduo.
3) Todo homem podendo corrigir as suas
imperfeições pela sua própria vontade, pode
poupar-se os males que delas decorrem e assegurar
a sua felicidade futura.
Essa é a lei da justiça divina: a cada um
segundo as suas obras, tanto no céu como na
Terra. (O CÉU E O INFERNO, Cap. VI, 32, 33)
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MENSAGEM DE ANDRÉ LUIZ
NEM CASTIGO, NEM PERDÃO
O espírita encontra na
própria fé - o Cristianismo Redivivo -
estímulos novos para viver com alegria, pois,
com ele, os conceitos fundamentais da existência
recebem sopros poderosos de renovação.
A Terra não é prisão de sofrimento eterno.
É escola abençoada das almas.
A felicidade não é miragem do porvir.
É realidade de hoje.
A dor não é forjada por outrem.
É criação do próprio espírito.
A virtude não é contentamento futuro.
É júbilo que já existe.
A morte não é santificação automática.
É mudança de trabalho e de clima.
O futuro não é surpresa atordoante.
É conseqüência dos atos presentes.
O bem não é o conforto do próximo, apenas.
É ajuda a nós mesmos.
Deus é Eqüidade Soberana, não castiga nem
perdoa, mas o ser consciente profere para si
mesmo as sentenças de absolvição ou culpa ante
as Leis Divinas.
Nossa conduta é o processo, nossa consciência o
tribunal.
Não nos esqueçamos, portanto, de que, se a
Doutrina Espírita dilata o entendimento da vida,
amplia a responsabilidade da criatura.
As raizes das grandes provas irrompem do passado
- subsolo da nossa existência -, e, na estrada
da evolução, quem sai de uma vida entra em
outra, porque berço e túmulo são,
simultaneamente, entradas e saídas em planos de
Vida Eterna.
ANDRÉ LUIZ
(O Espírito da Verdade, 82, FEB)
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Reprodução
parcial ou total somente com a
autorização expressa do Instituto
de Divulgação Espírita André Luiz - IDEAL
André. |
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