CORAÇÕES AUSENTES
Meu Deus... Hoje, só o
Senhor hoje poderá dizer do que vai no peito,
tamanha a saudade que se apossou de mim, de
repente...
Lembrei, Senhor, de todos aqueles corações que
estiveram comigo um dia, edificando ao meu lado
momentos de luz e felicidade, e meus olhos não
se furtaram às lágrimas quentes de um
desconsolo que teimosamente me faz recordar e
chorar...
Já sei muito de Ti e de teus desígnios, meu
Pai, e no entanto minha alma agora parece
refratária a qualquer pensamento sensato. Como
eu queria poder exclamar resignadamente
"seja feita a tua vontade", porém não
consigo mais calar palavras aflitas que me
queimam o cérebro rogando uma resposta que seja,
mas que me sirva de explicação, de consolo...
Por que, Senhor?
Por que primeiro os sonhos e as esperanças, a
presença e a promessa e depois o choque, a dor e
o vazio?
Ah, meu Deus... Ontem, em um tempo onde só havia
espaço para risos e ideais, eu vivia entre
promessas e afagos, cercado de afetos que eram
toda a minha alegria e toda a minha
esperança!...
Mas hoje... eu pergunto: onde se encontram
aqueles amados que colocastes em minha vida,
tornando-a jardim de rara e delicada formosura?
Hoje, saudades e descaminhos marcam minha
passagem no mundo, legando-me soluços e mãos
estendidas, como que a perguntar: por que,
Senhor, por que? Em que lugar de minha estrada eu
te devia tanto que levastes os meus amados de
mim, situando-me perto de corações que pouco se
importam comigo e deixando-me sozinho entre o
silêncio e a dor, no instante de minha maior
necessidade?
Perdoe-me as lágrimas, meu Pai, o desconsolo...
Sei que não estou assim agora, por acaso, e por
isso procurei-te, voltando-me para o teu amor
infinito na esperança de uma palavra amiga, de
uma resposta que me traga compreensão e alívio!
Ajude-me a entender as separações que desde há
muito orvalham de tristeza meu coração cansado,
ajuda-me a suportar as saudades e as lágrimas
nas horas de inconformação para que eu possa
retribuir, mesmo que com a minha humilde e
sofrida resignação perante o inevitável, o
imenso amor que recebi deles, em algum momento
mais doce e melhor de minha existência!
Assim seja!
André Luiz, IDEAL André,
2002*
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BREVE ESTUDO SOBRE O TEMA
PERDA DE PESSOAS AMADAS
Per.: - A perda de
pessoas que nos são queridas não é uma
daquelas que nos causam um desgosto tanto mais
legítimo por ser irreparável e
independentemente de nossa vontade?
R. - Essa causa de
desgosto atinge tanto o rico quanto o pobre: é
uma prova ou expiação, e a lei comum.
Per.: Como as dores
inconsoláveis dos sobreviventes afetam os
Espíritos a que se dirigem?
R. - O Espírito é
sensível à lembrança e aos lamentos daqueles
que amou, mas uma dor incessante e irracional o
afeta penosamente, porque ele vê nessa dor
excessiva uma falta de fé no futuro e de
confiança em Deus e, por conseguinte, um
obstáculo ao progresso e, talvez, ao reencontro.
(Leia mais em "O Livro dos
Espíritos, livro IV, cap. I, 934 e 936)
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DUAS MENSAGENS DE ANDRÉ
LUIZ
PERANTE A ENFERMIDADE
Sustentar inalteráveis a
fé e a confiança, sem temor, queixa ou revolta,
sempre que enfermidades conhecidas ou inesperadas
lhe visitem o corpo ou lhe assaltem o lar.
Cada prova tem uma razão de ser.
Com o necessário
discernimento, abster-se do uso exagerado de
medicamentos capazes de intoxicar a vida
orgânica.
Para o serviço da cura, todo medicamento exige
dosagem.
Desfazer idéias de temor
ante as moléstias contagiosas ou mutilantes,
usando a disciplina mental e os recursos da
prece.
A força poderosa do pensamento tanto elabora
quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e
psíquicos.
Sabendo que todo
sofrimento orgânico é uma prova espiritual,
dentro das leis cármicas, jamais recear a dor,
mas aceitá-la e compreendê-la com desassombro e
conformação.
A intensidade do sofrimento varia segundo a
confiança na Lei Divina.
Aceitar o auxílio dos
missionários e obreiros da medicina terrena,
não exigindo proteção e responsabilidade
exclusiva dos médicos desencarnados.
A Eterna Sabedoria tudo dispõe em nosso
proveito.
Afirmar-se mentalmente em
segurança, acima das enfermidades insidiosas que
lhe possam assaltar o organismo, repelindo os
pensamentos e as palavras de desespero ou
cansaço, na fortaleza de sua fé.
A doença pertinaz leva à purificação mais
profunda.
Aproveitar a moléstia
como período de lições, sobretudo como tempo
de aplicação de valores alusivos à convicção
religiosa.
A enfermidade pode ser considerada por
termômetro da fé.
ANDRÉ LUIZ
(Conduta Espírita, 35)
PERANTE A DESENCARNAÇÃO
Resignar-se ante a desencarnação inesperada do
parente ou do amigo, vendo nisso a manifestação
da Sábia Vontade que nos comanda os destinos.
Maior resignação, maior prova de confiança e
entendimento.
Dispensar aparatos, pompas e encenações nos
funerais de pessoas pelas quais se
responsabilize, abolir o uso de velas e coroas,
crepes e imagens, e conferir ao cadáver o tempo
preciso de preparação para o enterramento ou a
cremação.
Nem todo Espírito se desliga prontamente do
corpo.
Emitir para os companheiros desencarnados, sem
exceção, pensamentos de respeito, paz e
carinho, seja qual for a sua condição.
A caridade é dever para todo clima.
Proceder corretamente nos velórios, calando
anedotário e galhofa em torno da pessoa
desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios
ao pé do corpo inerte.
O companheiro recém-desencarnado pede, sem
palavras, a caridade da prece ou do silêncio que
o ajudem refazer-se.
Desterrar de si quaisquer conversações ociosas,
tratos comerciais ou comentários impróprios nos
enterros a que comparecer.
A solenidade mortuária é ato de respeito e
dignidade humana.
Transformar o culto da saudade, comumente
expresso no oferecimento de coroas e flores, em
donativos às instituições assistenciais, sem
espírito sectário, fazendo o mesmo nas
comemorações e homenagens a desencarnados,
sejam elas pessoais ou gerais.
A saudade somente constrói quando associada ao
labor do bem.
Ajuizar detidamente as questões referentes a
testamentos, resoluções e votos, antes da
desencarnação, para não experimentar choques
prováveis ante inesperadas incompreensões de
parentes e companheiros.
O corpo que morre não se refaz.
Aproveitar a oportunidade do sepultamento para
orar, ou discorrer sem afetação, quando chamado
a isso, sobre a imortalidade da alma e sobre o
valor da existência humana.
A morte exprime realidade quase totalmente
incompreendida na Terra.
ANDRÉ LUIZ
(Conduta Espírita, 36, FEB)
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Reprodução
parcial ou total somente com a
autorização expressa do Instituto
de Divulgação Espírita André Luiz - IDEAL
André. |
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