Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e Núcleo Paulista da Rede Alfredo de Carvalho
CICLO DE ESTUDOS

HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO:
ITINERÁRIO DA MÍDIA
EM SÃO PAULO
(março a junho  de 2004)

Ciclo de divulgação científica promovido
pelo Instituto Histórico
e Geográfico de São Paulo

em  parceria com a
Rede Alfredo de Carvalho
para o Resgate da Memória da Imprensa e a

Cátedra Unesco de Comunicação
da Universidade Metodista de São Paulo

Coordenador do Ciclo:
José Marques de Melo

Diretora do IHGSP:
Nelly Martins Ferreira Candeias

Março

Dia 8 – História e Mídia em São Paulo
14h00 – Inauguração do ciclo – Nelly Martins Ferreira Candeias
14h30 - Itinerário midiático paulista – Antonio Costella
15h30 – Para conhecer a História da Midia: fontes paulistas – Gisely Hime
16h30 – Midiologia paulistana: autores paradigmáticos – José Marques de Melo

Dia 15 – Proto-História Midiática
14h30 - Anchieta, precursor da folkcomunicação – F. de Assis Fernandes
15h30 – Mídia caipira no país dos bandeirantes: luso-hegemonias, afro-resistências – Cristina Schmidt
16h30 – Cordel na terra da garoa: a comunicação dos bandeirantes tardios – Joseph Luyten

Dia 22 – Itinerário da Imprensa
14h30 – Biografia de um jornal paulistano – Laércio Arruda
15h30 – Biografia de um jornal do interior paulista – Samuel Pfromm Neto
16h30 – Trajetória da imprensa sindical no ABC paulista – Valdenizio Petrolli

Abril

Dia 12 –Itinerário da Televisão
14h30 –Antenas paulistanas: imagens em branco e preto - Osmar Mendes Jr.
15h30 – A saga de Ivani Ribeiro: folhetins coloridos – Fátima Feliciano
16h30 – Imaginário paulista: do livro à telinha – Sandra Reimão

26 – Itinerário do Rádio
14h30 – O rádio com sotaque paulista – Antonio Adami
15h30 - Paulicéia radiofônica: gêneros e formatos – André Barbosa
16h30 - O rádio paulistano na era da internet – Lígia Trigo

Maio

3 – Itinerário do Cinema
14h30 –Vera Cruz: aventura cinematográfica paulista – Antonio de Andrade
15h30 –O neobandeirantismo da Caravana Farkas – Alfredo d´Almeida
16h30 – Imaginário paulistano: do livro à tela – Helena Bonito

10 - Itinerário do Jornalismo
14h30 – O front noticioso paulista: de Badaró a Herzog – Audálio Dantas
15h30 – A vanguarda sindical – José Hamilton Ribeiro
16h30 - A tribo dos caçadores de notícias - Jorge Cláudio Noel Ribeiro Jr.

17– Itinerário da Propaganda
14h30 – A propaganda republicana – Célio Debes
15h30 - Do reclame ao marketing – Adolpho Queiroz
16h30 - Anúncio da fé: a ofensiva presbiteriana – Gilson Novaes

24 - Itinerário das Relações Públicas
14h30 – 90 anos de RP: as mutações profissionais – Waldemar Kunsch
15h30 - Eduardo Pinheiro Lobo: a construção de um mito – Mirtes Torres
16h30 – Teobaldo Andrade: a legitimação acadêmica – Maria Stella Thomazi

31 – História em processo: inovações midiáticas
14h30 – Informatização da imprensa: bandeirantes midiáticos – Ruth Vianna
15h30 – Quadrinhos paulistanos: de Agostini a Maurício – Sonia Luyten
16h30 – Webmídia: capítulo paulista da história emergente – Walter Lima

Junho

Dia 7 – Encerramento do ciclo:
Instalação do Núcleo Paulista da Rede Alfredo de Carvalho

Local do evento e inscrições:
Sede do IHGSP
Rua Benjamin Constant, 158  Centro (Situada no trecho  entre o Largo de São Francisco e a Praça da Sé)
São Paulo- SP - Brasil

Telefone: 3242-3582
E-mail: ihgsp2003@yahoo.com.br

Requisitos para  a inscrição:

Comprovação do vínculo universitário ou cópia xerox do diploma
Número de vagas: 100 (cem)
Taxa de inscrição: R$ 30,00 (Trinta reais)
Certificado: Terão direito ao certificado de freqüência
os participantes que comparecerem a pelo menos
80% das palestras programadas.

O encontro do dia 8 de março:

Entidade centenária dedicada à preservação da memória da sociedade paulista, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – IHGSP – iniciou no dia 8 de março de 2004 o Ciclo de Estudos denominado “História da Comunicação – Itinerário da Mídia em São Paulo”, contando com a participação de meia centena de pesquisadores, professores e estudantes.

Trata-se de iniciativa coordenada pelo Prof. Dr. José Marques de Melo, professor emérito da Universidade de São Paulo e membro efetivo do IHGSP cujo patrono é Alfredo de Carvalho, pioneiro dos estudos históricos sobre a imprensa brasileira.

O ciclo foi programado no período de 8 de março a 7 de junho, com sessões semanais que se realizam nas tardes de segunda-feira (das 14 às 17 horas), na Sala de Conferências do instituto, situada no oitavo andar do Edifício Ernesto de Souza Campos, à Rua Benjamin Constant, n. 158, no bairro da Sé, centro da capital paulista.

Aberto a historiadores e comunicadores, bem como a estudantes universitários e outros interessados na trajetória da cultura midiática paulista, o evento está sendo divulgado através da Rádio USP, TV Mackenzie (Canal Universitário de SP) e jornal Diário de S. Paulo, organizações que apóiam a iniciativa do IHGSP. Também respaldam o ciclo a Cátedra UNESCO de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo e a Rede Alfredo de Carvalho para o Resgate da Memória da Imprensa e a Construção da História da Mídia no Brasil.

Informações gerais sobre essa iniciativa estão disponíveis no site: http://geocities.yahoo.com.br/ihgsp2004/ciclomidiasp.html

Resenha:

Como foi a Sessão de abertura
em 8 de março de 2004:

O ciclo de estudos “História da Comunicação – Itinerário da Mídia em São Paulo” foi aberto solenemente pela Profa. Dra. Nelly Martins Ferreira Candeias, que mencionou a tradição dos estudos históricos cultivada há 110 anos pela entidade, sendo aquela promoção uma homenagem do IHGSP aos 450 anos da cidade de São Paulo. Ela agradeceu a iniciativa do Professor Marques de Melo, integrante da nova safra de historiadores convidada a integrar o quadro de membros efetivos do IHGSP, onde passa a desenvolver uma linha de estudos sobre a História da Comunicação Paulista.

Em seguida, a Dra. Nelly Candeias passou a palavra ao Coordenador do Ciclo, tendo o Prof. Dr. José Marques de Melo explicado que sua intenção é a de reunir três dezenas de estudiosos da comunicação que fizeram estudos prévios sobre a memória comunicacional da terra dos bandeirantes, difundindo tais conhecimentos para estimular a atividade de uma nova geração  de pesquisadores, consciente da preservação da memória midiática estadual. Ele esclareceu que tal projeto constitui um desdobramento da Rede Alfredo de Carvalho, criada em 2001, na cidade do Rio de Janeiro, possuindo hoje núcleos regionais na Bahia, Espírito Santo, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ao final do ciclo que se inaugurava, o Professor Marques de Melo espera que os seus participantes venham a estruturar o Núcleo Paulista da Rede Alfredo de Carvalho.

O terceiro orador foi o Prof. Dr. Manasses Claudino Fonteles, Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, representando o conjunto das entidades que se associaram ao IHGSP para realizar o ciclo de estudos. Ele disse que sendo um organismo educacional enraizado há mais de 130 anos na vida cultural paulista, o Mackenzie sente-se honrado em contribuir para iniciativa dessa natureza, não apenas divulgando o ciclo em seu canal televisivo, mas também agregando estudos produzidos por intelectuais presbiterianos. O Dr. Fonteles aproveitou a oportunidade para saudar a cidade de São Paulo no ano do seu aniversário, dizendo que desfrutara a vida cultural paulistana durante a sua formação universitária, retornando ao Ceará, sua terra natal, para aplicar os conhecimentos médicos aqui assimilados. Agora, ao assumir a reitoria da Universidade Mackenzie, sentia-se na obrigação de retribuir à sociedade paulista o legado com que fora brindado na sua juventude. Desta maneira, colocava-se à disposição do IHGSP para desenvolver novas parcerias, enaltecendo a idéia do Professor Marques de Melo, alagoano aqui radicado há quatro décadas, que , como tantos outros nordestinos emigrados, vem trabalhando para reconstituir a memória cultural de São Paulo e do Brasil.

Introdução à História da Mídia

Após a solenidade de abertura do ciclo, realizou-se a primeira sessão de estudos, tendo como tema “História e Mídia em São Paulo”. Dela participaram três historiadores da comunicação, sendo dois membros efetivos do IHGSP, os professores Antonio Costella e José Marques de Melo, além da jovem professora Gisely Hime.

Os três expositores foram assim apresentados pelo Prof. Dr. Valdenizio Petrolli, co-organizador do ciclo:

O professor Antonio Costella iniciou sua carreira docente na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, tendo lecionado também na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e na Universidade de Taubaté. Autor de mais de uma dezena de livros, dentre eles o ensaio “O Controle da Informação no Brasil” (Vozes, 1970) e o manual “Comunicação – do grito ao satélite” (Mantiqueira, 1978). Ganhador do Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação – 2003, na categoria Maturidade Acadêmica, dedica-se atualmente, em tempo integral, ao Museu da Xilogravura, por ele fundado na cidade de Campos do Jordão.

A professora Gisely Hime pertence à nova geração de historiadores uspianos, tendo conquistado os graus de Mestre e Doutora em Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes, pesquisando fenômenos e personagens da História da Imprensa. Atualmente leciona no Centro Universitário Alcântara Machado, onde coordena a Cátedra de Jornalismo Octávio Frias de Oliveira.

O professor José Marques de Melo é docente fundador da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde defendeu em 1973 a primeira tese de Doutorado em Jornalismo do Brasil. Ao se aposentar naquela instituição, foi convidado a dirigir a Cátedra UNESCO de Comunicação, mantida pela Universidade Metodista de São Paulo. Publicou, no ano passado, duas obras significativas no campo da História da Comunicação: História Social da Imprensa (Edipucrs) e História do Pensamento Comunicacional (Paulus).

Itinerário midiático paulista

Em sua exposição, o Professor Antonio Costella resgatou a trajetória dos meios de comunicação em São Paulo, rotulando-a como “história tardia”. Ele disse que, no panorama da história tardia brasileira (conforme delineada pelo professor Marques de Melo em sua tese de doutorado), a imprensa paulista somente floresceu depois de 1827, precedida por uma experiência de jornalismo manuscrito, de caráter naturalmente simbólico, porque restrita a um pequeno número de leitores.

Ele justificou esse desenvolvimento lento da imprensa, atribuindo-o ao atraso que caracterizou a sociedade paulista durante o século XIX, cujos jornais de repercussão nacional viriam a ser contemporâneos do movimento republicano e da expansão da economia cafeeira.

Somente quando São Paulo se industrializa, os meios de comunicação coletiva aqui ganham impulso, como foi o caso do telégrafo, do telefone e mais tarde do rádio, cujas iniciativas pioneiras mostram-se sintonizadas com os avanços liderados pelo núcleo decisório do país, instalado na cidade do Rio de Janeiro.

Se ficou a reboque dos centros nacionais nos casos da mídia impressa e da mídia sonora, São Paulo seria a locomotiva a liderar o desenvolvimento da indústria audiovisual. Caso emblemático é o da televisão, aqui lançada em 1950 por Assis Chateaubriand. Idêntico vanguardismo se daria no caso da tecnologia das fibras óticas, traduzindo o dinamismo dos institutos de pesquisa tecnológica financiados pelo governo paulista.

Fontes históricas paulistas

A exposição da professora Gisely Hime, intitulada “Para conhecer a Hisória da Mídia: fontes paulistas”, foi dividida em duas partes distintas.

Inicialmente ela destacou a significação da imprensa como fonte histórica, explicando que os historiadores da moderna sociedade paulista não podem prescindir da consulta às coleções de jornais e revistas, correndo o risco de omitir aspectos fundamentais da vida cotidiana, nem sempre registrados nos documentos convencionais.

Num segundo momento, ela descreveu os resultados preliminares de uma pesquisa documental que vem realizando com a participação de bolsistas de iniciação científica do Centro Universitário Alcântara Machado. Trata-se de uma análise das fontes históricas sobre a mídia paulista que estão sendo produzidas nos cursos de pós-graduação das universidades paulistas.

Ela vem catalogando e ordenando o conhecimento histórico sobre imprensa, jornalismo e outros fenômenos midiáticos enfeixado nas dissertações de mestrado e teses de doutorado defendidas nos departamentos de Jornalismo e de História da Universidade de São Paulo. Num segundo momento, serão analisadas as fontes disponíveis nos mesmos departamentos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Quais as tendências perceptíveis nas fontes já identificadas ? O foco principal dos estudos é a relação entre mídia, poder, ideologia e política. Do ponto de vista metodológico, trata-se principalmente de estudos vinculados à corrente da análise de discurso. Um filão que emerge entre os historiadores da comunicação paulista é o dos estudos sobre a mídia segmentada: feminina, esportiva, sindical etc.

Autores paradigmáticos

A comunicação do Prof. Dr. José Marques de Melo, subordinada ao tema “Midiologia Paulista: os autores paradigmáticos do IHGSP”, focalizou os seguintes tópicos:

1) Durante a segunda metade do século XIX e princípios do século XX, aos Institutos Históricos coube papel significativo na reconstituição da trajetória dos processos comunicacionais brasileiros.

2) No caso paulista, o papel desempenhado pelo IHGSP foi decisivo para a construção dessa História Midiática, estimulando o trabalho de autores paradigmáticos. Suas obras serviriam como ponto de referência para o desempenho das gerações posteriores.

3) Revisando a produção historiográfica dessa instituição, durante o seu primeiro século de atividades (1894-1994), constata-se um forte viés elitista, figurando a comunicação erudita como objeto hegemônico de pesquisa. Em posição secundária, do ponto de vista quantitativo, acham-se a comunicação massiva e a folkcomunicação.

3) No quadro seminal da pesquisa histórica sobre a comunicação paulista, destaca-se a figura polifacética de Affonso de Freitas, que, discrepando dos seus companheiros de geração, demonstrou interesse não apenas pela comunicação das elites, mas também pelos emergentes processos da comunicação massiva e pelos fluxos comunicacionais protagonizados pelas classes subalternas.

O ENCONTRO DO DIA 15 DE MARÇO:

Manifestações precursoras da comunicação paulista


O ciclo de estudos sobre “História da Comunicação: itinerário da mídia em São Paulo” prossegue no dia 15 de março, às 14 horas, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo – IHGSP -, rua Benjamin Constant, 158, no centro da capital paulista, debatendo o tema “Proto-História Midiática”.

Atuarão como expositores os professores Francisco de Assis Fernandes (Universidade de Taubaté), Cristina Schmidt (Universidade de Mogi das Cruzes) e Joseph Luyten (Universidade Metodista de São Paulo).

Folkcomunicação

A sessão ser´iniciada com a exposição do Prof. Dr. Francisco Assis Fernandes sobre o tema “Anchieta, precursor da Folkcomunicação”.

Professor Titular aposentado da USP e da UNITAU, FRANCISCO ASSIS MARTINS FERNANDES tem a seguinte formação universitária: Bacharel em Jornalismo pela Universidade dos Estudos Gerais de Roma (Itália) Licenciado em Teologia pela Universidade Lateranense de Roma (Itália), Bacharel em Rádio e Televisão pela ECA/USP, Licenciado em Filosofia pela UMC (Universidade de Mogi das Cruzes) –SP, Mestre em Ciências da Comunicação ECA/USP, Doutor em Ciência da Comunicação (Relações Públicas) pela ECA/USP, Livre-Docente em Ciências da Comunicação (Publicidade e Propaganda) ECA/USP.. Exerceu as seguintes atividades: Diretor da Rádio 9 de Julho Julho de S. Paulo até a cassação da emissora católica pelo general Medici (1973) e da Faculdade de Comunicação da Universidade de Mogi das Cruzes, - Professor de Graduação e Pós-graduação no Departamento de Relações Públicas e Propaganda na ECA/USP por 20 anos até aposentadoria em 1995, Professor de Relações Públicas na PUCCAMP - Campinas e Professor de Relações Públicas na Universidade Fernando Pessoa do Porto (Portugal). É autor do livro: " A comunicação na pedagogia dos jesuítas na era colonial" - Edições Loyola - São Paulo.e de centenas de artigos sobre Comunicação Social em Revistas do Brasil e do Exterior. Sócio da INTERCOM e da UCBC desde sua fundação.

Em sua palestra ele vai destacar  alguns  traços da personalidade José de Anchieta que, desde  jovem, com seus sonhos, verdadeiras visões, suas intervenções, foi um dos precursores da folkcomunicação. As formas de comunicação têm, na História, seu laboratório natural. No contexto da “comunicação jesuítica”, importa ressaltar a maleabilidade que permitiu a aplicação da “Ratio Studiorum” em condições diferentes da cultura européia. E no Brasil, dois nomes destacaram-se: Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. Eles utilizaram os instrumentos de comunicação  como a língua oral e escrita, a música, a dança e o teatro.

Mídia caipira

Em seguida, falará a Profa, Dra. Cristina Schmidt sobre o tema “Mídias caipira no país dos bandeirantes: luso-hegemonias, afro-resistências”.

Cristina Schmidt Nasceu em São Paulo e foi criada em um bairro que foi considerado rural: Eldorado às margens da Represa Billings, no grande ABCD. Formou-se em jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, em 1984. É jornalista de formação e de atuação em rádio, jornal e assessoria de imprensa. Foi “monitora de alfabetização” de adultos– treinada por Paulo Freire. É pesquisadora desde 1982, foi auxiliar de pesquisa, Coordenadora de Núcleo e de Projetos financiados pelo CNPq.  
Em 1985 iniciou suas atividades como professora universitária, foi coordenadora de curso e chefe de departamento.
Cursou o mestrado na Universidade Metodista de São Paulo, em 1993, onde obteve bolsa do CNPq. Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC - fez o doutorado no período de 1994 a 1999. O resultado de sua pesquisa foi publicado pela Editora Santuário no ano 2000, com o título: “Viva São Benedito: Festa popular e turismo religioso em tempo de globalização”.
Atualmente Preside a Rede Folkcom – Rede de Estudos e Pesquisas em folkcomunicação, com sede na Universidade de Mogi das Cruzes. Nessa mesma instituição, leciona no Curso de Comunicação Social e Coordena Pesquisas de Iniciação Científica no Projeto PPM – Produtos e Processos Midiáticos. Também trabalha em cursos de pós-graduação no Serviço Social do Comércio – SENAC Campos do Jordão (lato sensu), e na Fundação Lusíadas em Santos (stricto sensu).

Em sua palestra, Schmidt parte do pressuposto de que a cultura caipira sempre foi julgada como uma cultura exótica, grotesca e inferior. Apesar das comprovações sociológicas e antropológicas de sua condição explorada, o caipira sempre carregou uma imagem estereotipada de “Jeca”. A construção dessa imagem inicia-se durante o período de colonização portuguesa. A constituiç"o dos grupos sociais mestiços, a falta de recursos e o isolamento geográfico fizeram com que comunidades diversas constituíssem valores, crenças e modos de vida diferenciados dos centros urbanizados.

Com a crescente urbanização e a atuação cada vez mais intensiva dos meios de comunicação, os tipos “exóticos” da cultura popular se tornam personagens que ora são marginalizados, ora incorporados ao contexto midiatizado. Em decorrência desse processo de integração urbana e comunicacional, muitas comunidades rurais incorporaram à sua cultura recursos tecnológicos e sociais que possibilitaram um reposicionamento do “caipira” no mundo globalizado.

Literatura de cordel

A última exposição está a cargo do Prof. Dr. Joseph Luyten, que falará sobre o tema “Cordel na terra da garoa: a comunicação do bandeirantes tardios”.

Geralmente, pensa-se que a Literatura de Cordel, a hoje famosíssima literatura popular em verso, é originária do Nordeste. Na realidade, é lá, em quase todos os estados nordestinos, que há uma grande abundância e influência de Cantadores, Repentistas e Poetas de Cordel. Hoje em dia, podemos dizer que o Brasil, através dos poetas populares nordestinos, possui o maior e o mais importante conjunto de poesia popular oral e impressa.

No entanto, é preciso não nos esquecermos do Centro-Sul, especialmente o Rio de Janeiro e São Paulo. Io de Janeiro, como a antiga capital da república, sempre foi convergente de todas as manifestações artísticas, tanto eruditas como populares. São Paulo, como centro econômico, não ficou muito atrás e aqui, também se produziu, desde muito cedo, material de origem popular.

É preciso nos lembrar que o Brasil foi praticamente um dos últimos países da América a receber sistemas de imprensa (1808) e levou certo tempo até que as máquinas impressoras estivessem à disposição do povo. As primeiras publicações populares foram cópias dos existentes em Portugal e consistiam geralmente em histórias de origem medieval e renascentista. Aos poucos, porém, foram-se produzindo folhetos mais ao gosto do público brasileiro e, a partir dos anos 30, com a chegada de grandes levas de nordestinos que vinham trabalhar nas recém-implantadas indústrias de São Paulo, chegavam também as suas publicações poéticas. Logo se estabeleceu aqui uma editora especializada em produções populares: A Typografia Souza, depois: Ed. Prelúdio e, hoje, Ed. Luzeiro. A partir de folhetos baseados em histórias portuguesas, ela passouy a reproduzer os “best-sellers” nordestinos e, ao lado disso, encomendar os próprios, através de nordestinos aqui residentes ou, mesmo, de paulistas.

Hoje em dia, São Paulo é considerada a maior cidade nordestina do Brasil e a publicação autóctone de cordel naturalmente não pode faltar.

É isso que veremos na conferência do Prof. Dr. Joseph M. Luyten, da Universidade metodista de São Paulo e colaborador da Cátedra UNESCO, holandês naturalizado brasileiro e que estuda o assunto há mais de 30 anos.  

JOSEPH M. LUYTEN nasceu no dia 15 de agosto de 1941, na cidade de Brunssun, Holanda. Chegou ao Brasil em 1952 e residiu, inicialmente, na Rua Motocolombó (onde morou o poeta Leandro Gomes de Barros), no Recife. Em 1968 concluiu o curso de Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (SP), passando a trabalhar ativamente na imprensa paulistana. Em 1970 terminou o curso de pós-graduação em Literatura pela Universidade de São Paulo, passando a ensinar em diversas escolas de nível superior, como a Faculdade Cásper Líbero, Objetivo, ESPM e Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo.

Em 1980, Mestre em Ciências da Comunicação, pela USP, Joseph Luyten parte para o Japão, onde permanece durante sete anos pesquisando no National Museum of Ethnology de Osaka (3 anos) e lecionando na University of Tsukuba (4 anos). Em 1991, é convidado para exercer as funções de Reitor do Campus Avançado da Universidade Teikyo, em Maastrich, Holanda. Em 1995, retorna ao Japão para lecionar Cultura Brasileira na Universidade de Tenry (Nara), durante dois anos. De volta à Holanda é convidado para lecionar Literatura Popular na Universidade de Poitiers (França) e organizar o Fonds Raymond Cantel dedicado à literatura de cordel.

É professor catedrático da UNESCO, crítico de Artes Plásticas, membro da Associação Internacional de Críticos de Artes (UNESCO), da ABE (desde 1981), da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e da Associação Paulista de Folclore. Tem vasta bibliografia sobre assuntos folclóricos da Brasil e do mundo, mais de 50 artigos em revistas acadêmicas do Brasil, da Bélgica, da Holanda, do Japão, das Filipinas, do Peru.

Expert em literatura popular em versos, Joseph Luyten tem uma coleção de 15.000 folhetos de feira, além de uma biblioteca e de um arquivo especializados em Literatura popular com mais de 7.000 itens. Na área de Folclore, publicou Bibliografia especializada popular em verso (1981), O que é literatura popular (1988), Burajiru Mishin Bom no Sekkai (1990) e A notícia na literatura de Cordel (1992).

No momento, mais uma vez residindo no Brasil, ministrando curso de pós-graduação sobre Folkcomunicação e Folkmídiana Universidade Metodista de São Paulo (SP). Joseph M. Luyten tem prestado, ao longo dos anos, excelentes serviços no que diz respeito à divulgação do Folclore brasileiro na área internacional.

ENCONTRO DO DIA 22 DE MARÇO:

Itinerário da imprensa paulista


O ciclo de estudos “História da Comunicação: itinerário da mídia em São Paulo” promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - IHGSP, em parceria com o Núcleo Paulista da Rede Alfredo de Carvalho e a Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação, prossegue no próximo dia 22 de março, com a análise do tema “Itinerário da Imprensa”.

O ciclo foi iniciado no dia 8 de março, sob a coordenação do jornalista e historiador José Marques de Melo, professor emérito da Universidade de São Paulo e membro do IHGSP, onde ocupa a cadeira cujo patrono é Alfredo de Carvalho. A primeira sessão focalizou aspectos da Historiografia Midiática e a segunda foi dedicada aos meios de comunicação das classes populares nos primórdios da imprensa paulista.

O próximo encontro vai reconstituir a trajetória da imprensa na terra dos bandeirantes, privilegiando três casos emblemáticos: o centenário jornal paulistano “Diário de S. Paulo”, o também centenário veículo interiorano “Jornal de Piracicaba” e a dinâmica imprensa sindical da Região conhecida como ABC Paulista.

Os interessados em participar do debate poderão inscrever-se na Secretaria do IHGSP – Rua Benjamin Constant, 158 – 7o. andar – próximo à Praça da Sé, no centro da capital paulista. Informações adicionais podem ser obtidas através do telefone – 11 – 3242-3582 ou emeio: ihgsp2003@yahoo.com.br

Biografia de um jornal paulistano


A história e transformações do Diário Popular fizeram parte de importantes períodos do país, marcados por acontecimentos políticos, sociais e econômicos. O velho Dipo, como era carinhosamente conhecido, foi fundado em 8 de novembro de 1884, por José Maria Lisboa e Américo Campos. Em sua exposição, o Professor Laércio Arruda vai centralizar análise a partir da década de 30 até setembro de 2001, quando o Diário Popular saiu de circulação.

Ao longo de sua existência, o Dipo registrou com ênfase e precisão importantes fatos jornalísticos, como por exemplo, a Revolução de 32, a Segunda Guerra Mundial, o IV Centenário de São Paulo,o Suicido de Getúlio Vargas, o assassinato de John Kennedy, a chegada do homem à Lua, o golpe militar em 64, a morte de Tancredo Neves, etc. Das instalações modestas da rua João Brícola – no centro velho de São Paulo -, com uma passagem significativa pela rua do Carmo, até o tradicional prédio da rua Major Quedinho, adquirido na década de 70, foi uma longa trajetória.

Com o slogan de “o jornal de todas as classes”, o Diário marcou uma significativa performance por duas décadas – de 1930 a 1950 -  até ocorrer uma mudança gráfica em suas páginas principais. De 1960 a 1970, o tradicional veículo paulistano tornou-se conhecido por suas páginas de classificados publicadas às quintas-feiras e aos domingos. Embora não competindo diretamente com a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, conseguia manter um público fiel, oferecendo um noticiário objetivo e eficiente. Mesmo atravessando algumas adversidades, o Diário Popular mostrou-se resistente às novas tecnológicas.

Todavia, as mudanças forçosamente ocorreriam na década de 80. O jornal não suportava mais competir em desvantagem, acima de tudo com a agilidade e o dinamismo dos concorrentes, cujas edições chegavam cada vez mais cedo às bancas da Capital e Interior. No final dos anos 80, a família Lisboa deixava o comando do jornal e uma tradição de longos anos. A linotipia fazia parte do passado. Em 1990, já sob o comando de Ari Carvalho e Miranda Jordão,  o velho Dipo “vestiu uma roupa nova” e foi à luta. Com um visual gráfico mais arrojado e uma linha editorial centrada nas classes B,C e D – com ênfase aos noticiários de Esportes, Polícia e Geral -  o Dipo aos poucos foi se transformando em o Rei das Bancas, atingindo recordes nas vendas em bancas e obtendo um espaço considerável  num mercado até então dividido com a Folha da Tarde e Notícias Populares.

A partir da informatização, o Diário Popular ganhou fôlego e não demorou muito a atender uma nova exigência de mercado. O velho exemplar em preto e branco ficou para trás, surgindo uma edição moderna e em cores  No final do século XX, em meio às novas mudanças gráficas, criatividade em seus cadernos, o Diário Popular novamente trocava o comando passando às mãos das Organizações Globo.

Em setembro de 2001, o velho Dipo saía de circulação dando lugar ao novo Diário de S.Paulo. A história de vida desse jornal centenário foi reconstituída pelo Professor Laércio Arruda, na dissertação de mestrado defendida na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero.

Graduado em Jornalismo (Fac. Casper Líbero) e Letras (Uni Sant`Anna);, Laércio Arruda fez pós-graduação: Tradução de Lingua Inglesa - Especialização - Lato sensu –na Universidade de São Paulo (USP)  e Mestrado em Comunicação e Mercado - Faculdade Cásper Líbero.

Jornalista - 29 anos de profissão -  ele trabalhou nos seguintes jornais: Diário
Popular, Diário do Comércio e Indústria (DCI), Jornal da Tarde,
Gazeta Esportiva, Estadão, Metronews, etc e nas revistas: Dirigente Industrial, Dirigente Construtor, Visão, O Empreiteiro, Revista Construção Pesada, Revista Energia Elétrica, Placar, Globo Ciência. Também atuou em Assessorias de imprensa e na Agência Noticiosa: United Press International
(UPI)

Sua formação na mídia impressa é centralizada na área esportiva – tendo exercido  a função de repórter esportivo durante 15 anos. Atuou também como repórter policial (Diário Popular) e nas editorias de Economia, Política e Geral.

Desde 1998  dedica-se à vida acadêmica. Lecionou na Universidade Braz Cubas (Mogi das Cruzes) e Universidade de Santo Amaro (Unisa). Atualmente  trabalha na Uni Sant`Anna e Universidade Anhembi Morumbi. Está desenvolvendo estudos de Doutorado em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo.


Biografia de um jornal piracicabano

A história bonita do Jornal de Piracicaba, que completou cem anos na passagem do século, reflete o passado comum de numerosos outros jornais interioranos que compõem desde 1842um dos mais ricos capítulos do jornalismo paulista.

Piracicaba está ligada às origens da imprensa no Estado, por intermédio de várias de suas figuras mais notáveis, como o Barão de Monte Alegre, José da costa Carvalho, fundador de O Farol Paulistano, e seu redator, Nicolau Pereira de Campos Vergueiro.

O jornalismo piracicabano nasceu em 1874 com O Piracicaba, tendo à frente Brasílio Machado. A partir de 1900 passou a circular O Jornal de Piracicaba, mantido desde 1939 pela família Losso. As lutas, as iniciativas e as vicissitudes do matutino centenário espelham bem a riqueza das contribuições que os órgãos de imprensa interiorana têm oferecido ao Estado e ao País.

Quem vai relatar esse percurso biográfico do centenário jornal piracicabano é o Prof. Dr. Samuel Pfromm Neto, membro do IHGSP.

Psicólogo, pedagogo, jornalista, escritor e editor, formado pela USP (graduação, mestrado, doutorado), com estudos pós-graduados nos EUA e na Europa, o Professor Pfromm Neto tem cerca de 50 livros e mais de meio milhar de artigos, estudos, relatos de pesquisas, publicados no país e no exterior. Além de atividades em mídia em geral (jornalismo, rádio, cinema, tv, computador), dedica-se particularmente à interface mídia e educação.

Pertence ao Conselho Administrativo do Jornal de Piracicaba e a várias entidades culturais e científicas, entre as quais a Academia Paulista de Psicologia, o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, a Academia Cristã de Letras, o Conselho Técnico da Federação do Comércio do ESP e a “National Society for the Study of Education”. Presidiu a TVE do MEC no Rio. Na Fundação Padre Anchieta (TV e Rádio Cultura) chefiou a Divisão de Ensino e pertenceu ao Conselho Curador.

Preside a PNA – Pfromm Netto & Associados, pna@pna.com.br. Autor de Comunicação de massa (1972), Tecnologia da educação e comunicação de massa (1976), Principles of learning and instructional theory (2000), Telas que ensinam (2001), Piracicaba de outros tempos (2001) e Pena, escudo e lança, cem anos do Jornal de Piracicaba (2a ed., 2003).

É professor aposentado do Instituto de Psicologia da USP. Recebeu numerosos diplomas, medalhas e honrarias, tendo sido agraciado em 1975 pela NHK (Japão), em cerimônia presidida pelo então príncipe Akihito, com os prêmios Japão de tv e rádio educativos, pelos programas que produziu na Fundação Padre Anchieta de São Paulo.


Trajetória da imprensa sindical no ABC paulista

A história da imprensa sindical na região do Grande ABC iniciou-se em setembro de 1963 com o lançamento do jornal O Metalúrgico, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Santo André, Mauá e Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Em 1964, o sindicato sofreu intervenção e jornal deixou de circular durante 13 anos.

Nesses últimos 40 anos, o número de sindicatos de empregados ou patronais, representando várias categorias profissionais, multiplicaram-se na região e conseqüentemente, e a imprensa sindical desenvolveu-se em número de títulos, padrão gráfico e até mesmo com assessoria especializada. Algum título tem tiragem maior do que os jornais tradicionais.

O jornal de sindicato com maior tiragem é a Tribuna Metalúrgica do Sindicato do Metalúrgico de São Bernardo do Campo e Diadema, que é impressa em gráfica própria. A sua trajetória confunde-se com a história do movimento sindical iniciado na região, em 1979, revelou várias lideranças, entre elas, o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,  ex-diretor responsável do jornal. Em contrapartida, os sindicatos patronais, não deixaram por menos, investiram em revistas, de boa qualidade editorial e gráfica, como a revista Registro, do Sindicato das Indústrias Gráficas do Grande ABC e Baixada Santista.

Quem vem se dedicando a preservar a memória dessa imprensa e construir a sua historio é o Prof. Dr. Valdenizio Petrolli, que participa do ciclo sobre História da Comunicação promovido pelo IHGSP.

ENCONTRO DE 12 DE ABRIL:

 
Itinerário da televisão paulista

O ciclo de estudos “História da Comunicação: itinerário da mídia em São Paulo” promovido pelo Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - IHGSP, em parceria com o Núcleo Paulista da Rede Alfredo de Carvalho e a Cátedra Unesco/Umesp de Comunicação, prossegue no próximo dia 12 de abril, com a análise do tema “Itinerário da Televisão”.

O ciclo foi iniciado no dia 8 de março, sob a coordenação do jornalista e historiador José Marques de Melo, professor emérito da Universidade de São Paulo e membro do IHGSP, onde ocupa a cadeira cujo patrono é Alfredo de Carvalho. A primeira sessão focalizou aspectos da Historiografia Midiática e a segunda foi dedicada aos meios de comunicação das classes populares nos primórdios da imprensa paulista.

O próximo encontro vai reconstituir a trajetória da televisão na terra dos bandeirantes, privilegiando três aspectos: os tempos heróicos da TV paulistana, marcado pelas imagens em branco e preto;o filão paulista das telenovelas, focalizando a obra de Ivani Ribeiro e as criações literárias de escritores paulistas transpostas para a telinha como telenovelas, mini-séries e outros formatos televisivos.

Os interessados em participar do debate poderão inscrever-se na Secretaria do IHGSP – Rua Benjamin Constant, 158 – 7o. andar – próximo à Praça da Sé, no centro da capital paulista. Informações adicionais podem ser obtidas através do telefone – 11 – 3242-3582 ou emeio: ihgsp2003@yahoo.com.br



Imagens em branco e preto

A primeira palestra, baseada no livro “O Despertar da TV – Anotações de um Telespectador Pioneiro”, (Editora Scortezzi), de autoria do jornalista e publicitário Osmar Mendes Júnior, lançado em 2002,  vai lembrar a época em que o aparelho de televisão tinha lugar de destaque no principal cômodo das residências paulistanas, era considerado símbolo de status e uma antena no telhado das casas sinalizava que ali viviam pessoas dispostas a aceitar inovações e que tinham condições financeiras para bancar a novidade, já que os primeiros receptores (televisores) eram importados, enormes e caros.

Ele vai  rever o período que flui de 1950 a 1972, detalhando os 22 anos em que as imagens da televisão paulistana (e brasileira) só podiam ser transmitidas e recebidas em preto e branco. Serão abordados os primeiros telespectadores e os chamados “tele-vizinhos”, além do impacto que a televisão causou entre a população de uma cidade que estava acostumada com as transmissões das emissoras de rádio e com as notícias impressas nos jornais e revistas. As primeiras emissoras, os primeiros programas e eventos, além dos fatos jornalísticos marcantes do período também serão destacados. A fase em preto e branco da televisão paulistana (e brasileira por extensão) é importante porque coincide com o gigantesco desenvolvimento da cidade de São Paulo nas décadas de 50, 60 e 70, muito embora a população da cidade, assim como o restante da população brasileira, tenha enfrentado os rigores de uma ditadura militar. A preservação desta memória e o estudo daquele período criativo e fértil dos paulistanos ajudam a entender a metrópole atual.

Osmar Mendes Júnior nasceu em São Paulo, capital. É jornalista formado em 1978 pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero. É também publicitário formado em 1973 pela Faculdade de Comunicação Social Anhembi-Morumbi. Cursou matérias especiais de pós-graduação na ECA – USP e passou pela UBA – Universidade de Buenos Aires, Argentina, onde fez especialização em Espanhol. Como repórter, redator, editor ou diretor de redação, trabalhou nas Editoras Abril, Três e Globo, entre outras. Na televisão foi editor de jornalismo nas Rede Record e Bandeirantes, na TV Gazeta e no SBT. Em 2002 lançou o livro O Despertar da TV - Anotações de Telespectador Pioneiro onde retrata o aparecimento da TV no País e relata os principais acontecimentos que ocorreram em São Paulo, no Brasil e no mundo durante a era da TV em preto e branco, de 1950 a 1972.

Imaginário paulista


A palestra da Profa. Dra. Sandra Reimão vai enfocar aquele que viria ser o principal produto deste novo meio: a telenovela. A ênfase do estudo recai sobre as telenovelas paulistas de 1950 a 1962 - época em que as transmissões eram ao vivo e de alcance regional.

Sandra Reimão nasceu em São Paulo em 16 de fevereiro de 1954 e formou-se em Filosofia pela USP. Fez pós-graduação (mestrado e doutorado) em Comunicação e Semiótica na PUC-SP. Como bolsista da FAPESP e do CNPq fez pós-doutorado na Universidade de Paris.

Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, é autora do livro “O que é romance policial” (Brasiliense) e organizadora da coletânea “Televisão na América Latina” (Editora Umesp). Publicou 11 artigos em revistas acadêmicas (entre os quais está “Quando a telenovela se torna livro”) e 5 capítulos de livros (entre os quais “Mercado editorial e literatura ficcional brasileira nos anos 70”), tendo ainda orientado 18 dissertações de mestrado e 2 teses de doutorado.

Integra o Comitê Acadêmico da Cátedra UNESCO/UMESP desde a sua criação em 1996.

A saga de Ivani Ribeiro

Ivani Ribeiro nasceu em 1922, em São Vicente (SP) e foi a grande recordista dentre os autores da telenovela brasileira, com cerca de 40 títulos de sucesso, entre originais e remakes. Cantora, compositora de sambas, radioatriz e criadora de programas de variedades, veio para São Paulo para cursar a Faculdade de Filosofia, mas acabou indo parar no rádio, onde atuou como radioatriz ,  e como autora de radionovelas – o que a tornou célebre.

Foi, então, inevitável que chegasse à televisão, na recém inaugurada TV Tupi, onde escreveria a série Os eternos Apaixonados. Em 1963,  adapta, para a TV Excelsior, sua primeira telenovela diária, Corações em conflito, transpondo para a TV uma de suas histórias que o rádio havia consagrado.

Mas foi com a adaptação de A Moça que Veio de Longe, o primeiro grande sucesso da telenovela diária brasileira, que Ivani deixaria claro, a partir de então, que o gênero havia chegado para ficar. Ivani pararia a grande São Paulo (e regiões atingidas) com sua telenovela. Rosamaria Murtinho e Hélio Souto, vindos, respectivamente do teatro e do cinema, ganhariam notoriedade, da noite para o dia, e teriam dificuldades para sair à rua, apesar da obra ter ficado no ar apenas dois meses.

Ivani ganha, a partir de então,  grande projeção com o seu horário das 19h30, na TV Excelsior, na segunda metade dos anos 60, quando escreve treze novelas consecutivas - aproximadamente 1.600 capítulos -  todas com enorme sucesso, e somente então enfrentadas com alguma igualdade pela TV Tupi, onde Ivani  passaria a década de 70. A partir da decadência da Tupi, Ivani vai para a TV Bandeirantes,  em 1980, onde produz alguns sucessos.

Em 1982, chega à Rede Globo com Final Feliz. Sua última novela para a emissora seria Quem é você, já apenas como roteirista, em 1996, pois faleceria em 23 de julho de 1995.

Em 2000, dois de seus maiores sucessos para a Excelsior seriam reeditados pela Rede Globo – O Cravo e a Rosa (Globo/2000), originalmente  A indomável (TV Excelsior/1965), baseada em A Megera Domada, de William Shakespeare, e A Muralha (Globo/2000), minissérie readaptada por Maria Adelaide Amaral, e originalmente adaptada por Ivani do romance de Dinah Silveira de Queiróz (TV Excelsior/1969), e brilhantemente dirigida por Sérgio Brito, mas que marcava, melancolicamente, o triste fim da TV Excelsior de São Paulo, naquele fatídico ano de 1969.

A palestra sobre os folhetins coloridos de Ivavi Ribeiro, a ser ministrada pela Profa. Dra. Fátima Feliciano será baseada no texto Telenovela Brasileira: A grande viagem de Ivani Ribeiro, para o número 1 de Idade Mídia.

Nascida na Beneficência Portuguesa (Hospital São Pedro) , situada ainda hoje na Avenida Portugal, em Santo André (da Borda do Campo), em 03 de fevereiro de 1956, por absoluta falta de hospitais em São Bernardo do Campo, à época, Fátima Aparecida Feliciano, cresceu em Rudge Ramos (SBC), onde estudou no Grupo Escolar Professor Otílio de Oliveira (1963-1966), na Admissão ao Ginásio do Colégio Metodista (1967) , e no “famoso” CELGA – Colégio Estadual Lauro Gomes de Almeida (1972 e 1974).

Em 1974, também, estudou, concomitantemente, no cursinho pré-vestibular Singular/Anglo, em Santo André, onde lhe diziam que deveria se afastar da idéia de estudar na ECA-USP “por não se tratar de um ambiente familiar onde uma moça deveria estudar”. Não acreditando naquelas palavras (ainda bem!...), e só de raiva, passou no vestibular do Cescea), - (hoje Fuvest)  - e em primeira opção. E lá passou cerca de 15 anos de sua vida...



Jornalista, mestre e doutora em Ciências da Comunicação, pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP/1975-1987-1993). Seu mestrado (1987) tratou do impacto do projeto pedagógico UNESCO/CIESPAl no ensino de Jornalismo e Comunicação no Brasil. Seu doutorado (1993) abordou a importância de Luiz Beltrão no panorama dos estudos comunicacionais e folkcomunicacionais brasileiros, também com um caráter bastante pioneiro. Ambos foram realizados sob a  orientação do Prof. Dr. José Marques de Melo.

A docente foi secretária -geral,  segunda - tesoureira e editora da  RBCC - Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação  (INTERCOM), alternadamente, no período entre 1984 e 1998.

Especialista em documentação jornalística, trabalhou por 15 anos no Centro de Documentação e Informação do jornal O Estado de S. Paulo, do qual se desligou em 2001, para assumir cargo no grupo FMU/FIAM FAAM. No  grupo Estado  participou da equipe que implementou um dos bancos de dados virtuais da empresa.

Possui vários artigos publicados em revistas acadêmicas da área de Comunicação, dentre as quais, Revista Brasileira de Comunicação (INTERCOM), Comunicação & Sociedade (UMESP), Idade Mídia (FIAM FAAM), com especial ênfase  para a industrial cultural, indústria do entretenimento, e a música e a telenovela como produtos midiáticos da cultura popular de massa.

Foi colaboradora no livro de José Marques de Melo e Maria Cristina Gobbi - Gênese do pensamento comunicacional latino-americano: o protagonismo das instituições pioneiras Ciespal, Iconform, Ininco -, publicado pela Cátedra UNESCO/UMESP, com um texto sobre a importância no CIESPAL na América Latina e no Brasil.

Foi professora-visitante dos programas de Pós-Graduação da UMESP (1998- stricto sensu) e UNIDERP/MS (2000- lato sensu), com a disciplina Internet: a mídia da infoera.

Coordenou o segmento Estudos de Mídia, dentro do programa de Pós-Graduação Lato Sensu, do FIAM FAAM Centro Universitário.

É docente do programa de Graduação, no FIAM FAAM Centro Universitário, onde leciona para as habilitações Rádio e TV e é professora e coordenadora da habilitação Produção Editorial (Editoração Multimídia). É diretora-responsável e editora  executiva da revista acadêmica Idade Mídia, e está envolvida em pesquisas jornalísticas e acadêmicas sobre Cultura, Cultura Brasileira, Gêneros Musicais e seu impacto cultural, Televisão, Telenovela, Indústria Fonográfica, Trilhas Sonoras em Televisão e Cinema. Além de Lazer e Consumo Cultural, Educação Superior em Comunicação e a História e as Teorias de Comunicação.

É colaboradora do livro Gloria in Excelsior, coordenado por Álvaro de Moya e Rubens Ewald Filho, pela Imprensa Oficial de São Paulo, com lançamento previsto para abril de 2004, e que trata da trajetória da TV Excelsior de São Paulo (1960-1969).

PROGRAMAÇÃO DE 26/04/2004

O rádio com sotaque paulista

A primeira palestra vai tratar da Rádio Record de São Paulo, comprada em 1931 pelo Dr. Paulo Machado de Carvalho. Sua trajetória se confunde com a própria história da cidade de São Paulo, se tornando em 1932 a rádio da revolução constitucionalista e a voz de César Ladeira, a voz da revolução, pois lia ao microfone discursos de personalidades brasileiras contra Getúlio Vargas.

Também será analisado pelo professor Antonio Adami um momento importante na história do rádio: a formação das emissoras Associadas de São Paulo. Quando da compra por Assis Chateaubriand das ações da Rádio Difusora.

O palestrista Antonio Adami é Doutor pela FFLCH da USP; Coordenador do Programa de
Mestrado em Comunicação da Universidade Paulista-UNIP; professor de radiojornalismo da UNITAU e pesquisador do Grupo "Comunicação, Cultura e Memória"  cadastrado junto ao CNPq.. Ele escreveu o capítulo "Paulo Machado de Carvalho e a Rádio Record" no recém-lançado livro, em comemoração aos 450 anos da Cidade de São Paulo "Mãos que Fizeram São Paulo", da Editora Celebris;

Gêneros e formatos radiofônicos

A história do rádio paulistano é marcada por momentos que exemplificam a pujança e coragem deste povo dinâmico, formado por indivíduos de todas as partes do Brasil e do mundo. Por que esta é a vocação desta cidade, ser um ponto de referência na bandeira nacional onde se cruzem os idiomas, as culturas e as idéias. Pois tal se dá com o rádio. Desde de fevereiro de 1924, quando a Rádio Educadora Paulista foi ao ar,  menos de um anos depois da emissora pioneira nacional, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro ter iniciado suas transmissões regulares, a vida radiofônica paulistana se revelou intensa, criativa e participativa.
A programação do rádio paulistano, ao longo dos anos de 1920, se desenvolveu a passos largos. Já em 1925, a Educadora premiava seus distintos ouvintes com os resultados das partidas de futebol realizadas em Montevidéu, reunindo equipes brasileiras, sul-americanas e européias.Outras emissoras vem se somar a Educadora. A Cruzeiro do Sul, a Radio Sociedade Record.
A programação voltada para a cultura e a educação já consegue proezas tais como a transmissão de concertos, comédias líricas, programas infantis como " As histórias de tia Brasília " ou mesmo o concerto do Maestro Villa-Lobos.
Em 1926,  dá-se a primeira transmissão em cadeia. Educadora Paulista e Radio Club do Rio de Janeiro transmitem o concerto vocal e instrumental, diretamente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em homenagem ao presidente recém-eleito,Sr.Washington Luis. Em 1927 , a primeira transmissão em externa, com um microfone sendo instalado no Mosteiro de São Bento para transmissão de um concerto de órgão. Em 1928, a transmissão do prélio entre paulistas e cariocas com comentários realizados por um 'speaker' diretamente do estádio de São Januário. 1929, ano do teatro. A grupo de Raul Roulien encena a primeira pela completa do rádio paulista. Ainda em 1929, Cornélio Pires populariza o éter com as transmissões de Hora Regional.
A década de 1930 conheceu a consolidação da linguagem radiofônica. Nasce o rádio-teatro com Joaquim Lima neto, Nazareth Ortiz entre tantos. Beneficiado pela política de inclusão de comerciais na programação, a partir do decreto de Getulio Vargas em 1932, o rádio profissionaliza-se de vez.  Está rompida essa conexão com o rádio educativo.
Nomes como César Ladeira, Nicolau Tuma, Renato Macedo forma a linha de frente da Record ao tempo da Revolução constitucionalista de 1932. Os textos de Antonio de Alcântara Machado são o estopim emocional e cívico para o engajamento do povo a luta contra a ditadura. Já em 1934, novas emissoras: Piratininga, América, Cultura, Difusora, Excelsior, Kosmos. Em 1937, passam a transmitir a Tupi e a Bandeirantes. A programação é muito rica a este tempo: cultura, esportes, noticias, variedades. Um pouco de tudo com muita qualidade. É tempo de Otávio Gabus Mendes,  patriarca de uma família de grandes produtores  e artistas. Mas é tempo momento de Ariovaldo Pires, o capitão Furtado, Vital Fernandes da Silveira, o Nhô Totico, Celso Guimarães e o primeiro programa de calouros, João Ferreira Fontes e sua reportagem volante, Egas Muniz, Adoniram Barbosa, Aluisio Silva Araújo, Jerônimo Monteiro.
A década de 1940 começa coma 2ª Grande Guerra. E com ela o jornalismo: o Reporter Esso e Kalil Filho, O Grande Jornal Falado Tupi com Corifeu de Azevedo Marques e Ribeiro Filho Mas também é o tempo das novelas como a criada por Oduvaldo Viana., Fatalidade, dos  rádio-atores Waldemar Ciglioni, Cecide de Alencar, Nelio Pinheiro, Ênio Rocha. Liderança da Rádio São Paulo,  especializada neste formato, que se serve do talento de Julio Atlas, Joracy Camargo, Raymundo Magalhães Jr., Oswaldo Molles, Walter George Durst, Tulio de Lemos,Giuseppe Chiaroni, entre tantos outros.  Tempo de esportes com a Panamericana seus locutores e comentaristas como Geraldo Joséde Almeida, Alvaro Paes Leme, Hélio Ansaldo, Pedro Luis, Raul Tabajara, Flavio Iazetti e Paulo Planet Buarque.
Anos de 1950. Fase em que o mundo conhece a maravilha da televisão. Duro golpe para o rádio que vê, pouco a pouco, suas receitas minguarem. Mas ainda mantém a hegemonia em termos de audiência. Neste cenário brilham nomes como Mauricio Loureiro Gama, Cesar Montesclaros, Moares Sarmento, Joel de Almeida,  todos o cast da Tupi. é tempo de musica jovem.  Sucesso garantido para Antonio Aguilar, Enzo de Almeida Passos, Helio de Araujo e Miguel Vaccaro Neto, esses últimos pela Bandeirantes.  Na Record,  Vicente Leporace, Walter Silva, Fernando Vieira de Melo, Murilo Antunes Alves.
Os anos de 1960 foram muito difíceis para o rádio. Mudanças políticas repercutiram na programação e principalmente a concorrência com a TV forçou  uma guinada para o popularesco. O sucesso fica por conta de nomes como Silvio Santos, Eli Correa, Barros de Alencar, Zé Betio, Gil Gomes. Tempo também da faixa jovem, da Excelsior e Difusora. Do jornalismo moderno implantado por Alexandre Kadunk na Bandeirantes e seu Titulares da Notícia. De Hecio Ribeiro e o seu poder da comunicação tendo como escudeiro o incrível e genial sonoplasta Johnny Black.
A década dos anos de 1970 é a década do FM.  Vários projetos transmitidos nesta nova banda,  caem no gosto popular. Bandeirantes FM, Excelsior FM, Jovem Pan II, Radio Cidade são exemplos da força da freqüência modulada paulista.
Nos anos de 1990, vem o satélites e as redes. E agora, neste novo século que se inicia, o rádio se renova. O que se espera é o radio digital , aguardando definição de sistema para iniciar suas operações e a novidade do radio on-line, transmitido pela rede mundial WEB.
E São Paulo continua tendo uma história de amor e de paixão com o rádio.  História que ainda vai ter muitos episódios para reproduzir ao longos dos próximos anos.

O palestrista André Barbosa Filho, 52, nasceu em Guaratinguetá, SP, mas, logo aos dois anos e meio, mudou-se com a família para a São Paulo, Capital, onde passou a infância e juventude no bairro do Sumaré, próximoà TV TUPI, de onde pode receber poderosas influências para o seu futuro como músico e homem de comunicação.
O primeiro grupo musical surgiu com os amigos do colégio, em 1965, OS BRUXOS. Com este grupo venceram , em 1968, no Ibirapuera, São Paulo, o 1º FESTIVAL NACIONAL DE CONJUNTOS MUSICAIS, entre mais de 400 participantes, tendo por esta conquista recebido o Troféu Sérgio Mendes.
Ingressa na Faculdade de Direito da USP em 1971. Em 1972, surge a oportunidade de gravar suas próprias composições, entre elas TELL ME ONCE AGAIN, com o grupo LIGHT REFLECTIONS formado a partir da participação de alguns dos amigos dos Bruxos e outros músicos.
A canção chega aos primeiros lugares da parada de sucessos e vende mais de um milhão de cópias, tornando-se, àquela altura , recorde nacional de vendas em compactos simples no Brasil.  Recebe 17 regravações internacionais, entre elas a da dupla italo-norteamericana WESS AND DORI GUESSI.
Chega também ao primeiro lugar das paradas em Buenos Aires, Argentina.
O LIGHT ainda faria outro grande sucesso nacional com THAT LOVE, em 1973. Depois de três anos de intenso êxito, o grupo se desfaz em 1974.
André termina seu curso de Direito em 1976 e investe na carreira de produtor cultural e artístico, indo para a TV CULTURA de São Paulo. Grava em 1979, pela Continental o LP solo TRADIÇÃO, em português, com canções influenciadas pela cultura de sua região, o vale do Paraíba Paulista.
Sua trajetória como criador de programas tem seqüência no Sistema Globo de Rádio, onde foi produtor da Rádio Excelsior AM e FM, e Chefe da Discoteca da Globo /Excelsior. Em seguida, 1983, torna-se Coordenador Artístico da Radio USP FM, produtor free-lancer da Jovem Pan 2em 1985  e  coordenador de programação da RECORD FM  de 1986 a 1989..
Em 1985 começa a carreira como professor universitário, respondendo pela cadeira de Produção e Direção para Rádio no Instituto Metodista de Ensino superior em S.Bernardo do Campo onde permaneceu até 2000, ocupando cargos como de Chefe de Departamento dos cursos de RTV e Jornalismo
Em 1989, abre a CRIAR Assessoria de Comunicação, empresa de sua propriedade e que realiza  projetos e produtos de comunicação eletrônica, que vão de programas de rádio, treinamentos em áudio para empresas, campanhas políticas ( entre elas a de Lula Presidente 1994 e Marta Suplicy governadora –1998 para o PT )  a implantação de redes radiofônicas além de projetos educacionais em áudio para PMSP.
Em 1991 retorna a TV CULTURA com diretor de programas, tendo criado a estrutura do musical Bem Brasil, atividade que dividiu com a de professor e de empresário, até 1994.
Em 1995, cria para Editora Scipione uma série de produtos sonoros tais como: A coleção de áudio-Livros ( dez títulos incluindo: os Lusíadas, Dom Quixote, Sonho de uma noite de Verão,  Odisséia, Cyrano de Bergerac, Otelo, Robin Hood, Os Cavaleiros da Távola Redonda e  Robinson Crusoé ) e os trabalhos de áudio-educação História,Memória viva e Língua e Literatura e Redação.
Em 1996 defende na UMESP sua dissertação de mestrado com a dissertação ‘ Gêneros radiofônicos- tipificação dos formatos em áudio “ .Em 1997, ingressa como professor assistente da Escola de Comunicações da USP- CTR – para área de rádio em concurso público. Neste mesmo ano passa a ser consultor dos projetos em áudio CCA-SENAC – SP onde realiza a revisão dos cursos técnicos de locutor e sonoplasta e cria os cursos de programador musical e de técnico em produção em rádio.
Em 1999, lança o CD com a audiobiografia: “ Paulo freire, o andarilho da Utopia” , realizado em colaboração com a Radio Nederland;
Em 2000, deixa a UMESP (ex- IMS) e ingressa UNIBAN como coordenador do curso de Comunicação Social – campus ABC – e em seguida como diretor de Comunicação e Marketing até 2003 Em setembro de 2004, lança seu livro “ Gêneros Radiofônicos – Os Formatos e os programas em áudio “ pela editora Paulinas. Em fevereiro de 2004, defende sua tese doutorado no CTR- ECA/USP cujo título é: “ Redes Radiofônicas – Conflitos e convivência entre as emissoras num cenário em transformação “
Ingressa como professor da área de rádio na Universidade São Judas Tadeu- SP, em fevereiro de 2004.

O rádio paulistano na era da internet

Falar sobre o rádio paulistano na Internet é uma tarefa desafiadora por três características desse novo meio de comunicação: a universalidade sem totalização, a desterritorialização e o surgimento ainda muito recente da rede mundial.
A Universalidade sem totalização é o principal evento cultural da emergência do ciberespaço. A filosofia da rede das redes é baseada na ausência de um centro. Então, como contabilizar as informações? Se os sites se multiplicam e desaparecem com a velocidade dos tempos pós-modernos, como registrar todas as experiências realizadas? “Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna ‘universal’, e menos o mundo informacional se torna totalizável”  afirma Pierre Lévy . Contrariamente à cultura da escrita (em que o universalismo caracteriza-se pelo fechamento semântico), a impossibilidade de totalização do universo da Internet é justamente o que lhe confere o caráter de universalismo.
A desterritorialização, por sua vez, permite a reunião de tribos ou públicos dispersos geograficamente e agora conectados pela Internet. Falamos da falta de uma vinculação com um lugar e sim com uma proposta.
Por último, temos menos de uma década de existência da Internet com fins comerciais. Assim, o olhar para as experiências realizadas até agora tem que ser o da busca por tendências mais fortes e a indicação dos caminhos que começam a ser desenhados. Afinal, tudo está para definir nesta nova mídia.
Assim, das primeiras experiências em Feiras de Tecnologia na capital paulista até os dias atuais, o rádio expandiu muito sua presença na Internet embora apresente pouco desenvolvimento de novas possibilidades.
A grande maioria ainda é de rádios que migraram do dial para a Internet sem grandes modificações nos produtos oferecidos. Essas emissoras contentam-se em reproduzir na Web as programações que veiculam no universo não virtual e agregam uns poucos serviços e recursos de Interatividade desvinculados da produção sonora.
Poucas emissoras somente virtuais sobrevivem na rede (no Brasil representam apenas 15% do total de emissoras). E mesmo entre elas, conceitos de hipermídia, comunicação de massa individualizada e interatividade são pouco explorados.

A palestrista Lígia Maria Trigo de Souza, é jornalista, formada pela Universidade de São Paulo, e Mestre em Ciências da Comunicação pela mesma Universidade. Sua dissertação conceituou o rádio na Internet e mapeou as emissoras brasileiras na rede.
Nascida em Ituverava, interior do estado de São Paulo, há oito anos dirige a Rádio USP, FM educativa, emissora na qual iniciou sua carreira ainda nos tempos de estudante universitária e cuja programação é especializada em Música Popular Brasileira. Em rádio, desenvolveu ainda o projeto A Voz da Contag, boletim de rádio produzido pela Oboré Projetos Especiais e veiculado por emissoras em todo o país.
Atualmente, é ainda professora de radiojornalismo e orientadora de projetos Experimentais no Uni-Fiam-Faam – Centro Universitário Fiam-Faam,  e de Novas Tecnologias da Comunicação na FIC – Faculdades Integradas Cantareira.

O front noticioso paulista


A palestra de Audálio Dantas vai privilegiar dois episódios que, ocorridos em São Paulo, marcaram a história da imprensa brasileira e influíram na própria história do Brasil: os assassinatos de Líbero Badaró, em 1830, e de Vladimir Herzog, em 1975. No primeiro caso, o jornalista que se batia por idéias liberais, contra o absolutismo no governo de Pedro I. No segundo, o jornalista que insistia em produzir um trabalho que refletisse a verdade das ruas, num momento em que o país estava submetido a uma das ditaduras mais cruéis de sua história.



A partir desses dois casos são focalizados aspectos do desenvolvimento da imprensa brasileira e de sua luta contra a  opressão da censura, em momentos importantes de nossa história, como o Estado Novo, nas décadas de 1930 e 1940 e, finalmente, na ditadura militar que resultou do golpe de 1964.



Audálio Dantas, jornalista e escritor, atuou nas mais importantes publicações brasileiras, nas quais exerceu funções jornalísticas e administrativas. Realizou viagens em missões profissionais e de estudos por toda a América Latina, Estados Unidos, Canadá, Europa, Norte da África e Ásia (Jordânia e Iraque). Participou de vários congressos de comunicação social e pronunciou palestras em instituições universitárias do Brasil e do exterior. É diretor da Audálio Dantas Comunicação e Projetos Culturais, conselheiro da UBE – União Brasileira de Escritores e diretor do IPSO – Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos.

                  

Entre outros, exerceu os seguintes cargos: redator da Folha de S.Paulo, redator e chefe de reportagem da revista O Cruzeiro, redator‑chefe da revista Quatro Rodas, editor da revista Realidade, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), deputado federal (PMDB‑SP), diretor‑superintendente da Imprensa Oficial do Estado – IMESP, presidente do Conselho Curador da Fundação Cásper Líbero, colunista do Diário Popular de 1997 a 2001, presidente da Fundação Ulysses Guimarães de São Paulo. Recebeu, na Organização das Nações Unidas (ONU), em 1981, o Prêmio Kenneth David Kaunda de Humanismo e Prêmio Sudene de Jornalismo (1972), pela edição especial sobre o Nordeste da revista Realidade.



É autor dos livros "Resistência", "Tempo de luta", "O circo do desespero" , "Repórteres" e “Corpos”.





A tribo dos jornalistas


O segundo palestrista pretende começar pela arqueologia do saber jornalístico. Primeira constatação: essa tribo, a dos caçadores de notícias, há muito tempo está extinta.  Se foi fecunda durante boa parte dos séculos XVIII e XIX – época do jornalismo romântico, republicano e subversivo, praticante do furo de reportagem, das entrevistas bombásticas e do cultivo das fontes exclusivas, cultuador de personalidades distintas –, essa tribo cedeu o passo para as empresas noticiosas, comerciantes de informações. Integradas à produção material e espiritual da Revolução Industrial européia, tais empresas invadiram o centro do palco e desalojaram rapidamente o jornalista, até então ator principal dessa atividade. Verificou-se, assim, uma radical virada semântica: jornalista não é mais aquele cidadão que milita no jornalismo (entendido como divulgação, o mais ampla possível, de informações e sobretudo opiniões); jornalista passou a ser simplesmente, aquele profissional que trabalha num jornal e, por extensão, nas outras mídias. De artista, político, visionário, o jornalista tornou-se operário numa usina de textos. A tribo em questão foi extinta juntamente com a floresta em que vivia.



Ora, se assim é, o que estão fazendo os participantes do ciclo promovido pelo IHGSP ? Uma aula de anatomia? Empilhando cacos velhos? Um pouco, sim, mas não principalmente. Se os caçadores de notícia foram vencidos por um tipo hegemônico de processo civilizatório, se esquizofrenicamente ainda pensam que estão no mato enquanto tentam apertar parafusos numa linha de montagem cada vez mais veloz e impiedosa, no entanto, essa contradição ainda produz sínteses.



O instinto da caça à notícia (por natureza surpreendente e exclusiva), a volúpia de ser o único a descobrir segredos e, dialeticamente, de imediato revelá-los à sociedade permanecem como um ethos profundo, um resistente valor de uso. Ele afronta a mercantilização da vida, de seus processos e mantém acesa a esperança de que é possível dar um passo em direção à longínqua utopia, ao inacessível chão.



Com certeza novos arranjos serão gestados, em que a profissionalização, o método, a abrangência democratizante para áreas da sociedade cada vez mais vastas (o que supõe tecnologia e sistemas industriais) precisarão conviver com um espírito “selvagem”, que há séculos mostra-se capaz de escovar a história a contrapelo, de subverter o senso comum e de apontar incômodas verdades onde vicejam obviedades.



Jorge Cláudio Ribeiro nasceu no Rio de Janeiro em 1949, estudando no Colégio Santo Inácio. Casado e pai de três filhos, é professor, jornalista e editor. Foi jesuíta, com graduação em Filosofia na Medianeira, Jornalismo na USP, Teologia na PUC-RJ; mestre em Educação e doutor em Antropologia pela PUC-SP.



Escreveu os livros A véspera do milagre (1976), A Festa do Povo – pedagogia de resistência (1982), Platão – ousar a utopia (1988), Inútil, a árvore (1990), Sempre Alerta – condições e contradições do trabalho jornalístico(1994). Organizou obras coletivas, em que é também autor: Moradas do mistério (2000), Caleidoscópio (2001-2-3).



Em 1976, ingressou na PUC de São Paulo como docente de Introdução ao Pensamento Teológico e depois como assessor de imprensa (1977-1985/ 1991-2). Desde 1997, realiza uma pesquisa sobre o perfil da religiosidade do jovem universitário. Sobre esse tema, em março de 2003 concluiu pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris.



Como jornalista, editou o jornal Porandubas da PUC-SP, trabalhou em O São Paulo (da arquidiocese), Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, agências Dinheiro Vivo e Estado. Trabalhou na editora FTD e, em 1991, fundou a Editora Olho d’Água que publicou até o momento 108 obras, sobretudo universitárias com ênfase na área educacional e comunicativa.





Turbulências de uma empresa regional


O terceiro expositor vai analisar, na história do Diário do Grande ABC, do qual fez parte durante 15 anos, como diretor de redação e diretor executivo, a dramática decadência de um dos maiores jornais regionais do país.



A partir de dados contidos na dissertação de mestrado que defendeu em 2003 na Universidade Metodista de São Paulo ele pretende explicar como a empresa enfrentou um período turbulento, caracterizado por conflitos entre as famílias proprietárias, ensejando o declínio  do público-leitor e acarretando a perda de credibilidade.



Destacará também os acordos realizados com chefes políticos locais, inicialmente através do prefeito Celso Daniel (PT) e, posteriormente, com os seus sucessores no comando da política municipal. O último capítulo será dedicado à transferência de propriedade da empresa, recentemente consumada, e às especulações em torno daqueles que passam a assumir o controle da linha editorial daquele jornal paulista.



Essa palestra será proferida por Celso Franco, jornalista formado pela UMESP, onde obteve também o seu título de Mestre em Administração. Ele trabalhou como editor-chefe do Diário do Grande ABC durante o período 1990-2002, sendo atualmente o editor da revista mensal Circuito ABC e do site: www.circuitoabac.com.br. Como docente universitário, está vinculado ao Centro Universitário de Santo André e às Faculdades Drummond.

O próximo encontro vai reconstituir o itinerário da propaganda na terra dos bandeirantes, focalizando três aspectos: propaganda política no alvorecer da República; propaganda comercial: do reclame ao marketing; e propaganda religiosa: a ofensiva presbiteriana.

Os interessados em participar do debate poderão inscrever-se na Secretaria do IHGSP – Rua Benjamin Constant, 158 – 7o. andar – próximo à Praça da Sé, no centro da capital paulista. Informações adicionais podem ser obtidas através do telefone – 11 – 3242-3582 ou emeio: ihgsp2003@yahoo.com.br

A propaganda republicana


A formalização da idéia republicana no Brasil, tornou-se efetiva com o lançamento do Manifesto de 3 de dezembro de 1870, no Rio de Janeiro.

Daí em diante, surgiram, pelo Império afora, os Clubes Republicanos.  Deu-se o mesmo em São Paulo.  Em 1872, o Clube transformou-se no Partido Republicano de São Paulo (só passaria a Paulista, na República).  No ano seguinte, promoveu a célebre  Convenção de Itu, em que a presença de representantes de várias localidades da Província demonstrou a disseminação da idéia republicana.

Graças a essa concorrência de adeptos, o Partido Republicano de São Paulo logrou eleger deputados provinciais em quase todas as legislaturas e os dois únicos deputados gerais não pertencentes aos dois partidos dominantes (Conservador e Liberal).  Tornou-se, então, o fiel da balança, nos pleitos provinciais, entre ambas estas legendas, quando não erigia-se em adversário competitivo e vitorioso.

Mas, para atingir esse prestígio, enfrentou luta árdua, cujo fator basilar foi a propaganda.  Tão importante foi a atuação desenvolvida pelo Partido nesse campo, que ela passou a designar o período histórico em que se desenvolveu, consagrando-se ao integrar o título de livro de grande expressão na bibliografia histórica nacional, de autoria de um dos mais destacados propagandistas da República, Campos Salles, denominado Da Propaganda à Presidência!

Na difusão de suas idéias, os republicanos de São Paulo desenvolveram atividade política, que pode ser dividida em três setores distintos, porém, integrados entre si.  Assim, temos: I) A Propagação da Idéias, que se tresdobra em a) lançamento de Manifestos; b) elaboração e divulgação do Programa dos Candidatos; c) criação de imprensa partidária.  II) O Proselitismo, que compreendia a) conferências; b) o separatismo, c) a agitação de rua.  III) As disputas eleitorais.

O fruto do desempenho do Partido Republicano de São Paulo, na fase da propaganda, foi de tal ordem, que , ao ser implantado o regime pelo qual pugnava, saíram de suas fileiras dois ministros do Governo Provisório (Campos Salles, Justiça, e Francisco Glicério, Agricultura), o presidente da Assembléia Constituinte republicana (Prudente de Morais) e os dois primeiros Presidentes civis da República (Prudente de Morais e Campos Salles), estes, os dois únicos propagandistas da República a assumirem a chefia da Nação.

          Esse itinerário será reconstruído pelo historiador Célio Debes , que nasceu em São Paulo (1926). Ele é Advogado. Procurador do Estado, aposentado. Bacharel em Direito (USP, 1950) e Mestre em História (USP, 1975). Pertence ao IHGSP, e às Academias Paulista de Letras e de História.

Ele é autor de: A Caminho do Oeste (Subsídio para a História da Companhia Paulista de Estradas de Ferro e das Ferrovias de São Paulo) 1968; O Partido Republicano de São Paulo na Propaganda (1872-1889)  1975; Campos Salles, perfil de um Estadista .2 vols., (1ª ed. 1977, 2ª ed. 1978); Júlio Prestes e a Primeira República (1982); Tribunal de Contas. Uma Instituição (1990); Washington Luís 1869-1924 (1994) e Washington Luís 1925-1930 (2002); Panorama Histórico-Cultural da Academia Paulista de Letras 1980-1986, in A Academia Paulista de Letras 90 Anos (1999).

Primórdios da propaganda comercial

A publicidade no Brasil se inicia com tropeiros, viajantes, religiosos que iniciam sua difusão através da linguagem oral. Depois disso vivemos a fase dos impressos, com a presença dos jornais que difundiam desde pequenos anúncios  até questões ligadas às profissões, compra e venda de escravos, amas de leite e assuntos de natureza político-partidária.

A terceira fase se define com a presença do rádio entre nós, a partir de 1922, quando chegam as músicas, os jingles, as rádio-novelas e uma diversificação temática que visava a popularização do veículo.

A quarta fase se inicia em 1950, com o advento do lançamento da TV Tupi, em São Paulo, contribuindo para a expansão dos anúncios de forma audio-visual, utilizando-se de técnicas aperfeiçoadas que levaram os profissionais brasileiros a serem reconhecidos internacionalmente por suas contribuições.

A quinta fase, mais contemporânea, passa a ser observada a partir do início dos anos 90,com a implantação da internet no Brasil, fazendo com que o planejamento das campanhas publicitáris fosse alterado na sua dimensão de tempo e espaço, para a veiculação de campanhas promocionais mais rápidas, do tipo ,"enquanto o estoque durar".

Uma reflexão sobre cada uma destas fases, com as referências bibliográficas sobre os vários temas, é o que Adolpho Queiroz pretende apresentar durante este encontro.

Adolpho Carlos Françoso Queiroz é publicitário formado pela Universidade Metodista de Piracicaba; mestre em comunicação pela Universidade de Brasília;  doutor em ciências da comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo, onde atua no programa de pós-graduação em comunicação, dirigindo um projeto de pesquisa que recupera  a história das eleições presidenciais no Brasil na ótica da propaganda política. Ex-presidente da INTERCOM, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e membro da Associação Brasileira de Consultores de Marketing Político. Tem vários livros publicados, entre eles, "TV de Papel", pela Editora da Unimep; "A história da imprensa em Santa Bárbara d´Oeste", pela Socep; "Jornais centenários de São Paulo", pela Editora Degaspari;"Imprensa e eleições em Piracicaba", Editora da Unimep/FAP; "Identidade da imprensa brasileira no final do século", com José Marques de Melo, Editora UMESP/Cátedra Unesco. É editor da Revista "Comunicação e Sociedade", do programa de pós-graduação em comunicação da UMESP e membro do conselho de política editorial da mesma universidade. Atua como docente também na Universidade Metodista de Piracicaba e nas Faculdades Integradas Alcântara Machado, FIAM/SP.

Propaganda religiosa

A Igreja Presbiteriana chegou ao Brasil em agosto de 1859 através de um jovem missionário norte-americano chamado Ashbel Green Simonton.

Após oito meses aqui, já estava dirigindo seu primeiro culto em português. Seu ministério foi curto - apenas oito anos, mas antes de três anos após aportar-se no Rio de Janeiro, já havia fundado a primeira igreja naquele local. Cinco anos após sua chegada fundou o primeiro jornal evangélico no Brasil, a IMPRENSA EVANGÉLICA, demonstrando que uma Igreja não pode existir sem ter seu veículo de comunicação.

Em final de 1865 o jovem missionário organizava o primeiro Presbitério – do Rio de Janeiro, e mais tarde, em 1867 fundava o primeiro seminário teológico do Rio de Janeiro.

Começava o anúncio da fé, com a ofensiva presbiteriana em terras brasileiras!

Assim, a Igreja Presbiteriana iniciou no Brasil sua caminhada na busca de consolidar-se como propagadora do Evangelho de Jesus Cristo, o que tem feito até hoje. Sempre teve nos meios de comunicação, um aliado forte. A Igreja procurou sempre manter o seu jornal, tendo ficado por pequenos períodos sem seu órgão oficial, trajetória que se iniciou com a Imprensa Evangélica, passando depois pelo “O Estandarte”, que existe até hoje como órgão oficial da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, e um dos mais antigos jornais em circulação da América Latina. A Igreja teve também, não como órgão oficial, mas periódicos de grande importância para a vida da Igreja como “O Século”, que passou depois a chamar-se “Norte Evangélico” tendo existido de 1909 a 1958.

Em junho de 1899, entretanto, surgiu no Rio de Janeiro um jornal de grande importância na vida da Igreja Presbiteriana: “O Puritano”, sob os auspícios da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Como órgão oficial da Igreja, “O Puritano” existiu de junho de 1899 até julho de 1958, tendo como sucessor o atual BRASIL PRESBITERIANO, que foi a unificação dos jornais de até então, o próprio “O Puritano” e o “Norte Evangélico”.

Nesses 145 anos de vida no Brasil, a Igreja Presbiteriana tem avançado em termos de mídia com relativo progresso. Nos últimos anos, especificamente a partir de 1994, a comunicação passou a ser uma preocupação constante. Desde 1991 quando criou a Secretaria de Imprensa Regional no âmbito dos presbitérios para propagar e incentivar a utilização dos órgãos e entidades de comunicação da Igreja, há constante preocupação na editoração de livros e periódicos, áudios-visuais, rádio e televisão, gráfica impressora, informática, material didático-pedagógico e de pesquisa e documentação.

O Conselho de Imprensa até então existente, passou no ano de 1995 a ser Conselho de Comunicação e Marketing, visando trabalhar de forma articulada e harmônica, com órgãos e autarquias da Igreja que já atuavam na área da comunicação, especialmente o Jornal Brasil Presbiteriano, a Luz Para o Caminho, LPC Publicidade e IPB-Net, sob supervisão direta com o Conselho de Educação Cristã e Publicações e com a Casa Editora Presbiteriana.

A ofensiva presbiteriana se deu com intensidade a partir desse período. O Conselho de Comunicação e Marketing decidiu criar em 1996, atualizando, a marca e o logotipo da Igreja, visando à unidade da comunicação e desenvolver campanhas institucionais no rádio e televisão. O Supremo Concílio da Igreja decidiu que o Conselho de Comunicação e Marketing deveria criar um setor de promoção para fomentar o aumento do número de assinantes e estimular a leitura do jornal.

Na área da comunicação visual, a Rede Presbiteriana de Comunicação, criada em 2000, está a partir deste ano - 2004, levando ao ar em rede nacional pela Rede Bandeirantes de Televisão, as segundas, quartas e sextas feiras as 11h30, dois minutos de mensagens evangelisticas, levando a opinião da Igreja sobre assuntos variados do nosso cotidiano, através de programas produzidos pela LPC – Luz Para o Caminho.

Sem fazer dos programas levados ao ar, seja pela TV ou pelo rádio, ou mesmo através de outros meios de comunicação, nenhum apelo de qualquer tipo, a não ser a propagação do Evangelho, a Igreja Presbiteriana vem ao longo dessa última década, apresentando um crescimento considerável. Segundo o Brasil Presbiteriano, edição de Abril/2004, a Igreja cresceu 13,4% em 2003, um crescimento considerado excelente pelas lideranças da Igreja.

Gilson Alberto Novaes é diretor administrativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, professor licenciado da Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP e membro do Conselho Deliberativo da Rede Presbiteriana de Comunicação – RPC.

Licenciado em pedagogia - Habilit. Administração Escolar pela Faculdade de Educação Piracicabana (UNIMEP), licenciado em Educação Artística - Habilit. Desenho e Artes Plásticas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCC e bacharel em Ciências Jurídicas pela Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP.

Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo – UMESP. Título da Dissertação: “Políticas De Comunicação Da Igreja Presbiteriana Do Brasil – Análise do período contemporâneo”.

Itinerário das relações públicas em São Paulo


O próximo encontro vai reconstituir o itinerário das relações públicas na terra dos bandeirantes, analisando as mutações profissionais das relações públicas no século XX, além de focalizar o protagonismo de duas figuras emblemáticas: Eduardo Pinheiro Logo, o fundador do primeiro serviço de RP que funcionou no país, e Candido Teobaldo de Souza Andrade, o primeiro doutor em relações públicas,  diplomado em território nacional.



90 anos de profissão


Pode-se dizer que as relações públicas são praticadas desde o início da humanidade, sendo nova apenas a sua organização. Seu desenvolvimento como área de estudo e como atividade profissional  deu-se a partir do início do século XX, nos Estados Unidos.

Em nosso meio, elas surgiram em 1914, quando Eduardo Pinheiro Lobo criou na Light o primeiro departamento da área no Brasil. Mas ela só começaria a ter um real impulso na década de 1950, quando a comunicação em geral toma novos rumos no País. 

Diante da nova realidade engendrada pela globalização, em suas dimensões multifacetadas, a visão operacional dominante em grande parte do século passado se vê hoje cada vez mais substituída pela visão estratégica e social das relações públicas.



Essa trajetória será resgatada por Waldemar Luiz Kunsch. Ele é Licenciado em Filosofia (1973),  pela Universidade de Mogi das Cruzes (SP), bacharel em Jornalismo (1979) e Relações Públicas (1986), pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, além de Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Leciona no curso de Relações Públicas da Umesp e nos cursos de Relações Públicas e Editoração Multimídia da Uni-FiamFaam.
Publicou O Verbo se faz palavra: caminhos da comunicação eclesial católica (Paulinas, 2001). Organizou as coletâneas  Mídia,  regionalismo e cultura (Umesp/UPF, 2003),  Marxismo e Cristianismo: matrizes das idéias comunicacionais latino-americanas (Umesp, 2002), Estado, mercado e interesse público: a comunicação e os discursos institucionais (Labjor/Banco do Brasil, 1999) e De Belém a Bagé: imagens midiáticas do natal brasileiro (Umesp, 1998), além de ter editado o texto de diversas obras.
É editor das revistas Comunicação & Sociedade (Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social) e Estudos de Joralismo e Relações Públicas (Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas) da Umesp. 


O primeiro profissional


A professora Mirtes Torres vem produzindo um quadro descritivo da trajetória das Relações Públicas no Brasil , enfocando alguns aspectos do seu fundamento, desenvolvimento e repercussão nos estudos realizados no Brasil. Seu estudo é uma tentativa de contribuição acadêmica, tanto para os comprometidos com a profissão quanto para o ensino da profissão em Universidades e Instituições de Ensino.

Contudo, seu objetivo específico é identificar a importância dos grandes incentivadores da profissão, focalizando Eduardo Pinheiro Lobo e suas relações com o avanço dos estudos que hoje se fazem presentes em nosso meio acadêmico. Ela pretende demonstrar que os seus vestígios não só favorecem a compreensão da profissão em sua ampla definição, como também apontam para caminhos que a profissão vem alcançando diante das novas conjecturas da sociedade moderna.



Mirtes Vitoriano Torres é Pesquisadora da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas – FAPEAL.
Formada pela Universidade Federal de Alagoas com habilitação em Relações Públicas e Mestre em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo, ela atualmente está inscrita como Doutoranda em Comunicação Social na Universidade Metodista de São Paulo.
É docente do Curso de Comunicação Social  no Centro Universitário Alcântara Machado - Unifiamfaam – , onde leciona as disciplinas Teoria da Comunicação Persuasiva, Pesquisa de Opinião Pública I e II, Metodologia em Projetos Experimentais, atuando também como Coordenadora de Iniciação Científica.



O primeiro doutor



Desafiada pela exigência de perquirir o ensino e a pesquisa no campo das Relações Públicas, a fim de saber como melhor adequá-las ao contexto social, político, econômico, cultural e participativo de nossa época, Maria Stella Thomazi defende a tese de que. é preciso, ao mesmo tempo,  verificar a adequação ou defasagem entre o desempenho da profissão de Relações Públicas e a formação universitária no Brasil.

Pesquisando sobre Teobaldo de Andrade e a legitimação acadêmica das Relações Públicas, ela fundamentou-se em pesquisa bibliográfica e documental, além de testemunhar sua participação como colaboradora daquele pioneiro, autor da primeiro tese de doutorado em Relações Públicas defendida no país.

Seu foco inicial será Teobaldo Andrade como pesquisador. Posteriormente o analisará como participante no ensino, na pesquisa e, principalmente, na produção científica ou acadêmica. Seu biografado criou uma escola e seus seguidores têm à frente um desafio científico, em especial os que se dedicam ao magistério e à produção acadêmica das Relações Públicas.

A palestrista pretende demonstrar que professores, profissionais e estudiosos  da área necessitam da contribuição de Teobaldo Andrade para chegar a uma teoria  cientificamente comprovável de Relações Públicas.


Maria Stella Thomazi é Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Foi-Professora Titular da Universidade Braz Cubas - Mogi das Cruzes e ESAN - FEI - São Paulo. Preside atualmente o Diretório Nacional da Associação Brasileira de Relações Públicas.

A informatização da imprensa

Utilizando-se do método da observação e da pesquisa-ação, a professora Ruth Vianna procurou investigar a informatização da imprensa brasileira, durante  o período final do governo militar. Estudados os jornais Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo, em São Paulo; a Tribuna de Santos,  em Santos (SP); ela compara com  O Globo, do Rio de Janeiro; Diário Catarinense, de Florianópolis, Santa Catarina; Zero Hora, em Porto Alegre e Jornal Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Foram  consultados, também, os jornalistas e seus sindicatos. Analisando as propostas políticas do governo para a indústria de Informática, através de  Secretaria especial de Informática (SEI), em Brasília, ela observou: 1. alto grau de sofisticação tecnológica, com equipamentos importados; 2. os jornalistas se adaptam ao computador, mas temem discutir as novas tecnologias porque têm medo da perda de emprego; 3. a pequena mobilização de seus Sindicatos quanto a essa questão e 4. a SEI não tinha condições de atender o mercado na área de publicações.

Ruth Penha Alves Vianna é jornalista profissional, bacharel em Comunicação Social - Jornalismo pela UMESP (1980); Especialista em Jornalismo Contemporâneo (ECA-USP, 1984); Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, com a dissertação de mestrado "Informatização da imprensa brasileira", e autora do livro "Informatização da imprensa brasileira", Edições Loyola, São Paulo, 1992; Doutora em Comunicação Audiovisual e Publicidade, pela Universidad Autónoma de Barcelona, Barcelona, Espanha, 2000, cuja título é "La palabra, la imagen y el sonido en los informativos televisivos de Brasil y España:estudio comparativo y análisis del lenguaje audiovisual, textual y narrativo". Obra publicada em microfilme pela UAB,
Barcelona, 2000.

Professora adjunta do Departamento de Comunicação Social-Jornalismo, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ela realiza atualmente o Pós-Doutorado no Departamento de Jornalismo e Editoração, Núcleo de Jornalismo Comparado da Universidade de São Paulo (USP), sob a direção do Prof. Emérito José Marques de Melo. Em 2003, exerceu a função de Professora Adjunta  junto à disciplina "Pensamento Jornalístico Brasileiro", no Programa de Pós Graduação em Jornalismo da ECA-USP, sendo ainda a Editora -Chefe da publicação online Portal, Mural, Revista e Dicionário do Pensamento do Jornalismo Brasileiro (www.eca.usp.br/prof/josemarques).

História da histórias em quadrinhos

A História das Histórias em Quadrinhos do Brasil é um rico documento que conta em imagens seqüenciais a vida do país em todos os sentidos. Ela revela  o pioneirismo, as grandes iniciativas, os altos e baixos da economia brasileira refletidos na interrupção das publicações,  a trajetória da imprensa e das editoras, a busca da identidade nacional através de seus heróis em todas as regiões do país e principalmente a garra dos desenhistas que, apesar das adversidades políticas e econômicas, nunca desistiram de criar. Em todo Brasil  temos exemplos  desta natureza  mas parte  desta dinâmica converge para o  eixo Rio-São Paulo  como pólo de atração de desenhistas no mercado editorial e jornalístico do país.
O objetivo deste trabalho é, no entanto, revelar e  resgatar somente uma parcela desta trajetória traduzida na memória paulistana em um de seus mais significantes aspectos: as Histórias em Quadrinhos. Pinçando alguns nomes, publicações, editoras e acontecimentos a partir do século XIX vamos verificar o quanto São Paulo teve um papel importante na inovação e consolidação das histórias em quadrinhos, da imprensa brasileira e no parque editorial do país.
A começar pelo  pioneiro Angelo Agostini,  imigrante italiano  que traz ao Brasil e a São Paulo, seu espírito criativo e indomável  inovando tanto a arte dos quadrinhos ( As aventuras de Nhô Quim ) como revolucionando a imprensa paulistana (O Diabo Coxo, O Cabrião).  A vida da capital paulista, em termos da imagem, deve ser contada antes e depois de Angelo Agostini.
Ao longo das primeiras décadas  também foi em São Paulo que tivemos a aparição dos Suplementos Infantis, como a Gazetinha atraindo grandes expoentes como Belmonte. Mais tarde, nos bairros da Mooca e Cambuci (parques gráficos paulistanos na época)  apareceram uma série de pequenas editoras como  La Selva, Taika, Outubro, Continental que  fizeram revelar os traços dos grandes mestres do quadrinho nacional como Jayme Cortez, Rodolpho  Zalla, Nico Rosso, Shimamoto, Gedeone, Flávio Colin, Colonese no gênero terror chegando a mais de 30 títulos diferentes.
A capital paulistana abriga o maior parque gráfico da América Latina, a Editora Abril que por muitos anos teve como seu carro chefe de vendas as revistas de Histórias em Quadrinhos de Walt Disney, como Mickey e Pato  Donald e muitas outras publicações
Em plena época da ditadura militar, as universidades de São Paulo, principalmente a USP, editaram  fanzines revelando nomes como Laerte, Luis Gê, Angeli, os irmãos Paulo e Chico Caruso. Esta imprensa alternativa ou udigrudi, como era denominada na época, mudou a estética e o conteúdo dos quadrinhos brasileiros  e firmou estes jovens artistas como os grandes ídolos da atualidade.
Além disso foi em São Paulo que se constituiu o primeiro curso universitário de Histórias em Quadrinhos em 1972 com permanência até os dias de hoje, a primeira Gibiteca, revistas experimentais como a Quadreca e conta hoje com um Núcleo de Pesquisas  incrementado a investigação da Nona Arte em todo o país.
Foi também em São Paulo que ocorreu a criação do “Oscar  dos quadrinhos brasileiros” pela dupla Jal e Gual  - o Prêmio HQ MIX – referência nacional para qualquer categoria  da área. Homenageando o pai dos quadrinhos brasileiros, São Paulo também sedia a entrega do prêmio Angelo Agostini no dia 30 de janeiro considerado o Dia do Quadrinho Brasileiro.   Do bairro do Bom Retiro é que surgiu a primeira exposição internacional de HQ do mundo realizada pelos jovens idealistas da década de 1950 como Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Reinaldo  de Oliveira entre outros. E as Histórias em Quadrinhos ganham status de arte no Brasil com um congresso e exposição em 1970 no MASP trazendo grandes nomes desenhistas internacionais.
Tudo isto sem contar com o grande expoente Maurício de Sousa, artista-empresário que é o modelo brasileiro de quadrinista bem-sucedido no país. Nascido nas vizinhanças da capital paulista, em Santa Isabel, Mauricio de Sousa tem São Paulo um estúdio que abriga uma equipe de centenas de profissionais para a criação das revistas da Turma da Mônica, desenhos animados, tiras para jornais e licenciamento para produtos.

Sonia Bibe Luyten é doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo, com tese sobre mangá, os quadrinhos japoneses em 1988. Foi professora do Departamento de Jornalismo e Comunicações da ECA/USP (1972-1984), professora convidada da Universidade de Estudos Estrangeiros de Osaka e Tóquio – Japão (1984-1990), professora da Universidade Real de Utrecht- Holanda (1993-1996) e professora convidada da Universidade de Poitiers – França (1998-1999)
Atualmente é professora da Pós Graduação de Comunicação da Universidade Católica de Santos e foi coordenadora do Mestrado em Comunicação.
É autora de inúmeros artigos no Brasil e no exterior e dos livros: "Comunicação e Aculturação"; "Histórias em Quadrinhos – Leitura Crítica", "O que é Histórias em Quadrinhos", e "Mangá, o poder dos quadrinhos japoneses" (Ed. Hedra, 2000) .
A autora fundou o primeiro núcleo de estudos de mangá na Universidade de São Paulo na década de 1970 e que hoje se transformou na ABRADEMI e obteve vários prêmios por sua pesquisa em histórias em quadrinhos como o HQ Mix em 1988,1991,1999 (São Paulo – Brasil) , MANGACOM em 2001 (São Paulo- Brasil) e o Prêmio Romano Calise, em Lucca Itália em 1990.

Webmídia, uma história em processo


A Internet se configurou no Brasil e no mundo como veículo de comunicação, de um modo bem diferente dos outros ditos tradicionais. Por ser uma rede digital interligada por computadores, a web (interface gráfica da Internet) se difundiu geograficamente pelo País, numa velocidade espantosa. Essa dinâmica econômica se deu ao contrário do que aconteceu com os meios jornal, revista, rádio e televisão, com algumas exceções, (as rádios-clubes do interior), que tiveram historicamente os seus principais modelos concentrados nas capitais e só aos poucos, o conhecimento do como fazer foi se descentralizando.
Devido a essa característica, a web, no seu início, não teve a imposição de um formato padrão e consolidado, inclusive na área do jornalismo. Essa possibilidade levou muitos produtores de conteúdo informativo digital a criarem seu próprios modelos, levando em consideração as suas características regionais, o aporte tecnológico e os objetivos empresarias de entrar na rede.
No trabalho a ser apresentado, analiso dois casos específicos. São os websites de jornais de tradição em suas respectivas regiões: A Tribuna Digital (www.atribuna.com.br) e o Diário On-line (www.dgabc.com.br). A Tribuna Digital pertence ao Sistema A Tribuna de Comunicação, com abrangência na Baixada Santista, e o Diário On-line, com base no Grande ABC paulista.
Contemporâneos de nascimento, os dois produtos digitais se caracterizaram por sua impetuosidade e dinamismo no trato da informação jornalística on-line. Cada um a sua maneira, os dois websites influenciaram inclusive grandes grupos de comunicação, como a Terra Networks, hoje pertencente à Telefônica, e a Globo.com.

Walter Teixeira Lima Junior é jornalista, professor e pesquisador. Doutor em Jornalismo Digital pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), tendo pós-graduação em Consultoria em Internet (Ciências Exatas) e certificações Adobe Digital Video Convergence e Internet/Intranet System Programmer Analyst (ISPA).  Trabalhou como editor-geral de Internet do Grupo A Tribuna de Santos, responsável por projetos, gerenciamento e conteúdo editorial. Realizou parcerias envolvendo Terra Networks, Globo.com, Telesp Celular entre outras.

Especialista em Multimídia, Desktop Publishing (DTP) e redes, atualmente é professor na UniFiam. Também atua na área profissional prestando consultoria em comunicação digital pela TDPO e é analista de comunicação da Assessoria de Imprensa da Reitoria da USP.

     CHAVE DE OURO

Núcleo Paulista da Rede Alcar empossado no IHGSP

O Presidente do Comitê Nacional da Rede Alfredo de Carvalho, Prof. Dr. José
Marques de Melo, deu posse no último dia 7 de junho, aos dirigentes do
Núcleo Paulista, composto pela Profa. Dra. Fátima Feliciano (coordenadora),
Beatriz Zaragosa, Mônica Paula e Valdenizio Petrolli. O ato solene foi
realizado no Salão Nobre do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo,
na cidade de São Paulo, contando com a presença de meia centena de
historiadores da mídia, vinculados a diferentes grupos de pesquisa
instalados em universidades paulistas.
Tomou posse também o Conselho Científico do Núcleo Paulista da Rede Alcar,
integrado pelos seguintes pesquisadores: Profa. Dra. Graça Caldas (Grupo de
Campinas), Profa. Dra. Ciça Guirardo (Grupo de Marília), Profa. Dra. Gisely
Hime (Grupo do Morumbi - São Paulo), Osmar Mendes Junior (Grupo Butantã -
São Paulo), Antonio de Andrade (Grupo de São Bernardo).

Também compareceu ao
evento o Prof. Dr. Adolpho Queiroz, coordenador nacional do GT de História
da Publicidade e Propaganda da Rede Alcar.

A cerimônia de posse foi precedida pela última sessão do Ciclo de História
da Comunicação - Itinerário da Mídia em São Paulo, que contou com a
participação dos jornalistas Carlos Alberto Di Franco (O Estado de S. Paulo)
e José Hamilton Ribeiro (Rede Globo).

O primeiro deu um depoimento sobre a
transição histórica que a imprensa brasileira vem atravessando, com a
substituição gradativa dos "barões midiáticos" pelas corporações
empresariais, acarretando a perda da sua identidade informativa e
tornando-as vulneráveis à ação do capital financeiro. O segundo enfocou, em
seu depoimento, o declínio associativo das entidades sindicais do jornalismo
brasileiro, cujas diretorias recentes demonstram pouca aderência aos anseios
das bases profissionais, o que vem causando a desagregação corporaritva
dessa categoria ocupacional. Endossou a tese da criação de um conselho
nacioinal dos jornalistas, tendo em vista a mutações das relações
trabalhistas no seio da profissão.
O evento foi encerrado pela presidente do Instituto Histórico e Geográfico
de São Paulo, Profa. Dra. Nelly Martins Candeias, que agradeceu a
colaboração prestada à instituição pelo Prof. Dr. José Marques de Melo,
sócio da casa, onde tem como patrono o Historiador Alfredo de Carvalho. Ela
disse que o Ciclo de História da Mídia por ele organizado durante o primeiro
semestre de 2004 revitalizou a vida cultural do IHGSP. Entegou, finalmente,
os certificados de participação aos conferencistas do ciclo, reiterando o
seu agradecimento a todos os participantes.

Em seguida, o IHGSP ofereceu um coquetel aos presentes.
 
  
   

  
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