
Jflávio – ago/2001
Eu hoje
quero embriagar-me.
Quero
tomar “todas” possíveis...
“Todas” admissíveis...
dar
vazão a esta dor que enlouquece.
Quero
deixar que minh’alma confesse
O que
nunca confessou.
Sei que você vai dizer
que
isso não é coisa que se faça
Mas não
se preocupe
Não vou
me embebedar de uísque nem de cachaça
Porque beber, na verdade eu nem beberia tanto.
Mas eu
quero apontar o dedo para bem dentro de mim,
Apontar
meu desencanto...e esquecer.
Quero
matar os dragões que me atormentam
Afugentar os demônios que
me maltratam...
Quero escrever e por alguns instantes,
se possível for, até morrer...
Eu
quero me embriagar,
Me
extasiar.
Eu
quero me dopar de estrelas,
Quero me dopar com o brilho das estrelas
que
lembram tua luz,
Com o rastro do cometa que me seduz.
Sim,
hoje eu quero escrever pra você.
Hoje...
hoje eu quero me sufocar nas letras de um poema
em que você seja o tema...
mesmo
que você nem perceba.
Mesmo
que pra você esse poema nada
diga.
Eu quero me embriagar pra não me lembrar
do que sobrou de um sonho:
você amiga.
Hoje,
pelo menos por hoje só, eu quero desabafar,
Quero
deixar de ser eu mesmo,
Quero vagar a esmo nesta noite escura
e me
afastar da tua vista
Me
excluir da tua lista
Afastar esse amor surrealista
Ser meu próprio analista...
eu quero ver se me arranjo.
Eu não
quero mais ouvir os sons dos anjos
Porque
eles doem...agora doem.
Eram
nossas e maravilhosas,
Mas
agora me parecem frias e negras as nebulosas
Onde
tantas vezes brincamos brincadeiras inocentes
- Coisa
de crianças -
Como se fôssemos adolescentes.
Agora
eu não quero mais passear nas veredas celestiais
Nem nos
jardins que eu criei.
Nunca
mais quero passear naquelas alamedas.
Quero
esquecer os sonhos que sonhei.
E quero curtir meu desencanto
nem que só por hoje seja.
Quero curtir meu desencanto,
mas não
quero que você veja.
Eu quero ficar sozinho com os meus ais...
nem que para sempre seja.
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