Quem é você menina
Que tanto mal me faz?
Quem é você afinal, que,
quase com a regularidade das marés,
passeia pelo meu coração como passeiam
pela praia
as cheias, deixando marcas
inconfundíveis como as
deixadas por elas na areia, doloridas
porém,
tangentes, singulares e terríveis,
e pra toda vida...diferentemente das
delas?
Ora! Quem é você?
Quem é você afinal, que como as
manequins
famosas nas passarelas, lépida e teatral
e formosa e calma, vem, passa por mim e
se vai,
deixando ávida e ansiosa a minha alma
que se queixa
passa mal e quase me deixa, tanto se
esvai.
Ah! Quem é você, meu amor?
Quem é você afinal, que arranca deste
poeta a prosa,
e que no seu caminho, como bela flor dá
vida enquanto rosa
e enquanto espinho tanta ansiedade e
dor?
Quem é você dessa saudade que sufoca?
Você nem imagina a crueldade do que
provoca.
Me diz, o que te fiz?
Quem é você que do amor triste deste
poeta goza,
E que no entanto, tanto mal lhe faz e
que, sofrida,
tanto se sabe querida, que não resiste,
e, infeliz, parece, em deixa-lo cada vez
mais triste se compraz...

