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Evolução das Constelações A origem das constelações está vinculada ao simples ato de olhar para o céu e imaginar desenhos juntando os inúmeros pontos brilhantes. Com o tempo e o avanço científico passaram a associar as estrelas aos ciclos temporais e estações. Disto nasceriam duas ciências, a Astronomia e a Astrologia. Os mais antigos resquícios que temos de dados deste tipo são de origem grega, embora os chineses já tivessem desenvolvido seu próprio e peculiar estudo das estrelas. O primeiro 'astrônomo' a citar constelações foi o poeta grego Aristarco. Contudo suas constelações tinham coordenadas que não combinavam com a latitude local de observação, dando a entender que este primitivo mapa estelar fora importado de outra civilização, mais precisamente alguma de 35° N, e a única que havia existido neste ponto até então era a dos Mesopotâmios. Tudo leva a crer que estas constelações antigas estavam relacionadas a mitos locais que foram absorvidos pela civilização minóica e postumamente resultando nos mitos e tradições helênicas. Fato que demonstra isto é que, os babilônicos possuíam alto conhecimento astrológico para determinar seu calendário e controlar as vazantes e enchentes dos Rios Tigres e Eufrates, assim as constelações que brilhavam ao centro da noite na época das chuvas e inundações eram justamente as com nomes relacionados a mitos que envolviam a 'água'. Esta herança é comprovada na família de constelações 'aquáticas' gregas por assim dizer, que dominam o céu noturno na época das chuvas (as constelações de Capricórnio, Aquário, Peixes e Baleia, 'geograficamente' muito próximas). Deste modo, praticamente todas as constelações de origem greco-babilônica se encaixam em grupos familiares, o qual o mais famoso é o da Lenda de Perseu (Constelações de Cassiopéia, Cefeu, Andrômeda, Pégaso, Perseu e Baleia).
* Completando a lista de constelações clássicas em famílias, poderíamos dizer que existe também o Ciclo de Zeus, com as constelações de Aquário (Ganimedes, o copeiro do Olimpo e amado por Zeus), Cisne (metamorfoseado para a conquista de Leda), Auriga (Ericteu, inventor da quádriga e rei de Atenas, guardião da cabra Amaltéia, que alimentou Zeus quando pequeno, em sua velhice) Peixes (Afrodite e Eros metamorfoseados a fugirem do combate entre Zeus e Tífon). Coroa Boreal (Dionísio presenteou Ariadne com esta coroa, quando a portadora faleceu Zeus pôs a coroa no firmamento), e Triângulo, símbolo do Monte Olimpo. As demais (todas no hemisfério sul) não parecem formar uma família, nem por sua mitologia, nem por singularidades astronômicas. Todavia,
a única que parece destoante entre as 48 constelações antigas é Libra,
entre os gregos tal asterísmo era conhecido por chelae, ou seja,
garras do escorpião. Certamente esta constelação é de autonomia recente,
digo, recente para a época em que Ptolomeu elaborou seu catálogo.
Lembremos que o autor era romano, assim parece que Libra surge de sua
constelação vizinha bem tardiamente, Virgem, a qual era vista por aquele
povo como uma representação da deusa da justiça que portava justamente
uma balança. Na Antigüidade...
A mais antiga 'carta' celestial foi encontrada em Nínive, na Mesopotâmia, sendo somente um planisfério confeccionado em argila com uma ou duas constelações e com suas príncipais estrelas (atualmente Pégaso). Outra tábua, chamada "Mul-Apin", revela 66 constelações contendo, inclusive, o primeiro zodíaco, aliás, continha não somente o zodíaco solar (36 constelações), mas também o lunar (18 constelações), e ainda 12 constelações referenciais das estações climáticas. As solares eram divididas e honradas à três deuses: Enlil, deus da terra, com as 12 constelações do zodíaco setentrional; Anu, deusa do céu, com as 12 constelações do zodíaco equatorial; e Ea, deusa das águas, com as 12 constelações do zodíaco austral. No Egito registros apontam como sendo a constelação de Áries nativa desta terra (sua posição e simbolismo). Também existe o Zodíaco do Templo de Dendera, contudo é um obra do período helenístico. Na Grécia, além da transmissão do conhecimento mesopotâmio via minóicos e micenos, e do poeta Aristarco, outros famosos pensadores contribuíram com o avanço desta ciência: * Homéro: Na Ilíada e na Odisséia faz menções a algumas constelações circumpolares. * Tales: Teria sido o primeiro a fabricar um globo celeste. * Anaximandro: Construiu um globo celeste com as constelações clássicas. * Eudoxo: Escreveu Phainomena, agora perdido. * Aratus de Soli: Elaborou um guia completo de constelações em Phainomena. * Eratóstene: Sua obra Catasterismes reunia 42 constelações míticas. * Híparco: Formou o primeiro catálogo com 1080 estrelas, com longitude, latitude e magnitude. Graças a este catálogo que Hiparco descobriu a precessão dos equinócios. Em Roma destacou-se Marcus Manílio, escritor de Astronomica, poema latino; e Hígino, autor de Petica Astronomica. Houve também o Atlas Farnese, globo celeste provavelmente de herança helênica. Contudo a obra mais preponderante de toda esta era foi a erigida por Ptolomeu. Praticamente não havia muita organização na catalogação das constelações míticas até Cláudio Ptolomeu de Alexandria escrever seu Almagesto por volta de 148 d.C. (Este Ptolomeu não tem nada haver com a dinastia faraônica ptolomáica). Este astrônomo agrupou pela primeira vez na história todos os mitos e constelações, definindo seus limites e estrelas.
Ao definir tais constelações, Ptolomeu deixou inúmeras de fora, praticamente extinguindo-as até de nosso conhecimento póstumo. A única bem retratada é Antinous - O Antineu, que fora criada pelo Imperador Adriano, de Roma e só nos foi preservada a história pois foi resgatada por Hevelius, posteriormente.
Na Idade Média...
Desde Constantino até o Renascimento a ciência perdera seu campo de atuação para a religião. Com a Idade das Trevas todo o pensamento místico fora proibido, exceto a própria religião católica. O index foi o terror de escritores e milhões de livros foram às chamas. Os árabes alheios a esta zona de influência salvaguardaram as tradições helênico-bizantinas e desenvolveram ainda mais a astronomia. Al Sufi (903-986) em seu Livro das Estrelas Fixas nos preservou as estrelas catalogadas no Almagesto e ainda nos apresentou outras, por isto muitos nomes tradicionais de estrelas nos tempos de hoje ainda são em árabe (praticamente a maioria absoluta).
Na renascença...
Em 1515 Albrecht Dürer, famoso pintor alemão, retratou dois mapas celestes - um para cada hemisfério - com imagens simbólicas por detrás de cada constelação de Ptolomeu inspiradas nos baixos-relevos do globo Farnese e com descrições do poeta Aratus. Algo tão notório praticamente seguido por todos os astrônomos até Johann Bode, dentre eles Gerardus Mercator (1551), aquele do Plano Mercator. O italiano Alessandro Piccolomini (1540) em Della Sfera del Mondo foi o primeiro a usar letras latinas para a nomenclatura de estrelas, também retratando as 48 constelações clássicas de Ptolomeu. Tycho Brahe, tutor de grandes mestres que abordaremos no prosseguimento do artigo, elaborou em 1602 o último catálogo antes da invenção do telescópio. Sua obra continha 700 estrelas com coordenadas absolutamente precisas.
Nos tempos modernos...
Com o renascimento efervescente e a Era das Grandes Navegações a tradição voltou à tona e mais que isso, era preciso agora nomear e catalogar novas constelações, devido a diferença do céu estelar em cada latitude. Assim em 1603, Johann Bayer, astrônomo alemão da Bavária, ao publicar seu Uranometria ("Medidas do Céu") desmembra duas constelações clássicas de Ptolomeu e oficializa outras 12, que haviam surgido anteriormente em cartas de navegação de Pieter Dirchsz Keyser e Frederick de Houtman - todas com fundo mitológico dos povos por eles visitados, exceto Triângulo Austral. Ao todo em sua coleção são ilustradas 62 constelações. Bayer também é o responsável pela classificação estelar que ficou conhecida por seu nome, a qual nomeia cada estrela com uma letra Grega ou Latina, pela sua posição na constelação.
*Criada por Tycho Brahe. **Criada por Petrus Plancius anteriormente.
Em 1624, Jakob Bartsch, holandês amigo Bayer, cataloga algumas constelações já em uso, mas de origem desconhecida, além de acrescentarem algumas próprias e efetivar outras já imaginadas por Petrus Plancius e Pieter Keyser no fim do século anterior em sua viagem no navio Hollandia ao hemisfério sul, as quais Bayer ignorou...
A Igreja reage, com a Contra-Reforma visa buscar seu antigo status medieval. Em 1627 Julius Schiller com seu Coelum Stellarum Christianum busca eliminar qualquer vestígio pagão das cartas celestes (vestígio é força de expressão, pois era preponderante). Desta maneira re-nomeou as constelações, eis alguns exemplos (estou pesquisando ainda a lista completa):
Sciller ainda se propôs a alterar os nomes dos grandes astros: Sol seria Jesus Cristo, Mercúrio seria Elias, Vênus renomeado como João-Batista, Marte como Josué, Júpiter seguindo a origem de seu nome tornar-se-ia Moisés, o pai dos hebreus, por fim, Saturno seria Adão.
Em 1690, após ter seu observatório reconstruído pelo Rei Jan Sobieski III da Polônia - O mesmo rei cuja história inspirou a criação do personagen "Yan" de Escudo -, Johannes Hevelius publica seu Firmamentum Sobiescianum ("Firmamento de Sobieski") onde haviam 79 constelações, 11 criadas por ele, das quais somente 7 perduram até hoje e outras duas criadas por Royer e Halley.
Após Hevelius alguns astrônomos diferenciaram novas constelações esporadicamente e poucas ganharam notoriedade e foram aceitas na próxima valorosa coletânea, a de Lacaille, dentre estas se encontram: Corona Firmiana (Corbinianus, 1730); Solarium, Solarium de Cadran (?); e Sceptrum (Royer, 1679). Em 1763, com seu Coelum Australe Stelliferum ("Constelações do Céu Austral" - Obra publicada após sua morte), Nicolas de Lacaille desmembra a famosa Argo Navis em 3 partes e cria outras 14 constelações, obviamente, todas no hemisfério sul, além de renomear algumas constelações. Lacaille também modificou a Classificação Bayer para nomes de Estrelas, passando a usar como referência a magnitude estelar, ao invés de sua localização 'geográfica'. A de menor magnitude (e de tal modo, maior brilho) recebe o nome de Estrela Alfa, assim sucessivamente (Sua obra também seguia o modelo Flamsteed, de John Flamsteed, presente em Historia Coelestis Britannica de 1729, onde as estrelas de pouco brilho são identificadas por um número, ordenados por sua ascensão de reta).
1801 marca o auge das representações artísticas das constelações. A obra Uranographia de Johann Bode, astrônomo alemão - o mesmo que descobriu a trajetória e deu nome à Urano -, retrata a maior coletânea de constelações encontradas em um único atlas celeste, muitas elaboradas por Bode, outras absorvidas de inúmeras cartas celestes anteriores, principalmente de Lallande, Hell, Edmond Halley, Royer, Kirch, Lemonnier e Poczobut, todos estes com compêndios próprios, geralmente confeccionados a pedido de Reis e Nobres. Era composta de 18 mapas e 2 planisférios, contendo 17.000 estrelas e 2.500 nebulosas, retratando o céu europeu conforme visto pelos cartógrafos nos três séculos precedentes, pois cada nação européia possuía um "céu" diferente entre 1600 e 1800. Bode, ao lado de Friedrich Argelander (Uranometria Nova, 1843) e Gould (Uranometria Argentina, 1877), foi a base para a nova carta celeste da União Astronômica Internacional, criada entre 1922 e 1930.
* No fim do século XIX, após Bode, poucas constelações foram estabelecidas em cartas esporádicas, cabe dizer que Turdus fora renomeada em 1822 por Jamieson para Noctua - Coruja; Na região de Aquário fora criada a Norma Nilótica - Régua do Nilo; e Nubecula Major e Nubecula Minor, que na verdade são as Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães, galáxias.
Com a fundação da União Astronômica Internacional em 1922 e com o término de seu catálogo estelar em 1930 muitas constelações foram extintas, algumas renomeadas, mas nenhuma recém-criada.
* Ex Apparatus Chemicus. ** Ex Apparatus Sculptoris. *** Ex Piscis Notius. **** Ex Piscis Volans.
Atualmente (apêndice)...
Com as constelações já definidas e bem delimitadas desde 1930, restou estabelecer ordem quanto a nomenclatura das estrelas. Com o salto tecnológico milhões e milhões de estrelas foram contabilizadas, o que fomentou nova categoria de análise sobre elas. Veja um exemplo do processo ao longo dos anos:
* Aldebaran do Touro
Denominações antigas: Nome em acadiano: Gis-da. Nome em babilônio: I-ku-ku (a primeira das estrelas). Nome em grego: Oculis Tauri. Nome em latim: Suculae, Stella Dominitrix, Paricilim. Nome genérico: Olho do Touro.
Denominações modernas: Nome em árabe: Aldebaran (al-dabarân: sucessor das plêiades). Nome no Modelo Piccolomini (1540): A Tauri. Nome no Modelo Bayer (1603): Alpha Tauri. Nome no Modelo Flamsteed (1729): 87 Tauri. Nome no Modelo Bonner Durchmusterung (1863): BD + 16'629. Nome no Modelo Harvard Register (1884): HR 1457. Nome no Modelo Henry Draper (1900): HS 29139 Nome no Modelo Smithsonian Astrophysical Observatory (1966): SAO 94027 Nome no Modelo Hubble Space Telescope - Guide Star Catalog (1994): GSC 1266:1416
Todo modo, não há detrimento de uns em preferência a outros, todos estão corretos. Somente cada instituto usa uma nomenclatura diferente de acordo com as diretrizes de seu catálogo. |
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