O NEGÓCIO DA LÍNGUA

IDIOMA E PODER

        A fluência em um idioma estrangeiro geralmente não é alcançada por pessoas de classes menos favorecidas no Brasil. Entre as 60.000 pessoas que saem do país anualmente para assimilar a língua e a cultura inglesa, certamente não estão os desempregados e pessoas de baixa renda. O custo de uma viagem de estudos para aprender um idioma varia de 4.000 a 10.000 dólares. Além de se configurar uma situação de evasão de divisas, é um privilégio exclusivo de apenas algumas classes sociais. Por outro lado, os cursos de idiomas são uma “mercadoria” importante para os países anglófonos. Em 1988, por exemplo, a Inglaterra arrecadou mais de 325 milhões de libras esterlinas trazidas por estudantes interessados em aprender este inglês mais “nobre”. A língua é uma das maiores fontes de renda da Inglaterra: mais 25 milhões de libras esterlinas foram arrecadadas através de seus institutos oficiais ingleses em vários países do mundo dos estudantes interessados neste inglês “castiço”.

DOMINAÇÃO ECONTROLE DA COMUNICAÇÃO

          A imposição de algumas línguas nacionais tem como sustentáculo o poder econômico, político e militar de algumas nações. A situação privilegiada do idioma inglês é a base para a conquista de mercados para os produtos da indústria cultural norte-americana. A atual política lingüística que dá prioridade ao uso de apenas algumas línguas nacionais distorce a fluência e a liberdade de comunicação colocando os habitantes que nasceram em países anglófonos numa situação de superioridade. Adquirem desta maneira um status pelo simples fato de terem nascido numa determinada comunidade lingüística. Já os falantes de outras comunidades lingüísticas terão que dispor de um bom tempo de suas vidas e dinheiro (se tiverem) para aprender a língua do país dominante. Por outro lado, alguns aceitam este problema de maneira fatalista e até se aproveitam da situação. As classes dominantes de muitos países por exemplo podem aprender com mais facilidade um idioma estrangeiro e é bom para elas, que a maioria da população, principalmente os trabalhadores assalariados sejam monolíngues ou apenas arranhem um idioma estrangeiro. Fica mais fácil dominar quando a maioria não tem acesso à informação do exterior, que só chegará até a população pelos “filtros” dos meios de comunicação ( de domínio da classe dominante).

ESPERANTO E DEMOCRACIA

          Uma língua sem nacionalidade, mais fácil de aprender seria uma maneira de reverter esta situação. O Esperanto é igualitário e mais democrático e permite que vastas camadas da população em todos os países se comuniquem sem intermediários e acima das barreiras lingüísticas, permitindo a emancipação das pessoas.
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