ORIXÁS

Definição dos Orixás e Voduns

 

(Do livro "Notas Sobre O Culto aos Orixás e Voduns - Pierre Verger " da Editora EDUSP) Pag.35

Os cultos aos Deuses da África, que interessam a este estudo, são realizados na região do golfo do Benin, outrora denominada Costa dos Escravos. Os yorubam que vivem nas regiões do Sudeste da Nigéria e do Sudeste do Daomé*, cultuam os Orisa, e os descendentes dos adja, estabelecidos no médio e baixo Daomé, prestam culto aos Vodun.

Relatos de viagens empreendidas aos litorais vizinhos dessas regiões foram feitos pelos primeiros navegantes já a partir do século XV. Os conceitos sobre as religiões africanas basearam-se em suas observações e as divindades dos negros foram batizadas com o nome de "fetiche", que tem sua origem na palavra portuguesa feitiço.

Somente no século XVII foram transmitidas pelos viajantes informações sobre a Costa dita do Escravos e será preciso esperar até o século XIX para termos informações diretas sobre o território yoruba. A definição adotada para os "fetiches" foi adotada aos deuses dessas regiões, sem que eles fossem mais bem estudados, e é por esse termo que eles são geralmente designados ainda hoje.

* Atual República do Benin, cuja capital administrativa é Porto-Novo (N. do T.)

Orixás

por: Jurema Oliveira


Na Mitologia Yoruba, Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades chamadas (português Orixá; alemão Orisha; espanhol Oricha; Yoruba Òrìsà) para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses.
Exu, Orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, Orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia.
Oxóssi, Orixá da caça e da fartura.
Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca
Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Ayrà, Usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
Obaluaiyê, Orixá das doenças epidérmicas e pragas, Orixá da Cura.
Oxumaré, Orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras.
Ossaim, Orixá das Folhas, conhece o segredo de todas elas.
Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do Rio Niger
Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro, jogo de búzios, e amor.
Iemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de muitos Orixás.
Nanã, Orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiê.
Yewá, Orixá feminino do Rio Yewa.
Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô
Axabó, Orixá feminino da família de Xangô.
Ibeji, Orixá dos gêmeos
Irôco, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
Onilé, Orixá do culto de Egungun
Oxalá, Orixá do Branco, da Paz, da Fé.
OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.
Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua
Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká
Olokun, Orixá divindade do mar
Oxalufon, Qualidade de Oxalá velho e sábio
Oxaguian, Qualidade de Oxalá jovem e guerreiro
Orixá Oko, Orixá da agricultura

Na África cada Orisha estava ligado a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.
Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondô, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inixá, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbô.
A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.
O Culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
O Culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.
Em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os Orixás.
Alguns Orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses Orixás.
A Iyalorixá é a responsável pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer Orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.
Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses Orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

 

  Orixás - Página melhor vista c/ browser 4.x
  Orixás - Página sem Java para browser 3.x
   
   


1