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Invasão anunciada
Estudantes ocupam a Reitoria da Ufba para pressionar a instituição a
repor aulas
Nem mesmo o gabinete do reitor Naomar Almeida escapou da ocupação
estudantil
Davi Lemos
Os estudantes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), mesmo
considerando os avanços conseguidos segunda-feira em reunião do Conselho
Universitário, ocuparam ontem a Reitoria, inclusive o gabinete do reitor
Naomar Almeida. Eles entendem que não houve garantias de que os alunos
mobilizados não serão punidos com reprovação por faltas ou negação de
provas de segunda chamada. Além disso, os estudantes querem que o
Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) volte atrás em sua
decisão de sexta-feira passada e também garanta a reposição de aulas
para os grevistas desde o dia 15 de julho até o final da paralisação.
O vice-reitor da Ufba, Francisco Mesquita, disse que a ocupação da
Reitoria pelos estudantes foi uma surpresa, já que foi assegurada pelo
Conselho Universitário a discussão das condições de instalação do
Restaurante Universitário, dos problemas estruturais e de segurança.
Além disso, Mesquita apontou como ponto positivo a constituição de
comissões mistas, uma das quais levará reitor, alunos, professores e
funcionários a Brasília para conseguir verbas para a universidade. A
decisão de ocupar o prédio foi decidida em assembléia realizada na manhã
de ontem.
"Agora eles querem que o Consepe volte atrás e dê respaldo à greve,
garantindo reposição de aulas do dia 15 de julho até o final da greve.
Não se pode fazer isso, porque não sabemos quanto tempo a greve pode
durar", alegou o vice-reitor. Apenas hoje, o reitor Naomar Almeida
decidirá qual providência será tomada em relação ao movimento
estudantil.
Representante do comando de greve, o estudante de Ciências Sociais
Rogério Silva disse que é necessário a clara determinação do Consepe de
que haja reposição dessas aulas, contando que os professores não
retornem à greve amanhã. Na última reunião do Consepe, foi aprovada uma
moção que indica, mas não determina, a não-punição aos grevistas. "Houve
avanços na negociação, mas eles ainda são insuficientes. Nós estamos
ocupando a Reitoria para conseguir essas garantias para o movimento",
declarou Rogério Silva.
Facom - O comando de greve estudantil vai procurar os estudantes da
Faculdade de Comunicação, que decidiram em assembléia retornar às aulas
na próxima segunda-feira. Segundo Rogério Silva, a decisão dos alunos da
Facom foi tomada em virtude da pressão dos professores da unidade. "Se
tivéssemos essa garantia do Consepe de não-punição aos alunos
mobilizados, essa decisão na Facom poderia ser diferente".
Rogério Silva informou ainda que, durante a assembléia geral dos
estudantes na Reitoria, foram suspensos os estudantes Ernesto,
representante de biologia, e Marcos Pagani, de engenharia, que votaram
contra o Diretório Central dos Estudantes na reunião do Consepe. "Eles
não representam mais o DCE no Consepe e decidimos também que nenhum
outro integrante de chapa política representará os estudantes no
Conselho", indicou Rogério Silva. Os dois alunos integram o grupo Flores
de Maio.
Hoje pela manhã, na Piedade, os estudantes da Ufba e de cursinhos
pré-vestibulares de Salvador fazem ato público contra a proposta de
reforma universitária apresentada pelo governo federal. A partir da
próxima semana, começam na Reitoria as reuniões entre estudantes,
servidores técnicos e professores que definirão os temas dos seminários
e comissões que debaterão os problemas da Ufba.

Escola Agrícola:
Alunos Conseguem Ônibus!
Alunos do Centro de Educação
Profissional Colégio Agrícola de Brasília se reuniram em frente à
rodoviária de Planaltina, às 9h de ontem, para protestar contra a
retirada da única condução que os atendia - um ônibus oferecido pela
Secretaria de Coordenações Regionais (Sucar). Para sorte deles, era dia
de visita da vice-governadora do Distrito federal, Maria de Lourdes
Abadia, e do secretário de Agencia de Infra-Estrutura e Desenvolvimento
Econômico, Tadeu Fillipplli, à Administração Regional, que fica a cerca
de 200m da rodoviária. Uma comissão formada por cinco alunos e um
professor foi recebida pelo administrador de Planaltina, Cirlândio
Martins dos Santos, Filippelli e Abadia. Os estudantes conseguiram o
ônibus de volta, e agora querem garantia de que a decisão será
definitiva. Segundo o professor Guilherme José de Carvalho, que
acompanhou a manifestação, se a situação não fosse resolvida a escola
corria o risco de fechar. "Além do ensino técnico, o colégio oferece
mais de 20 cursos à comunidade", afirmou. Filippelli explicou que o
ônibus foi suspenso porque a obrigação da Secretaria de Educação com o
transporte se restringe ao ensino fundamental.

e mais:
Manifesto
da APS
Biblioteca
de Textos
Boletim Informativo Quinzenal
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