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Howard Phillips Lovecraft

Nascido em 20 de agosto de 1890 em Providence, Rhode Island, EUA, faleceu prematuramente aos 47 anos, em 15 de março de 1937, deixando uma obra controversa: Quase 70 contos e novelas, trabalhos como Ghost-Writer para diversos escritores, (inclusive Harry Houdini, o famoso Mágico, no conto "Aprisionado com os Faraós") mas com muito poucos trabalhos publicados em vida e apenas no circulo das "Pulp Magazines" Americanas.

Lovecraft teve uma vida estranha: Perdeu cedo o pai, passou quase toda a vida com a mãe, casou-se uma única vez, com uma mulher bem mais velha, e após sua separação 5 anos depois morou com 2 tias até sua morte. Viveu na cidade natal a vida inteira, exceto por 2 anos em Nova York e algumas viagens, já em seus últimos anos de vida. Era extremamente caseiro e adorava gatos. Introvertido, preferia contatos por carta. Sua correspondência deve chegar a...acredite: 100.000 cartas, sendo publicada em 5 volumes nos EUA. Escreveu muita coisa em sua adolescência, mas acabou não aproveitando e destruindo.

Mas o que levou Lovecraft a escrever sobre um tema que parecia tão forte para uma personalidade como a dele? A resposta talvez esteja na primeira frase de seu ensaio "O Horror Sobrenatural na Literatura":

"...a emoção mais forte e antiga do homem é o medo, e a espécie mais forte e antiga de medo é o medo do desconhecido. Poucos psicólogos contestarão este fato e a sua verdade admitida deve firmar para sempre a autenticidade e dignidade das narrações fantásticas de horror como forma literária..."

A verdade é que ele sabia muito bem lidar com o medo das pessoas. Diferente de Edgar Alan Poe, que preferia o Mórbido, Lovecraft expõe o indizível, quase sempre começa suas histórias com um relator que conta ao leitor da existência de fatos tão grotescos e assustadores que não podem ser revelados, mas subitamente decide abrir mão do Silêncio.

Lovecraft é um mestre na arte da descrição. Sentimos a potencia de suas descrições, seja ao falar de cidades do mundo dos sonhos, como a desconhecida Kadath, ou as paredes de Erix, em Vênus. As criaturas místicas ou extraterrestres por ele apresentadas, são sempre frutos de pesadelos, e suas narrativas são tão marcantes, que muitas vezes nos descobrimos devorando seu livro até o fim. Considerações de ordem científica ou mesmo racional devem ser postas de lado nessas horas. O próprio Lovecraft diz, no ensaio citado acima que:

"...o mais importante de tudo é a atmosfera, pois o critério final de autenticidade não é o recorte de uma trama, e sim a criação de uma determinada sensação..."

Segundo o escritor Robert Bloch, (autor de Psicose e discípulo de Lovecraft) a imaginação de Lovecraft foi limitada simplesmente por sua condição de vida e pela época em que vivia. Hoje, para muitas pessoas, pode causar mal estar a xenofobia que Lovecraft sentia, principalmente por negros, orientais, e todos aqueles que não possuíssem origem anglo-saxonica. Mas isso não era privilégio dele. Não se esqueçam que no período entre a primeira guerra mundial e o intervalo entre a segunda, demonstrações de fascismo explicito eram constantes, até mesmo Flash Gordon (cujo vilão principal, Ming, apesar de extraterrestre, tem traços orientais) não escapou desse sentimento.

Isolado por natureza, ele criava os contos com o material de seus sonhos e devaneios, e com idéias surgidas em trocas de cartas. Não era a toa que era amigo de Robert E. Howard, autor do famoso Guerreiro "Conan - O Bárbaro" : ambos compartilhavam caracteristicas parecidas, como a solidão e o desejo de superação de suas fraquezas humanas. O que Howard conseguiu, criando um guerreiro forte e imbatível, Lovecraft conseguiu com a criação de monstruosidades que desafiam nossa compreensão.

O escritor inglês Colin Wilson considera que a importância simbólica da obra de Lovecraft é provavelmente maior do que qualquer coisa que ele tenha escrito, mas isso não desmerece o fato de que uma de suas maiores contribuições tenha sido precisamente influenciar autores que surgiram depois, e que se firmaram como expoentes do fantástico. Um dos mais conhecidos é o argentino Jose Luiz Borges, que lhe dedica o conto "There are More Things", uma historia de terror na melhor tradição e estilos Lovecraftianos.

E não esse apenas, mas grande parte dos contos de Borges, mostra a influencia de Lovecraft em Sua obra, notadamente nas descrições de livros imaginários. Outro autor que provavelmente recebeu influência de Lovecraft foi o italiano Italo Calvino, com sua descrição das cidades imaginárias que Marco Polo visitou.

Essa influencia de Lovecraft e sua redescoberta não se deram por acaso. Pouco depois de sua morte, os jovens escritores August Darleth e Donald Wandrei, editores da Weird Stories, Revista em que Lovecraft mais publicou em vida, começaram na decada de 40, as primeiras publicações em livro de bolso da obra desse autor. Até hoje, a Arkhan House, a editora fundada por eles, publica antologias baseadas em histórias de Lovecraft, geralmente com um conto dele, e o restante de outros. O cinema volta e meia o redescobre:

Em 1985 e 1987 foram lançados 2 filmes baseados em seus contos: Reanimator e From Beyond, ambos competentemente realizados, mas ambientados em época mais atual, sem a atmosfera de terror tão necessária. Mais recentemente (Não tenho as datas) foram feitos A Noiva do Reanimator, Renascido das trevas (que retrata bem o conto O caso de Charles Dexter Ward) e Necronomicon II. Outro filme que pode ser citado é A Criatura do Cemitério (que faz referencia ao Necronomicon e a Faculdade de Miskatonic), além de vários outros.Uma das melhores adaptações visuais de um conto de Lovecraft, é Vento Frio, episódio da série de TV Galeria do Terror, em 1971.

O impacto de Lovecraft está na força de suas imagens; imagens que prendem o leitor por completo, expondo um terror que nem sempre depende de sangue e nojo, mas do pavor, dos medos ancestrais do homem, de tudo o que é inexplicável e indizível...

 
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