Ao tentarmos realizar esta biografia, deparamo-nos com uma
imensidão de informações. Como fazer para resumir e publicar
tantos fatos em tão pouco espaço? Chico Xavier, um homem simples
e ao mesmo tempo admirável! Um enigma!
O que tentamos mostrar nas linhas que se seguem é apenas
uma coletânea de fatos importantes e de provações
vividas por Francisco Cândido Xavier. Seria necessário
um espaço bem maior do que este se quiséssemos mostrar
toda a vida e obra deste homem notável. Muitos foram os que estudaram a vida e obra de Chico Xavier, porém
todos os que se aventuram a isto se deparam com uma longa jornada
sem final. Pois a cada dia, com cada pessoa que se fale, surgem
novas informações, não menos importantes ou
interessantes do que as anteriores. “Renascer... eis a vida, o progresso incessante, o eterno evoluir,
eis a lei do Criador! Eis do Mestre Jesus, como luz rutilante o
ensino imortal no evangelho do amor. Renascer... eis lei imutável,
constante, pela qual nosso “eu” no cadinho da dor, em sublime ascensão
pela luz deslumbrante, subirá para Deus, nosso Pai e Senhor...”
Escrito em 1929 por Chico Xavier. A TERRA NATAL E A FAMÍLIA Francisco Cândido Xavier, nasceu a 2 de abril de 1911, no
município mineiro de Pedro Leopoldo, uma cidade pequena,
tranqüila, de tradição bandeirante, sem atrações,
vida pacata e comércio rudimentar, tendo apenas a agricultura
como a base mais importante de subsistência. A chegada da
indústria pesada, do aço, fábricas de cimento
e outras, causou uma grande transformação no município,
ocasionando inclusive o desenvolvimento e o aumento populacional.
Em conseqüência, a vida pacata passou a não fazer
mais parte do cenário de Pedro Leopoldo, onde hoje se conta
com uma população de aproximadamente quarenta mil
habitantes. Pedro Leopoldo ficou conhecida nacionalmente a partir
da década de 30, quando chegaram às grandes cidades
as primeiras notícias da fama de Chico Xavier. O pai João
Cândido Xavier e a mãe Maria João de Deus, tiveram
nove filhos: Maria Cândida, Luíza, Carmozina, José
Cândido, Maria de Lurdes, Francisco Cândido, Raymundo,
Maria da Conceição e Geralda. Em 1915, Dona Maria João de Deus, percebendo a gravidade
de sua enfermidade e pressentindo o desencarne próximo, entregou
seus filhos a pessoas amigas, para cuidarem de sua educação.
Diante de tais circunstâncias, Chico foi entregue a sua madrinha,
Dona Rita de Cássia, mais conhecida como Ritinha. Percebendo a separação de sua família, o menino
Chico, perguntou a sua mãe o porquê daquilo estar acontecendo,
sem compreender a gravidade da situação e, muito inocentemente,
chegou a pensar que a mãe não os amava mais. Dona Maria, conseguindo superar as emoções, lhe disse
que se preparava para sair da casa em tratamento de saúde
e que voltaria em breve para cuidar de todos. Resignado com a situação,
aceitou as palavras finais de sua mãe, que veio a desencarnar
no dia seguinte, 29 de setembro. A VIDA COM DONA RITINHA Durante suas constantes crises nervosas, Dona Ritinha premiava
Chico com surras que chegaram a acontecer até três
vezes ao dia. Sua vida tão cheia de provações,
certamente poderia torná-lo um ser revoltado e marginal.
Tal fato ocorreria realmente se sua riqueza espiritual de médium
não se manifestasse. Certa vez, Chico dirigiu-se à madrinha muito feliz, dizendo
que havia conversado com a mãe desencarnada. Foi o suficiente
para receber uma surra extra. Essa conversa com sua mãe foi
a primeira experiência de Chico no campo da mediunidade. No
entanto, ele continuava a ter visões e conversas com sua
mãe, o que sempre narrava à madrinha. Dona Ritinha
decidiu então conversar a respeito com o pároco do
local, o qual recomendou ao Chico que rezasse mil Ave-Marias com
uma pedra de 15 kg em cima da cabeça durante a procissão.
Não bastasse isso, Chico foi atingido por algumas garfadas,
o que algum tempo depois se transformou numa hérnia estrangulada,
que o acompanha até hoje. Em suas visões, a mãe o aconselhava a ter paciência.
Explicava-lhe que não podia levá-lo para junto de
si e procurava ajudá-lo a superar os maus tratos da madrinha.
Outro fato lamentável ocorreu quando Dona Ritinha soube que
a única maneira de curar a ferida infeccionada de seu outro
filho adotivo, o sobrinho Moacir, era lamber-lhe a ferida durante
três semanas seguidas, em completo jejum. Incumbido desta
tarefa, Chico foi desesperado até o quintal, onde evocou
o socorro de sua mãe. Recebeu dela palavras que naquele momento
lhe confortaram. E quando iniciou a penitência, percebeu com
surpresa que sua mãe colocava um pozinho sobre a ferida.
E assim, pouco depois a perna de Moacir estava curada. Apesar de tantos maus tratos, até hoje nunca se ouviu uma
só palavra de Chico Xavier queixando-se de sua madrinha.
Ao contrário, ele diz que o temperamento de sua madrinha
Rita era benévolo. SEGUNDO CASAMENTO DO PAI A permanência de Chico junto a Dona Ritinha durou dois anos.
Em 1917 seu pai casou-se em segundas núpcias com Dona Cidália
Batista, de cuja união a família Xavier se viu aumentada
em seis filhos: André Luís, Lucília, Neusa,
Cidália, Doralice e João Cândido. Dona Cidália fez questão de reunir todos os filhos
de João Cândido. Foi quando Chico mudou-se para junto
deles. Foram dez anos de compreensão e muito carinho entre
pai, mãe e quinze filhos! A PRIMEIRA MENÇÃO HONROSA Os espíritos continuavam a enviar mensagens a Chico, mas
ele receava ser rotulado de louco se comentasse com alguém
as conversas que mantinha com "almas do outro mundo”. Ele percebia os fenômenos mas ainda não sabia explicá-los.
Chegavam a manifestar-se até na sala de aula, durante os
quatro únicos anos de instrução primária
que recebeu. O próprio médium conta que, em 1922, no primeiro
centenário da independência do Brasil, todos os alunos
tiveram que apresentar uma dissertação sobre a data.
Antes de começar a dissertação Chico viu um
homem ao seu lado ditando o que deveria escrever. Assustado foi
falar com a professora que o aconselhou a escrever o que ouvira,
tranqüilizando-o: "Ninguém lhe disse nada. O que
você ouviu veio de sua própria cabeça".
Com esse trabalho o garoto Chico recebeu a sua primeira Menção
Honrosa. APROFUNDAMENTO NOS ESTUDOS DA DOUTRINA Naquela época a maior dificuldade de Chico era conciliar
a Doutrina Católica, que lhe era imposta, com as primeiras
manifestações e conhecimento que obtinha do espiritismo.
Começou a ler sobre a doutrina espírita aos dezessete
anos. Nesta época veio a perder sua segunda mãe, Dona
Cidália, que desencarnou no dia 19 de abril de 1931. Seu
pai não mais voltou a se casar, desencarnando no dia 6 de
setembro de 1960, na cidade de Pedro Leopoldo aos 92 anos de idade.
Chico prossegue em seus estudos doutrinários apesar de o
padre Sebastião, que era o conselheiro da família
e o mesmo que lhe receitou as mil Ave-Marias como penitência
para acabar com as "assombrações", deixar
bem claro que a igreja Católica não aprovava o Espiritismo.
Decidido que estava, Chico aprofunda seus conhecimentos pesquisando
Allan Kardec e se dedicando cada vez mais ao desenvolvimento mediúnico.
FATO DECISIVO O fato que levou decisivamente Chico Xavier a se dedicar à
tarefa mediúnica ocorreu no mesmo ano de 1927. Uma de suas
irmãs ficou em estado de profunda obsessão, atormentada
durante dias por maus espíritos. Chico procurou o amigo José
Hermínio Perácio, espírita convicto, que lhe
ofereceu sua casa para um tratamento adequado. José e sua
esposa Carmem, uma médium experiente, conseguiram curar a
irmã de Chico através dos ensinamentos da doutrina
espírita e do desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas.
Ainda na residência do casal espírita, na Fazenda Maquiné,
situada no município de Curvelo, a 100 km de Pedro Leopoldo,
Chico e sua irmã receberam mensagens tranqüilizadoras
da mãe. Assim, a irmã voltou para a sua casa completamente
curada e Chico sem qualquer dúvida a respeito da verdadeira
face do espiritismo. Desde então ele organizou e passou a
reunir um grupo de crentes para estudar e desenvolver a doutrina.
Tal passagem é narrada no prefácio de Parnazo de Além
Túmulo, onde confessa: "...foi nessas reuniões
que me desenvolvi como médium escrevente, semimecânico,
sentindo-me muito feliz, datando daí o ingresso do meu nome
nos jornais espíritas onde comecei a escrever sob a inspiração
dos bondosos mentores que nos assistiam". EMMANUEL Emmanuel, o principal guia espiritual de Chico Xavier, acompanha
o médium desde que as primeiras manifestações
espirituais se fizeram perceber pelos amigos, parentes e pelo próprio
Chico. Quatro anos antes de encontrar o médium, Emmanuel
já havia mantido contato com Dona Carmem Perácio numa
reunião espírita realizada em Maquiné. Emmanuel
identificou-se, na ocasião, como amigo espiritual de Chico,
relatando a Dona Carmem que esperava apenas o momento certo para
começar a "grande tarefa dos livros psicografados"
através dele. AS PROVAÇÕES DOS ESPÍRITOS Em 1931, começaram os primeiros contatos entre Emmanuel
e Chico. Nessa época Chico já sofria de uma doença
complexa nas vistas: o deslocamento do cristalino, que, somado ao
estrabismo da vista direita, incomodava-o dia e noite. Ele pediu
ao mentor uma orientação sobre o tratamento que deveria
seguir para amenizar o seu sofrimento. Talvez pensasse em obter
uma cura imediata através dos poderes espirituais de Emmanuel,
mas este lhe ensinou uma lição: não deveria
esperar privilégios do mundo espiritual só porque
havia sido escolhido para transmitir ensinamentos sublimes. Deveria
tratar-se sim, recorrendo à medicina humana, que segundo
Emmanuel, "está no mundo em nome da Divina Providência".
O desprezo de Chico pelos bens materiais e pelos cuidados com o
corpo também não merece a aprovação
de Emmanuel, para quem "o corpo é comparável
a uma enxada e o homem lembra o lavrador. Todo cuidado do lavrador
é necessário para conservar a enxada em condições
de trabalhar com acerto e segurança". As lições
foram assimiladas em parte. Chico começou a se cuidar, entretanto
o seu intenso ritmo de vida não lhe permitia ter uma boa
saúde, pois trabalhava praticamente o dia todo e dormia apenas
três horas durante a noite. Em sua juventude seu corpo ainda resistia. Porém, com o
passar dos anos, as defesas do organismo foram se esgotando e nem
com a ajuda da medicina terrena Chico escapou da debilidade progressiva.
Desde 1976 sofreu crises de angina e dois enfartes. Após
a ultima crise de angina, em março de l982, precisou ser
assistido permanentemente por um médico, o clínico
geral Eurípedes Vieira, e tomar medicamentos diariamente.
O que a medicina dos homens não conseguiu curar foi o problema
da visão. Mas uma vez Chico deu prova de que não se
desviaria dos ensinamentos de Emmanuel ao recusar em 1969 uma oferta
do médium Zé Arigó que desejava operar espiritualmente
os seus olhos. "A doença é uma provação
do espírito que devo suportar", respondeu Chico. TRABALHO MATERIAL Desde os 8 anos Chico trabalhava para ajudar no sustento da família
e poucas foram as horas vagas para devotar-se ao Espiritismo. Foi
operário em uma fábrica de tecidos, trabalhou como
servente de fiação, servente de cozinha no bar de
Claudovino Rocha, caixeiro no armazém de Felizardo Sobrinho
e, finalmente, inspetor agrícola. O emprego de servente de
cozinha fez nascer em Chico o hábito de preparar suas próprias
refeições. A CONFUSÃO DO NOME Chico Xavier, ao ingressar para o serviço público
como inspetor agrícola, precisou providenciar seus documentos
pessoais. Junto com seu pai dirigiu-se ao cartório da cidade
a fim de obter a sua certidão de nascimento. Qual não
foi a surpresa de ambos, quando o funcionário do cartório
não conseguiu encontrar ali o seu registro. Após várias
horas de busca deparam-se com outras surpresas: o filho do Sr João
Cândido Xavier ali registrado era Francisco de Paula Cândido,
nascido a 2 de abril de 1910, quando o correto seria: Francisco
Cândido Xavier, nascido em 2 de abril de 1911. Como não
havia tempo para modificação naquele momento, seu
nome assim permaneceu até 1965. Coube ao Meritíssimo
Juiz de Direito da 2ª Vara de Uberaba, Dr Fábio Teixeira
Rodrigues Chaves, retificar por sentença o seu nome, passando
então a usar aquele que o tornara conhecido através
das suas atividades mediúnicas. Portanto, para sanar qualquer dúvida, funcionário
publico, hoje aposentado do Ministério da Agricultura, é
o Sr Francisco de Paula Cândido. Francisco Cândido Xavier
nunca existiu no quadro de funcionários desse Ministério,
pelo menos até 1965. Refletindo sobre tal confusão, após algum tempo,
o pai de Chico lembrou-se de que havia solicitado a um amigo para
que fosse em seu lugar efetuar o registro de seu filho. Esse amigo,
ao chegar ao cartório lembrou-se de que o dia 2 de abril
era, segundo o calendário católico, consagrado a São
Francisco de Paula. Foi então que decidiu registrar o menino
como Francisco de Paula, completando com o primeiro sobrenome, Cândido,
ao invés de Xavier. OS TRÊS PERÍODOS DE VIDA MEDIÚNICA Mesmo sem tempo, Chico conseguiu desenvolver-se mediunicamente
com a colaboração do casal Perácio. Em 1934,
quando o casal transferiu-se para Belo Horizonte, a presidência
do centro espírita de Pedro Leopoldo foi entregue a José
Cândido Xavier, irmão de Chico. "Tive três
períodos distintos em minha vida mediúnica",
relata Chico Xavier, no início de Parnazo. "O primeiro,
de completa incompreensão para mim, é aquele dos 5
anos de idade, quando via minha mãe proteger-me, até
aos dezessete anos, quando a doutrina espírita penetrou em
nossa casa. O segundo, de 1928 a 1931, no qual psicografei centenas
de mensagens que os benfeitores espirituais, mais tarde, determinariam
que fossem inutilizadas, porque em suas opiniões essas mensagens
eram apenas esboços e exercícios. O terceiro período
começou com a presença do nosso abnegado Emmanuel,
que, em 1931, assumiu o encargo de orientar todas as atividades
mediúnicas até agora". A VIDA PREGRESSA DE EMMANUEL Após inúmeros contatos com Emmanuel, Chico conseguiu
saber algo sobre a vida pregressa do espírito benfeitor:
ele esteve na pele de um senador Romano da Judéia, Publius
Lentulus, casado com Lívia, com quem teve uma filha de nome
Flávia. Sua vida era cercada de luxo e ostentação,
totalmente devotada ao imperador César, enquanto que Lívia
dedicou sua vida a Deus. Presenciou da arquibancada de honra do
Circo Máximo, a execução da mulher que amava
e que se convertera ao cristianismo, sem manifestar qualquer reação
que impedisse a ocorrência funesta. Desencarnou tragicamente, no ano de 79, em Pompéia, quando
da erupção do Vesúvio. Anos mais tarde, reencarnou
como Nestório, negro de grande cultura. Foi feito escravo
pelos romanos e comprado por uma família nobre de Roma que
o aproveitou como professor. Cristão desde a juventude, foi
um dos assistentes das pregações evangélicas
do apóstolo João Evangelista em Efeso. Freqüentava
as reuniões nas catacumbas e, certa noite, na ausência
do pregador Policarpo, substitui-o encaminhando a palestra. Após
belíssimos ensinamentos, ele e todos os que o ouviram, foram
presos e condenados a morrer a flechadas e a serem devorados pelas
feras no Circo Máximo. A mais recente reencarnação de Emmanuel teria sido
como o Padre Manuel da Nóbrega, primeiro apóstolo
do Brasil. Nasceu em Sanfins, Portugal, em 18 de outubro de 1517
e desencarnou no Rio de Janeiro, no Colégio dos Jesuítas,
por ele mesmo construído, no ano de 1570, no mesmo dia e
mês de seu nascimento, contando com 53 anos de idade sendo
a tuberculose a causa de sua morte. Mesmo sentindo que Chico estava preparado para receber mensagens
psicografadas, Emmanuel impôs uma condição básica
para trabalhar ao seu lado: que o médium seguisse, acima
de tudo, os ensinamentos de Hippolyte Léon Denizard Rivail,
cognominado Allan kardec (03/10/1804 - 31/03/1869). A orientação é seguida à risca até
hoje. Chico se limita a aprender e a transmitir os ensinamentos
codificados por Kardec. A humildade é sempre presente nas
atitudes de Chico, que revela aversão à idolatria
e à tentativa de alguns que desejam mitifica-lo. A VIAGEM A BELO HORIZONTE Em janeiro de 1933, Chico trabalhava no armazém de José
Felizardo Sobrinho como balconista, recebendo quarenta cruzeiros
mensais. O amigo José Álvaro, poeta e escritor, propôs-se
a levá-lo para a capital mineira em busca de um melhor salário.
João Cândido seu pai, ficou entusiasmado e incentivou
o filho a aceitar a proposta. Chico, defrontando-se com o dilema,
consultou Emmanuel que lhe disse achar inoportuna a viagem, mas
aconselhou-o a não desobedecer ao pai. Assim, ele resolveu
viajar após conseguir uma licença no armazém.
Diante de um novo mundo em Belo Horizonte, onde participava de
convenções literárias e recebia visitas de
todos os tipos, Chico teve seu primeiro contato com a fama, pois
todos queriam conhecer o autor do Parnazo. Durante três meses,
ele permaneceu em Belo Horizonte, mas as agitações
e os elogios não foram suficientes para fazê-lo perder
a humildade. Regressou a Pedro Leopoldo retomando suas atividades
no armazém do senhor Felizardo. AS SESSÕES ABERTAS AO PÚBLICO Dois anos mais tarde, Chico tornou-se alvo de uma longa reportagem
do jornal O Globo. Essas reportagens colaboraram para que a fama
de Chico Xavier ultrapassasse os limites de Minas Gerais. A partir
daí uma verdadeira romaria invadiu Pedro Leopoldo para conferir
as habilidades de Chico Xavier. Chico não se sentia à
vontade com a notoriedade e, mais de uma vez, manifestou seu temor
de que a fama excessiva pudesse prejudicar sua missão. Tal
fato não ocorreu e o que ele não poderia imaginar
era que anos depois seria conhecido e amado nos quatro cantos do
país. Nessa época o médium estava preocupado que as sessões
abertas ao público, que era um trabalho sério que
ele vinha realizando, se transformasse num simples show. Os textos
eram psicografados por Chico Xavier em vários idiomas: inglês,
alemão e até em sânscrito. Tal fenômeno
era o que mais impressionava a leigos e estudiosos. Emmanuel esperou por um período de dois anos e solicitou
a Chico que as reuniões desse tipo fossem encerradas. Para
o mentor o trabalho do médium vinha-se cercando de uma curiosidade
improdutiva e isto certamente iria ameaçar a tarefa mais
importante que seria a da divulgação de ensinamentos
através de livros psicografados. Emmanuel sabia o que estava
fazendo. Tanto é que a década de 30 foi a mais rica
em termos de mensagens esclarecedoras. O mentor transmitiu toda
a sua sabedoria em textos que tratavam dos mais variados temas,
como Sociologia, Economia, Política, etc. DESENCARNE DO IRMÃO Com o desencarne de seu irmão e companheiro de luta, José
Cândido Xavier, em fevereiro de 1939, Chico Xavier passa por
mais um momento doloroso em sua vida. Acumulou então a tutela dos sobrinhos e da viúva
Geni, companheira nas atividades espirituais, porém muito
doente. Chico desdobra-se entre o trabalho no armazém durante
o dia todo e à noite participando das sessões espíritas.
Nesta época ocorre mais um fato curioso: seu irmão
deixara uma grande dívida referente à conta de luz.
Com o que Chico ganhava era impossível liquidar tal débito.
Um dia, sentado à porta de sua casa, recebeu a visita de
um estranho que lhe diz ter vindo saldar uma dívida contraída
há tempos atrás. Chico recebe o envelope, agradece
ao estranho e, quando este se vai, abre o envelope e encontra ali
a quantia exata para quitar a dívida deixada por seu irmão.
ANDRÉ LUIZ Emmanuel é o principal mentor de Chico Xavier mas não
o único a lhe ditar mensagens profundas e cheias de ensinamentos.
Outro espírito de luz a comunicar-se através da psicografia
de Chico Xavier é um cientista brasileiro que até
hoje mantém sua verdadeira identidade incógnita. Comunicou-se
com ele pela primeira vez em 1943 e o médium quis saber de
quem se tratava. No entanto, a entidade, apontando para o irmão
de Chico que dormia no quarto ao lado, pergunta pelo seu nome. Chico
respondeu: "André Luiz". Então, disse o
espírito: "De agora em diante este será o meu
nome". Muitos acreditam que André Luiz foi Osvaldo Cruz,
o pioneiro da medicina tropical no Brasil ou Carlos Chagas. André
Luiz descreveu em suas obras experiências fascinantes sobre
a vida após a morte. A TRANFERÊNCIA PARA UBERABA Em 1958, já com 48 anos de idade, Chico Xavier sofreu uma
crise de hérnia estrangulada e foi internado no hospital
São José Batista, em Pedro Leopoldo. A conselho do
médico, Chico foi transferido para Uberaba no início
do ano seguinte. Melhorou da hérnia e também de uma
labirintite que o fez diminuir por algum tempo sua produção
mediúnica. Tanto Pedro Leopoldo como Uberaba estão
no coração de Chico em igual plano. Ele define seu
amor pelas duas cidades dizendo: "Pedro Leopoldo é meu
berço e Uberaba é minha bênção".
OS FENÔMENOS DE EFEITOS FÍSICOS Chico Xavier não apenas psicografava como também
realizava fenômenos de efeitos físicos. Certa vez perfumou
a água que os assistentes traziam. De outra vez, o ar. Contam
algumas testemunhas que Chico, certa ocasião foi rezar ao
lado da cama de uma mulher muito doente e sem esperanças
de vida. Enquanto o médium rezava, pétalas de rosas
começaram a cair do teto sobre a doente. A mulher veio a
desencarnar sem sofrimento, durante aquela madrugada. Após
algum tempo desse acontecimento, Emmanuel intercedeu junto a Chico
Xavier recomendando a suspensão dos trabalhos de efeitos
físicos. À medida que sua fama se propagava, cresciam também
estórias dos poderes do médium, levando-o por diversas
vezes a ter que esclarecer o público sobre a inveracidade
de ser capaz de fazer um cego enxergar ou um paralítico andar.
A ASSISTÊNCIA SOCIAL Aposentado pelo Ministério da Agricultura, Chico intensificou
seu trabalho de assistência social, juntamente com a comunidade
espírita de Uberaba, tentando colocar em prática as
orientações de André Luiz, que na primeira
edição de seu livro Nosso Lar, redimensiona a solução
para os problemas sociais e mostra a diferença entre os serviços
social, profissional e a assistência empírica paternalista.
A MISSÃO INTERNACIONAL Em sua primeira missão internacional, Chico viaja para os
Estados Unidos para auxiliar os espíritas brasileiros lá
residentes. Esta visita foi programada e orientada por Emmanuel
e André Luiz, surtindo como resultado a fundação
"Christian Spirit Center" que tinha por objetivo difundir
lá a doutrina espírita como é praticada no
Brasil. Livros sobre o tema foram traduzidos para o inglês
e até mesmo uma reportagem foi publicada sobre Chico Xavier
na revista Cosmic Star, editada na Califórnia. A revista
fez uma matéria a respeito de suas atividades e de sua comunidade
em Uberaba. Nesta mesma época Chico viaja para a Europa, onde encontra
o estudo do espiritismo e a prática mediúnica desenvolvidos
principalmente na Inglaterra. Ali ele afirma: "...os fenômenos
mediúnicos são vivos em toda parte, mas na Inglaterra
eles desfrutam de imenso respeito com as notáveis atividades
que lhe são conseqüentes". A partir da década de 60 a fama de Chico Xavier ultrapassa
as fronteiras do país, transformando-o no mais famoso médium
vivo no Brasil. PRÊMIO NOBEL Seu valor não ficou provado apenas pelos mais de cem títulos
de cidadania que recebeu no Brasil. A comissão que organizou
sua candidatura ao Nobel referiu-se ao trabalho do médium
em prol da assistência social. É bem verdade que este
reconhecimento não é unânime, pois o velho presidente
da Academia de letras, Austregésilo de Athayde, declarou
solenemente: "Aqui na Academia não conheço ninguém
que se interesse por livros dele". A indiferença da Academia não interfere no prestígio
que Chico acumulou em mais de 60 anos de trabalho honesto e humilde.
Prova disso foi a grande campanha realizada para que recebesse o
prêmio Nobel da Paz em 1981, onde cerca de dez milhões
de brasileiros endossaram a campanha, assinando manifestos e cartas.
AS SENSAÇÕES Sua fama e também sua debilidade física, obrigaram-no
ao isolamento forçado, mas nunca se negou a receber alguém
ou conversar sobre qualquer assunto. Na época da série
de reportagens do jornal O Globo, ele descreveu como se sentia no
momento em que psicografava ou incorporava espíritos. O depoimento
é válido até hoje tanto para os estudiosos
quanto para os leigos. Chico contou que a música produz em
sua mente "uma excitação muito especial",
que pode levá-lo ao transe. "Outras vezes", ele
diz, "escrevo num estado semiconsciente, sonhando acordado".
Mas, o que ele sente no momento em que começa a psicografar
as mensagens? "Faço tudo mecanicamente", responde.
"Um torpor pesado e prolongado me invade. O torpor é
profundo, mas é preciso que haja silêncio absoluto.
Um chamado brusco, por exemplo, me perturba, me sobressalta, causa-me
até um mal psíquico". A HUMILDADE Apesar de tantos livros editados e vendidos (mais de 406 títulos),
ele recebe por mês apenas uma aposentadoria como ex-funcionário
do Ministério da Agricultura. O dinheiro oriundo das vendas
dos livros é doado às obras de caridade. Apesar de sua idade e de todos os fatos que lhe ocorreram, Chico
Xavier prosseguia fiel em sua missão de revelar à
humanidade a doutrina e os ensinamentos do Espiritismo. Jamais acusou
alguém de ser mais ou menos bom para consigo, aceitando o
ser humano como é, em nada o reprovando. CHICO XAVIER MORRE EM 30.06.2002 O médium Chico Xavier morreu numa noite de domingo, 30 de
junho de 2002, aos 92 anos em Uberaba, Minas Gerais. Ele estava
com vários problemas de saúde e teve uma parada cardíaca.
Ele completaria 75 anos de atividade mediúnica no próximo
dia 8 de julho de 2002. Biografia
de Chico Xavier