Inquisição
No ano
de 1233, o Papa Gregório IX instituiu o Tribunal Católico Romano conhecido como
Inquisição, numa tentativa de terminar com a "heresia" (Haeresis, do latim, significa escola de pensamento,
religiosa ou filosófica).
Em
1320, a Igreja declarou oficialmente que a bruxaria e a Antiga Religião dos
pagãos constituíam um movimento herético e uma "ameaça hostil" ao
Cristianismo. A história do cristianismo é a história de perseguições. Forças
cristãs assolaram, perseguiram, torturaram e mataram sistematicamente pessoas
cuja espiritualidade diferia da delas - pagãos ,
judeus, muçulmanos. Até mesmo grupo no seio da própria
comunidade cristã, como os valdenses e os albigenses, sofreram sob o
braço forte da Igreja. Qualquer grupo ou indivíduo que as autoridades
eclesiásticas estigmassem como herege podia ser
julgado e executado.
Um
outro desenvolvimento na política da Igreja preparou o terreno para a
perseguição da Bruxas. É evidenciado pela
correspondência de padres que serviram na Inquisição que, quando as heresias
valdense e albigense foram sufocadas no século XIII, os inquisidores
preocuparam-se com suas carreiras. Em 1375, um inquisidor francês queixou-se de
que todos os hereges ricos tinham sido executados. A caça as Bruxas era um
grande negócio. Nobres, juizes, bispos, párocos locais, tribunais, prefeituras,
magistrados e funcionários burocráticos em todos os níveis, para não mencionar
os próprios caçadores de Bruxas, inquisidores, torturadores e carrascos,
lucravam com a indústria da morte de Bruxas. Todos recebiam um quinhão dos bens
e riquezas confiscadas dos hereges condenados. Assim os inquisidores não
tardaram em descobrir por toda a parte praticantes da magia.
A
palavra Bruxa significou diferentes coisas, para diferentes pessoas, em
diferentes períodos da história. Um dos significados adquiridos no final da
Idade Média foi o de "mulher". Sobretudo qualquer mulher que
criticasse a orientação patriarcal da Igreja Cristã. No século XIV, por
exemplo, mulheres que pertenciam aos Franciscanos Reformistas foram queimadas
em autos-de-fé por feitiçaria e heresia.
Quando
o cristianismo se propagou pelo globo as populações
indígenas que lhe resistiram ou discordaram de seus ensinamentos foram acusadas
de adoradoras do demônio. Vemos que este agrupamento foi usado para justificar
a perseguição não só na Europa mas também aos povos
nativos das Américas da África, Polinésia, Oriente e dentro do Círculo Ártico.
Os
Bruxos tornaram-se heréticos e a perseguição contra todos os pagãos espalhou-se
como fogo selvagem pôr toda a Europa. É interessante notar que, antes de uma
pessoa ser considerada herética, ela tem, primeiro, que ser cristã, e os pagãos
nunca foram cristãos.
A
Inquisição também se julgava megalomaniacamente
purificadora e projetava de forma paranóide sua
própria sombra (os complexos culturais inconscientes) nos hereges que torturava
e matava. No entanto, não só repudiava o humanismo cristão como se fundamentava
teologicamente nele para perpetrar seus crimes. Ao torturar e matar, os Inquisidores diziam lutar contra o Demônio para
salvar a alma de volta para Cristo. Tudo isso faziam como especialistas no
estudo dos Evangelhos e no seu conteúdo humanista. Dessa maneira junto com a
projeção psicótica, a Inquisição apresentava uma patologia coletiva do caráter
(psicopática) através da qual distorcia o pensamento
dos maiores santos e doutos da Igreja, para racionalizar sua própria conduta.