2º Encontro da FACA – Federação Anarquista de Capoeira Angola.

Curitiba, Maio/2002.

 

 

ü     Sábado.

 

         Após as definições iniciais sobre a programação do evento, o encontro da FACA começou com debates sobre acontecimentos recentes paralelos e com avaliação das posturas e comportamentos individuais e coletivo com relação à realização e organização do encontro.

 

         Um pouco descontextualizado com a pauta definida, discutiu-se a postura do Lauro, professor do Iê-Ctba, que declarou como prioridade projetos pessoais em relação à capoeira, em detrimento do projeto de auto-gestão do grupo.

 

         Falou-se do manifeto/protesto contra a Fundação Cultural de Curitiba pela censura ao evento de lançamento do Jornal Tesão, no qual estava programada apresentação e roda de Capoeira do Iê Ctba, prevendo-se a participação dos presentes para a FACA.

 

         Foram levantados alguns embassos que atrapalharam um início agilizado e um melhor aproveitamento do encontro, tais como;

 

·        Atraso dos participantes, em especial daqueles de outras capitais, por falta de planejamento prévio;

·        Não elaboração de uma pauta prévia;

·        Falta de organização dos anfitriões na determinação de local para dormir.

 

RODA NA FAP.

 

         Foi realizada uma leitura sobre a roda.

 

         Constatou-se que houve uma certa exclusão e impedimento de alunos menos experientes e menos agressivos de entrarem na roda para jogar. Isto ocorreu em especial com relação ao Fred (Ctba).

 

         Aconselhou-se, então, que sempre fosse dada a preferência para aqueles que ainda não jogaram, antes de outros jogadores jogarem por uma segunda vez.

 

         Salientou-se a necessidade de, durante a roda, primar pela qualidade do canto e da bateria, seja cantando somente os corridos e ladainhas que realmente se saiba, seja deixando os instrumentos serem tocados por aqueles que mais os dominem. O Berimbau Gunga deve ser tocado por quem esteja habilitado também a gerenciar e exercer a liderança da roda. Já o violinha, deve, de preferência, ser tocado por que saiba variar, solar, não apenas tocar a base.

 

         Foi negativo a excessiva troca de instrumentos. O ideal seria trocar um instrumento de cada vez e de preferência nos intervalos entre jogos ou durante um chamada. Se for realmente necessário, é possível ao gunga chamar os jogadores no pé do berimbau para que a troca seja feita.

 

         Durante os jogos de compra, que ocorreram no final da roda, houve momentos em que se demorou muito para comprar, prolongando demais um jogo. Também, aconteceu de pessoas comprarem vezes em excesso. O Diogo comprou várias vezes não a partir do pé do berimbau.

 

         A compra deve ser clara com relação a quem está sendo escolhido e quem deve se retirar. Ela pode ser recusada, chamando-se o jogador ao pé do berimbau.

 

 

ü     Domingo.

 

         Foram feitos relatos e debates sobre as mudanças e desenvolvimentos dos grupos de cada cidade desde o 1º Encontro da FACA.

 

         Constatou-se que no grupo de Ctba houve uma dedicação maior de todos desde então. Quanto à questão do uniforme, discutido em BH, chegou-se ao consenso de utilizá-lo em todas as rodas.

 

         Foi exposto um conflito recente que aconteceu com um dos outros dois grupos da cidade, que manifestou-se desconsiderando o Iê enquanto grupo de capoeira angola.

 

         Discutiu-se, também, a qualificação do Fábio para puxar treinos por conta, fora do grupo IÊ.

 

         Os integrantes de BH abriram a vontade de manter o mesmo espaço de treino, mas para tanto seriam necessárias duas produções por mês par pagamento do Dendê.

 

         Desde o 1º encontro, aconteceu a abertura do grupo, com a entrega de uma carta aos demais grupos comunicando. O Dendê mandou uma carta pessoal ao Mestre João. Avaliou-se que tais fatos tiveram boas conseqüências.

 

         Foi discutida a ausência de pessoas na Roda de Quinta-feira. Debateu-se se o número de pessoas é ou não determinante para a qualidade da roda. De qualquer forma, propôs-se que fossem feitas mais rodas na praça aos domingos, para atrair mais gente.

 

         Os participantes de São Paulo comunicaram a mudança do nome do grupo e a previsão de produção de uma nova camiseta.

 

         Relataram também um desentendimento havido com o grupo do Buí, que não compareceu a uma apresentação que seria conjunta.

 

         Diante da previsão de fechamento da Casa, foi salientada a necessidade de conseguir um outro espaço para os treinos. Discutiu-se alternativas e estratégias, como associação a ONG’s ou constituição de pessoas jurídica ou outras espécies de instituição.

 

RODA NA FEIRINHA.

 

         Na leitura da roda, surgiu o debate quanto ao coro: Como deve ser sua resposta? Foi esclarecido que se deve responder de acordo com o corrido. Então, é o cantador, que normalmente na primeira frase, indica qual é o coro.

 

         Discutiu-se a necessidade de padronização dos rituais. Qual é o mínimo múltiplo comum da Capoeira de Angola?

 

         As conclusões foram no sentido de que padrões quase não há, mas há a necessidade observar alguma das suas referências. O respeito é em relação ao conhecimento, que deve ser buscado.

 

         Assim, a capoeira se define pelo social, pela possibilidade de trocas entre os diversos grupos nas suas diferenças.

 

         Na conlusão dos debates, foi salientada a necessidade de sempre acentuar a pesquisa e a busca pela capoeira de angola.

 

         Dois projetos coletivos foram levantados: uma viagem a Salvador e a gravação de um CD.

 

         A criação de arquivos, com vídeos, gravações sonoras, apostilas integra os objetivos de um grupo.

 

         3º Encontro da FACA: São Paulo, 17, 18 e 19 de Agosto.

 

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