Modelagem Molecular

Monique Brito (monique@iq.ufrj.br)
 
Dra. em Modelagem Molecular
 pelo Instituto de Química da UFRJ


Tenho interesse em colaborações na área de modelagem molecular. Se você trabalha com síntese, avaliação farmacológica de substâncias bioativas, biologia molecular ou áreas afins e deseja fazer algum trabalho na área de modelagem de ligantes, proteínas ou complexos ligante-proteína, entre em contato!

A Modelagem Molecular (MM) compreende um número de ferramentas e métodos computacionais e teóricos que tem como objetivo entender e prever o comportamento de sistemas reais; usadas para descrever e prever estruturas moleculares, propriedades do estado de transição e equilíbrio de reações, propriedades termodinâmicas, entre outras.

Esses métodos abrangem estudos de minimização de energia de moléculas, análise conformacional, simulações de dinâmica molecular, entre outros; e são aplicáveis de átomos isolados a biomacromoléculas.

      Um trabalho de MM envolve basicamente três estágios...
  • Selecionar um modelo que descreva com determinada precisão interações inter e intramoleculares de um sistema;

  • Realizar os cálculos,
  • Analisar os resultados, validando ou rejeitando o modelo escolhido.

      ...que são suportados por três variáveis a serem analisadas a priori:

  • O tamanho do sistema a ser estudado (em termos de número de átomos);
  • A precisão que se quer nos resultados (varia de acordo com o método escolhido para calcular determinada propriedade),
  • O custo computacional e as condições de hardware utilizadas para realizar tais cálculos.
Além de fornecer dados estruturais, os cálculos teóricos são usados também com interesse químico e farmacológico, como para computar calores de formação de moléculas, distâncias interatômicas, energias eletrônicas de HOMO e LUMO, energias de ionização, densidades eletrônicas atômicas, cargas atômicas líquidas, ordens de ligação, momentos dipolo, entre outros.

O grande desenvolvimento da MM deveu-se em grande parte ao avanço dos recursos computacionais em termos de hardware e software. No passado, a utilização da MM era restrita a um seleto grupo de pessoas que desenvolviam seus próprios programas. Atualmente não é mais necessário a um modelista compor seu próprio programa em virtude deles serem comercializados através de grandes companhias e até mesmo de laboratórios acadêmicos.

A MM fornece informações importantes para o processo de planejamento de fármacos. Ela permite a obtenção de propriedades específicas de um composto que podem influenciar na interação com seu receptor. Como exemplo, pode-se citar o mapa de potencial eletrostático, o contorno da densidade eletrônica e as energias e os coeficientes dos orbitais de fronteira HOMO e LUMO. Outras informações importantes também podem ser obtidas a partir da comparação estrutural entre diferentes moléculas, o que permite a geração de um índice de similaridade que pode ser correlacionado com a atividade farmacológica.

Métodos de Cálculo

      Existem muitas opções quanto ao método de cálculo a ser utilizado em uma determinada abordagem da modelagem molecular, e todas elas derivam de três principais:

  • ab initio
  • Semi-Empírico
  • Mecânica Molecular

Esse métodos diferem quanto à natureza do campo de força, ou seja, no conjunto de funções de energia e parâmetros numéricos associados.

A tabela abaixo resume as principais características de cada um deles.

ab initio: Estes métodos são derivados da mecânica-quântica e estão incluídos em diversos pacotes de modelagem molecular, como Gaussian e Gamess, e incluem os conjuntos de bases STO-3G, 6-31+G*, 6-311++G**, entre outras. Esse método é puramente teórico; é utilizado para moléculas com no máximo 100 átomos; sua desvantagem é o custo computacional (tempo).
Semi-empíricos: Estes métodos também são derivados da mecânica-quântica, mas não são totalmente teóricos, por isso o nome. Estão incluídos em diversos pacotes de modelagem molecular, como Spartan e MOPAC, e incluem os Hamiltonianos AM1(austin model 1) e PM3 (parametric method 3), entre outros. Utilizado para moléculas com não mais do que 1000 átomos. É impreciso para determinados tipos de abordagens, como análises conformacionais.
Mecânica Molecular: São métodos empíricos (baseados em valores experimentais); estão incluídos em programas tais como Spartan e SYBYL, incluindo os campos de força MMFF e CHARMM; são utilizados para moléculas com até 100.000 átomos. Dos três é o que demanda menos tempo computacional.

É importante ressaltar que todos os métodos possuem limitações e que cada um trabalha de forma diferente dos outros. Não existe um método que funcione bem para tudo. Cada um tem sua aplicação dentro da modelagem molecular. O que temos que ter em mente é como cada um é utilizado, para que possamos fazer escolhas acertadas quando precisarmos deles.

Um dos avanços mais importantes no planejamento e na proposição de novos protótipos de fármacos tem sido a utilização da modelagem molecular. Ela tem se tornado uma ferramenta indispensável não somente no processo de planejamento, mas também na otimização de protótipos já existentes.


Bibliografia

  • Williams, D. A. & Lemke, T. L. Foye´s Principles of Medicinal Chemistry, 5th ed., Lippincott Williams & Wilkins, 2002, 68-85.

  • Rodrigues, C. R. Modelagem Molecular. Química Nova na Escola, Edição Especial, fevereiro de 2001.

  • Barreiro, E. J.; Rodrigues, C. R. et al. Modelagem Molecular: Uma Ferramenta para o Planejamento Racional de Fármacos em Química Medicinal. Química Nova, 1997, 20, 300-310.

  • Leach, A. R. Molecular Modelling. Principles and Applications. Longman, 1996, 85-138.

 
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