Primeiros
Tempos...
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Charles Spencer Chaplin nasceu em 16
de abril de 1889, em Londres, filho de Hannah Lili Harley
e Charles Chaplin, artistas de teatro. Quando Charlie ainda
era um bebê, seu pai abandonou a família e foi
viver com outra mulher. Sua mãe começou a sofrer
com a depressão nervosa, parte por histórico
de família, parte por efeito da fome que passava. Hannah
tinha mais dois filhos: Sydney e Wheller.
Existem alguns boatos acerca de que
Charles teria nascido na França. O próprio Chaplin,
em conversas, chegava a afirmar isso. Mas não existe
nenhuma fonte confiável que afirme isso. Há
também boatos de que Charles não fosse filho
de Charles Chaplin (Pai). Um dos motivos que fortalecem isso
seria a própria aparência de Chas: o pai era
forte e alto, Chas, ao contrário, pequeno, com grandes
olhos azuis. Esta também é um boato difícil
de se provar.
Charlie
teve sua estréia nos palcos aos 5 anos, substituindo
sua mãe num musical. A partir daí o estado de
Hannah só piorou. Os garotos foram colocados em orfanatos
diferentes, devido a diferença de idade. Charlie, com
tendências depressivas, desde criança, sofreu bastante
e ficou traumatizado por separar-se da mãe e do irmão.
Durante um período, Chas foi entregue ao seu pai, indo
morar com sua madrasta e um irmão por parte de pai. Como
o casal bebia muito e sua madrasta (quando bêbada) tentava
lhe bater, ele começou a dormir na rua enquanto seu irmão
Sydney não chegava em casa.
Foi
o pai de Charles quem conseguiu um teste para Charlie na companhia
de bailarinos “Eight Lancashire Lads”. Em 1901,
Charles Chaplin Pai, morreu vitimado pela cirrose. Hannah, que
estava parcialmente recuperada, providenciou o enterro junto
aos colegas de teatro, que ainda respeitavam o ex-astro.
Chaplin
tentou vários ramos. Foi vendedor de barcos, flores,
soprador de vidros (desmaiou no primeiro sopro), vendedor de
lojinha (foi demitido após descobrir como conseguir chicletes
de graça na máquina) e mordomo (o emprego que
mais gostou).
Foi
interpretando um pequeno cockney e a peça Sherlock Holmes
que ganhou algum dinheiro. Foi contratado pelo Circo Casey,
onde aprendeu truques de comédia que utilizaria por toda
a vida. Sydney, que tambem tentava a vida como ator, conseguiu
um papel na Companhia de Fred Karno, considerado o Rei do Music
Hall londrino. Depois de muito insistir, conseguiu um teste
para Charles, que foi contratado sem muito intusiasmo por Fred
Karno.
Em
1909 Chaplin fez sua primeira viagem internacional. Destino:
Paris. Depois de ganhar papéis medíocres, foi
ganhando a amizade de todos e teve uma oportunidade de fazer
um bêbado. Foi um sucesso. No ano seguinte, seguiu em
turnê por Londres.
Em
pouco tempo passou a ser considerado o ator principal da companhia,
tudo isso graças ao bêbado. Cada centavo que ganhava,
ele juntava para comprar uma fazenda. Foi para os Estados Unidos
em turnê, e dois anos após recebeu um telegrama
de Mack Sennett, dono da Keystone, que desejava conhece-lo.
Depois
de um ataque de pânico que durou 3 dias, finalmente ele
se apresenta para o teste. Seu primeiro salário na Keystone:
150 dólares por semana.
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Tempos
de trabalho...
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A
Keystone quase que monopolizava o cinema de comédias
até então. Ford Sterling era o astro principal,
e ficava cada vez mais exigente. Por causa disso, Mack Sennett
procurava por um astro que o desbancasse na bilheteria e, consequentemente,
na companhia. Sennett não conhecia o trabalho de Chaplin
direito, mas, digamos, ele estava no lugar certo, na hora exata,
e acabou sendo contratado. Lá Chaplin conheceu astros
como Ford Sterling (que lhe olhava por cima dos ombros), Roscoe
Arbuckle, com quem faria dupla em alguns curtas e Mabel Normand,
que dividiu com ele a maioria dos curtas desse seu período.
Em
fevereiro de 1914 ele estreou seu primeiro filme na casa:
Making a Living (Carlitos repórter). Neste filme, o
vemos como um vilão. No seu segundo filme, Kid auto
races at venice (Corrida de automóveis para menino)
aparece uma personagem que o público passaria identificar.
Segundo Chaplin:
“Pensei
que poderia usar umas calças muito grandes e uns sapatos
enormes, além de uma bengala e um chapéu coco.
Queria que tudo fosse contraditório: as calças
folgadas, o paleta apertado, o chapéu pequeno e os
sapatos enormes. Não sabia se deveria parecer velho
ou jovem, mas quando me lembrei que Sennett tinha pensado
que eu era bem mais velho, coloquei um bigodinho que me daria
alguns anos sem esconder a minha expressão”.
Claro
que não foi tão fácil. Ele pegou as calças
emprestadas de Arbuckle, o chapéu de outro, os sapatos
velhos e a calça apertada, cada um de uma pessoa diferente,
para fazer o contraste. Nasceu o Charlie, no Brasil conhecido
por Carlitos.
Foram
ao todo 35 curtas metragens ao longo do ano. Muito trabalho,
e ele estava exausto. Em 1915 sua sorte tinha mudado, e o
sucesso de sua personagem junto a platéia chamava a
atenção de produtores, e foi assim que a Essanay,
produtora de Gilbert M. Anderson (o famoso Bronco Billy) o
contratou. Ganhou 10.000 dólares de bonificação
e 1.250 por semana. Ainda teria o direito de escolher uma
equipe. E assim ele o fez. Foram 14 filmes, que contaram com
a colaboração de Edna Purviance (par), Charlotte
Mineau, Leo White. Atrás das câmeras, Rollie
Totheroh, que iria acompanha-lo durante sua carreira nos Estados
Unidos. Ele confiou em Rollie como um segundo olho. Na Essanay,
Chaplin teve mais liberdade e pôde enfim dirigir seus
filmes. Lá ele também começou a desenvolver
suas técnicas de filmagens.
Em 1916 a Mutual o procurou
e foi fechado um contrato que envolvia 10.000 dólares
semanais e uma bonificação de 150.000 dólares
em troca de 12 curtas. As primeiras obras primas surgiram
na Mutual. Eric Campbell, Henry Bergman (que lhe ajudaria
muito na criação), Albert Austin, Leo White
e Edna Purviance foram chamados para acompanha-lo, e surgiram
filmes como “The fireman” (O bombeiro), “The
Vagabond” (O vagabundo), “Easy Street” (Rua
da Paz) e The Immigrant“ (O imigrante), dentre outros.
Dessa etapa, Campbell foi o destaque, fazendo a contradição
entre o forte alto e o fracote baixinho (Carlitos), que tanto
agrada o público. Eles formaram, antes mesmo de O gordo
e o magro, a primeira dupla de contrastes.
Em 1917, já muito famoso,
o ator participou da campanha para vender bônus de Guerra,
durante a Primeira Guerra Mundial. Juntamente com Douglas
Fairbanks e Mary Pickford, viajou o país vendendo os
bônus.
Com o final do contrato com
a Mutual, Charles não renovou. Partiu para a First
National, onde faria mais 8 filmes no período entre
1918 e 1921. Na nova companhia, que era basicamente uma produtora,
ele pôde desenvolver-se também nesta área,
promovendo totalmente os seus filmes. A partir dos filmes
realizados na First National, ele pôde ser o proprietário
de seus negativos. Erick Campbell havia morrido em um acidente
de carro, e a posição e vilão necessitava
de um substituto. Mack Swain é contratado. Os irmãos
de Chaplin são chamados para trabalhar com ele, e Syd
chega a estrelar alguns filmes. São desse período
filmes como “A dog’s Life” (Vida de Cachorro)
e “The Kid” (O garoto). Mas
ele queria mais. Mary Pickford e Douglas Fairbanks também.
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United
Artists e retorno a Europa
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A
United Artists foi inicialmente chamada de The Big Four, inspirado,
obviamente, nos quatro nomes dos fundadores. Eram os big four:
Mary Pickford, Douglas Fairbanks, Charles Chaplin e o produtor
D. W. Griffith. Willian Hart também participava do
grupo. Recebendo ajuda de profissionais que vinham de concorrentes,
pouco a pouco a United artists começou a ganhar espaço
comercial. Na verdade, a participação de Charles
acabou sendo apenas simbólica, pois ele não
participava das reuniões, e os sócios começavam
a ficar bravos com ele, pois todos já tinham estrelado
filmes para a nova companhia, mas ele não. Em 1923
ele entregou o filme “A Woman in Paris” (Casamento
ou Luxo), estrelado por Edna Purviance. O filme foi um sucesso
de crítica, mas o público não queria
ver um filme de Chaplin sem Chaplin. Foi o seu primeiro fracasso.
Dois
anos mais tarde surgiu, The Gold Rush, considerado por muitos,
sua maior obra. Os executivos ainda não estavam satisfeitos,
poisum único filme a cada dois anos não era
suficiente para que a companhia precisava para conseguir se
erguer. Ele reclamava que era um artista, e que dependia de
sua inspiração, mas de pouco valiam seus argumentos.
A amizade com Mary Pickford, que já era complicada
(os dois brigavam constantemente) tornou-se insuportável,
e os dois já não se falavam.
Em
1927, Joseph M. schenk assumiu a presidência. No ano
seguinte começaram as filmagens de City Lights (Luzes
da Cidade). O cinema falado surgia com tudo. Ele se opôs
freneticamente a isso, pois achava que o vagabundo não
podia falar. De qualquer forma, as filmagens foram interrompidas
por um bom tempo, e ele reagiu com crises de depressão
e falta de criatividade.
Em uma entrevista para a revista Motion Pictures Herald, declarou:
“Detesto
os talkies. Eles chegaram para destruir a arte mais antiga
do mundo, a arte da mímica. Derrubam o edifício
atual do cinema. A beleza plástica continua sendo a
coisa mais importante do cinema. O cinema é uma arte
pictórica”.
Em
City Lights, no lugar da fala, ele decidiu fazer uma trilha
sonora, que foi baseada em La Violetera. Radical ao extremo,
a fala somente insinua-se no filme, logo no inicio, no discurso
do prefeito. Mas, contrariando todas as expectativas, os filme
lotou todas as salas e foi exibido por mais de 2 semanas consecutivas,
tornando-se seu maior sucesso.
Nesse
período ele retornou à Europa, onde conheceu
muita gente importante. Ele, nessa altura, já podia
ir e vir sem ser convidado, e dispensar a visita até
mesmo de um rei. Lá conheceu Winston Churchill, Mahatma
Gandhi, John Maynard Keynes, George Bernard Shaw, H.G. Wells,
Aristide Briand, a condessa de Noailles, Albert Einsten, Camil.
Na
Europa ele seguiu fazendo declarações que os
jornais publicavam e faziam conhecidas as suas idéias
sobre o homem e sobre a vida. Nessa etapa ele chegou mesmo
a cogitar viver como escritor de temas sociais. Mas esse era
um assunto que o fascinava, mas também o deixavam profundamente
deprimido.
Certa
vez, Somerset Maugham disse sobre a obra chapliniana: “Tenho
a impressão de que sente saudade dos subúrbios
(...). Acho que se lembra, com nostalgia, da liberdade da
sua juventude difícil, com a pobreza e as amargas privações,
e sabe que nunca estará satisfeito”. Não
poderia ser mais errado, para o Chaplin. Ele costumava dizer
que não conhecia um pobre, que tendo ficado rico, sentisse
saudade da época em que passava fome.
Na
década de 30, o cineasta começou a fazer sua
próxima obra: Modern Times, uma crítica a máquina,
que tomava cada vez mais o lugar do homem. E foi com uma gag
do filme (a que o vagabundo, tendo visto a bandeira cair,
começa a agitar e é confundido com um agitador),
que seu nome começa a constar na lista de personas
non gratas no país. The Great Dictator deixaria os
americanos ainda mais constrangidos, por criticar abertamente
Adolph Hitler. Os americanos queriam neutros com relação
a guerra. Franklin Roosevelt recebeu Charles na Casa Blanca,
e disse para ele: “Sente-se Charlie, o seu filme nos
está dando muitas dores de cabeça”.
O
ator começou a ser chamado de comunista, sendo incluído
na lista de personalidades hostis, pelo Comitê de Atividades
Antiamericanas. Ele ficou na lista conhecida como “Os
10 de Hollywood”. Na verdade ele se auto rotulava um
humanista. A situação começou a ficar
insustentável. Cada palavra sua era examinada, e cada
cena de filme analisada, antes de ser liberada. Ele falou:
“Para
a sua conveniência, direi o que eu acho que desejam
saber. Não sou comunista e nunca fiz parte de nenhum
partido ou organização política na minha
vida. Sou o que vocês chamam de traficante da paz. Espero
que não se sintam ofendidos por isso”.
Falta
de patriotismo, militância comunista, suspeita de adultério
eram algumas das acusações feitas a ele. Em
1952 ele partiu no Queen Elizabeh, com sua esposa Oona e seus
filhos, embarcando para Londres. Durante a viagem ele recebeu
a informação que não poderia mais voltar.
Oona renunciou a sua cidadania americana e Chaplin devolveu
seu visto de regresso. Dizia que estava velho para tantas
bobagens. Na Europa ainda fez dois filmes: Um Rei em Nova
York (uma sátira ao país que lhe expulsou) e
A Condessa de Honk Kong (em que dirigiu Sophia Loren e Marlon
Brando).
Foi
viver em Vevey, na Suíça, onde teve mais filhos.
Em 1971 recebeu uma homenagem da Academia de Hollywood, que
lhe deu um Oscar especial “pela incalculável
contribuição à arte do século:
o cinema”. Foi aplaudido de pé durante muitos
minutos. Em 1974 foi nomeado cavaleiro do Império Britânico.
Chaplin
morreu na madrugada do dia 25 de dezembro, cercado por Oona,
filhos e netos.
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