Deus
bom é Deus morto #2
Porra,
dois meses pra mandar a segunda coluna, meus planos de manter uma periodicidade
mensal pelo menos, foi logo cedo pro saco. O cotidiano consome as pessoas. Mas
vai aí um monte de palavras já ditas, pois muito foi dito, mas pouco
foi feito. Ao menos não foi o suficiente.
Quatro
partes de uma merda só
Parte
I - Da condição
-Quem
somos?
Uma horda de seres bestiais, mas que acreditam na salvação.
Estúpidos, perversos, sádicos, mas cheios de compaixão e
amor pra dar. Somos a hipocrisia.
-De
onde vinhemos?
Certamente de um filme de horror, e dos mais bizarros. "Não!
Vinhemos de Deus e a Ele devemos servir!", disse algum reles mortal. Foi?
Então ele só podia estar de diarréia pra ter feito tanta
merda. Mas tudo bem, nós como seus servos fazemos bem o nosso trabalho:
espalhamos merda onde chegamos.
-Pra
onde vamos?
Já estamos indo e justamente para onde mais temíamos,
o inferno. Iremos todos nos afogar num mar de merda, pus, catarro e todos os excrementos
que jogamos todo dia nesse grande esgoto chamado planeta Terra.
Parte
II - Da mudança
-O
que fazer?
Boa pergunta, mas se eu tivesse a resposta pronta, você deveria
me matar antes que eu matasse você em nome de alguma coisa. A verdade não
será revelada, ela será estraçalha e triturada para que não
sobre nenhum restigio de cultura autoritária. O que podemos fazer é
encarar as possibilidades, experimentar, mas para isso devemos quebrar as correntes
que nos prendem a... bem, digamos que nos prendem a verdades embaladas, bonitas,
com 4 sabores e prontas para consumo.
-Que
meios utilizar?
Você não pediu pra nascer, não escolhe
seus horários e ninguém se importa sobre sua opinião quanto
aos rumos do mundo. As estruturas foram montadas e você foi jogado dentro
delas, porem ninguém disse que elas são rígidas o suficientes
para agüentarem um porrada bem dada. Ou melhor, sempre dizem isso, mas uma
sucessão de porradas bem trabalhadas, pensadas e organizadas, procurando
identificar os pontos a serem atingidos, inclusive, utilizando-se dessa própria
estrutura é um caminho. Mas pêra lá, quando falo de utilizar
as próprias estruturas não estou falando de "tomar o Estado",
de "tomar o poder", como se poder fosse uma coisa que eu pudesse pegar
e guardar no bolso. Talvez então, fosse melhor dizer "instrumentos",
ao contrário de estruturas para evitar confusão. De qualquer modo,
foda-se e morra!Não, foda, foda muito, em todas as posições
possíveis e imagináveis. Dê vida, sexo e tesão a um
mundo broxante e morto. Se organize filho(a) da puta, porque eles estão
muito bem organizados. "...os filhos da puta tem sua própria consciência
de classe..."
Parte
III - Do fim
-Onde
podemos chegar?
Sinto muito, você pode sentar e chorar, pois nunca chegaremos
a lugar nenhum. Ao menos, não vamos nos fixar em lugar nenhum. Não
estamos falando de uma horrível conta de matemática, com formulas
certas para resultados exatos. A história não tem um fim, seja lá
que fim (opa!) dê nossas ações. O que precisamos saber é
que se somos sujeitos de nossa história, são nossas ações
dentro dos meios que utilizamos que nos fazem visibilizar algo além dessa
porra toda. Só que existem imprevistos, o que deixa sempre uma incerteza,
uma dúvida. "Ah! Única certeza que eu tenho é que preciso
trabalhar pra ganhar dinheiro e poder comer, sair, trepar, fumar, cagar..."
Ok, o imediatismo e a comodidade são sempre fortes. Isso também
é um caminho, mas o roteiro todos já sabem. E esse roteiro só
pode ser uma piada, e piada repetida não tem a menor graça! "Caminho
insosso para um final sem graça".
Parte
IV - Das considerações finais
-Pra
que porra isso foi feito? Seria algum tipo de "guia", "estatuto",
respostas para perguntas que afligem a humanidade, a "verdade revelada"
ou o quê?
Nada disso caralho! Apenas vejo que o mundo é uma doença,
nós somos doentes. O vírus está dentro de nós e se
existe cura ela vem de nós e de mais ninguém. É como diria
o H-Men: "Eu tenho a forçaaa!!" (Isso foi uma piada, sem graça
é bem verdade, mas não pude resistir)
Top
5 dos últimos dias:
1-
Cólera - "ao vivo"
2- Confronto - "A insurreição"
3-
Jellyroll Rockheads
4- "A metamorfose" - Kafka
5- "Memórias
de um anarquista japonês" - Osugi Sakae
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