BUENO-BRANDÃO

( Ouro Fino )

Foi em 1745 que chegou ao nascente povoado de Ouro Fino, mandado pelo capitão general de São Paulo, o capitão Bartolomeu Correya Bueno, com missão de "governar no político e com alçada do cível e no crime". No princípio do século seguinte, era eleito o primeiro vereador ourofinense à Câmara de Pouso Alegre: chamava-se Emílio de Paiva Bueno. Na eleição da Junta Governativa em 21, os Brandão estão presentes. Em 1833 o capitão Porfírio Bueno Brandão foi designado para proteger a legalidade em Ouro Preto, comandando uma companhia da Guarda Nacional.

Já a esse tempo, a política de Pouso Alegre, a que pertencia Ouro Fino, estava dividida: os Barros-Melo chefiavam a facção conservadora, os Bueno-Brandão lideravam a política liberal. Os conservadores tinham à sua testa Antônio de Barros Melo, nomeado comandante da Guarda Nacional, os liberais eram dirigidos pelo major Francisco de Paiva Bueno. O domínio dos Bueno-Brandão começa a se efetivar inteiramente em 1864. Em 1880, emancipado Ouro Fino, trava-se a primeira eleição no novo município. O liberal Francisco de Paiva Bueno sobrepuja o conservador Francisco Barros Melo, elegendo-se presidente da Câmara. Inicia-se a luta entre os "Curiangos", que eram assim chamados os conservadores por se reunirem sempre de noite, e os "Molambos". Na eleição seguinte, os "Curiangos" vencem os "Molambos", mas os Barros Melo perdem de novo a situação para os Bueno Brandão no pleito de 1887. O chefe liberal, Francisco Bueno de Paiva, é o pai de Júlio Bueno Brandão e tio e sogro de Francisco Silviano Brandão, os quais, a partir de 1870, aparecem na cena política, passando a liderar a facção de sua família. Com a República, os conservadores Barros de Melo, que se haviam ultimamente convertidos em republicanos, conquistam, com as boas graças de Bias Fortes, o bastão municipal. Mas foi esse um domínio efêmero. O próprio Bias Fortes acabaria por entregar de novo a situação aos Bueno Brandão que daí para cá passariam a dominar inteiramente. Configura-se assim nesse município uma linha de sucessão política que pode ser assim definida a partir de 1864: 1º chefe: Francisco de Paiva Bueno, que passou a liderança ao seu sobrinho e genro Silviano Brandão, deputado e presidente do Estado e vice-presidente eleito da República; com a morte de Silviano Brandão, assume a chefia o seu cunhado e primo Júlio Bueno Brandão, deputado, presidente do Estado, senador da República, o qual seria substituído, na liderança local, pelo seu filho mais velho, Júlio Bueno Brandão Filho, deputado estadual, federal, constituinte de 34, e, em seguida, pelo seu filho mais novo, Francisco Bueno Brandão, atual suplente de deputado federal pelo PSD, prefeito de Ouro Fino no último quatriênio. O domínio Bueno Brandão no município tem declinado a partir de 1947. A própria família se dividiu, estando elementos dela aliados aos adversários dos Bueno Brandão, chefiados por descendentes de antigos colonos italianos.

 

 

VILHENA- VALADÃO

 

 

 

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